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Aqui, a voz é quase sempre de Carolina Pombo - mãe, escritora, psicóloga e empreendedora "verde". Alguém que adora perguntas, ama debates, e abre o coração sem medo.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Creche: pra quem, por quê e como?

Eu visito creches aqui em Botafogo e adjacências desde que Laura tinha quatro meses, até hoje foram oito. Finalmente, encontrei uma que está dentro do orçamento e de nossas necessidades. Com um ano e dois meses, Laura me parece pronta para passar a tarde num ambiente diferente, com outras crianças, outros estímulos e desafios. E eu estou pronta para retomar com mais gás minha vida profissional. Serão quatro horas diárias, num lugar bem pertinho de casa, onde estarei trabalhando e estudando, com o pensamento e coração cheios de expectativas! Espero que eu consiga ter sucesso em meus empreendimentos profissionais agora, a assim seja também motivo de orgulho para minha pequena, e espero que Laura se divirta e aprenda o suficiente na creche!

Sei que algumas mulheres já engravidam com planos de deixar o bebê bem novinho na creche, ainda com seus três ou quatro meses, para não "perder o ritmo" na concorrência do mercado de trabalho e não ficar dependendo de marido. Elas têm seus motivos e não os discutirei aqui. Este texto é para mães que começam a planejar a ida do filho à creche a partir de seu primeiro ano completo, fazendo isso gradualmente, e que gostariam de ter dicas relevantes para saber escolher um bom lugar.

Como disse, visitei várias creches por aqui, desde uma que promete preparar as crianças para serem "empreendedoras do futuro", a outra que tem "mimo" até no nome. Lugares com propostas diferentes, mas que têm problemas comuns. Apenas uma das oito consegue prometer mais de dois adultos por  turma (no que dá mais ou menos 6 bebês por adulto, no caso do berçário). A maioria tenta esconder o fato de que as profissionais não são pedagogas, são mulheres que, como nós, têm filhos e gostam de trabalhar com crianças - sem um preparo teórico mais profundo. Todas oferecem carga horária de até 12 horas diárias, inclusive para bebês. Depois de tantas visitas e conversas com outras mães pelas pracinhas da vida, resolvi encarar a realidade de que nossas creches são mal preparadas para a grande demanda que têm. São caras, têm altas despesas, mas não conseguem oferecer o ideal que desejamos. Então, antes de decidir por colocar seu filho/a numa creche, tenha bem claro que, em muitos aspectos, ele/a estaria melhor em casa. Mas, também tenha clareza sobre os motivos que a levam a tomar essa decisão. É melhor que ele/a esteja algumas horas numa creche do que fique a maior parte do tempo assistindo tv porque não tem ninguém com disposição para passear com ele/a duas vezes por dia ou porque não há um espaço adequado perto de sua casa. Se o motivo é a volta ao trabalho,  se possível, concilie a creche com a estadia na casa de uma avó ou com uma babá, por exemplo. Definitivamente, deixar uma criança pequena por doze horas numa instituição não é a melhor opção.

Mas, sabendo da nossa realidade e dos motivos que nos levam a recorrer a creche, como chegamos a uma boa escolha? Aí vão algumas dicas:

- Visite mais de um lugar, para ter parâmetro de comparação. De preferência vá sem marcar. Observe quem a recebe na primeira visita e se pergunte: "há um esforço maior de se vender uma imagem do que de se apresentar a realidade?". Você vai ver que, em algumas instituições tem um profissional de administração ou marketing para guiar a primeira visita.

- Observe se há flexibilidade, para a faixa etária das turmas, os horários, para o processo de adaptação, e as atividades da criança. Visitei lugares que só ofereciam a carga horária mínima de seis horas, ou que a divisão das turmas está baseada apenas no critério idade e não nas fases de desenvolvimento.

- Pergunte sobre a rotina de alimentação e sono. Existe um argumento por aí que diz que criança que dorme na creche é desperdício de dinheiro - não caia nele! Dormir é fundamental para o crescimento e desenvolvimento adequado de bebês e crianças. Prezar pelo momento do sono é muito importante. Numa de minhas visitas, em uma creche que usa este argumento, vi crianças de menos de dois anos dormindo com a cabecinha em cima da mesa do almoço. Não é de se estranhar que elas fiquem irritadiças depois...

- Procure saber se há profissionais de referência, para orientar as cuidadoras e os pais. Algumas creches oferecem apoio de psicólogos, pediatras, nutricionistas, psicomotricistas, fonoaudiólogas, etc.

- Verifique a carga horária das profissionais da creche. Pense: ficar doze horas por dia com uma turma de doze a vinte crianças ultrapassa a capacidade física de qualquer um! Além disso, cuidadoras e professoras bem humoradas com certeza serão mais pacientes, né?

