Eu ouvi há dias atrás uma educadora da nova escola de Laura afirmar, impressionada, que minha filha já tinha muita consciência corporal! Fiquei emocionada e refleti sobre isso.
Desde que Laura começou a andar, nunca me privei de manter nossas saídas para almoçar ou jantar fora, como já ouvi algumas pessoas reclamarem. Imagino que para muitos pais, levar uma criança pequena ao restaurante é um evento estressante e por isso evitado. Mas, as cenas que já presenciei e já tive tentação de repetir me dizem que é a ansiedade e a insegurança dos adultos que tornam a presença das crianças desagradável numa situação dessas. Quando levamos Laura para comer, em primeiro lugar, ou carregamos sua própria comida ou já a levamos alimentada. Ela gosta de sentar junto conosco na mesa, e não ficar no carrinho, e nós entedemos isso perfeitamente e a deixamos na cadeira para crianças, ou revezamos os colos. Ela gosta também de "passear" pelo novo lugar, e é aí que entra o conflito. Muitos adultos têm medo de ver as crianças livres, andando sozinhas, como se elas fossem a qualquer momento invadir o espaço dos desconhecidos, derrubar as coisas da mesa, cair e se machucar. Às vezes essas coisas até acontecem, mas elas serão exceção se a criança, desde cedo, puder desfilar por aí, sob os olhos dos pais, encarando o medo do desconhecido, sem reprimir toda a curiosidade.
Laura tem uma consciência corporal impressionante sim, porque mesmo antes de andar, quando a levávamos para passear e tomar um solzinho, já a colocávamos livre sobre um tapete, sobre os brinquedos dos parquinhos, às vezes até com um sapatinho apoiávamos os pezinhos no chão. Ela levou alguns tombos, chegou a botar terra na boca, e já teve até uma micose chatinha. Mas, esses males foram necessários para que ela entendesse os limites e potenciais de seu corpo.
Agora ela está na fase de "escalar" as coisas: aprendeu a subir sozinha no sofá, fica em pé em sua cadeirinha, se remexe toda na cadeira das refeições. Ela está testando e descobrindo outros limites. Quando vamos a um restaurante, depois de beliscar uns pãezinhos, ovos e pedacinhos de batata, pede para sair da cadeira, e vai andar pelo lugar. Sempre acompanhada por nossos olhos, ela não incomoda nenhum desconhecido. Sorri super simpática para todos! E não vai tão longe a ponto de nos perder de vista. Não encosta nos pertences dos outros, não sai correndo para fora. Mas, quer subir e descer os degraus, e às vezes quer recolher um garfo e uma faca na ponta da mesa! Aí é que entra nossa disposição, e com um olhar firme avisamos o que não é permitido fazer alí. Geralmente, antes de se aventurar, ela pega nossa mão e puxa, nos chamando. E pode até ficar muito brava se não quisermos acompanhá-la. Mas, não cedemos sempre. Vamos ao restaurante para comer e nunca saímos de lá sem ter feito isso de forma satisfatória por causa da Laura.
Gradualmente, ela ganha confiança e entendimento sobre seu espaço e seu corpo. Eu fico tranquila em saber que, ao mesmo tempo em que desafia os limites, aprende a lidar com eles. Além disso, consigo manter algo muito valioso para mim e meu casamento, afinal ter momentos de lazer, para além das brincadeiras infantis, é fundamental! Bem-estar materno inclui também ter o mínimo de tranquilidade para comer uma boa refeição!
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