Às vezes, a maternidade engole a gente... às vezes, a gente tem de engolir a maternidade. A gente sonha com a capacidade de ser AQUELA mãe, de ser simplesmente PERFEITA. E aí, tem que engolir a realidade!
A maternidade de cada uma é aquilo que se pode conter no pequeno e limitado universo de qualidades e defeitos que cada uma tem. E não é que a cada dia, e a cada promessa de acertos, e orações por maior paciência, mais força física, maior devoção, percebe-se que é na imperfeição que se faz uma MÃE? Uma mãe de verdade, não dessas das propagandas, dos manuais, da Bíblia! Uma mãezinha... mamãe... mãezona... aprende a conhecer seus limites, e mesmo que tente puxar um pouquinho aqui, dar uma esticadinha, sabe que nunca vai conseguir ser aquilo que sonhou!
Nesse destino paradoxal é que encontramos a diversidade se expressar. Um que chora mais, porque sabe que será logo logo consolado pelo colo. Um que quase não chora, porque acostumou-se a sentir-se sozinho. Um que ri para todos. Outro que só dá um cantinho da boca e volta-se imediatamente para a face mais amada. Um que aprende rápido a se mover, buscando outros espaços, cheio de curiosidade. Outro que é preguiçoooooso... ai ai e espera que o movam já. É por causa das falhas que permitimos aparecerem diferentes sujeitos, novas subjetividades. Mesmo quando achamos que está tudo tão bom e previsível, mais tarde percebemos que foi um exagero.
Eu vivo me consolando. Mas, não me canso de tentar! Porque, para que afinal existe a perfeição senão para nos fazer ver nossas falhas e motivar-nos a melhorar?
Hoje acordei com muita vontade de falar sobre amamentação. Pra mim, um assunto que parecia tão tranquilo e pessoal, até me deparar com as polêmicas que ele pode causar em discussões (ou na falta delas) em mensagens de um grupo virtual. Explico-me: a enfática frase "amamentar é um ato de amor" pode às vezes, carregada de dogmas, fomentar o disparo de críticas desmedidas a uma ponderação ou reflexão diferente sobre o ato de amamentar. Além disso, minha fiha completa 6 meses no próximo sábado, quando já começo a planejar a introdução de alimentos salgados e o gradual desmame. Ela, na verdade, já come frutas e bebe água, com a orientação pediátrica, desde 3 meses completos, e, apesar da máxima super divulgada do aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, continuo afirmando que esta foi uma das melhores decisões que tomei neste período. Por quê?
Bem, para mim e para outras mulheres que tenho conhecido, o ato de amamentar não começou como algo naturalmente fácil e prazeroso. No meu caso, tive até grandes vantagens por ter preparado o bico durante a gestação e por ter muito leite, desde o início. Mas, tenho um desvio sério na coluna, que me causa muita dor! Laura, sempre bem maior que a média de bebês de sua idade, e uma bezerrinha, mamou em intervalos de 2 horas durante os dois primeiros meses. Parada numa mesma posição, segurando-a nos braços ou deitada, numa posição desconfortável para minha lombar, cheguei a ter um torcicolo sério e contraturas recorrentes.
Como comentei em outro texto, eu e meu marido optamos por não ter babá neste momento, nem colocar Laura numa creche. Parei de trabalhar, por enquanto, para dedicar-me quase exclusivamente a ela. Contando com ajuda eventual da família, nós dois temos sido vitoriosos na divisão do cuidado, mantendo cada um à sua maneira uma relação muito íntima e gostosa com nossa "gostosurinha" (como a apelidamos!). Mas, eu sou muito honesta comigo mesma. Aprendi com alguns anos de terapia que, hipocrisia e mensagens dúbias são alguns dos piores males nos relacionamentos, inclusive parentais. Por isso, sempre fui clara com meu marido: amamentar não é fácil! É preciso valorizar!
Entrando num estado de estresse intenso, com muitas dores e dormindo pouco, a tristeza começou a se instalar sorrateiramente em mim. Amamentava Laura, em alguns momentos, com um estado de tristeza e desânimo. Pensava na interrupção de minha carreira (que tanto prezo), na saudade de sair com os amigos, na dificuldade de planejar meu dia-dia e fazer algo puramente para mim! A tensão se intensificava e a dor alimentava ainda mais esses pensamentos.Consolava-me, em vão, com idéias de culpa, de responsabilização: "eu escolhi ter filho, eu que agüente toda a carga".
