Este é um post bastante pessoal, mas ao mesmo tempo, sei que outras mulheres vivem situações parecidas e podem se identificar com o que vou relatar aqui. É um post basicamente confuso e contraditório, que aborda um período muito delicado na vida de uma mulher-mãe-casada! Tomara que vocês, leitoras/es, tenham paciência e consigam lê-lo... porque paciência: é disso que eu mais preciso agora!
Ouvi dizer que todo filho(a) é também um projeto narcísico dos pais. Explico: é inevitável que nos enxerguemos um pouco na criança, que projetemos sobre ela sonhos, ideais, modelos que têm à ver com nossos desejos para nós mesmos. Nossa história de vida contribui muito para esses desejos, inclusive histórias de infâncias tristes. Mas, este post não é assim tão dramático, vamos ao ponto! Para mulheres, mães, especialmente as que ficaram todo o primeiro ano com a cria, esse projeto é tão apaixonante e nos enche tanto de alegria que, chega um momento em que não queremos voltar à própria individualidade! Não! Pra que voltar à rotina de um trabalho exigente e tão pouco recompensador? Pra que voltar a investir tanta energia numa relação a dois, se ela nos dará tanto trabalho... e um sorriso infantil lindo de gratidão nunca será comparável ao "Eu te amo" mais romântico? Ai que preguiça! E, aí, por mais que a gente queira atrasar esse momento, ele chega: o momento da separação.
Não estou falando só de uma separação de corpos: a matrícula na creche, a volta ao emprego, a retomada de antigos projetos pessoais e profissionais - tipo meu almejado doutorado, que de repente se torna uma miragem chata e distante - e a expectativa de um marido que, pacientemente, espera o dia em terá sua mulher de volta, aquela que faz surpresinhas com lingeries sexies, que planeja viagens e saídas românticas e tem toda energia de uma jovenzinha! Tudo isso são agravantes e nos chamam de volta à vida, mas nós sentimos algo um pouco pior e difícil: uma profunda sensação de separação, abandono, culpa, e lutamos para entender que o(a) filho(a) é alguém definitivamente diferente - por mais semelhanças que tenha - e agora é hora de reconhecer que existe vida para além da maternidade!
O problema é que nossos queridos companheiros não têm a habilidade de um psicanalista para compreender o que estamos vivendo, e acabam até dificultando nossa estada nesse mundo transitório e confuso. Porque hora queremos mais paixão na relação, hora queremos ficar mais tempo sozinhas... hora precisamos urgentemente colocar a criança na creche, hora não podemos deixá-la naquele buraco cheio de bebês e pouquíssimos adultos para amá-los! É assim mesmo... estamos imersas na sedução deliciosa de nosso eu mirim, mas sabemos que devemos abandoná-lo parcialmente. E os maridos, por mais paizão que sejam, não conseguem entender a fusão que vivemos até agora com a criança - e, pior, estão mais carentes que mulher grávida!
Mas eles são muito orgulhosos, lembram? Eles são homens demais para admitir que estão carentes e precisam de uma mulher que lhes amem rasgadamente. Eles ficam meio paralisados - como alguém que espera numa fila enquanto a entrada é liberada na porta ao lado - eles não sabem dizer o que sentem, e não sabem responder às nossas demandas sentimentalistas, e por isso perdem as oportunidades valiosas de demonstrar carinho e apoio nos momentos em que mais precisamos. Eles não se cansam de repetir que "as mulheres casam esperando que os homens mudem e os homens casam esperando que as mulheres não mudem". Réplica minha: "Alôoooo! Como é possível não mudar com tantas mudanças????"
O pior é que, nessa fase de separação, nós mulheres não sabemos nem ao certo o que devemos manter como mudança definitiva e o que cabia apenas ao período de fusão total. Então, sofremos enquanto tateamos no escuro - mesmo sabendo exatamente o que está escondido nele - e pedimos encarecidamente a Deus que os tais "agravantes" se tornem atraentes a ponto de serem suficientes para nos fazer abrir bem os olhos e encontrar a saída. Nossa! Que drama! Pois é, queridos - do sexo masculino mesmo - c'est la vie! Estamos no meio de um melodrama feminino, mas que é real, não é só TPM não, viu?
*Imagem daqui

