Dois mil e dez se aproxima e a gente acaba fazendo aquela reflexão de fim de ano, pensando nas mudanças que vivemos, nas somas, subtrações, e enfim, resultados deixados pelo tempo. Eu ainda não pude tirar o balanço do ano, porque foram tantas mudanças, tantas contas complexas, que ficou difícil acompanhar tamanha expressão algébrica! Mas, uma coisa tem me chamado muito a atenção, e não por acaso é aquilo que preenche a maior parte de meu tempo, e está a cada dia alterando minha rotina. O desenvolvimento da Laura me surpreende a cada dia, e é sobre sua passagem para uma nova fase relativamente independente que quero falar.
Gosto muito de um autor da Psicanálise que, de tão peculiar, na minha opinião, superou muito os cânones da teoria freudiana, o pediatra-psicanalista Donald Winnicott. A idéia "independência relativa" é dele. Segundo suas observações, os bebês passam de uma dependência absoluta com a mãe para uma fase de autonomia psíquica que, claro, não é total. Essa passagem é rápida, se dá em poucos meses e anos. Vai se reequilibrando sobre uma consciência de unidade e constância no tempo, que, para ocorrer, depende dos cuidados alheios e da rotina do ambiente.
Essa idéia sempre esteve nas minhas preocupações com o dia-dia de Laura. Desde o início me esforço para manter uma rotina relativamente estável e tranquila. Também me esforcei para amamentá-la o máximo possível, formar um vínculo afetuoso, sem exagerar na dependência. Ela sempre dormiu em seu próprio quartinhho, se acostumou a dormir no próprio berço, sem precisar do usual balanço no colo. Ótimo!
Fico muito satisfeita de ver minha gostosurinha se desenvolver perfeitamente, já engatinhando e ficando em pé, super curiosa e se jogando no mundo para conhecê-lo. Continuo por aqui, mas agora na sombra, na paisagem desse universo de descobertas e riscos sedutores...
O consolo do seio materno já não tem mais um lugar tão privilegiado em sua rotina. Ela mesma já não tem mais pedido esse recurso, e quando eu o ofereço, mama um pouquinho, pára, olha pra mim sorrindo, dá umas amassadinhas com as mãos, achando muito engraçada a textura desse objeto tão conhecido e ao mesmo tempo "novo". Não fica muito tempo parada, no colo, sente calor, e a vontade de percorrer a casa sozinha no chão é maior do que a necessidade de sugar.
Ela já come de tudo também! Ou quase tudo, porque tento controlar a qualidade do que põe na boca... Mas quer tudo o que vê a gente comer. Quer experimentar, quer saborear a vida. Que delícia! Ainda bem que tem gostado de quase tudo que lhe é ofecido (até o momento, só foram rejeitados a banana e a geléia de mocotó).
O coração da mamãe fica grande de alegria, se derrete todo... Mas, também, tenho que confessar: depois desses longos e intensos oito meses, o coração genitor fica um pouco solitário diante da gradual independência. Tenho a difícil terefa de ir preenchendo o vazio com outras atividades e amores, o que tenho feito com meu querido companheiro! Mas, olha aí a imagem da mamãe resistindo ao NÃO, e insistindo na dependência! Só um abraço e um beijinho, vai?
1 comentários:
Carol, emocionante seu relato. Bravo!! :)
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