NÃO! Não acredito que seja essa a tradução do aleitamento materno como ato de amor. E, comecei a perceber que todo aquele estado de espírito não era causado pelo fato de eu estar cuidando de minha filha, mas era simplesmente minha mente absorvendo o profundo cansaço físico em que estava. Decidi buscar uma solução alternativa para não permitir que tal ato sacrificasse tanto meu corpo e mente, sem privar a Laura do melhor alimento que ela poderia ter. Voltei a me alegrar muito em ver minha "gostosurinha" mamar com tanta felicidade.
Conversei com a pediatra, e com uma vaga perspectiva de voltar a trabalhar quando Laura completasse 6 meses, resolvemos introduzir as frutas quando completou 3. É claro que isso só foi possível com uma avaliação de seu estado de saúde. Ela já tinha ganho muito peso, bem mais do que a média de sua idade, e fomos testando aos pouquinhos como as frutas afetavam seu sistema digestivo. A banana foi ficando de lado, até ela recebê-la melhor, a maçã, a pêra e o mamão foram muito bem digeridos. A alegria dela ao experimentar os novos alimentos também se tornou contagiante! Ela ficou tão alegre que passou a não pedir mais o mamá após a frutinha, como ocorria no início.
Introduzir os novos alimentos e continuar a amamentar, sem a introdução de mamadeiras, foi muito bom para nós duas! Continuo achando maravilhosa a intimidade que construímos com o processo da amamentação. E também tenho ficado surpresa com a confiança e a gradual "independência" que Laura tem manifestado, se desenvolvendo até mais rápido do que o esperado.
Hoje não estou com medo do tal desmame, que assusta muita gente! Sei que Laura irá receber, com muita alegria, os novos sabores das papinhas salgadas, e ela sabe que isso não implica em perder de vez seus momentos prazerosos ao seio da mamãe. Até quando amamentarei? Não sei! Vou construindo, sem preconceitos e dogmas, essa gostosa relação com minha filha. Quando estivermos prontas para uma mudanças como essa, ela virá sem a carga de culpa e chateação que tantas mulheres, infelizmente, ainda tem que enfrentar!
OBS.: Vale muito a pena ler o texto do link! Ele foi escrito pela Taís do Ombudsmãe, um blog excelente! Há também um outro mais polêmico ainda, e em inglês, no seguinte endereço: http://www.theatlan tic.com/doc/ 200904/case- against-breastfe eding/3
Cláudia vive como se nunca tivesse saído do mundo de fantasias infantis que construíra. Porém, é mais provável que tenha retrocedido ao sonho mais pueril, em certo momento inesperado, para evitar a fúria da realidade. Assim, ela vive sob o espectro de um mundo irrealizável, que a impede de viver o que poderia de fato. É uma vida de ilusões, cujo preço é muito alto, para ela e para seus filhos. Alimenta-se das realizações deles. Supri-se das sombras que a fazem lembrar de seu sonho. Soma cada luz, tom, cor, gesto e palavra que possa associar ao ideal que construiu.
Um dia, a casa desaba. O chão, que já não é mais o mesmo de tantos arranhões, e as paredes, que não são mais brancas, despertarão seus olhos fechados. A casa ficará vazia e muda.
A perda dos pais não a fez despertar, a morte do marido a tornou ainda mais submersa, o amadurecimento de seus filhos é sua única porta de saída. Não será fácil. Eles sofrem deixá-la e forçá-la acordar. Mas, já percebem que não são os gritos, as lágrimas e a presença que a farão reviver. Devem sair! Devem cortar as últimas amarras que os impedem de viver a própria vida, longe de seus desejos. Devem descobrir-se seus. Únicos. Vívidos. Pais. Fontes e frutos de novidade.
