Em tempos de consciência global, fica a questão de uma ética que nos una! Acho que a palavra-chave é solidariedade!
Conheça melhor este blog de mãe, assistindo ao novo vídeo de boas vindas aqui!
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
domingo, 27 de dezembro de 2009
Independência, isso sim!
Dois mil e dez se aproxima e a gente acaba fazendo aquela reflexão de fim de ano, pensando nas mudanças que vivemos, nas somas, subtrações, e enfim, resultados deixados pelo tempo. Eu ainda não pude tirar o balanço do ano, porque foram tantas mudanças, tantas contas complexas, que ficou difícil acompanhar tamanha expressão algébrica! Mas, uma coisa tem me chamado muito a atenção, e não por acaso é aquilo que preenche a maior parte de meu tempo, e está a cada dia alterando minha rotina. O desenvolvimento da Laura me surpreende a cada dia, e é sobre sua passagem para uma nova fase relativamente independente que quero falar.
Gosto muito de um autor da Psicanálise que, de tão peculiar, na minha opinião, superou muito os cânones da teoria freudiana, o pediatra-psicanalista Donald Winnicott. A idéia "independência relativa" é dele. Segundo suas observações, os bebês passam de uma dependência absoluta com a mãe para uma fase de autonomia psíquica que, claro, não é total. Essa passagem é rápida, se dá em poucos meses e anos. Vai se reequilibrando sobre uma consciência de unidade e constância no tempo, que, para ocorrer, depende dos cuidados alheios e da rotina do ambiente.
Essa idéia sempre esteve nas minhas preocupações com o dia-dia de Laura. Desde o início me esforço para manter uma rotina relativamente estável e tranquila. Também me esforcei para amamentá-la o máximo possível, formar um vínculo afetuoso, sem exagerar na dependência. Ela sempre dormiu em seu próprio quartinhho, se acostumou a dormir no próprio berço, sem precisar do usual balanço no colo. Ótimo!
Fico muito satisfeita de ver minha gostosurinha se desenvolver perfeitamente, já engatinhando e ficando em pé, super curiosa e se jogando no mundo para conhecê-lo. Continuo por aqui, mas agora na sombra, na paisagem desse universo de descobertas e riscos sedutores...
O consolo do seio materno já não tem mais um lugar tão privilegiado em sua rotina. Ela mesma já não tem mais pedido esse recurso, e quando eu o ofereço, mama um pouquinho, pára, olha pra mim sorrindo, dá umas amassadinhas com as mãos, achando muito engraçada a textura desse objeto tão conhecido e ao mesmo tempo "novo". Não fica muito tempo parada, no colo, sente calor, e a vontade de percorrer a casa sozinha no chão é maior do que a necessidade de sugar.
Ela já come de tudo também! Ou quase tudo, porque tento controlar a qualidade do que põe na boca... Mas quer tudo o que vê a gente comer. Quer experimentar, quer saborear a vida. Que delícia! Ainda bem que tem gostado de quase tudo que lhe é ofecido (até o momento, só foram rejeitados a banana e a geléia de mocotó).
O coração da mamãe fica grande de alegria, se derrete todo... Mas, também, tenho que confessar: depois desses longos e intensos oito meses, o coração genitor fica um pouco solitário diante da gradual independência. Tenho a difícil terefa de ir preenchendo o vazio com outras atividades e amores, o que tenho feito com meu querido companheiro! Mas, olha aí a imagem da mamãe resistindo ao NÃO, e insistindo na dependência! Só um abraço e um beijinho, vai?
Marcadores:
Alimentação,
Amamentação,
Desenvolvimento,
Donald Winnicott,
Maternidade,
Saúde
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Esclarecimentos sobre comentários
Eu não sei porquê não estou conseguindo postar comentários no último post! E queria muito responder o comentário da Júlia! Então, esotu furando a regra que criei (de postagens aos domingos), para tentar comentar aqui.
Esta é a resposta que queria dar:
Esta é a resposta que queria dar:
Oi Júlia!
Concordo com a necessidade de acharmos um equilíbrio entre a liberdade e a solidariedade! A chave da questão é sabermos que, para termos nossa liberdade garantida, precisamos contar com a solidariedade dos outros... e vice versa... Acho que ser compreensivo é um bom caminho pra gente não se ofender com as escolhas do próximo.
Eu adoro ter seus trabalhos por perto, viu?!
Beijão!
*** Se alguém tiver dificuldades para comentar, por favor me manda um e-mail? E se alguém souber como resolver este problema, me avisa, por favor?!***
Marcadores:
WMN
domingo, 13 de dezembro de 2009
Pé em Deus e fé na taba
Esses dias coloquei o cd dos Tribalistas para tocar, enquanto brincava com a Laura. Fazia muito tempo que eu não o ouvia. Sempre gostei muito de Marisa Monte, mas confesso que até então não tinha entendido muito bem esse álbum dela com o Carlinhos Brown e o Arnaldo Antunes. (Mais uma coisa que passei a entender melhor depois da gravidez!)
