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quinta-feira, 27 de maio de 2010

O mercado do parto humanizado no Brasil

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É, já posso ouvir o ranger de dentes e os gritos inflados dos defensores radicais do parto humanizado, ao lerem o título deste post, afinal, mercado e parto humanizado na mesma frase? Não são os obstetras "açougueiros" que marcam cesarianas, por questão de conveniência pessoal, os mercenários do mundo da gestação e nascimento? Não são os obstetras (enfermeiras, doulas, parteiras) humanizados os "generosos" humanistas que lutam arduamente contra a mercantilização dos nascimentos?

Bom, antes que me julguem, me sinto em posição confortável para criticar ambos os lados, e dar uma noçãozinha do estado da arte do parto humanizado no Brasil. Como já relatei aqui, meu parto foi natural, hospitalar (e quem me dera tivesse sido domiciliar), e participei de uma lista de discussão em torno da temática por tempo suficiente para entender melhor do que se trata este mercado. Além disso, sou filha de uma ex-militante do parto natural (que teve dois hospitalares e dois domiciliares e continua apoiando essa escolha, sem radicalismos).

Ocorre que no Brasil, a precariedade da saúde pública incentiva a mercantilização da saúde: os médicos formam uma corporação poderosa, que tem muitas vantagens no serviços público e digamos, "cortam pros dois lados", servindo também aos planos de saúde. Para maximizar seus ganhos, muitos obstetras incentivam as parturientes a marcarem cesariana bem antes de entrarem em trabalho de parto, pois isso lhes permite atender mais pacientes e passar pouco tempo à disposição de uma mulher que pode ficar horas e horas em trabalho de parto. Aí, entra em ação um movimento social super importante, para denunciar os abusos cometidos por alguns desses médicos, que dão falsas justificativas para suas pacientes fazerem cesarianas. Ele não é novo e nem nasceu aqui, é herdeiro de um obstetra francês que vê na forma de nascer um evento determinante para a vida de todos os humanos. É claro que um movimento como esse é super necessário por aqui, já que 85% dos nascimentos de segurados dos planos é por cesariana.

Aí, entra em ação também os bordões, as palvras de ordem e os argumentos panfletários que desqualificam qualquer nascimento via cesária, insinuando que as mulheres que optam por isso são fracas e irresponsáveis, e que os profissionais que o fazem são manipuladores. Ok... às vezes são mesmo. Entra então em cena a equipe humanizada, que não aceita plano de saúde, e que cobra realmente caro para "garantir" que a mulher tenha um parto natural. E, pronto está formado o mercado do parto humanizado! Não se pode questionar preços, porque afinal "ter um parto natural, acompanhado por uma equipe humanizada, não tem preço!".

Eis que surge do fundo do imaginário católico brasileiro aquela ingênua idéia de que dinheiro é coisa do diabo, lucro é para os maus, e os humanizados são sempre muito bonzinhos. É por isso que algumas pessoas passam pelo constrangimento de, no final do segundo tempo, com 39 semanas de gestação, receberem uma conta caríssima, depois de muito insistirem para saberem o preço, de R$10.000, para parirem em paz. Ou pior, só vão receber a notinha depois de nascido o filho, quando não cabe mais argumento.

É de muito mal gosto falar de dinheiro quando se trata de saúde, né? Desculpem... Mas, eu acho bem pior usarem uma bandeira tão importante quanto o parto natural para forjarem um mercado como esse. De qualquer forma, como lembro de ter lido na Bíblia uma vez, se os hipócritas querem falar de Jesus, deixem que falem, porque também estarão contribuindo para espalhar sua palavra. Eu espero, sinceramente, que os humanizados de verdade contribuam para que o parto natural seja uma realidade acessível para toda mulher brasileira.

35 comentários:

amaesoueu disse...

É isso ai Carol!!

Por isso odeio a palavra humanizado!!! Pq gera uma disputa maniquísta do humanizado X desumanizado. Ai um parece o diabo e o outro Deus....Mas a coisa não é bem por ai.

Assim como quem faz cesárea e quer garantir o seu mercado, os que fazem parto humanizado tb querem e isso em si não é tão mal, o pior é que muitos nem fazem autocrítica quanto a isso.

