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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Papo sobre alimentação para bebês - Série Mães que Contam

 Neste post da Série Mães que Contam, publico um pouco da minha experiência com a alimentação complementar da Laura e dicas de uma nutricionista, a Vanessa Guedes, para ajudar a quem busca orientação para a introdução de novos alimentos ao lactente.

Com toda essa estória de alergias, fui incubida a fazer um diário da alimentação de minha filha. Ela tem 10 meses agora, portanto já come quase tudo! Mas depois de ter alguns sintomas que parecem ser de alergia alimentar, é necessário diminuir o ritmo da apresentação de novos alimentos, evitar lactose, ovo e corantes, e observar se há alguma reação. Aí, com essa trabalheira toda, voltei a lembrar da introdução de frutas e legumes nos primeiros meses, e como eu ficava confusa e com medo de dar "a coisa errada na hora errada" e tal. A pediatra me deu orientações, mas eu discordava de algumas (como a introdução de lactose - que eu preferi substituir por leite de soja), e fiquei pesquisando em livros e na internet algumas receitas alternativas.

Por isso, desde que criei o blog, tenho muita vontade de publicar opções de cardápios e dicas legais para a introdução de alimentos, mas sempre fiquei insegura, porque afinal não sou nutricionista! Mas, olha que ótimo: reencontrei na net uma colega de escola que é nutricionista e super interessada em alimentação materno-infantil. Ela preparou umas dicas pra nós, mamães de primeira - e segunda viagem também, por que não? Afinal, estamos sempre aprendendo! - introduzirmos novos alimentos aos pequenos gourmets. E se anos atrás o leite de vaca era indispensável ao lactente, e hoje, ele é acusado de ser o principal provocador de alergias, fica difícil pra gente leiga, como eu, acompanhar a "evolução" da ciência e acertar no dia dia, né?!

Então, espero que as dicas da Vanessa Guedes ajudem à todas (os)! Lá vai:

Definindo as papas diárias.

Para crianças de 4 a 8 meses oferecer 3  mingaus de prato, 2 papas de fruta e 1 papa salgada. Lembrando que o ideal é a amamentação exclusiva até os 6 meses.

Para crianças maiores de 8 meses substitui-se 1 mingau de prato por 1 papa salgada, ou seja, 2 mingaus, 2 papas doces e 2 salgadas.

O mingau normalmente é feito com aveia, farinha, milho e etc. e a papa salgada é feita com legumes, verduras e etc, como explicada a seguir.

  
Como preparar a papa salgada?

Higiene:

Os alimentos devem ser bem cozidos e depois amassados com o garfo até ficarem consistentes e em forma de purê grosso. Não é indicado o uso de liquidificadores nem peneiras e é importante que todos os utensílios usados sejam bem higienizados, além do cuidado no manuseio dos alimentos e higienização dos mesmos, com sanitizantes quando necessário, especialmente nos legumes e hortaliças. No caso dos alimentos de origem animal é preciso atenção na conservação e armazenamento. Não esquecendo do cuidado com a qualidade da água.



Escolha dos alimentos:

A papa deve conter um alimento do grupo de cereais ou tubérculos, um alimento do grupo das hortaliças e um de origem animal ou das leguminosas (abaixo há exemplos de cada grupo). É importante oferecer alimentos diferentes a cada dia, isso evita a monotonia alimentar, que é uma grande causa da falta de apetite nessa idade. Os alimentos devem ser oferecidos separadamente, colocando porções de cada alimento no prato para que a criança aprenda a identificar as suas cores e sabores. Dê preferência a uma refeição colorida, pois indica uma alimentação variada com todos os nutrientes necessários. Estimule o consumo diário de frutas, verduras e legumes.

Evite açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas nos primeiros anos de vida e use o sal com moderação, isso garante hábitos saudáveis à criança tornando-a um adulto mais saudável.



Exemplos de alimentos dos diferentes grupos:

§     Cereais (mingau, milho, aveia e farinha de arroz).

§     Tubérculos (inhame, batata doce, mandioca, beterraba).

§     Carnes (fígado, vísceras, carnes vermelhas e brancas).

§     Leguminosas (feijão, lentilha, soja, vagem).

§     Frutas (laranja, caju, acerola, mamão, goiaba, banana).  