Atentei para a frase do meio da música: "Pé em Deus e fé na taba" e lembrei da polêmica sociológica sobre a pós-modernidade e o pós-modernismo, período em que os analistas sociais identificam o "tribalismo" (ou seja, grupos pequenos e isolados) como principal forma de comunhão entre os indivíduos. Família, comunidade, religião já não têm mais aquele papel de manter uma sociedade coesa e razoavelmente homogênea, como na pré-modernidade. O Estado, unindo-se à Ciência, pretende superar a moral religiosa e representar a vontade de união de um povo.
Mas, a nossa geração tem desafiado esse projeto! Se a moral religiosa não tem mais a força de antes, não há ainda um substituto que desempenhe sua função. Não há referências tão fortes, não há verdades absolutas, nem garantias. Desejamos uma sociedade solidária, democrática e livre, mas não sabemos ao certo como criá-la. A ideologia política bem que tentou. Mas, a utopia permaneceu no imaginário, sob as sombras de uma tentativa frustrada e irremediável... o comunismo não prosperou.
Eis-me aqui agora: uma recente mãe, com a difícil tarefa de educar um ser humano livre, responsável, solidário e feliz, sem as supostas garantias oferecidas pelas instituições sociais da época de nossos avós. Bom, afinal nos libertamos dos ditames de uma Educação violenta e bancária (para lembrar Paulo Freire) e de um sexismo que não dava muitas alternativas de papéis sociais! Minha mãe e meu pai já desafiavam corajosamente a solidez desse tempo, ligados à ideologia socialista e ao lema contestador das décadas de 60 e 70. Eles contribuiram para o meu interesse pela política e pelas injustiças sociais, e me ajudaram a formar um eterno aliado, meu senso crítico.
Mas, eu também já fui adepta de outras praias! Frequentei a Igreja Batista por um bom tempo. Aprendi muito do Cristianismo e fundei em meu interior uma moral cristã, hoje parcialmente conservada pela brilhante (e tão esquecida!) afirmação bíblica: "todos os mandamentos se resumem a este: amar ao próximo como a si mesmo".
Nesse tempo de incertezas, laços sociais tão frágeis, e mais liberdade individual, como eu e minha consciência(uma mistura de morais: cristã e pagã), vamos contribuir para a educação ética e moral de minha filha? Como ajudá-la a fazer boas escolhas? Como motivá-la a ser respeitosa e verdadeira? Como orientá-la no meio de tanta diversidade, sem impor uma verdade exclusivista? Será que a lógica da satisfação individual, tão bem interpretada na música dos Tribalistas, é suficiente? Suspeito que não...
Não tenho respostas agora, só boas e profundas questões! Mas, lembrei de um video muito inspirador produzido pelos artistas visuais Júlia Pombo e Pontogor (querida irmã e cunhado!): "The body can be magically transformed into something else"
Pra mim, as imagens do vídeo mostram a flexibilidade que necessitamos ter hoje, mas também a riqueza da parceira sincera e profunda com alguém que amamos. Não podemos sair ilesos das tranformações provocadas pelas relações que vivemos.
Penso que a liberdade é uma conquista deste século (ainda a ser democratizada e vivida por todos), mas ela precisa ser associada a uma ética e a morais que nos ajudem a viver em solidariedade. O que você acha?
Marcadores:
Maternidade,
Música,
Pós-modenidade,
Religião,
Sociologia,
Solidariedade
domingo, 6 de dezembro de 2009
Liberdade de ir e vir, inclusive sem roupas
*Imagem: Júlia Pombo - Retrato, 2008
Vou tentar escrever com calma, muita calma, lentamente, respirando, para não me atrapalhar com as palavras em meio à comoção que o assunto me desperta. Quando tive a primeira idéia deste post, pensando alto, ouvi meu marido me alertar: "cuidado pra você não virar uma chata e ficar escrevendo só reclamações!". OK, entendi o temor dele. Mas, também não posso evitar ser o que sou... e sou meio chata mesmo! Em busca de reconstruir uma identidade, é mais fácil começar a fazê-lo por negação, e usar meu senso crítico bem afiado.
