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domingo, 28 de março de 2010

Separação

 Este é um post bastante pessoal, mas ao mesmo tempo, sei que outras mulheres vivem situações parecidas e podem se identificar com o que vou relatar aqui. É um post basicamente confuso e contraditório, que aborda um período muito delicado na vida de uma mulher-mãe-casada! Tomara que vocês, leitoras/es, tenham paciência e consigam lê-lo... porque paciência: é disso que eu mais preciso agora!

Ouvi dizer que todo filho(a) é também um projeto narcísico dos pais. Explico: é inevitável que nos enxerguemos um pouco na criança, que projetemos sobre ela sonhos, ideais, modelos que têm à ver com nossos desejos para nós mesmos. Nossa história de vida contribui muito para esses desejos, inclusive histórias de infâncias tristes. Mas, este post não é assim tão dramático, vamos ao ponto! Para mulheres, mães, especialmente as que ficaram todo o primeiro ano com a cria, esse projeto é tão apaixonante e nos enche tanto de alegria que, chega um momento em que não queremos voltar à própria individualidade! Não! Pra que voltar à rotina de um trabalho exigente e tão pouco recompensador? Pra que voltar a investir tanta energia numa relação a dois, se ela nos dará tanto trabalho... e um sorriso infantil lindo de gratidão nunca será comparável ao "Eu te amo" mais romântico? Ai que preguiça! E, aí, por mais que a gente queira atrasar esse momento, ele chega: o momento da separação.

Não estou falando só de uma separação de corpos: a matrícula na creche, a volta ao emprego, a retomada de antigos projetos pessoais e profissionais - tipo meu almejado doutorado, que de repente se torna uma miragem chata e distante - e a expectativa de um marido que, pacientemente, espera o dia em terá sua mulher de volta, aquela que faz surpresinhas com lingeries sexies, que planeja viagens e saídas românticas e tem toda energia de uma jovenzinha! Tudo isso são agravantes e nos chamam de volta à vida, mas nós sentimos algo um pouco pior e difícil: uma profunda sensação de separação, abandono, culpa, e lutamos para entender que o(a) filho(a) é alguém definitivamente diferente - por mais semelhanças que tenha - e agora é hora de reconhecer que existe vida para além da maternidade!

O problema é que nossos queridos companheiros não têm a habilidade de um psicanalista para compreender o que estamos vivendo, e acabam até dificultando nossa estada nesse mundo transitório e confuso. Porque hora queremos mais paixão na relação, hora queremos ficar mais tempo sozinhas... hora precisamos urgentemente colocar a criança na creche, hora não podemos deixá-la naquele buraco cheio de bebês e pouquíssimos adultos para amá-los! É assim mesmo... estamos imersas na sedução deliciosa de nosso eu mirim, mas sabemos que devemos abandoná-lo parcialmente. E os maridos, por mais paizão que sejam, não conseguem entender a fusão que vivemos até agora com a criança  - e, pior, estão mais carentes que mulher grávida!

Mas eles são muito orgulhosos, lembram? Eles são homens demais para admitir que estão carentes e precisam de uma mulher que lhes amem rasgadamente. Eles ficam meio paralisados - como alguém que espera numa fila enquanto a entrada é liberada na porta ao lado - eles não sabem dizer o que sentem, e não sabem responder às nossas demandas sentimentalistas, e por isso perdem as oportunidades valiosas de demonstrar carinho e apoio nos momentos em que mais precisamos. Eles não se cansam de repetir que "as mulheres casam esperando que os homens mudem e os homens casam esperando que as mulheres não mudem". Réplica minha: "Alôoooo! Como é possível não mudar com tantas mudanças????"

O pior é que, nessa fase de separação, nós mulheres não sabemos nem ao certo o que devemos manter como mudança definitiva e o que cabia apenas ao período de fusão total. Então, sofremos enquanto tateamos no escuro - mesmo sabendo exatamente o que está escondido nele - e pedimos encarecidamente a Deus que os tais "agravantes" se tornem atraentes a ponto de serem suficientes para nos fazer abrir bem os olhos e encontrar a saída. Nossa! Que drama! Pois é, queridos - do sexo masculino mesmo - c'est la vie! Estamos no meio de um melodrama feminino, mas que é real, não é só TPM não, viu?

*Imagem daqui

6 comentários:

marcelo disse...

Agora entendi voce, mulheres. É mais simples do que eu imaginava. Vejam se é isso mesmo: o que voces querem hoje, não é oq voces querem amanha, voces querem ficar sozinhas, nao querem nem escutar a voz do parceiro, querem receber flores e escutar que são amadas, quer que o homem decida tudo e resolva todos os problemas, mas querem ter a liberdade de nao ter ninguem mandando em voces e querem decidir tudo sem questionamentos de terceiros. Cada dia(ou minutos) querem uma coisa diferente, mas o homem noa pode ter a audácia de perguntar oq voces querem, pq isso seria insensibilidade dele que nao entende. Basicamente só precisamos adivinhar oq vcs querem, e fazer exatamente assim, nem 1 centimetro a mais ou a menos... poxa, moleza, se tivessem dito antes...

marcelo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carolina Pombo disse...

ahahaha Ai meu amor, assim vc queima meu filme, po! Também não é assim, poxa! (E vou contar pra todo mundo que esse comentário é só ceninha, porque na verdade, chegou aos meus ouvidos, que depois de ler este post você começou a me entender um pouco mais, né?)

Quem disse que ia ser fácil?!

olhodopombo disse...

Carolina mulher é mesmo assim como descreceu o Marcelo!

Nádia disse...

Oi Carolina!

Adorei seu comentário! Se estivesse aqui vc seria parte do nosso grupo com certeza!

Vou acrescentar esse seu texto nas minhas dicas de leitura sobre "O Casal após o nascimento dos pais!" Adorei esse texto, sincero, real e verdadeiro!

Bjos!

Carolina Pombo disse...

Obrigada Nádia! Seu blog também é tudo isso!

Beijão