Eu visito creches aqui em Botafogo e adjacências desde que Laura tinha quatro meses, até hoje foram oito. Finalmente, encontrei uma que está dentro do orçamento e de nossas necessidades. Com um ano e dois meses, Laura me parece pronta para passar a tarde num ambiente diferente, com outras crianças, outros estímulos e desafios. E eu estou pronta para retomar com mais gás minha vida profissional. Serão quatro horas diárias, num lugar bem pertinho de casa, onde estarei trabalhando e estudando, com o pensamento e coração cheios de expectativas! Espero que eu consiga ter sucesso em meus empreendimentos profissionais agora, a assim seja também motivo de orgulho para minha pequena, e espero que Laura se divirta e aprenda o suficiente na creche!
Sei que algumas mulheres já engravidam com planos de deixar o bebê bem novinho na creche, ainda com seus três ou quatro meses, para não "perder o ritmo" na concorrência do mercado de trabalho e não ficar dependendo de marido. Elas têm seus motivos e não os discutirei aqui. Este texto é para mães que começam a planejar a ida do filho à creche a partir de seu primeiro ano completo, fazendo isso gradualmente, e que gostariam de ter dicas relevantes para saber escolher um bom lugar.
Como disse, visitei várias creches por aqui, desde uma que promete preparar as crianças para serem "empreendedoras do futuro", a outra que tem "mimo" até no nome. Lugares com propostas diferentes, mas que têm problemas comuns. Apenas uma das oito consegue prometer mais de dois adultos por turma (no que dá mais ou menos 6 bebês por adulto, no caso do berçário). A maioria tenta esconder o fato de que as profissionais não são pedagogas, são mulheres que, como nós, têm filhos e gostam de trabalhar com crianças - sem um preparo teórico mais profundo. Todas oferecem carga horária de até 12 horas diárias, inclusive para bebês. Depois de tantas visitas e conversas com outras mães pelas pracinhas da vida, resolvi encarar a realidade de que nossas creches são mal preparadas para a grande demanda que têm. São caras, têm altas despesas, mas não conseguem oferecer o ideal que desejamos. Então, antes de decidir por colocar seu filho/a numa creche, tenha bem claro que, em muitos aspectos, ele/a estaria melhor em casa. Mas, também tenha clareza sobre os motivos que a levam a tomar essa decisão. É melhor que ele/a esteja algumas horas numa creche do que fique a maior parte do tempo assistindo tv porque não tem ninguém com disposição para passear com ele/a duas vezes por dia ou porque não há um espaço adequado perto de sua casa. Se o motivo é a volta ao trabalho, se possível, concilie a creche com a estadia na casa de uma avó ou com uma babá, por exemplo. Definitivamente, deixar uma criança pequena por doze horas numa instituição não é a melhor opção.
Mas, sabendo da nossa realidade e dos motivos que nos levam a recorrer a creche, como chegamos a uma boa escolha? Aí vão algumas dicas:
- Visite mais de um lugar, para ter parâmetro de comparação. De preferência vá sem marcar. Observe quem a recebe na primeira visita e se pergunte: "há um esforço maior de se vender uma imagem do que de se apresentar a realidade?". Você vai ver que, em algumas instituições tem um profissional de administração ou marketing para guiar a primeira visita.
- Observe se há flexibilidade, para a faixa etária das turmas, os horários, para o processo de adaptação, e as atividades da criança. Visitei lugares que só ofereciam a carga horária mínima de seis horas, ou que a divisão das turmas está baseada apenas no critério idade e não nas fases de desenvolvimento.
- Pergunte sobre a rotina de alimentação e sono. Existe um argumento por aí que diz que criança que dorme na creche é desperdício de dinheiro - não caia nele! Dormir é fundamental para o crescimento e desenvolvimento adequado de bebês e crianças. Prezar pelo momento do sono é muito importante. Numa de minhas visitas, em uma creche que usa este argumento, vi crianças de menos de dois anos dormindo com a cabecinha em cima da mesa do almoço. Não é de se estranhar que elas fiquem irritadiças depois...
- Procure saber se há profissionais de referência, para orientar as cuidadoras e os pais. Algumas creches oferecem apoio de psicólogos, pediatras, nutricionistas, psicomotricistas, fonoaudiólogas, etc.
- Verifique a carga horária das profissionais da creche. Pense: ficar doze horas por dia com uma turma de doze a vinte crianças ultrapassa a capacidade física de qualquer um! Além disso, cuidadoras e professoras bem humoradas com certeza serão mais pacientes, né?
Se você também quiser dar alguma dica ou contar uma experiência com creches, diga aí! Deixe seu comentário!