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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

ATENÇÃO: cesarianas elevam a taxa de baixo peso ao nascer

Este informe é da Revista de Saúde Pública do mês passado, e mostra conclusões paradoxais: estudos recentes mostram que a taxa de baixo peso ao nascer entre regiões mais desenvolvidas é maior do que nas regiões menos desenvolvidas. Duas explicações complementares para essa inversão epidemiológica: aumento das intervenções que evitam a morte ao nascimento e aumento das intervenções desnecessárias (principalmente cesarianas, que têm associação direta com a taxa de prematuridade e de baixo peso).

O baixo peso sempre foi utilizado como indicador da saúde materno-infantil, e especialmente para avaliar as desigualdades sociais em saúde (historicamente, mulheres pobres tinham maior risco de dar à luz crianças com baixo peso). Além disso, essa taxa ainda é associada a doenças motoras, cognitivas e respiratórias nos bebês.

Apesar do informe sugerir que devemos passar a ver o baixo peso como indicador de melhor acesso aos serviços de saúde, é de se questionar enfaticamente tal sugestão! Como podemos aceitar que a taxa elevadíssima de cesarianas, associada claramente ao baixo peso, seja considerada como representação da ampliação do acesso à saúde? Isso é um absurdo! O próprio informe nos dá subsídios para questionar a prática abusiva dos médicos que intervêm desnecessariamente no nascimento, mas acaba ingnorando o fato na conclusão.

Sabemos que há interesses e poderes em disputa no que concerne à gestação e ao nascimento, mas, acima de tudo, esses dados são de nosso interesse: mulheres que são donas de seus corpos e responsáveis pela saúde de seus filhos.

Por isso, ATENÇÃO! Optar por uma cesariana significa submeter seu filho ao risco de nascimento pré-termo (anterior a 37 semanas) e ao baixo peso, que são riscos de doenças respiratórias e dificuldades gerais de desenvolvimento motor e cognitivo. Mas, há médicos que vão minimizar esses riscos, receitando antialérgicos, antibióticos e complementação alimentar desde os primeiros meses. ESSA MEDICALIZAÇÃO EXCESSIVA TEM QUE PARAR! Somos as donas de nossos corpos! Somos as reprodutoras da vida, por excelência!

9 comentários:

Amanda Lima disse...

Eu mesma não poderia ter colocado minha opinião de forma melhor. Quer cesaráe e não abre? Tudo bem, mas pelo menos espera entrar em TP, assim sabe-se que a criança está pronta!
É muito egoísmo de uma mãe escolher a data de nascimento por motivos fúteis(numerologia, aniversário do pai, etc) pois quem mais sofre é o bebê, sem estar pronto pra nascer! Isso me indigna, de verdade!

beijos

Carolina Pombo disse...

Oi Amanda! Pode ser egoísmo sim uma mulher optar por uma cesariana, mas acho que na maioria das vezes é influência de médicos mal informados ou mal intencionados mesmo. Esse artigo aí, por exemplo, fala de "melhor acesso a saúde" sem qualificar que saúde é essa. Ter melhor acesso a saúde é também ter um pré-natal que respeite o tempo de desenvolvimento de mãe e bebê para um parto normal. A cesariana muito acima de 30% na população urbana é um indicador de desigualdade social em saúde sim, é indicador de que as mulheres na área urbana estão submetidas a informação e intervenção erradas!

Beijos e obrigada por comentar!

Melissa Marsden disse...

Pessoal, essa disussão é muito importante. Vamos compartilhar este post na rede e ampliar o debate. Usem suas contas no twitter, facebook, orkut, blog, rss, buzz, digg, e-mail etc. Temos que tentar reverter essa situação.

Paloma, a mãe disse...

Excelente texto, Carol. Sou sua leitora assídua, embira nem semore consiga comentar, já que leio com a Clarice no peito.
Até aceito uma cesárea, mas marcar data por conveniência do médico ou da mulher é um absurdo. Entrar em TP deveria ser o requisito básico, mesmo que a mulher opte por cesárea (embora saibamos que é uma opção da maioria dos médicos e que elas, as mulheres, sequer são informadas dos ricos que estão correndo).
Beijos

Mariana - viciados em colo disse...

