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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Minha filha tem consciência corporal

Eu ouvi há dias atrás uma educadora da nova escola de Laura afirmar, impressionada, que minha filha já tinha muita consciência corporal! Fiquei emocionada e refleti sobre isso.

Desde que Laura começou a andar, nunca me privei de manter nossas saídas para almoçar ou jantar fora, como já ouvi algumas pessoas reclamarem. Imagino que para muitos pais, levar uma criança pequena ao restaurante é um evento estressante e por isso evitado. Mas, as cenas que já presenciei e já tive tentação de repetir me dizem que é a ansiedade e a insegurança dos adultos que tornam a presença das crianças desagradável numa situação dessas. Quando levamos Laura para comer, em primeiro lugar, ou carregamos sua própria comida ou já a levamos alimentada. Ela gosta de sentar junto conosco na mesa, e não ficar no carrinho, e nós entedemos isso perfeitamente e a deixamos na cadeira para crianças, ou revezamos os colos. Ela gosta também de "passear" pelo novo lugar, e é aí que entra o conflito. Muitos adultos têm medo de ver as crianças livres, andando sozinhas, como se elas fossem a qualquer momento invadir o espaço dos desconhecidos, derrubar as coisas da mesa, cair e se machucar. Às vezes essas coisas até acontecem, mas elas serão exceção se a criança, desde cedo, puder desfilar por aí, sob os olhos dos pais, encarando o medo do desconhecido, sem reprimir toda a curiosidade.

Laura tem uma consciência corporal impressionante sim, porque mesmo antes de andar, quando a levávamos para passear e tomar um solzinho, já a colocávamos livre sobre um tapete, sobre os brinquedos dos parquinhos, às vezes até com um sapatinho apoiávamos os pezinhos no chão. Ela levou alguns tombos, chegou a botar terra na boca, e já teve até uma micose chatinha. Mas, esses males foram necessários para que ela entendesse os limites e potenciais de seu corpo.

Agora ela está na fase de "escalar" as coisas: aprendeu a subir sozinha no sofá, fica em pé em sua cadeirinha, se remexe toda na cadeira das refeições. Ela está testando e descobrindo outros limites. Quando vamos a um restaurante, depois de beliscar uns pãezinhos, ovos e pedacinhos de batata, pede para sair da cadeira, e vai andar pelo lugar. Sempre acompanhada por nossos olhos, ela não incomoda nenhum desconhecido. Sorri super simpática para todos! E não vai tão longe a ponto de nos perder de vista. Não encosta nos pertences dos outros, não sai correndo para fora. Mas, quer subir e descer os degraus, e às vezes quer recolher um garfo e uma faca na ponta da mesa! Aí é que entra nossa disposição, e com um olhar firme avisamos o que não é permitido fazer alí. Geralmente, antes de se aventurar, ela pega nossa mão e puxa, nos chamando. E pode até ficar muito brava se não quisermos acompanhá-la. Mas, não cedemos sempre. Vamos ao restaurante para comer e nunca saímos de lá sem ter feito isso de forma satisfatória por causa da Laura.

Gradualmente, ela ganha confiança e entendimento sobre seu espaço e seu corpo. Eu fico tranquila em saber que, ao mesmo tempo em que desafia os limites, aprende a lidar com eles. Além disso, consigo manter algo muito valioso para mim e meu casamento, afinal ter momentos de lazer, para além das brincadeiras infantis, é fundamental! Bem-estar materno inclui também ter o mínimo de tranquilidade para comer uma boa refeição!

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