É um tal de piscina XYZ para parto que custa tanto, equipes imensas cheias de doulas, enfermeiras e obstetra, td mundo querendo estar ali no parto, preços astronômicos...

E o pior, muita gente se batendo, brigando, cheios de egos inflados...

Se vc quer ser doula tem que fazer o curso de fulana, se vc quer parto maravilhoso tem que escolher beltrano...

Sorte que temos aquelas almas boas que salvam o jogo, mas sem elas... ai, ai, ai, seria uma guerra de vaidades...

BJs, Gabi

rhjones disse...

Eu ia escrever um texto para dizer que eu achei demasiado rude o tratamento com vc, Carol, na lista Partonosso.
Mudei o texto, apesar de ainda considerar que a rudeza não nos ajuda e só atrapalha as relações.
Entretanto li seu texto e acho que vc veio nas listas de parto para extravasar suas frustrações.
Uma lástima o seu texto.
Pensou que estava sendo original em nos chamando de "mercenários"...
Muita gente já fez isso, até com mais talento.
Mas outras integrantes do debate sobre huamnização já falaram o que eu queria dizer sobre a tristeza deste texto.
Espero que no seu universo-socialista-sem-dinheiro você encontre os profissionais verdadeiramente humanizados que você merece.

Vá com Deus e boa sorte

Ric
(que já cobrou "histórias" de uma paciente que nao tinha dinheiro para pagar - a paciente compareceria à creche na qual eu trabalhava para pagar seu parto contando histórias para as crianças)

Carolina Pombo disse...

Nossa Ric, como você é generoso! Uma pena que tenha se identificado com os "mercenários"... Obrigada por aparecer por aqui e dar continuidade a este debate, ainda que na lista Parto Nosso isso seja claramente tolhido.

Abraços

Luzinete disse...

Carol,

gostaria que (se vc puder) cite os nomes dos profissionais verdadeiramente humanizados que não aceitam argumentar quanto aos seus honorários ou ainda que não facilitem, parcelem ou negociem para tornar possível aos bolsos de quem os procuram!!

E principalmente eu gostaria muito de saber qual é o profissional que cobra depois do parto um valor que não era de conhecimento prévio de quem o contratou!!

Nossa!! Me ocorre agora que eu gostaria tb de saber quem contrata os serviços de alguém e não fala sobre valores ANTES de efetuado o parto...

Grande beijo!!

Luzi, que não podia pagar o PD, mas pagou pq os profissionais humanizados que chamamos facilitaram de forma a tornar possível nosso sonho... ( e sim... não tem preço realizar um sonho, mas para todo o resto existe meios de pagar)

Carolina Pombo disse...

Luzi, que bom que você teve uma boa assitência em seu Parto Domiciliar, você mesma pode citar os nomes desses profissionais aqui. E, acredite, há quem queira saber os preços bem antes, mas só consiga "arrancar" a informação do obstetra às vésperas o trabalho de parto.

A intenção do post não é nomear os "bons" e os "maus", é dar uma brecha para que o mercado que se constitui em cima de radicalismos exagerados seja questionado e que os profissionais possam fazer uma "autocrítica" como foi citado pela Gabi aí em cima.

Grande beijo

carolnando disse...

Carol xará, acho que vc está esquecendo de um pequeno detalhe: dezenas de profissionais humanizados que perdem seu tempo em listas, em comunidades do Orkut, em seminários, em cursos e aulas onde tentam ajudar gestantes, desmistificar mitos, escrevendo artigos científicos, mostrando evidências, oferecendo assistência (às vezes à distância, às vezes pessoalmente) totalmente gratuitos.
O fato de um profissional realizar PN não o torna humanizado, assim como o fato dele não aceitar convênio não o qualifica como desumanizado. Bons e maus profissionais existem em todos os meios.
Talvez se você tivesse ficado mais tempo participando desses grupos, perceberia que existe um mundo de gente que defende a humanização no SUS e no sistema público de saúde, mesmo qu ali no dia a dia a conversa seja mais sobre ajudar uma pessoa Y a encontrar a sua equipe X.
Desqualificar um movimento tão importante através de generalizações num país que precisa tano disso dele é realmente lamentável.
E acho que você pode discutir isso sim na PartoNosso, talvez não encontre muitas pessoas que concordem com você, mas isso é que se chama discussão, não tolhimento.

rhjones disse...