Ela sofrerá, porque não sabe alimentar seu sonho, a não ser pela vida alheia. Quer encontrar alguém que ainda lhe permita sonhar adormecida, e busca, desesperadamente, uma vida na qual se projetar. Não um romance! Porque o único homem com o qual poderia sonhar era aquele que a levava ao passado, ao lado do marido falecido, seu filho. Mas ele amadurece mais e mais a cada dia, e logo sairá.
A mulher do filho: não há ninguém mais perfeita para se ancorar! A companheira do filho pode deixá-la continuar a viver esse mundo torpe, enquanto a realidade permanece como um paralelo desconhecido. É com ela e através dela que a vida alheia ainda lhe servirá! Seu filho continuará sob sua custódia, indiretamente, sem perceber. E assim, continuará a viver o sonho interrompido de seu próprio casamento.
A mulher do filho não percebe que a amizade é apenas um laço, que cada vez mais reforçado, liga as duas vidas. Mas, tal amizade pode ser a ponte para a perda da autenticidade. Porque amor demais aprisiona. Porque amor em excesso é a apropriação do outro para a sobrevivência de um self vazio ou inacabado.
A mãe do marido quer estender a ela sua capa. Quer abraçá-la, quer acariciá-la, amamentá-la, supri-la, urgentemente, quer ser sua protetora e dona. Enche-a de cuidados, e torna-a vazia. Seus sentidos se esvaem enquanto sua alma sente-se sugar. A princípio, o beijo é doce, o afago é bem vindo, e como é reconfortante o olhar materno sobre ela! Faz-lhe lembrar da segurança do colo de sua própria mãe na infância. Nesta realidade tão sólida e imprevisível, como é boa a sensação de voltar a um mundo que era só seu, de fantasias onipotentes! Sob a capa de tal amor ela não precisa nem desejar, porque não há falta.
A moça não vê que está perdendo sua alma. Mas esta, antes de partir, atormenta-se e se agita para alertá-la. Sua alma já está ligada ao mundo imprevisível! Aprendeu a amar o sabor dos ventos, e acostumou-se a viver de acordo com tantas mudanças. A vida muda, e aí está a graça! Por isso, a ansiedade se instala e não a deixa sucumbir ao sono. Não consegue descansar, mas não entende nada. Apenas não consegue mais degustar do doce mundo provido pela sogra.
Agora, a moça não consegue mais amá-la. Quer amar a seu homem e com ele continuar a crescer. Tornar-se mãe, sua própria mãe, mãe de si. Não há porque sacrificar a vida por um mundo de ilusões que um dia pedirá suas contas!
A sogra arrebenta-se com a perda. Agita-se. Torna-se compulsiva. Come compulsivamente a fim de estancar o buraco amargo que ficou em seu peito e tem se aberto mais e mais. A cada manhã que acorda na casa mais silenciosa, seus ouvidos atormentam-se com os sons da realidade que a segue. Ah não consegue aturá-los! Sons que devem ser remediados. Alimenta-se com calmantes. Esconde a angústia sob um sorriso exausto e esperançoso. Não quer deixá-los. Não quer deixar seus filhos levarem-lhe a vida. (...)
Diariamente, tento aproveitar os intervalos que Laura me concede para assistir alguns programas na televisão ou prosseguir em uma leitura de livro ou revista. Tenho minhas preferências, detesto ficar passeando aleatoriamente entre os canais da tv e divagando entre as capas nas livrarias e bancas. Já sei os horários de meus programas preferidos, já sei quando saem as revistas que gosto, já tenho meus autores escolhidos (apesar de que, para este item ainda me sinto muito crua e portanto procuro alimentar a paciência e a curiosidade). Assim, hoje, pela manhã, como Laura me deu uma rara e longa folga, enquanto dormia, me deparei com duas afirmações em dois programas, que a mim serviram de tremenda luz e inspiração!