Bom, identidade e nudez é o tema deste post. Ele nasceu quando me deparei com a matéria da revista TRIP, na sala de espera de um consultório, entitulada: "Funcionárias: A TRIP é famosa porque aqui só trabalham mulheres bonitas? Ou aqui trabalham mulheres bonitas porque a TRIP é famosa?". O texto, aparentemente de uma das funcionárias fotografadas no ensaio "sensual" da revista, diz que a imagem de que só trabalham mulheres bonitas, sensuais e que desfilam livremente de mini-saias e biquinis na empresa é fantasiosa. Mas, em seguida, explica que, na verdade, as mulheres da revista tem é muita personalidade, e são livres para ir e vir, fazendo assim de seus corpos mais um acessório para turbinar a imagem sensual da revista só porque querem. Nas palavras da moça: "Essa liberdade de ir e vir, e sobretudo de ser, estimula a gente a se gostar mais. E a descobrir o que temos de mais valioso, seja uma bunda (por que não?), seja o olhar, seja o humor, seja o talento."
Ela estava ali, quase se defendendo dos críticos de plantão, especialmente de feministas ou mulheres que se sentem um pouco comprometidas com o que as tais feministas de décadas atrás lutaram tanto para conquistar. Na defesa da iniciativa de publicar ensaios sensuais com funcionárias da revista, a matéria cai na contradição de afirmar que as mulheres da TRIP merecem ser muito mais valorizadas do que as que norteiam o imaginário dos homens sobre elas... confuso? Vejamos, poderíamos reescrever da seguinte forma: "eu empresto minha nudez (que não é absolutamente pornográfica, mas próxima do que Pedro Cardoso chamou de "pornografia disfarçada"), para reforçar uma imagem da empresa na qual trabalho que desvaloriza as mulheres (portanto a mim também). Mas eu não ligo, porque sou livre pra ir e vir e mostrar minha bunda pra quem quiser!".
É a bendita/maldita liberdade tão discutida por Bauman, quando, ao analisar a sociedade pós-moderna, afirma que a liberdade individual (com todos os seus méritos e exageros) acaba culminando em vulnerabilidade. Assim, as lutas de classes e grupos sociais somem, diante da luta pela afirmação do indivíduo. É tão banal e consensual que as funcionárias de uma revista escolham posar semi-nuas nela que as críticas podem até parecer reacionárias, quando, antes pretendem relembrar o esforço revolucionário de mulheres que lutaram para acabar com a ditadura da beleza e da sensualidade. Mulheres que brigaram para mostrar a desigualdade na relação entre os sexos, quando os homens, no papel de sujeitos, donos de si e da família, podiam subjugar as mulheres, no papel de objetos sexuais.
O manifesto de Pedro Cardoso discute o valor econômico da pornografia disfarçada, especialmente na tv, e mostra que atores e atrizes sentem-se muitas vezes constrangidos a expor desnecessariamente sua nudez. É simples: o empregador vê que o apelo à sexualidade atrái o consumidor, e para ele é mais fácil vender a pornografia do que elaborar um bom conteúdo. O empregado, por sua vez, incorpora o discurso da suposta liberdade e luta contra seu pudor, pensando no retorno de um contrato profissional. Assim, a imagem corrobora o discurso e este reforça e banaliza a imagem. Continua-se vendendo o corpo feminino como objeto disponível à posse e deleite do público masculino, e como modelo obsessivamente perseguido por boa parte do público feminino.
No caso da TRIP, a mensagem transmitida é a de que não basta ser uma boa profissional, tem que ser bonita, tem que ser sensual, tem que ser um bom objeto a ser consumido. O que isso tem à ver com liberdade afinal? Talvez, esteja aí a liberdade de quem ganha muito dinheiro com isso e de quem consome a revista. Mas, a moça da matéria esqueceu de dizer que a ditadura da beleza e a identidade-objeto são antigas prisões da identidade feminina.
Marcadores:
Bauman,
Feminismo,
Identidade Feminina,
Identidade Profissional,
Pedro Cardoso
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Blog Gincana
Demorei, mas enfim, participei da tarefa de novembro do Blog Gincana! Foi difícil cumprir a tarefa, porque ainda sou novata com as ferramentas do blogger, e estou aprendendo a mexer com links e imagens... perdoem-me se cometi algum erro!
Mas, aqui estão minhas indicações:
- Click(In)Versos: é um blog muito bacana com as entrevistas de Ramon Melo com escritores (muitos novos na área). É ótimo para dar aquela motivação quando sinto a maior preguiça ou desânimo para escrever meu humilde livrinho! Além disso, é um dos meus pontos de inspiração para escolher as próximas leituras.
(Imagem extraída do Blog Click in Versos)
- Ombudsmãe: apesar de ser bastante visitado, acho que esse blog não participou das últimas gincanas. Tem matérias muito interessantes e textos sinceros da Taís sobre Educação e Maternidade. Assuntos que MUITO me interessam! Gostei muito desse cartoon postado por ela:
Marcadores:
WMN
Assinar:
Postagens (Atom)