§     Legumes e hortaliças (folhas como espinafre, agrião e legumes como abóbora, chuchu, cenoura, berinjela, abobrinha).

sábado, 20 de fevereiro de 2010

O drama - literalmente drama - das alergias em família!

Uau! Há três fins de semana que nossa programação em família inclui uma passadinha ou longa estadia num hospital ou consultório médico. No primeiro deles, era nosso aniversário de casamento e, tive que insistir para o Marcelo ir numa emergência depois de sentir dores no estômago e sintomas que nos fizeram suspeitar de algo no coração - o eletrocardiograma apontou uma alteraçãozinha e por isso no dia seguinte lá fomos nós numa emergência cardiológica, e finalmente ficamos sabendo que não era nada demais. Porém... sábado passado descobrimos do que se tratavam realmente os sintomas, depois de Marcelo passar tão mal, tão mal, que até admitiu a necessidade de ir ao hospital! E, ele teve nada menos do que um choque anafilático! Ah sim, aquilo mesmo que faz as pessoas morrerem se não forem atendidas a tempo!

Vou descrever detalhadamente, porque assim ajuda a ficha a cair de uma vez: chegamos na emergência da Clínica São Vicente, avisando que ele não estava conseguindo respirar direito - além disso, já estava com a dor no estômago e a cara toda vermelha - e o recepcionista chamou imediatamente a equipe de plantão, que chegou incrivelmente rápido, sem precisar preencher qualquer ficha e cumprir qualquer burocracia! "Opa... o negócio é sério mesmo!" E então, entrei com ele, enquanto minha cunhada dava as informações necessárias e o cartão do plano de saúde ao recepcionista. Vendo-o deitado na cama, contei cinco pessoas ao seu redor, cada uma com uma missão: colocar o soro venoso, ligar os aparelhos que medem pressão e batimentos cardíacos, colher sangue, injetar adrenalina subcutânea - que dói, dói mesmo! - enquanto o médico fazia várias perguntas e mantinha o Marcelo ativo. Eu achei o médico nitidamente nervoso, tenso, agitado, mas minha cunhada insistiu que eu estava impressionada e que ele só falava de um jeito estranho mesmo. Mas, o coração pulou - o meu - e a respiração parou - a minha também - quando o médico estranho-agitado me chamou para conversar e disse claramente que o que meu marido tinha era muito grave, e que precisaria ficar internado pelo menos uma noite! O estado dele já era quase estável, mas como o corpo sofreu uma reação violenta a uma alergia desconhecida, ele tinha que ficar sob observação. Chorei nos ombros de minha cunhada e voltei firme e forte para contar a notícia ao Marcelo e acompanhá-lo. Ele levou um susto quando ouviu o diagnóstico e disse "pô nego morre disso!". Oh yeah baby, mas thank's God você foi atendido a tempo e está garantido em seu posto privilegiado de pai e marido amoroso por muito tempo ainda - queira Deus.

Mas, o que causou tamanho estrago? Bem, niguém sabe ainda, mas desconfia-se do peixe frito que comemos meia hora antes na casa da minha sogra, e que tínhamos comido também em nossa casa no fim de semana anterior - prelúdio do acontecimento. Mas, ele sempre comeu esse peixe! Ele tem um paladar tão restrito que este é um dos poucos cardápios que subsistem na sua dieta, inclusive no natal quando todos comem aves. Carne vermelha e peixe são as duas paixões alimentares dele. Só que, acabamos de saber que uma pessoa alégica é capaz de produzir novas alergias de uma hora pra outra! Por isso, assim que ele terminar o tratamento com o antialérgico vai fazer os exames para identificar todos os tipos possíveis de alergias que tem.

A Laura não deu sorte mesmo, nasceu numa família em que pai e mãe são alérgicos. Eu nunca cheguei a um estágio tão grave, mas já sofri muito com sinusite e agora estou no meio de um tratamento pesado para a rinite - que estava literalmente detonando o meu septo nasal. E qual não foi minha surpresa quando, nesta madrugada de sexta para sábado, Laura acorda chorando muito e com os olhinhos inchados e super vermelhos, com o corpinho todo pintado e coçando muito a nuca? Na verdade, não foi lá uma grande surpresa não, pois o Marcelo, numa brincadeira já tinha me perguntado "qual hospital você quer visitar este fim de semana?".