Quem me conhece de perto sabe que vivo às voltas com as questões da identidade materna, bombardeada pelas expectativas da família de meu marido de um lado e por minha tumultuada história familiar por outro. Soma-se a isso minha quase compulsão por sentir-me aprovada e reconhecida pelos meus pares e a surpresa de ter engravidado de repente! Por isso, quando escutei a resposta de Madonna ao David Latterman, esta manhã, sobre se teria melhor ofício no mundo do que ser mãe (tendo em vista que, sendo quem é, optou por ser mãe de três e ainda desejosa de adotar mais), fiquei tão empolgada. Ela respondeu com sua irreverência que, é claro que sim! Disse que não trocaria a maternidade por nenhum outro ofício, mas que esta é uma tarefa muito difícil. O mais interessante foi ter devolvido a pergunta com outra: “Do que ser mãe? Apenas mãe?”. Confesso que uma afirmação tão contrária ao mito da maternidade perfeita / feminilidade ideal faz jus a persona polêmica que Madonna incorpora, mas agradeço sinceramente que ela possa dizê-lo com tanta honestidade o que para outras mulheres parece tão impróprio apesar de verdadeiro.
A segunda afirmação que me impactou esta manhã veio de Mônica Waldvogel, no programa Saia Justa, quando as apresentadoras discutiam sobre a dissimulação. Ela disse algo sobre a fragilidade do dissimulado. O dissimulado precisa sê-lo porque sente necessidade de impressionar o outro, e às vezes sua atuação é tão perceptível que é possível sentir pena dele. Uns sentem raiva e querem desmascará-lo, mas há quem enfatize sua fraqueza e se penalize. Não decido sobre que atitude é melhor diante de um dissimulado, porque há tantos de tantos tipos, que para cada um cabe uma sentença. Mas, esta afirmação veio ao encontro da questão sobre a identidade materna, com a qual tenho lutado tanto desde a gravidez. Tenho a impressão que muitas mulheres se acostumam a viver em busca da aprovação dos homens e das gerações anteriores, especialmente no quesito maternidade ideal. Elas se submetem com enorme investimento afetivo a um ideal de mãe que se satisfaz plenamente em suprir as necessidades de seus filhos e que supera de longe qualquer tentativa dos homens em participar do desenvolvimento deles. Se por um lado, “não basta ser pai, tem que participar”, por outro, “mãe só tem uma”. Ser mãe já define tudo. Ser pai é uma construção. É como se já existisse uma fôrma na qual, nós mulheres, temos que nos apertar, ainda que para isso usemos a dissimulação.
Talvez por isso, quando uma mulher foge radicalmente do padrão ideal herdado por sua família e pela comunidade em que vive é penalizada. Talvez porque minha mãe tenha exercido uma identidade tão diferente, tão singular, um dia escutei a mãe de uma amiga da escola dizer “Diana, você nunca podia ter sido mãe!”. Nunca esqueci dessa frase, fiquei muito intrigada com ela. Porque, se ao comparar com os padrões tradicionais, minha mãe se destaca negativamente, comparando nossa relação com a hipocrisia com que várias amigas se relacionavam com as suas mães, eu preferia ser como ela. Ela não se esforçava para dizer o quanto era maravilhoso ter filhos, nem se privava de desabafar, durante minha adolescência, que, depois de quatro filhas, já estava cansada e que nós tínhamos que amadurecer logo para sermos independentes. Seu afeto por nós é rasgado, livre e transparente. Ela foi deixando claro ao longo de nossa criação que ser mãe não é o melhor ofício do mundo, e que ela estava muito longe de ser o ideal que o mundo parecia pregar.
Existe uma dissimulação necessária, como discutido no programa Saia Justa, mas será que ao incorporar a identidade de mãe, precisamos dela? Será que não podemos, honestamente, abrir o verbo e dizer o quanto a maternidade nos priva de prazeres e nos invade sem pedir licença? Será que não é mais forte a mãe que sabe admitir que não pretende suprir todas as necessidades de seu filho, que tem suas limitações, e que apesar de assumir sim a responsabilidade de criá-lo, precisa da participação de um outro que assuma igualmente a tarefa? Penso que é mais saudável para mãe e filho terem a clareza de que há um mundo de possibilidades além dessa relação primordial, que ela não é a plenitude para a mulher nem a fonte única para a criança. Que é possível explorar formas diversas de ser mãe, sem impor privação irresponsável aos filhos, mas também sem oprimir e subestimar a identidade da mulher.
