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domingo, 25 de abril de 2010

Anti-brinquedo de aniversário

Ontem foi aniversário de Laura: um ano! (Eu prometo fazer depois uma boa retrospectiva deste primeiro ano de maternidade aqui). Mas, este post é para comentar sobre o presente mais original que a Laura ganhou e que tem tudo à ver com as reflexões que venho escrevendo nesses seis meses de blog. O boneco veio das mãos habilidosas de minha irmã Júlia e meu cunhado Igor, acompanhado de um cartão bem simples (para ser guardado pela mãe e lido pela própria aniversariante em tempo oportuno) com as seguintes palavras:

"(...) Lembre-se que você é uma menina linda que pode ser tudo o que quiser. Na sua imaginação ou na sua vida você pode escolher o que você gosta e se empenhar para fazê-lo bem!"
 
A mensagem está de acordo com o presente: um boneco (sim, do sexo masculino!), feito de pano jeans, com boné e tatuagem. No meio de tantos outros presentes coloridos e mercadologicamente próprios para a idade, Toni (como resolvemos chamá-lo) é a imagem de um menino diferente. Ele não tem a alegria forçada dos bichinhos, a meiguice das bonequinhas, nem toca músicas agudas e repetitivas. Ele é, digamos assim, um anti-brinquedo, como os anti-heróis. Não porque não sirva para brincar, mas porque é uma opção totalmente diferente das outras. É claro que ela adorou o boneco! Assim como adora as musiquinhas, os sorrisos e as cores. Mas, o melhor de tudo isso é que Toni dá a Laura a dimensão do que é ser diferente, e de que ela pode ser ela mesma, ainda que isso signifique contrariar os padrões. Valeu Tia Júlia pela idéia genial!

domingo, 18 de abril de 2010

Como ensinar a/o filha/o a viver?

De todas as perguntas que me faço ao refletir sobre maternidade, esta é a pedra fundamental. Mas, o paradoxo está justamente em que não há resposta para ela, porém, há tantas outras para as quais não posso me omitir.

Com que idade minha filha vai para a escola ou creche?
Ela vai dormir na minha cama ou aprenderá desde cedo a dormir em seu berço?
Até que idade vou amamentá-la?
Por quanto tempo devo deixá-la brincando sozinha?
Como deve ser a sua alimentação?
Já devo ensiná-la o certo e o errado, com castigos? 
E mais e mais pontos de interrogação...

Não dá para escapar: a responsabilidade de mãe (e de pai também) inclui dar limites, padrões e balizas para que a criança se desenvolva adequadamente num mundo cheio de possibilidades mas também com muitas limitações. Na minha infância era um pouco mais fácil para os pais, não havia tantas dúvidas em seguir as tradições (apesar que elas já começavam a cair em desuso): meninos iam para as aulas de judô enquanto as meninas iam para o balé, e os dois se encontravam na natação. Mas, hoje em dia, como geração herdeira de uma série de revoluções (sexual, política, cultural), somos responsáveis por questionar a validade das tradições e escolher caminhos alternativos ou mesmo optando pelos convencionais, fazê-lo com consciência. Estamos no meio de um rodamoinho de liberdades e ansiedades, queremos que nossos filhos sejam felizes, criativos, mas que saibam respeitar os colegas e cuidar do mundo. Será possível dar uma boa mãozinha a eles, sem ficarmos tão angustiadas? 

Acho que, para cada dúvida há diversas sugestões: dos especialistas, das tradições familiares, das políticas públicas (não se esqueçam do ECA), e de tanta informação na rede. Ao invés de ficarmos paralisados diante de tantas possibilidades, vamos deixar de preguiça! Vamos aproveitar a multiplicidade de prismas que nossa geração conquistou, para absorver as informações que parecerem mais confiáveis, para então tirar nossas próprias conclusões e escolher algo singular para aquele serzinho em construção que precisa tanto de exemplos para crescer. 

Para quem tem filha, vale a observação das conquistas feministas e do panorâma um pouco mais otimista que elas nos legaram –  até para fazer jus a sua luta e também poder criticá-la, não? E, para quem tem filho (HOMEM), veja só, é preciso correr atrás de novos paradigmas e seguir um pouco o exemplo das feministas. Evitar o sexismo, deixar os preconceitos machistas, e por que não, deixar o menino fazer balé? 

Não tenho respostas para a mais importante das perguntas. Mas, em cada desafio diário, não abro mão do legado que, querendo ou não, carrego: pensar, questionar, refletir e continuar. Para inspirar um poquinho a vocês, queridas e queridos leitores, fiz um vídeo com meu novo caleidoscópio enquanto ouvia a trilha sonora de Amelie Poulain. Vamos ver? 

terça-feira, 13 de abril de 2010

Alice no mundo real

Fui convidada a participar de uma promoção sobre Lewis Carroll e sua Alice, pelo blog Fio de Ariadne. Então, este é um post "extra", que uniu a fome com a vontade de comer, porque eu já tenho me inspirado há algum tempo na alegoria da Alice no País das Maravilhas, para uma personagem específica de meus contos.