A intenção do seu post foi agredir.
E não adianta tergiversar.
Se vc tivesse o trabalho de pesquisar (ou até perguntar) veria que o tema "honorários" já foi discutido CENTENAS de vezes na lista partonosso. Nunca ninguém se absteve de debater isso nas listas. Se quiser te mando uns 3 ou 4 artigos que eu mesmo escrevi sobre o tema. Nâo há originalidade alguma no que você escreveu, e nem novidade. Sequer sua abordagem é nova: tem o mesmo ranço cristão pessimista de encarar os profissionais do parto como "sacerdotes", que não poderiam jamais cobrar por uma coisa tão "linda e sensível" como um nascimento. Esta visão (que curiosamente vc fala no seu texto, sem perceber que estava a falar de si mesma) é retrógrada e maniqueísta. Cobra dos profissionais uma postura angelical que desconsidera o dinheiro, mas não exige esta mesma postura do vendedor que lhe ofereceu o computador que para onde você está olhando agora. E você não está interessada em propiciar auto-crítica nos profissionais: entrou na lista para extravasar frustrações (talvez as própria dificuldades com sua mãe, EX-militante...) e para disparar a sua metralhadora giratória. Pena que escolheu um tema batido e gasto como o "mercado", sem oferecer a ele qualquer abordagem nova e/ou criativa.
E quer saber? Estou bravo sim, porque este tipo de acusação leviana é baixa e canhestra. Acusar os poucos profissionais de cobrarem (e bem) pelo seu trabalho de enaltecer o nascimento humanizado - altamente qualificado (por ser raro e só se desenvolver com mais de 20 anos de prática) - é uma atitude pusilânime e grosseira. Seu desejo é agredir o movimento inteiro, por razões que só você sabe...
Boa SORTE. Não pretendo continuar esta conversa no seu blog.
Ric

Carolina Pombo disse...

Carol, xará, mais uma vez, parece que estão mudando meus argumentos para justificar a falta de um debate super importante na Lista. Nunca reduzi o movimento de defesa pela humanização ao mercado que estou questionando. Que a lista não é receptiva a esse tipo de discussão, isso é um fato, que as pessoa não gostam de comentar valores é outro fato. Tomara, siceramente, tomara que este texto sirva para que o SUS e a humanização da saúde entre mais em pauta não só na Lista de vocês mas também pelos blogs "maternos" que existem por aí com as melhores intenções.

Além disso, tomara que a cesária de x ou y não seja usada para reforçar certos bordões simplesmente anti-SUS, como dizer que nenhuma cesária é humanizada. Isso pra mim é argumento de quem não quer debater SUS e que quer marcar um "território" muito bem limitado.

Carolina Pombo disse...

Para todos os leitores: a intenção deste post não é agredir ninguém, é fomentar um debate. Mesmo que você não tenha participado de lista alguma, seja bem vindo e participe! Pode me criticar, também, afinal, quem escreve precisa saber que será lido e discutido. Que bom!

marcelo disse...

O mais interessante desse texto, não é o texto em si, mas os comentários sobre ele. Palavras como "lamentável", "universo-socialista-sem-dinheiro " e "lástima", demostram pouca receptividade a criticas de quem vive fazendo linchamento de procedimentos "não humanizados" nos partos(ok, não conheço essas pessoas e estou generalizando um comportamento que ja vi muito na tal lista PartoNosso). De qualquer forma, acho que o texto, apesar de parecer uma critica ao movimento do parto humanizado, quer apenas chamar a atenção para o perigo do radicalismo. Tanto que a propria autora fez um parto natural e se tivesse outro filho, imagino que tentaria fazer um doméstico.
Essa discussão poderia servir para fazermos uma auto-reflexão e nos perguntarmos pq temos a necessidade de defender cegamente qq coisa que acreditamos? Pq é impossivel considerar que existem falhas em uma coisa que temos tanto apreço? Existe sim um mercado de Parto Humanizado, assim como existe um mercado de remedios Homeopáticos. Isso nao significa que sejam todos mercenários(alias esse termo foi usado no post da Carol para se referir aos "não-humanizados"), mas é importante acabar com essa aura de santidade de quem faz parto natural.

Clarissa Oliveira disse...