Uma das grandes mudanças em minha vida durante a gravidez foi o tempo. Acostumada a viver em ritmo acelerado, tive que ir reduzindo para me adaptar aos limites de meu novo corpo. Isso não ocorreu facilmente, foi uma luta intensa e interna, entre a velha Carol (ansiosa pela independência) e a nova Carol. A novidade de estar grávida impõe um ritmo de espera, lenta e cautelosa, que deve ser aproveitada para que, aos poucos, a idéia tome forma e o coração entenda o que está por vir. Assim, fui abrindo mão, relutante, de objetivos que pareciam urgentes, de necessidades que pareciam inevitáveis. Mudei de casa, de estado civil, desviei um tanto meu caminho profissional. Aprendi a amar alguém que ainda nem conhecia, e a apreciar ainda mais o grande amor de minha vida. Sofri por deixar passar oportunidades profissionais e por adiar sonhos tão almejados. Mas, hoje, entendo que este é o tempo de uma nova vida. É necessário ter paciência, deixar que venha a barriga, as estrias, as dores, o cansaço... mas, também, a alegria, o prazer, a conquista de uma família unida e harmoniosa.
Há muitas expectativas sobre as mudanças da grávida, muitas pessoas querem participar desse período único. Mas, ninguém pode ensinar ou até mesmo impor a ela o novo ritmo, o novo tempo. Porque ele não se refere apenas ao amadurecimento do feto e ao crescimento da barriga, mas a uma nova identidade que nasce gradualmente, sob os efeitos dos hormônios, das emoções e da história de vida de cada mulher. Para algumas, a mudança é natural e sem traumas. Mas, para outras, há muito do que se abrir mão e muito do que se entregar. Não ser exigente consigo mesma, respirar fundo a cada susto, ler e ler bastante, conversar, chorar quando der vontade, se alimentar, admirar as pequenas coisas do dia-dia são estratégias para encarar com prazer o tempo dessa maravilhosa espera.
Resolvi escrever um depoimento sobre o primeiro mês de vida da Laura, porque sei que muitas mulheres grávidas têm medo desse período e que, durante ele, se a família pode ser de grande ajuda, também pode acabar atrapalhando! Na minha experiência, resolvi contrariar as previsões de que seria impossível cuidar de minha filha sem a ajuda permanente de alguém em nossa casa, além de mim e Marcelo.
Como a notícia da gravidez nos pegou de surpresa, aproveitamos ao máximo os primeiros dias de Laura para nos adapatarmos a sua presença. Eu sabia que existia a possibilidade de precisarmos sim de uma ajuda mais próxima e frequente, mas decidi arriscar. Eu já tinha presenciado o primeiro mês de minha sobrinha e sabia que não era nada fácil, mas sabia também que, às vezes, muitas pessoas ao redor podem dificultar a adaptação da nova família. O bebê precisa aprender e gostar de mamar, num ambiente calmo e com privacidade. A mãe precisa aprender os sinais de comunicação de seu filho e se disponibilizar integralmente a ele. O pai vai começar a traçar sua relação com a criança, participando ao máximo possível, cuidando mais da mãe, para que ela se sinta forte e segura nesse momento tão crucial. E, foi isso que aconteceu conosco.
Minha mãe ficou "de plantão" no telefone, disponível caso eu precisasse tirar alguma dúvida, ou precisasse de um socorro mesmo. Sua postura foi fundamental para que eu me sentisse segura, pois sabia que nós nos sairíamos bem. É claro que, várias vezes liguei para ela, assustada, chorando, ou até emocionada. Sua recepção foi um dos pilares de meu alicerce naqueles dias. Minha sogra, porém, parecia mais ansiosa com a chegada da Laura do que eu! Queria estar sempre presente, ligava várias vezes por dia, e ficava triste por não ajudar mais. Isso foi difícil, mas também conseguimos enfim contornar. É difícil fazer algumas pessoas entenderem que a melhor forma de ajudar nesse período é dando um suporte emocional, demonstrando confiança nos novos pais, dando a eles tempo para se adaptarem e enfim se apresentarem aos familiares e amigos.