Bom, não fomos num hospital, mas ligamos para a alergista indicada pela médica do CTI da Clínica São Vicente, e ela nos atendeu em seu consultório na parte da tarde. Laura já estava um pouco melhor, mas ainda muito irritada por causa da coceira e do mal estar abdominal. Com um exame clínico detido, foi constatado que minha filha é uma criança com características de pessoas alérgicas, e que os sintomas são provavelmente de alergia a inhame! Agora, veja só, parece até estorinha, mas essa dramática coincidência aconteceu conosco! Disse a médica que filhos de alérgicos geralmente são também... E agora, terei que fazer uma agenda detalhada com tudo que Laura come diariamente, e tomar todas as medidas preventivas para ela não desenvolver precocemente uma alergia a poeira e a outros males.

Apesar de um fevereiro cheio de dramas alergênicos, estamos passando muito bem agora! Curtimos o carnaval nos intervalos entre um susto e outro, levamos Laura para um bloquinho infantil muito legal, e aproveitamos toda ajuda que a família nos deu. Enfim, unidos cada vez mais!


domingo, 14 de fevereiro de 2010

Agora seu bebê baba de verdade!

O título deste post é a chamada de um comercial que passa num canal de desenhos infantis. Pode acreditar! Os anunciantes realmente acham que nossas filhas vão querer comprar a tal boneca porque ela baba de verdade! Elas vão se divertir muito tendo o trabalho de limpar a baba de uma, o coco da outra, e lavar uma fralda suja de verdade. Ou querem nos fazer acreditar que é muito saudável já começar a treinar as pequenas meninas para seu trabalho maternal inevitável? Eu, particularmente, não sou contra dar bonecas para as meninas, nem para os meninos, porque são brinquedos, que como tantos outros, simulam a

realidade, abrindo um espaço para as crianças projetarem suas fantasias e construirem sua própria identidade, enquanto se divertem. A brincadeira é uma atividade fundamental e tão gostosa! Eu adoro ver qualquer criança brincando, sozinha ou acompanhada! Mas, eu detesto essa divisão sexista de brinquedos e principalmente a exposição de nossas meninas à tantos brinquedos voltados para trabalhos domésticos. É claro que é muito prazeroso ter um filho, mas não é prazeroso trocar uma fralda cheia de coco! Por que insistem em empurrar uma idéia tão ilusória da maternidade? O gostoso de "fingir" em ser mãe é justamente o jogo do "faz de conta", da possibilidade de imitar os adultos sem ter a responsabilidade deles. 

Em minha monografia de graduação, estudei um pouco a função da brincadeira para a formação da subjetividade e para a relação que o indivíduo desenvolve gradualmente com a sociadade. Um autor que me inspirou muito, Donnald Winnicott, me ajudou a entender que brincar é uma atividade transicional, ou seja, que se localiza numa área de experiência entre o que percebemos como realidade compartilhada e o que nos é totalmente íntimo e subjetivo. E me fez concluir que:  
"A atividade do brincar criativo é, assim, um fenômeno transicional. O uso de um objeto transicional equivale, progressivamente, ao uso que o sujeito adulto faz da cultura, apropriando-se de seus elementos para afirmar sua potencialidade individual. (POMBO-DE-BARROS, 2007, P. 31)"

Portanto, quando a uma menina são oferecidos apenas brinquedos voltados para a vida doméstica, ela vai ter o trabalho de transformar essa realidade em algo prazeroso - na medida do possível - enquanto, cria uma identidade na sociedade que aprende a reconhecer. Daí surge a identidade de gênero, a  incorporação das diferenças de funções sociais entre homens e mulheres. As mulheres têm que ser cuidadoras. Elas têm que saber cuidar de bebês e também dos homens, que são atraídos para atividades mais expansivas e arriscadas, de ocupação dos espaços públicos, de trabalhos ligados à guerra e à construção de casas, carros, etc. A mulher é "dona de casa", o homem é dono da força. É, isso parece uma análise ultrapassada, afinal, nós mulheres da geração pós-feminismo não aceitamos mais esse discurso que nos impede de conquistar também os espaços públicos e o mercado de trabalho. Mas, não me iludo, porque sei que ainda há muitas mulheres sendo criadas para pertecerem ao mundo doméstico, e quando conseguem suplantar esta realidade, é para acumular funções e não escolher uma em detrimento da outra. Assim, meninos continuam sendo educados bem longe de atividades maternais - ou melhor, paternais, já que pais têm o mesmo nível de responsabilidade na geração e educação de um filho - e não crescem com o senso de cuidado que as mulheres precisam adquirir. Por isso, é tão desafiador para um homem se envolver no dia-dia da criação dos filhos; muitos se sentem inadequados, cosntrangidos, e não entendem o estresse da mãe, que deveria, afinal, estar nas nuvens com a vinda de seu bebê!