Carol,
estou impressionada que seu post tenha causado tanta polêmica. Para mim, isso comprova que ainda não sabemos falar sobre dinheiro sem deixar aflorar questões emocionais profundas (culpa, raiva, senso de injustiça etc). Eu conheço a sua história e achei um ABSURDO o que ocorreu. Não pelo preço, porque acho que cada profissional tem o direito de cobrar aquilo que acredita merecer, e se tem gente disposta a pagar por isso, okay. O que acho errado é quando existe uma manipulação na hora de falar sobre isso - seja adiando a conversa ad eterno, ou tentando justificar pelo lado "ah, só eu posso te dar essa experiência". Não é "errado" cobrar (12 mil, 10 mil, 5 mil), desde que o processo seja transparente. E essa transparência, pelo o que estou vendo, está muito longe de ser uma realidade. É uma questão complicada, porque, por um lado, parir dignamente deveria ser um direito de todos, mas no momento que nada nesse país é direito de todos (segurança, oportunidades, educação), então não é de se surpreender que na saúde (e no parto seja assim). Bom, essa é minha opinião. E para os revoltados: acho que estamos todos do mesmo lado - a favor do parto humanizado. Isso é o que importa, certo? Não é fácil falar sobre dinheiro, mas façamos isso com respeito, por favor. Bjos, boa sorte a todos e muito dinheiro também (rsrs).

Carol disse...

Olá minha xará!!
è minha primeira vez por aki e fiquei super feliz com seu post. A primeira vez que ouvi falar no parto natural foi com uma amigona minha que teve. Acompanhei desde a gestação e logo depois que ela teve a filhota ela me contou tudo. Fiquei realmente com vontade de ter filho dessa forma... mas são tantas coisas na cabeça que por enqto... deixa eu e meu marido decidirmos ser pais heheheh ainda tá cedo pra pensar nisso.
Mas realmene é uma pena que seja tao caro... lá nos EUA é tao comum... em ultimo caso se faz cesaria.. e eles tb quase nao usam anestesia, nem nada. Brasileiro tem medo de sentir dor.. e dói tb no bolso.. enfim.

Adorei seu cantinho e muito prazer em conhecer mais uma xará :D

Beijinhos.

Katarina disse...

Carol,
Quando me decidi por um pd, sondei em listas e conversas em grupos de apoio ao parto os valores médios.. Sabia que no meu bolso cabia um profissional humanizado X. E neste fui, e muitas vezes pensei que não iria conseguir pagar e conversavamos sobre parcelamento, etc..
Agora, me desculpe... Uma pessoa que não discute os valores antes do parto, não deve estar muito interessada no quanto teria que pagar, pelo fato de ter muito dinheiro e o valor não fazer menor diferença, ou pelo fato de ser ingênua achando que os profissionais humanizados não cobrariam... Ou cobrariam o mesmo que um cesarista.
Uma vez, ouvi de um amigo, que o profissional que eu contratei era muito caro. Sim, foi difícil de pagar... eu nem ganho em um mês todo o que paguei para me acompanhar durante o tp e parto. Mas é o valor que garante que esse profissional consiga ter apenas 3 ou 4 partos em cada mês e portanto estar disponível para atender um parto sem hora marcada para começar ou terminar. É esse o valor!
Para quem não pode pagar, ainda existem as casas de parto, ou conversas com o profissional e isso sim eu sempre vi que eles estão abertos..
bjos
katarina

Vanessa disse...

Tudo deveria estar humanizado né , Carol. E não conseguimos começar nem pelo começo. Excelente seu texto e seu blog está cada dia melhor. Obrigada pela leitura.

Anônimo disse...

Se pensarmos que a 20 anos atras o parto natural e acompanhamento dedicado onde os medicos visavam (de fato) o melhor para seus paciente somavam a maioria dos partos feitos pelos planos de saude...
Parece que estamos vivendo em outro planeta!
Antigamente o incomum era o medico recomendar cesariana e agora cobra uma fortuna para fazer um parto natural! Ta tudo invertido hoje em dia, inclusive os valores e eticas!

Anônimo disse...