Laura só começou a receber visita da maior parte dos familiares com 15 dias de vida, e dos amigos com 1 mês. Isso foi mais importante para mim do que pra ela, mas também foi orientado pela pediatra. Seu apoio também é indispensável. Ela nos deu algumas orientações básicas sobre os primeiros cuidados, em escrito, e se manteve acessível por telefone. Sua atitude de não autorizar que a maternidade desse alimentação complementar para a Laura em sua primeira noite foi importantíssima para evitar que ela resistisse à mamar no seio depois. (Isso já havia acontecido com pessoas conhecidas).
Passado o primeiro mês, Laura estava enorme! Mamava muito bem, em intervalos de 2 horas de dia e 3 a 4 horas de noite. Dormia bem e ainda não tinha apresentado os primeiros sintomas de cólicas. Ela parecia um bebê muito satisfeito! Deu seu primeiro sorriso espontâneo com 2 meses! O Marcelo se tornou um pai super carinhoso e presente. E eu, ainda nas nuvens com a alegria de vê-la mamando em meus braços! É claro que estávamos muito cansados! Nosso sono nunca mais foi o mesmo! Mas, me senti tranquila em perceber que nossa relação, como família, estava solidificada.
A gravidez é um evento único! Eu, que não estava planejando nada, tive que correr muito atrás para assimilar a informação de que geraria um bebê em alguns meses. Li muito, fiz cursos, conversei e troquei experiências com outras gerações... Mas, uma coisa concluí: esse é um processo singular, que deve ser apropriado gradualmente. Muitas pessoas querem vivê-lo por você. As gerações mais velhas gostam de reviver suas gestações, as mais novas, ficam curiosas e querem acompanhar de perto. Escutamos opiniões e conselhos de todos os lados! Uns bons, outros nem tanto... Depois de passar pelas 41 semanas de gravidez, pelo parto normal (sem anestesia) e pelos primeiros 5 meses de minha filha, posso afirmar que algumas das verdades transferidos a mim e meu marido durante esse tempo de espera podem ser considerados mitos:
Quando você engravida passa a ser apenas a "Mãe de seu filho" (ou seja, perde a identidade pessoal)
A gravidez é a plenitude para toda mulher
Toda mulher está naturalmente preparada para ser mãe (Não, não, não! Leia, se informe, questione, para embasar suas decisões)
Você esquece a dor do parto logo após o nascimento do filho (Eu não esqueci!)
A dor do parto é insuportável! (É grande, mas necessária)
Amamentar é um ato naturalmente fácil (Não, não é mesmo, mas com um bom preparo e paciência, se torna prazeroso)
Você e seu parceiro não conseguirão cuidar do bebê no primeiro mês, a menos que tenha ajuda de uma avó ou babá 24 horas por dia (veja meu depoimento sobre o 1º mês)
(...) Envie seu comentário com um mito que tenha superado durante a gestação, o parto e a amamentação!
Tenho aprendido a esperar, a vida me colocou em situações nas quais a espera foi inevitável e fundamental, em muitos aspectos. Não falo de esperança, mas daquele período em que sabemos, relativamente, o que está por vir, como receber um diploma, planejar uma viagem, escrever um livro, se dedicar para montar uma festa, engravidar, etc. Há coisas bem mais subjetivas, como a espera pela mudança de sentimentos e comportamentos próprios; e há um outro tipo de espera que, enquanto se avança no caminho para um evento bem objetivo, dá-se um profundo e duradouro processo de mudanças internas. Esperando ou não, pode ocorrer que tais períodos resultem em mudanças profundas e duradouras! É possível que se leve mais um longo tempo para entender, de fato, como fomos atingidos pela caminhada em direção a algum alvo.
Assim, a idéia deste blog é refletir sobre o período da espera, seja qual for a linha de chegada. A paciência, a perseverança, a flexibilidade, a gratidão, a generosidade, enfim as palavras delicadas e tão humanas que fazem parte desse processo são os focos de discussão aqui.
Enquanto espero, aprendi que os velhos ditados tão anunciados por minha mãezinha são muito úteis: UMA COISA DE CADA VEZ! NÃO TENTE ABRAÇAR O MUNDO COM AS PERNAS!
Então, optei por escolher um tema por vez, para ser discutido durante o tempo que lhe for produtivo.
Pra começar, vamos falar de GRAVIDEZ, PARTO E AMAMENTAÇÃO.