Um outro autor importante no estudo de brincadeiras infantis é o Gilles Brougère, e ele me ajudou também a entender que uma criança, ao manipular brinquedos, não se contenta em repetir comportamentos e imitar puramente as instruções de uso, mas manipula significados e aprende a lidar com o sistema cultural do grupo no qual se inclui. Assim, ela ensaia papéis que demarcam aos poucos sua existência como indivíduo, e aprende a dosar seus afetos com as condutas prescritas no grupo (POMBO-DE-BARROS, 2007). 

Por isso, eu não compraria uma boneca que baba de verdade para minha filha, eu não quero restringir a delícia de suas brincadeiras à um treino preciptado para a maternidade! Não é o momento de ela ter o trabalho de cuidar "de verdade" de um bebê! Esse tipo de aprendizagem deve ser introduzido com a educação sexual, lá pela adolescência, aí ela vai entender a dificuldade que é cuidar de uma criança de verdade, vai se esforça para prevenir uma gravidez indesejada e se planejar para ser mãe - se assim quiser, num momento mais adequado. Ah! E também espero que assim, ela saiba escolher um homem para dividir todo esse trabalho e prazer que é ter um filho, um homem que não espere de sua mulher apenas uma "dona de casa".

Atualmente, cada vez mais, as crianças são bombardeadas por propagandas e ideiais de consumo que, aparentemente formam uma simples relação de oferta e procura. Mas, eu não aceito a falsa mensagem de que o que nossas meninas querem é imitar a parte mais enfadonha da vida adulta! Fique atenta(o) você, que é mãe ou pai, ou pensa em ser um, e procure diversificar as opções de brinquedos para seus filhos. Termino este post com a idicação de um ótimo site que discute esse tema, e vai mais além, questionando as imposições de modelos femininos através de vários tipos de produtos de consumo, faça uma visita no Pink Stinks, e depois volta aqui para comentar o que você acha disso tudo também!

*Imagens daqui, daqui e daqui.




domingo, 7 de fevereiro de 2010

O aniversário de casamento: risos, brigas, dores e esquecimento



Era sexta feira, dia cinco de fevereiro, data do aniversário de um ano de casamento. Mas, eles não sabiam, quer dizer, não lembravam até o momento do almoço. Almoçaram juntos por acaso. Ela tinha saído da análise e ligou pra ele, combinaram de se encontrar no shopping e comer a feijoada das sextas no Boteco Informal. Foi um almoço muito agradável, e depois ficaram meia hora observando os passantes que desciam na escada rolante e inventando estórias sobre a vida deles.

- Hum aquela alí, com pastinha na mão e óculos tá com cara de fonoaudióloga.
- Aquele engravatado é vendedor de seguros! E davam muitas risadas, brincando com o tédio alheio.

Ele voltou para o trabalho e ela foi correndo para casa, ficar com a filha que estava doente aos cuidados da sogra.

De noite, depois de uma hora e quarenta minutos no trânsito, ele a aborda com a certidão de casamento em mãos. Ela não entende, a princípio, mas depois vê a data estampada: 05 de feveiro.

- Ai, meu amor! Desculpa! Eu esqueci completamente! Foi sincera, como costumam ser sempre um com o outro. Pediu desculpas várias vezes, mas ele riu. Disse que também não tinha lembrado, e uma duvidazinha insignificante o fez conferir na certidão.