Me assustei de verdade quando uma prima (classe media alta) foi orientada por sua medica a convencer os avos do bebe a fazerem um "cursinho sobre como ser avó"! Foi dificil (apos a lavagem cerebral feita pela medica) convencer minha prima que a mae dela nao precisava fazer curso algum devido a vasta experiencia com crianças que teve ao longo da vida.
Nossa familia ficou chocacada com a lista de itens "indispensaveis" passada pela medica.
Fiquei me perguntando: como minha prima, criada com tanta "coerencia" acreditou que essas coisas eram essenciais para o nascimento e desenvolvimento do bebe!
Lamentavel os profissionais que se aproveitam de um momento tao delicado para criar falsas necessidades!

deniseahrends@yahoo.com.br disse...

eu sei de tantos e tantos causos de médico q realmente cobra caro, mas q quando precisa negocia, ou até mesmo não cobra...
Pelo menos aq no Rio, temos parteiras excelentes ralando mesmo pra ter uma vida descente e q merecia ganhar muito mais. E o mesmo eu digo de muita gente boa q conheço em SP. Ralam, estudam , tem um conhecimento enorme, prestam uma assistência de qualidade e fazem muita coisa mais pelo amor a profissão do q por dinheiro.
Tb acho, pela minha experiência com pré-natal e quase parto com EO q existe uma tendência diminuir os honorários desses profissionais, seja pq eles são “humanizados” seja pq são EOs, ou pq a doula é um luxo, uma coisa supérflua, menos importante do q um carrinho.
Quando eu digo q o combinado pelo meu PD era X canso de ouvir “mas tudo isso? Isso é o preço de um médico”, sabe o q digo...”não, isso é o preço justo, q eu posso pagar e q por isso aceitei, pq se não pudesse iria negociar e teria com a mesma pessoa, é o preço de uma assistência de qualidade realizado por um profissional qualificado”.
Parece tb q quando a gente fala em “parir, parteira....” (pode ser q isso seja coisa de Brasil...) vem em mente q a assitencia tem q ser gratuita, como ainda é hj com muitas parteiras tradicionais nos interiores.
Essa mentalidade tem q mudar, temos q valorizar nossos profissionais!

Carolina Pombo disse...

Muita coisa interessante foi dita nesses comentários, e eu gostaria de fazer um "resumo crítico":

- Sobre os profissionais terem o direito de cobrar quanto lhes convém, não discordo. Porém, discordo de cobranças fora da realidade brasileira. Parcelar um "parto"?! Meu Deus, os valores estão mesmo invertidos!

- Não dá pra ignorar que a precariedade da saúde pública dá brecha para profissionais oportunistas. Claro que há os decentes, que são humanizados não por causa de um "bordão", de uma "moda", mas porque isso é intrísceco a qualquer profissão da saúde.

- Infelizmente exitem mulheres ingênuas que acreditam que quando o obstetra diz "vou cobrar de acordo com o reembolso do plano", "não faço isso por dinheiro", ele cobrará um preço justo. Mas, levam um susto quando ele vem com um valor três vezes maior que o do reembolso.

- Valorizar o profissional não passa necessariamente por pagar preços exorbitantes. Sim tem sempre gente disposta a pagar, porque vivemos num país super desigual, mas isto só reforça a concentração do parto natural entre a elite econômica. Não é verdade que o médico precisa cobrar dessa forma para se sustentar, ele não faz apenas 3 ou 4 partos por mês, ele cobra as consultas, que também não são baratas. Deveria existir uma tabela de referência, assim como existe para os profissionais de psicologia.

- Eu espero, sinceramente, que as parteiras no interior continuem fazendo esse lindo trabalho por amor, e que o Estado brasileiro as compense da melhor maneira possível. Porque esperar que mulheres pobres passem a parcelar seus partos ou sacrificar suas economias para o momento do nascimento, é muito injusto.

- Finalmente: Hmanização é uma diretriz do SUS, é uma lei, e deve ser seguida por toda prática de saúde. Ela não pode virar slogan, rótulo de nenhum profissional. TODO MÉDICO OBSTETRA DEVE SER HUMANIZADO.

Vanessa disse...

Carol,

Eu tbm fiquei decepcionada com seu texto, a começar pelo título.

Por causa de um profissional que deixa para dizer qto cobra no último momento vc afirma que existe um mercado do parto humanizado?!

Os obstetras, independente se são vaginalistas ou cesaristas cobram de acordo a cidade e bairro onde seus consultórios estão instalados, afinal eles têm um custo fixo para arcar, tbm de acordo a sua qualificação já que investem na carreira e precisam se atualizar, etc. Aliás, isto independente até da especialidade médica, ou seja, médicos que tem seus consultórios bem localizados, que se reciclam e fazem um trabalho diferenciado, de qualidade cobram caro.

