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domingo, 7 de fevereiro de 2010
O aniversário de casamento: risos, brigas, dores e esquecimento
Era sexta feira, dia cinco de fevereiro, data do aniversário de um ano de casamento. Mas, eles não sabiam, quer dizer, não lembravam até o momento do almoço. Almoçaram juntos por acaso. Ela tinha saído da análise e ligou pra ele, combinaram de se encontrar no shopping e comer a feijoada das sextas no Boteco Informal. Foi um almoço muito agradável, e depois ficaram meia hora observando os passantes que desciam na escada rolante e inventando estórias sobre a vida deles.
- Hum aquela alí, com pastinha na mão e óculos tá com cara de fonoaudióloga.
- Aquele engravatado é vendedor de seguros! E davam muitas risadas, brincando com o tédio alheio.
Ele voltou para o trabalho e ela foi correndo para casa, ficar com a filha que estava doente aos cuidados da sogra.
De noite, depois de uma hora e quarenta minutos no trânsito, ele a aborda com a certidão de casamento em mãos. Ela não entende, a princípio, mas depois vê a data estampada: 05 de feveiro.
- Ai, meu amor! Desculpa! Eu esqueci completamente! Foi sincera, como costumam ser sempre um com o outro. Pediu desculpas várias vezes, mas ele riu. Disse que também não tinha lembrado, e uma duvidazinha insignificante o fez conferir na certidão.
Riram muito novamente. Sorte que já tinham programado um cineminha e chamado a tia-babá da filha doentinha para ficar com ela durante a noite. Mas, não saíram. Passaram do riso aos gritos em pouco tempo. Estavam cansados e frustrados por não terem lembrado e comemorado o próprio aniversário de casamento, sinal de que realmente a vida a dois tão recente estava meio sufocada pelo ritmo frenético de cuidados com a bebê. Criança doente então, é uma trabalheira só! Além de ser um motivo de preocupação constante.
Agrediram-se mutuamente, mas, como sempre, o bom senso prevaleceu e fizeram as pazes antes de dormir.
E dormiram mal, ao som da tosse e dos resmungos da filha que sofria no quarto ao lado. Levantaram várias vezes, revezando-se, para acudi-la. O dia seguinte começou bem cedo, e para não sucumbirem ao cansaço e ao mal humor, resolveram ir tomar café da manhã num restaurante próximo que era barato e gostoso. Foi um café agradável, onde uma mãe com sua cria, nitidamente carente de alguém pra desabafar, os abordou, brincou com a bebê, e ficou um longo tempo lamentando a falta de uma babá e a dificuldade de se decidir sobre colocar a filha numa creche.
A tarde foi mais emocionante! Ele passou mal, e já não era a primeira vez. Ela insistiu para irem a uma emergência, porque achava que seus sintomas tinham à ver com coração. Foram. Depois de um eletrocardiograma, a médica informou que ele tinha uma arritmia e precisava ver um cardiologista.
- Mas, é grave?
- Ah ele vai sobreviver!
- Ah que bom né? Risos nervosos e um pensamento irônico: isso é brincadeira que se faça?!
Pediram a indicação de um cardiologista e ficaram de ligar para marcar a consulta na segunda feira. Mais um problema... mais uma preocupação... Ela esqueceu seu próprio cansaço e tentou poupá-lo durante a noite, ele estava nitidamente abalado com a notícia.
Então, por sugestão dela, decidiram ir a uma emergência cardiológica no dia seguinte, para mostrar o exame a um especialista. E assim o fizeram. Ela não pôde acompanhá-lo o tempo todo no hospital, porque a entrada de crianças menores de doze anos era proibida. Ficou, meio aflita, passeando pela rua, com o carrinho de bebê, e ligando para saber como estavam os procedimentos. Para piorar, tinha deixado a chave de casa com ele, e por isso nem pôde voltar com a filha, que a essa altura já estava expressando seu cansaço e fome da forma mais eficaz que existe, chorando.
Mas, felizmente, depois de um novo exame, a nova médica explicou para ele que sua arritmia era muito comum e sem gravidade. Era até bom que ele procurasse um acompanhamento, já que sua mãe tinha problemas no coração e estes costumam ser hereditários. Mas, o pior passou! Não havia motivo para alarde! Ela sentiu-se aliviada! Finalmente, aquela louca fantasia de que poderia perder o marido de uma hora para outra com um ataque no coração, foi dissipada.
- Ufa! Graças à Deus! Ela expirou e deitou-se no sofá, em casa, pedindo um tempinho para descansar enquanto ele dava o almoço à filha. Um peso enorme saiu de seus ombros. E assim, abriu-se um espaço para o cansaço se apresentar com toda força. A adrenalina baixou e suas consequências em seu corpo surgiram sem dó nem piedade: dores no pescoço, no joelho, cansaço, cansaço, cansaço!
Dormir aquela hora era impossível. Então, ela foi buscar sua melhor terapia: escrever. Sentou-se na rede, com o notebook, e escreveu um conto bem chato inspirado em seu fim de semana.
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9 comentários:
Lindo, lindo, lindo! Estava pensando exatamente nisso do casar, ter um filho, a vida a dois...
Obrigada Maína! A minha vida a dois (ou melhor, a três) é assim... cheia de emoções! rsrs
Oi Carol, eu tenho uns 8 blogs.
o que eu mais uso é o http://olhokaolhodopombo.blogspot.com
é tipo um diario do que ando fazendo aqui na bahia.
bjs
to adorando suas visitinhas lá no blog.
e prometo que logo logo vou parar pra ler seus contos. esse mesmo já me pareceu super interessante só pelo comecinho.
beijinhos!
:)***
Retrato da vida real. :-) Ei , Carolina, eu respondi aquele seu email sobre maternidadex trabalho, vc recebeu?
Beijos
Irmã querida,
como a vida é cheia de surpresas...
E pensar que a outro dia vc é que estava me acudindo coma minha pequena!
Realmente, como diz o ditado: os filhos nos segam.
A vida passa e se não decidirmos tomar posse dela, até as coisas mais importantes caem no esquecimento. Mas não torne isso uma tempestade, todas nós - mulheres desesperadas - vivemos assim, no sopetão!
Te amo.
Linda mensagem.
Carol qual é o blog da Julia?
vou começar a cobrar direitos de imagem...
Carolina, eu enviei duas vezes o email de resposta não entendo o que aconteceu. Tomei a liberdade de colar ele aqui nos comentários e vc apaga depois de ler se quiser.
Beijos
From: Vanessa
Date: 2010/1/17
Subject: Re: Entrevista - Mães que Contam
To: Carolina
Carolina, obrigada por lembrar de mim. Se existe alguma coisa sobre a qual posso falar atualmente é sobre isto. Estou com um livro em análise com editoras intitulado Culpa de mãe, que trata exatamente sobre o assunto. Se ninguém quiser publicar eu mesma farei isto ainda este ano pq acho que muita gente vai gostar de ler. Pode contar comigo. Estou as ordens e divulgarei sua ideia.
Abraço
Vanessa
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