Riram muito novamente. Sorte que já tinham programado um cineminha e chamado a tia-babá da filha doentinha para ficar com ela durante a noite. Mas, não saíram. Passaram do riso aos gritos em pouco tempo. Estavam cansados e frustrados por não terem lembrado e comemorado o próprio aniversário de casamento, sinal de que realmente a vida a dois tão recente estava meio sufocada pelo ritmo frenético de cuidados com a bebê. Criança doente então, é uma trabalheira só! Além de ser um motivo de preocupação constante.

Agrediram-se mutuamente, mas, como sempre, o bom senso prevaleceu e fizeram as pazes antes de dormir.

E dormiram mal, ao som da tosse e dos resmungos da filha que sofria no quarto ao lado. Levantaram várias vezes, revezando-se, para acudi-la. O dia seguinte começou bem cedo, e para não sucumbirem ao cansaço e ao mal humor, resolveram ir tomar café da manhã num restaurante próximo que era barato e gostoso. Foi um café agradável, onde uma mãe com sua cria, nitidamente carente de alguém pra desabafar, os abordou, brincou com a bebê, e ficou um longo tempo lamentando a falta de uma babá e a dificuldade de se decidir sobre colocar a filha numa creche.

A tarde foi mais emocionante! Ele passou mal, e já não era a primeira vez. Ela insistiu para irem a uma emergência, porque achava que seus sintomas tinham à ver com coração. Foram. Depois de um eletrocardiograma, a médica informou que ele tinha uma arritmia e precisava ver um cardiologista.

- Mas, é grave?
- Ah ele vai sobreviver!
- Ah que bom né? Risos nervosos e um pensamento irônico: isso é brincadeira que se faça?!

Pediram a indicação de um cardiologista e ficaram de ligar para marcar a consulta na segunda feira. Mais um problema... mais uma preocupação... Ela esqueceu seu próprio cansaço e tentou poupá-lo durante a noite, ele estava nitidamente abalado com a notícia.

Então, por sugestão dela, decidiram ir a uma emergência cardiológica no dia seguinte, para mostrar o exame a um especialista. E assim o fizeram. Ela não pôde acompanhá-lo o tempo todo no hospital, porque a entrada de crianças menores de doze anos era proibida. Ficou, meio aflita, passeando pela rua, com o carrinho de bebê, e ligando para saber como estavam os procedimentos. Para piorar, tinha deixado a chave de casa com ele, e por isso nem pôde voltar com a filha, que a essa altura já estava expressando seu cansaço e fome da forma mais eficaz que existe, chorando.

Mas, felizmente, depois de um novo exame, a nova médica explicou para ele que sua arritmia era muito comum e sem gravidade. Era até bom que ele procurasse um acompanhamento, já que sua mãe tinha problemas no coração e estes costumam ser hereditários. Mas, o pior passou! Não havia motivo para alarde! Ela sentiu-se aliviada! Finalmente, aquela louca fantasia de que poderia perder o marido de uma hora para outra com um ataque no coração, foi dissipada.

- Ufa! Graças à Deus! Ela expirou e deitou-se no sofá, em casa, pedindo um tempinho para descansar enquanto ele dava o almoço à filha. Um peso enorme saiu de seus ombros. E assim, abriu-se um espaço para o cansaço se apresentar com toda força. A adrenalina baixou e suas consequências em seu corpo surgiram sem dó nem piedade: dores no pescoço, no joelho, cansaço, cansaço, cansaço!

Dormir aquela hora era impossível. Então, ela foi buscar sua melhor terapia: escrever. Sentou-se na rede, com o notebook, e escreveu um conto bem chato inspirado em seu fim de semana.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Série Mães que Contam - Entrevista com Joana

A entrevistada da vez é a Joana, minha irmã, que tem dois filhos: a Manuella (4 anos) e o João Gabriel (1 ano e 6 meses). Aqui ela nos conta como foi difícil o processo de mudança na família com a chegada de mais um filho para dividir com a Manu os carinhos, as atenções e tudo o mais! Depois da perda de um irmãozinho, Manu teve que apreender a novidade, passando por sentimentos de ciúme e tristeza, até gerar um grande amor por João. Com muita sinceridade, a entrevista de Joana nos faz pensar na importância de um planejamento familiar, ou, se vier a surpresa, na importância de saber o momento e o jeito certo de anunciá-la ao primeiro filho(a). Boa leitura!