Carolina,
Estou impressionada: não sabia que se fazia cesárea pré termo por opção. Achei que tinha que ter um peso/tempo de gestação mínimo, sei lá, quaquer indicador que mesmo sendo por opção para deixar a criança "terminar de ser feita"... Estou realmente chocada! E colocar este indicador como positivo me parece uma irresponsabilidade...
Abraços

disse...

Carolina, eu ainda nao tinha lido nenhum texto mais cientifico a respeito, mas ja' desconfiava desses resultados! Praticamente todas as minhas amigas brasileiras fizeram cesarea (sem necessidade, na maioria das vezes) e quase sempre os bebês sao pequenos, com menos de 3kg. O Rafael nasceu com 3,250kg e 50cm (40 semanas e 2 dias de gestação). Não é um peso pesado, é um peso normal. E mesmo assim todo mundo no Brasil me dizia: nossa, como ele nasceu grande! As pessoas ja' perderam um pouco a noção da coisa.

Alias, tô pensando em publicar um post sobre o meu parto... nao sei ainda. Se eu publicar, vou linkar esse seu texto, ta'?

Carolina Pombo disse...

Oi queridas! Realmente é uma situação preocupante, porque o anormal agora é ter um parto normal e um bebê dentro dos melhores padrões de saúde! Essa medicalização toda reflete também nos padrões de adoecimento do país (que mistura doenças agudas, mais típicas do baixo desenvolvimento social, com doenças crônicas, muitas resultantes do excesso de medicação, má alimentação, e hábitos muito distantes de nossa natureza...)

Podem linkar o texto e divulgá-lo ao máximo! Aproveito para deixar o link do artigo completo, que foi publicado em outubro, mas que só está disponível em inglês.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102010000500001&lng=pt&nrm=iso&tlng=en

Clarissa disse...

uau, Carol, amei esse seu post! é muito bom mesmo divulgar esse absurdo que é agendar uma cesárea sem nem permitir que a mulher entre em trabalho de parto. quantas mulheres são informadas de que é o bebê que escolhe a hora de nascer?! é chocante! hoje elas só recebem a seguinte informação: "depois de 37 semanas, não é mais considerado prematuro". E isso já é um absurdo - uma gravidez a termo antes era 40 semanas, agora a data prevista é com 39 semanas e 37 semanas já é visto como "normal" (no sentido de não ser prematuro). Na verdade, o que mais vemos é como a prematuridade iatrogênica subiu nos últimos anos, e não é coincidência que tenha aumentado tanto quanto as cesáreas. antes eu era radicalmente dura com mulheres que faziam cesáreas - agora, minha bandeira é outra: agendar parto (antes de completar 42 semanas, que é quando - supostamente - os riscos de deixar o bebê lá dentro começam a crescer) é uma violência ao bebê e um desrespeito total à natureza. vou divulgar no FB! bjo, Clarissa

Mamãe Kaká e Papai Michel disse...

Ei Carol, conheci seu blog hoje e gostei muito!
Fiz uma cesárea, há aproximadamente, depois de entrar em TP com 37 semanas e depois de 5 horas na tentativa de ter PN, meu GO me disse que se eu quisesse realmente o PN ele voltaria depois de no mínimo 5 horas, pois minha dilatação estava lenta.

Eu, que já estava desmaiando e delirando de dor, desisti.

Falta de apoio foi o que me motivou a ir para o PC.
Sei que o importante é a saúde da minha filha e a minha e isso, graças a Deus, não foi interferido pelo PC, mas tenho certeza que se meu médico me apoiasse eu teria ido até o fim para ter um PN.

Menos mal que minha filhota foi quem escolheu a sua hora de vir ao mundo.

Veio pequena e magrinha, mas veio no dia que quis.

Beijos