Se você também quiser dar alguma dica ou contar uma experiência com creches, diga aí! Deixe seu comentário!

5 comentários:

Desconstruindo a Mãe disse...

oi,

Recentemente meu pequeno entrou na escolinha e além da estrutua e outras dicas que deste me preocupei em visitar as escolas sem avisar, rpa ver como era a rotina sem todo aquele "verniz" que se dá quando vem cliente novo. Assim, tinha bebê chorando e pude ver como era o tratamento, a nutricionista fazia avaliação nutricional, e além disso observei a interação entre meu filho e as educadoras.
Foi decisivo ver a reação dele diante da forma como as profes tratavam seus aluninhos. E ver que em uma única escola ele se sentiu confortável para ir pro colo e brincar com as pessoas que cuidariam dele.

Mais: tem local arejado, que pegue sol e que comporte um certo número de crianças?

São salas planejadas ou adaptadas para acolher crianças ou se trata de um depósito?

Uma coisa que pode parecer boba no início é a proximidade com a casa ou o trabalho dos pais, por questões de segurança e mesmo de comodidade: quem deseja ficar horas no trânsito com crianças cansadas na hora de voltar pra casa?

O cardápio é dividido e analisado com pais? Sugestões caseiras são aceitas?

Enfim, há muitos critérios, cada família pensa em questões diferentes, mas... quanto mais idéias, melhor, seja para descartar ou usar, não é mesmo?

Beijo,
Ingrid

Vanessa disse...

Carol, eu também visitei um bom numero de creches antes de decidir. Visitava sem marcar para sentir a acolhida. Notei que , exceto por uma das escolas, as creches pareciam mais um depositário de crianças do que um local destinado a educar, apesar de cobrarem caro. Em uma delas a pessoa que me atendeu só conseguia dizer para mim: "aqui eles tem aula de artes, aqui eles dormem , aqui eles brincam". Nenhuma, exceto a que eu escolhi, me apresentou a proposta pedagógica sem que eu questionasse. Limitavam-se a dizer que meu filho, na época com um ano e meio teria aula de culinária, ioga e computação. Eu deixei a creche mais próxima de casa por último e graças a Deus , lá foi tudo diferente. "A primeira coisa que a coordenadora me falou foi , quer conhecer nossa proposta? " Fiquei feliz ao perceber ( fui professora de pequenos por 8 anos e sei matar essas charadas) que eles realmente tinham proposta pedagógica e de acordo com o que eu queria , o construtivismo. Meu filho que é um garoto desconfiado e estava um pouco fechado, vem se desenvolvendo muito bem, está super feliz. Pagamos caro, é bem verdade, mas estou satisfeita.
Beijo e boa sorte na adaptação ( meu filho nem lembrou que eu existia e eu fui liberada no 3o dia)

Desconstruindo a Mãe disse...

Ah, pois é, a amiga acim falou e é verdade: quando eles percebem que o lugar é bacana só lembram da gente na hora em qua vamos buscá-los, e muitas vezes nem querem deixar os amigos!
O Caio simplesmente já no primeiro dia quis ficar até o fim da tarde e não fiz questão de tirá-lo de lá se estava divertido. Passei a tarde lá, esperando pra qualquer recaída. Não aconteceu... Já no segundo dia ele só me deu tchau e seguiu em frente...

Claro, nessa semana ele vê que não vou ficar lá e tem chorado nos primeiros 5 minutos, mas logo passa...

Carolina Pombo disse...

Gente, valeu mesmo pela contribuição!

Na creche que Laura está começando, o espaço físico não é tão grande nem tão cheio de brinquedos, mas percebi que as profissionais são tranquilas e bem humoradas. Numa tarde lá não escutei os rotineiros gritos de "silêncio!", "chega de barulho!". As crianças me parecem livres, porém, atentas as atividades. Além disso, é uma escola inclusiva, onde crianças autistas convivem muito bem (eu nem tinha reparado a diferença até uma professora me mostrar) entre as turmas.

Por enquanto, Laura está feliz, mas ainda me procurando ao redor... rsrsrs

Vamos ver até o fim da semana!

Mary disse...

bom,com meu filhote,optamos por colocá-lo na escolinha mesmo,já que eu tinha minha mãe prá ficar com ele,mas visitei várias até por decidir a escola que minha mãe havia trabalhado.Até então ao visitar,observamos também a questão da segurança,se haviam protetores de tomada,fios,etc..de toda forma,é importante pois a criança se socializa além de ficar muito independente,digo de experiência própria...nosso filhote se adaptou e no final do ano já estava falando feito uma vitrola! Hoje ele está com 6 anos...