*Imagem: Joana com os dois filhos na primeira semana de vida de João


Carol: Como foi dada para a Manuella a notícia de que você estava grávida? Você já tinha uma preocupação sobre isso?
Joana: A notícia de que eu estava grávida foi uma grande surpresa para todos! Não esperávamos mesmo que poderia acontecer naquele momento em que o Léo (o pai das crianças) estava em Caxias do Sul e fomos apenas fazer uma visita a ele!!! Tínhamos saido de uma perda fazia 9 meses - fiquei grávida e perdi depois de 8 semanas - e nesta ocasião contamos para Manu que ela ia ganhar um irmãozinho e coisa e tal, mas para contar que não vinha mais foi doloroso, foi como contar que a sementinha que estava dentro de mim não era boa, etc. E ela sentiu, porque nós sentimos! Os filhos são realmente um reflexo dos pais. Então, para contar sobre esta nova gestação, decidimos esperar pelos três primeiros meses completos, assim não correríamos o risco de passar por um aborto espontâneo de novo e pelo desgaste. Foi bem difícil! Quando Manu completou dois anos estávamos nos mudando de apartamento, o Léo estava indo para outro estado à trabalho, doamos o Kobe e a Bela (cachorros da família) para outra pessoa, por isso, Manuella já tinha perdido a refência da casa, dos amiguinhos que deixou, do pai que estaria fora, dos cachorros que tanto gostava... e ainda recebeu a notícia de que chegaria um irmãozinho! Então procuramos enfatizar a maravilha de ter um irmãozinho para ela cuidar, que ela seria essencial para que tudo desse certo, com a ajuda, cuidando, crescendo junto e ensinando tudo o que já sabia, valorizando aquilo que ela já era - uma menina tão linda e esperta. Como ela sentiu bastante, decidimos colocá-la na creche, como orientado por sua pediatra - para que ela construísse sua própria rotina e quando o João chegasse já tivesse coisas que fossem só dela. Manu até chegou a apresentar um quadro meio depressivo, sua adaptação na creche foi dura e demorada, enfim tudo deu certo, mas foi complicado.

Carol: Como foi a atitude da Manuella durante a gravidez?
Joana: Ela não reagiu muito bem não, por tudo mencionado acima. Durante a gravidez teve muito ciúme e carência afetiva do pai, chorou muito durante vários dias, ficou manhosa - mais do que já era - voltou a fazer xixi da calça... a cada presente que o bebê ganhava ela queria um para ela, queria meu colo mais e mais a medida que a barriga crescia, e foi duro superar, mas fomos levando à base de muita oração e participação de toda a família; isso foi muito importante, pois a falta do pai - na medida do possível - foi bem suprida por todos os que a amam muito!

Carol: Após o nascimento, como Manuella reagiu?
Joana: Após o nascimento, Manuella ficou bem enciumada. Deu um ataque de choro e raiva por não poder dormir no mesmo quarto que eu, já que o João podia... precisei passar três dias fora por causa da internação do João na UTI, e ela começou a agredir a todos, a fazer mal criação para chamar a atenção...ela só começou a nutrir carinho pelo João após o primeiro mês.

Carol: Quais foram as maiores dificuldades que vocês enfrentaram na adpatção da nova família?
Joana: As dificuldades foram várias, mãe "solteira" sofre de mais, fica sobrecarregada e acaba dependendo da ajuda de todos que estão a sua volta. Você se lembra? Tudo era complicado, até dar um banho no João era desgastante, pois ela queria participar de tudo ativamente e às vezes não dava. O choro dele a assustava, ela achava que ele estava sofrendo e sofria junto. Eu fiquei um bagaço!

Carol: Como é, hoje, a relação dos dois filhos?
Joana: Hoje é só desfrute! Eles são uma graça juntos! A Manu é a heroína do João e o João é o companheirinho dela; eles brincam juntos de tudo, se divertem e se abraçam, riem juntos, assistem desenho juntos... é uma união gratificante depois de tudo que passamos! Uma verdadeira vitória dada por Deus!!!

** A série Mães que Contam é formada por entrevistas e relatos de mães sobre diversos assuntos, e é publicada sem intervalos regulares, além da programação semanal dos posts deste blog (aos domingos ou noites de sábado).