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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sobre o aborto: debate com Mari Moscou

Interrompemos nossa programação para...

Brincadeiras a parte, hoje o blog está promovendo o debate iniciado pela Mari Moscou no Mulher Alternativa sobre a discriminalização do aborto. Ela tem um ponto de vista interessante, que passa longe dos argumentos religiosos, que pega a onda do feminismo e da denúncia sobre a desigualdade de gêneros. O texto é interessante, pois começa com uma breve discussão sobre o Estado Laico no Brasil e chega na realidade francesa - onde o aborto é legalizado, mas nem por isso aceito por toda população.

Eu confesso que não tenho uma opinião perfeitamente formada a esse respeito. Mas não podemos ignorar a quantidade de mulheres que fazem abortos clandestinos, sofrem física e psicologicamente com isso, sem apoio público, e também não dá pra ignorar a quantidade de criança que nasce em lares onde lhes falta o devido acolhimento porque são frutos de uma gravidez totalmente indesejada. E este é o motivo pelo qual acho super importante promover este debate.

Então, leia "Se o aborto é crime fazemos política no escuro", e depois dê sua opinião!

7 comentários:

Vanessa disse...

Sou contra o aborto. E acho que não deve existir muita gente a favor. Mas sou pelo direito da mulher escolher o que fazer de sua vida, de seu corpo. Sou pelo direito a um sistema de saúde que socorra a mulher e a ampare seja qual a sua decisão. Sou por um sistema legal que não trate a mulher como criminosa por ter medo de encarar a maternidade. Sou por um sistema educacional que informe e eduque de verdade. Por uma sociedade economicamente forte que não expulse os filhos das mães por falta de dinheiro. Não desejo o aborto para mim mas compreendo quem opta por esta saída.

olhodopombo disse...

Sou contra.
Se uma mulher transa, sabe o que esta fazendo, portanto ela tem que se preservar, se cuidar,
tomar pilulas,
usar anticonceptivos, que existem em muitas variedades.
aborto é um crime não so contra quem quer nascer, mas contra o proprio corpo da mulher.
em caso de estupro realmente a coisa fica dificil, complicada.
mas sou totalmente contra abortos.....

Carolina Pombo disse...

Gente, eu particularmente não conseguiria me submeter a um aborto, principalmente depois de ter tido minha filha. Mas, para algumas pessoas ter um filho não é sinônimo de alegria, mas de muita dor, que será transmitida a ele e poderá gerar uma vida inteira de sofrimento (falo até de sofrimento mental grave). A falta de amor, falta de desejo, na relação entre mãe e filho é um risco sério para a saúde de ambos.

É claro que existem os métodos contraceptivos, mas eu to aí pra provar que nem sempre funcionam. Acho que legalizar o aborto deve ser parte de um programa mais amplo de políticas de planejamento familiar, no qual ele seja o último recurso. Só tenho dúvidas sobre a decisão de abortar ser exclusivamente da mulher, porque se isso garante mais autonomia para ela em relação a seu corpo, não tira também um pouco a responsabilidade do homem?

Enfim, é um tema complexo que precisa sair dessa áura de "pecado" e entrar para um debate público honesto e livre.

Anônimo disse...

Sou contra.

Temos direito sobre o nosso corpo, sim, mas a pessoa que está sendo gerada já é única, desde a concepção. Sobre a vida deste outro não temos nem devemos ter poder.


Sou a favor da informação, da distribuição gratuita de contraceptivos.Faz parte da responsabilidade de ter vida sexual saber que sim, há sempre o risco de surgir uma criança.
Não pode correr o risco? Redobre os cuidados, associando métodos, por exemplo, de barreira e hormonal.



Dá trabalho? Dá. Mas sai menos danoso em todos os sentidos (para a mulher e para a sociedade) do que promover a legalização do aborto.

Há métodos que são mais fáceis de utilizar, como o anel vaginal, que libera hormônios similares ao da pílula e que agem da mesma maneira, com a diferença de ser absorvido pela mucosa. Insere uma vez ao mês, usaa 21 dias, remove, 7 dias de pausa, um anel novo. Não tem como dizer que esqueceu... Certamente há a questão das interações medicamentosas, que podem anular o efeito do remédio; mas aí cabe o papel dos agentes de saúde informar quais são, e a usuária também.


Na Holanda é distribuído gratuitamente...

Não consigo entender essa postura de tratar o não-nascido como não-pessoa, com direitos como os nossos.

Considero excluir do debate os argumentos religiosos é postura não-democrática. Que se faça plebiscito, mas TODAS as parcelas da população tenham direito a expor seus argumentos.

Ou então, estaremos impondo a visão daqueles que não possuem religião como a única verdade.

Talita

Carolina Pombo disse...

Oi Talita, bem vinda ao blog! Só quero deixar claro duas discordâncias sobre o que você disse:
1) Nós temos o poder sim sobre a vida do feto que geramos, pois sem nosso cuidado ele morre. Reconhecer esse poder é reconhecer nossa enorme responsabilidade em dar a vida a alguém. A questão ética que se segue é como a da eutanásia.
2) Não acho que os argumentos religiosos devam pautar as discussões públicas. Eles devem ser respeitados, claro. Mas discriminalizar o aborto não impede que as pessoas religiosas continuem o condenando. A questão é dar às pessoas mais liberdade na hora de decidir ser mãe.

Obrigada pela participação!

Clarissa disse...

Carol, taí outro assunto que mexe comigo (rsrs). Não faria um aborto, mas acho que o direito é da mulher, SIM. É muito claro para mim que um feto é uma vida EM POTENCIAL - até os 5 ou 6 meses de gestação, o feto não tem vida própria, mas depende da mãe. O aborto é uma coisa horrível, dolorosa e traumática - mas cabe à mulher definir se está preparada para ter um filho. Qualquer que seja a decisão(abortar ou ter um filho), sua vida nunca mais será a mesma. Os argumentos de que "toda mulher sabe como prevenir uma gravidez" me irritam: não só porque métodos anticoncepcionais falham, mas também porque comprometer a saúde física e mental, bem como a felicidade, de uma criança (q um dia será um adulto) é um preço muito alto a se pagar por um momento de irresponsabilidade ou um acidente. É claro que existem nuances e nada é preto no branco. Mas o que, para mim, é inegável é o direito da mulher de poder escolher o seu futuro. Se for cometer um crime contra a igreja ou contra Deus (para quem acredita nisso) deixe que ela "pague por seus pecados" lá no céu/outra vida etc. O feto não é cidadão e, por isso, não cabe ao governo LAICO proteger os seus direitos. A mulher, sim, é cidadã e precisa arcar com o peso da maternidade - sustentar, amar, se doar. Não importa se ela foi estuprada, se a pílula falhou ou se, por ignorância ou irresponsabilidade, praticou coito interrompido: o governo tem que proteger o direito DELA, acima do direito do feto. Bom, essa é minha opinião e não sei ficar calada ;-) Bjo!

Anônimo disse...

Sei que vão me achar radical. Mas para mim aborto é punir o feto com pena de morte pelos equívocos dos adultos. É terminar uma sequencia de atos impensados com um pior ainda. E todos os que são a favor do aborto tiveram respeitado seu direito de nascer. É uma insanidade, mais uma violência. O direito à vida é constitucional, mesmo para aqueles cidadãos em "potencial".