Todos os obstetras humanizados que eu conheço não são nada mercenários. Cobram o seu valor sim, mas diante de uma necessidade negociam, trocam serviços e já soube de caso até de não cobrarem tamanho foi a vontade da mulher de parir, mas não tinha dinheiro para pagar.

Por isso, é complicado e talvez até antiético falar em valores de parto na lista. Primeiro, pq não posso dizer o que é barato e caro a partir do meu bolso, segundo pq os profissionais têm seu preço, mas negociam diante de uma necessidade e eu pelo menos acho desconfortável divulgar que para mim o preço foi X, para a fulana foi Y. Estas negociações são feitas pessoalmente, individualmente.

Enfim, acho que vc precisa reconsiderar.

Bjs,

Van

Carolina Pombo disse...

Van,

eu gostaria muito que você relesse meu texto, sem tirar conclusões preciptadas. Dê uma lida em meu último comentário, porque acho que ele responde bem suas críticas.

Obrigada pela visita!

Beijos

csouza100 disse...

Carol,

Participo a bastante tempo da Lista Parto Nosso e sinceramente nunca me sentí ofendida com as coisas por lá discutidas.
Lá discute-se partos e não-partos e tenta-se desvendar os motivos dos não-partos. Isto é muito importante para as mulheres buscarem as respostas dentro de sí e conseguirem o parto que desejam.
Quando discute-se uma cesárea não é com o intuito de ofender ou desmerecer quem quer que seja e sim para tentar aflorar os motivos mais íntimos daquela experiência. Profissionais qualificados ajudam as mulheres da lista com dúvidas de simples a complexas, e já ví, por diversas vezes, mulheres sem nenhuma condição de arcar com os custos da assistência terem profissionais de oferecendo voluntariamente, assim como abertos a conversar sobre a redução dos custos. Tudo isto para viabilizar o parto em paz e com saúde: Nosso maior objetivo!
Para finalizar conto a minha experiência: Estou grávida de 4 meses e pretendo ter um PD. Tanto a doula quanto a Enfermeira Obstetra já falaram seus custos e se mostraram totalmente abertas a negociação.
Acho que o "Mercado da Humanização" é bem menos capitalista do que o "Mercado das Cesáreas"!

Abraço,

Carol (sua xará tbm)

Carolina Pombo disse...

Eu acho que algumas pessoas interpretaram muito mal este post. Minha intenção não foi criticar a Lista Parto Nosso, aliás ela nem é mencionada no texto. Minha crítica é para o uso dos bordões e das frases de efeito, para formarem um mercado em torno do "parto humanizado". O termo "não-parto" é um exemplo disso. Não se engane, capitalistas somo todos, porque vivemos sob esse sistema, mas em termos de saúde, o produto final não deveria ser objeto de negociação. A saúde é direito de todos, e aluta dos profissionais que se dizem humanizados deveria ser pelo cumprimento desta lei, lutando pela sobrevivência das casas de parto, pela reeducação dos jovens obstetras, e pelo esclarecimento da população. Não é isso que eu vi na tal lista, com algumas exceções. O que mais vi e me chocou foi o uso de relatos sofridos de cesarianas para insinuarem culpa, fraqueza, irresponsabilidade das parturientes.

Carol, eu torço muito para que você seja bem sucedida em seu propósito. O maior trabalho será seu com certeza! Depois se quiser, relate seu parto para o blog, que eu tenho a maior alegria de publicar relatos de partos domiciliares.

Beijos

Anônimo disse...

Eu não entendi a sua questão, de verdade.
Tem quem cobre caro, tem quem faça parcelamento, tem quem pague e quem prefira não se "arriscar" num parto. E dai? As situações são diversas, as pessoas são diversas... Casa um tem que refletir suas possibilidades e decidir o que quer fazer.
A sua refelxão é sobre o que mesmo? Pessoas são livres pra escolher. Que bom que tem médico que faz cesárea pra quem quer cesárea e médico que acompanha parto de mulher que quer parto. Agora... o valor disso é pessoal e intransferível, inclusive nos termos do "quanto paga"...