Mas, a minha personagem é mais real, digamos assim. Ela é uma mulher, viúva, no fim dos cinquenta, sofrendo com a "síndrome" do ninho vazio, sendo sugada para fora de seu mundinho maravilhoso, no qual filhos são sempre dependentes. Enquanto a Alice do Lewis vive uma saga surreal e sinistra - encarando as representações fantásticas das contradições humanas: da vida e da morte, do amor e do ódio - a minha Alice se chama Cláudia e faz um tremendo esforço para negar os fatos e transformá-los em lindos contos românticos. Para Cláudia, as coisas que não fazem sentido ou que têm um sentido feio, bobo e chato, se tornam perfeitamente encaixáveis num mundo cor de rosa, onde a maternidade é a fonte para todas as necessidades infantis. Ela não precisou encarar sua solidão, com a viuvez e com a mínima vida social que mantém, porque fez de sua casa um palácio de tarefas domésticas sempre cumpridas com sorrisos e comida sempre fresquinha e recheada de batatas fritas. Não é necessário dizer que nesse palácio, as crianças não foram educadas para assumir o poder, porque elas são sempre súditos, recebidos com os melhores banquetes - e nunca precisam lavar um prato, lógico.


E aí, no mundinho maravilhoso de Cláudia, as crianças crescem só por fora e não saem de casa para criar suas próprias famílias porque não sabem como manter o palácio limpo e alimentado, e pior, não sabem como cuidar de ninguém. Na prática, as crianças de Cláudia não são mimadas, porque precisam dar alguma coisa em troca de tanto conforto, e sabem que reclamações não são bem vindas, porque fazem tremer as paredes da perfeição duramente mantida. Mas, também elas não têm muito do que reclamar. Elas sentem o quanto é irreal o que vivem em casa, mas não querem acordar sua mãe do eterno passeio em seu sonho, porque têm pena.

Mas, um dia, os filhos tomam coragem de abandonar esse castelo de areia, e não se importam de deixar as facilidades pra trás. Não! Eles querem é dificuldade! Agora querem entender a vida como é na real. E aí, vão querer reclamar e assim ter que encarar um conflito de verdade. Vão querer ver a sujeira que se acumula quando não tem ninguém obsecado pela limpeza seguindo-os. Eles vão querer aprender a amar e a cuidar de alguém. Eles vão fugir da perfeição fantasmagórica, para encarar a realidade feia, boba e chata, mas onde podem ser alguém que ama e não só alguém que é objeto de amor.

E aí, Cláudia, eu não quero te iludir... vc vai ter que encarar uma barra... vai ter que abrir os olhos de repente e voltar a respirar, para não perder de vez a oportunidade de ter uma vida de verdade.

sábado, 10 de abril de 2010

Vida sexual pós-gravidez

Parece que a maioria das mulheres tem o apetite sexual diminuído durante a gravidez, algumas não sentem tanta diferença, e uma minoria tem a libido aumentada. Vi uma sexóloga comentar num programa de tv. 

O fato é que há muitas mudanças hormonais e emocionais nesse período, e elas afetam muito nosso apetite - em todos os sentidos! O humor varia mais, o sono aumenta ou diminuí - e fica bem mais leve, até o cardápio muda. Eu, por exemplo, adoro doces, mas durante a gravidez tinha momentos em que me dava ânsia só de pensar em comer um. Diminuí muito o desejo por chocolate, em compensação... aumentei muito o apetite sexual! O que foi bem estranho para meu marido! Imagine: a mulher que ele sempre viu fissurada em doces, resolve quase abandoná-los, e mesmo carregando 10 quilos a mais na barriga, dormindo mal e com dores nas costas, querendo mais sexo do que antes!

Mas, além das diferenças entre mulheres, há as diferenças entre os períodos pós-gravidez. Durante o resguardo, já soube de gente que teve que se segurar para não transar em menos de 20 dias. Mas, também tem aqueles que prolongam ad-eternum essa folga. No nosso caso, as coisas ainda estão se equilibrando: há meses em que a vontade é maior, há períodos em que a dedicação maternal supera qualquer pensamento pervertido - e temos que concordar que sexo romântico, doce, e puro enjoa, né? - então, só posso dizer que ainda não chegamos num equilíbrio, e ainda estamos com aquela expectativa de voltar ao que éramos antes.

Tem gente que me desanima, e diz que "depois de filho, esquece o sexo"... Mas, penso que não é possível tantos casamentos se manterem só a base da babação pelo filhote, né? Afinal, sexo renova as energias também, e o que mais a gente precisa no primeiro ano de idade da cria é isso, não é não?! Minha experiência também não corrobora esta teoria, porque abstinência mesmo só tivemos nos 30 dias do pós-parto.

Mas, este post é, na verdade, uma introdução para eu saber o que acontece e aconteceu com outras pessoas. Afinal, caras(os) leitoras(es), qual é a experiência de vocês neste assunto? 

Quero muito saber sua opinião (mesmo que ainda não tenha engravidado), e vou lançar agora uma enquete, que ficará aberta a votações no blog, até que eu chegue a uma conclusão mais estável sobre o assunto, tá?


*Imagem: foto da escultura O Beijo, no Museu Rodin, em Paris