Carolina Pombo disse...

Eu acho que seria mais honesto se os profissionais que pensam como o último anônimo aí admitissem abertamente seu pensamento. Mas o que exatamente a "humanização" tem a ver com isso hein?

Tatiana Bonotto Cake Designer disse...

É bom demais ser mãe, não é? Eu vou fazer um blog para meu pequenino...em breve vou divulgar tb .



Adorei..seu blog...estou navegando para divulgar meu blog.

Visite meu blog e se gostar vai ser um prazer ter sua companhia.

bjs

www.tatidesignercake.blogspot.com

Katarina disse...

"Não é verdade que o médico precisa cobrar dessa forma para se sustentar, ele não faz apenas 3 ou 4 partos por mês, ele cobra as consultas, que também não são baratas."

Carol, não vou mais comentar...mas o profissional que me atendeu nomeu pd so atende isso.. de 3 no maximo 4 partos por mes!!!!! isso eh um fato! pode existir outros q atendem 40.. mas nao foi o meu caso!!!!
afinal... o que vc espera de um profissional humanizado??

ellyguevara disse...

stranho que, num debate em que SUS e parto humanizado sejam tão citados, não há qualquer citação sobre as casas de parto. E, sobre elas, Carol, te digo como quem pariu numa: que é uma opção sim, e que quando participei das tais lista de PNH ela foi sim citada como uma boa opção, inclusive por pessoas de equipes que realizam PD. Não acompanho mais a partonosso e por isso não sei o que houve por lá, mas geralmente apontam a CP como opção, a não ser que a pessoa tenha alegações do tipo: muito longe, periferia e etc contra a CP, mas daí é questão de escolha mesmo, pq eu moro longe da CP e muita gente que pariu lá mora. Por ter participado da lista, ter recebido lá muita informação `digratis` que foram fundamentais para a maternagem, confesso que teu texto me parece um desabafo incompleto na intenção de acrescentar algo às pessoas.
mais sobre a CP?
http://casadopartosapopemba.wordpress.com/

Carolina Pombo disse...

Elly (não sei se é este mesmo seu nome, desculpe), será que você leu mesmo meu texto? Ou será que leu a intepretação de outra pessoa sobre ele? Mias uma vez afirmo: NÃO ESTOU REDUZINDO O MOVIMENTO PELA HUMANIZAÇÃO DO PARTO AO MERCADO EM TORNO DELE!

Sobre as casas de parto, eu falei sim, mas talvez você não tenha conseguido ler todos os comentários que postei aqui, veja:

"Não se engane, capitalistas somo todos, porque vivemos sob esse sistema, mas em termos de saúde, o produto final não deveria ser objeto de negociação. A saúde é direito de todos, e a luta dos profissionais que se dizem humanizados deveria ser pelo cumprimento desta lei, lutando pela sobrevivência das casas de parto, pela reeducação dos jovens obstetras, e pelo esclarecimento da população."

Obrigada pela visita!
Beijos

Mari Moscou disse...

Demais o debate, hehe. Adorei, Carol! A única coisa sobre este tema que eu consigo pensar é o absurdo de a mulher não poder escolher sem ter grana. Quer dizer; por que o Estado não paga o tal parto natural, etc?

O problema da coisa tornar-se um mercado, penso eu enquanto socióloga, não tem nada a ver com a conduta "boa" ou "má" de médicos militantes da causa, mas com uma condição há pouco criada chamada sociedade global capitalista.

Pelo que tenho lido e reparado em meus estudos, aliás, me parece que toda militância profissional está em nossa sociedade associada à necessidade do desenvolvimento de um mercado de trabalho específico.

Talvez seja então só uma questão de Estado regular mercado?

Carolina Pombo disse...

Mari, falou e disse! rsrsrs Mas, eu acrescentaria que os profissionais tem sim responsabilidade por reproduzir uma lógica excludente. Usar a humanização para marcar um território privado de "fulano" e "beltrano", é lamentável.

Uma boa maneira de começar a regular é punir os profissionais "cesaristas", e pressioná-los a acompanhar partos normais, sem intervenções desnecessárias, como é orientação da OMS e do Ministério da Saúde. Além disso, o CRM poderia divulgar tabelas de referência para a cobrança de médicos particulares, ou estes deveriam seguir as tabelas dos seguros de saúde. Mas aí já é outro debate polêmico...

Grande beijo!

ellyguevara disse...

Sim , Carol. Eu li este trecho e agora relendo meu comentário, vi que fiz parecer q as CPs não foram citadas de forma alguma (desculpe), mas o q quis realmente dizer é q elas não foram citadas como opção real. E, eu acho que a democratização das CPs se dará exatamente pela informação e acho que o `movimento` é hj o maior ou único responsável por essa informação. A CP onde pari vive vazia, pq poucas pessoas sabem da sua importância. Acho q o mercado invade tudo hj em dia, sem dúvida, mas também acho que devemos estar bem atenta se ao atacar um lado, não estamos fortalecendo exatamente o mais forte, me fiz entender? Sei lá, vejo uma linha muito tênue no texto entre um e outro e daí, as possibilidades de seu texto virar mais um escudo para o que está reinando parecem-me grandes. Obrigada pela visita no meu blog e pela possibilidade de estarmos batendo este papo.
elly

Carol disse...

Carol,
eu tb sonho com um PD bancado pelo Estado como acontece em muitos países na Europa e, pasme, há projeto em Tocantins. Infelizmente esta realidade não está disponível a todos. Como nada está, não é mesmo? Não, não basta querer. E tb não basta pagar.

Mas isso não justifica a sua crítica a quem faz o trabalho e cobra. Vc é psicóloga. Vc trabalharia de graça? E nem poderia! Quem pagaria suas contas?

Agora, negocia um Pd com um parteira ou um médico que atenda em casa e negocia a obra da casa com um engenheiro...

Quantas mulheres tiveram seu PDs sem pagar nada porque realmente não podiam?

Por que a gente pode parcelar a casa da gente em 30 anos e não pode parcelar um parto digno em 6 meses?

Como ser a única gestante do mës se a minha parteira não cobrar por isso?

Eu só quero o melhor prar mim e mesmo que não possa pagar eu dou meu jeito.

Acho que vc foi dura demais.

Abraço,

Carol Prestes (a caminho do 2o PD, ainda mais dura que no primeiro!)

Carolina Pombo disse...

Oi Carol! Não, eu não acho que os profissionais devam trabalhar de graça! E sim, eu fui muito dura, porque acho necessário abrir espaço para este debate. Em um outro comentário, escrevi sobre as alternativas que poderiam ser adotadas para a regulação desses honorários, e agora abri uma enquete para saber o que as pessoas acham sobre esta questão prática.

Beijo e obrigada pela visita!

Anônimo disse...

Carol,
Legal o seu texto, faz pensar.
Mas..... acho justissimo um profissional ganhar 5 vezes mais por um parto que a parturiente escolhe como será, e ele espera o tempo que for, enquanto seus colegas fazem 5 cesareas eletivas. Justo este profissional não atender pelo convênio que paga 22 reais a consulta, visto que não tem como ele atender 20 consultas por dia, e sim apenas 5-6. Nunca ví não acertar preço antes, tudo é previamente discutido e a mulher aceita pagar se quiser. Se não, vai fazer cesárea com médico de convênio.

O mercado médico das cesáreas envolve obstetras, anestesistas, centro cirurgico e hospitais conveniados. É uma industria que dói no bolso de todos que tem convênio médico e pesa no bolso da sociedade. Pagar corretamente o obstetra que faz parto natural por um trabalho honesto não deveria nem ser discutido.
Eu tenho convenio para uma emergencia, UTI. Meus medicos não tenho coragem de pegar pelo convenio.
Profissional bom deve ser bem pago, e eles não atendem convênios que pagam miséria. Ponto final.
Infelizmente só quem tem dinheiro tem acesso a estes bons profissionais.
Bjs
Gica

Anônimo disse...

Minha cunhada acaba de voltar de uma famoso obstetra humanizado em SP, cobra 400 a consulta, e 13-15 mil reais o parto, leva a equipe toda, e é sem negociação. Parteira? 150 a consulta + o valor do parto. Mas isso se for a 1a gravidez ou não tiver cesarea anterior, ou qquer outra pequena complicação.
Profissional deve ser bem pago, mas esse "mercado negro" da humanização do parto está virando piada, desculpe.... um processo fisiológico está virando um luxo para poucas.
Voce tem razão em criticar.