Conheça melhor este blog de mãe, assistindo ao novo vídeo de boas vindas aqui!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sobre o aborto: debate com Mari Moscou

Interrompemos nossa programação para...

Brincadeiras a parte, hoje o blog está promovendo o debate iniciado pela Mari Moscou no Mulher Alternativa sobre a discriminalização do aborto. Ela tem um ponto de vista interessante, que passa longe dos argumentos religiosos, que pega a onda do feminismo e da denúncia sobre a desigualdade de gêneros. O texto é interessante, pois começa com uma breve discussão sobre o Estado Laico no Brasil e chega na realidade francesa - onde o aborto é legalizado, mas nem por isso aceito por toda população.

Eu confesso que não tenho uma opinião perfeitamente formada a esse respeito. Mas não podemos ignorar a quantidade de mulheres que fazem abortos clandestinos, sofrem física e psicologicamente com isso, sem apoio público, e também não dá pra ignorar a quantidade de criança que nasce em lares onde lhes falta o devido acolhimento porque são frutos de uma gravidez totalmente indesejada. E este é o motivo pelo qual acho super importante promover este debate.

Então, leia "Se o aborto é crime fazemos política no escuro", e depois dê sua opinião!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Creche: pra quem, por quê e como?

Eu visito creches aqui em Botafogo e adjacências desde que Laura tinha quatro meses, até hoje foram oito. Finalmente, encontrei uma que está dentro do orçamento e de nossas necessidades. Com um ano e dois meses, Laura me parece pronta para passar a tarde num ambiente diferente, com outras crianças, outros estímulos e desafios. E eu estou pronta para retomar com mais gás minha vida profissional. Serão quatro horas diárias, num lugar bem pertinho de casa, onde estarei trabalhando e estudando, com o pensamento e coração cheios de expectativas! Espero que eu consiga ter sucesso em meus empreendimentos profissionais agora, a assim seja também motivo de orgulho para minha pequena, e espero que Laura se divirta e aprenda o suficiente na creche!

Sei que algumas mulheres já engravidam com planos de deixar o bebê bem novinho na creche, ainda com seus três ou quatro meses, para não "perder o ritmo" na concorrência do mercado de trabalho e não ficar dependendo de marido. Elas têm seus motivos e não os discutirei aqui. Este texto é para mães que começam a planejar a ida do filho à creche a partir de seu primeiro ano completo, fazendo isso gradualmente, e que gostariam de ter dicas relevantes para saber escolher um bom lugar.

Como disse, visitei várias creches por aqui, desde uma que promete preparar as crianças para serem "empreendedoras do futuro", a outra que tem "mimo" até no nome. Lugares com propostas diferentes, mas que têm problemas comuns. Apenas uma das oito consegue prometer mais de dois adultos por  turma (no que dá mais ou menos 6 bebês por adulto, no caso do berçário). A maioria tenta esconder o fato de que as profissionais não são pedagogas, são mulheres que, como nós, têm filhos e gostam de trabalhar com crianças - sem um preparo teórico mais profundo. Todas oferecem carga horária de até 12 horas diárias, inclusive para bebês. Depois de tantas visitas e conversas com outras mães pelas pracinhas da vida, resolvi encarar a realidade de que nossas creches são mal preparadas para a grande demanda que têm. São caras, têm altas despesas, mas não conseguem oferecer o ideal que desejamos. Então, antes de decidir por colocar seu filho/a numa creche, tenha bem claro que, em muitos aspectos, ele/a estaria melhor em casa. Mas, também tenha clareza sobre os motivos que a levam a tomar essa decisão. É melhor que ele/a esteja algumas horas numa creche do que fique a maior parte do tempo assistindo tv porque não tem ninguém com disposição para passear com ele/a duas vezes por dia ou porque não há um espaço adequado perto de sua casa. Se o motivo é a volta ao trabalho,  se possível, concilie a creche com a estadia na casa de uma avó ou com uma babá, por exemplo. Definitivamente, deixar uma criança pequena por doze horas numa instituição não é a melhor opção.

Mas, sabendo da nossa realidade e dos motivos que nos levam a recorrer a creche, como chegamos a uma boa escolha? Aí vão algumas dicas:

- Visite mais de um lugar, para ter parâmetro de comparação. De preferência vá sem marcar. Observe quem a recebe na primeira visita e se pergunte: "há um esforço maior de se vender uma imagem do que de se apresentar a realidade?". Você vai ver que, em algumas instituições tem um profissional de administração ou marketing para guiar a primeira visita.

- Observe se há flexibilidade, para a faixa etária das turmas, os horários, para o processo de adaptação, e as atividades da criança. Visitei lugares que só ofereciam a carga horária mínima de seis horas, ou que a divisão das turmas está baseada apenas no critério idade e não nas fases de desenvolvimento.

- Pergunte sobre a rotina de alimentação e sono. Existe um argumento por aí que diz que criança que dorme na creche é desperdício de dinheiro - não caia nele! Dormir é fundamental para o crescimento e desenvolvimento adequado de bebês e crianças. Prezar pelo momento do sono é muito importante. Numa de minhas visitas, em uma creche que usa este argumento, vi crianças de menos de dois anos dormindo com a cabecinha em cima da mesa do almoço. Não é de se estranhar que elas fiquem irritadiças depois...

- Procure saber se há profissionais de referência, para orientar as cuidadoras e os pais. Algumas creches oferecem apoio de psicólogos, pediatras, nutricionistas, psicomotricistas, fonoaudiólogas, etc.

- Verifique a carga horária das profissionais da creche. Pense: ficar doze horas por dia com uma turma de doze a vinte crianças ultrapassa a capacidade física de qualquer um! Além disso, cuidadoras e professoras bem humoradas com certeza serão mais pacientes, né?

Se você também quiser dar alguma dica ou contar uma experiência com creches, diga aí! Deixe seu comentário!

domingo, 27 de junho de 2010

O documentário sobre parto mais completo que já vi

O blog está sorteando um dvd do filme Le Premier Cri, do diretor francês Gilles de Maistre, e também o está oferecendo como prêmio para a melhor postagem da blogagem coletiva sobre "O tempo da espera", que acontecerá em 03 de julho. Achar o filme para comprar aqui no Brasil ou na internet é dificílimo (inclusive no Amazon.com)! Fiquei impressionada com a dificuldade de se achar um filme tão bonito e interessante. O primeiro contato que tive com ele foi numa aula de francês, em que minha professora super aplicada trouxe uma reportagem sobre o documentário (parte de uma material didático para o ensino de francês, oferecido pelo próprio governo). Acho que ela mesma não imaginava o quanto eu iria agradecê-la por isso!

Adoro conhecer material sobre gravidez, nascimento e criação de filhos. Não só porque trabalho e escrevo sobre isso, mas porque aproveito para enriquecer minha própria maternidade! Durante a gestação de Laura procurei livros e dvd's que pudessem me ajudar a me preparar para o parto - que eu desejava que fosse natural e, quem sabe, até sem dor! Tentava me familiarizar com o evento, já que ao longo de minha vida aprendi a temer ao máximo as dores das contrações, e meu marido então tentava se "des-sensibilizar" para conseguir acompanhar o parto ao meu lado. Via aqueles programas do Discovery Home and Health, que às vezes me davam mais medo do que coragem de enfrentar o grande momento. Também via toda comédia romântica que envolvia gravidez, apesar de não gostar desse estilo de filme. Uma vez até me surpreendi com a cena do parto do Knocked Up (Ligeiramente Grávidos), que mostrava claramente o bebê saindo, enquanto a mãe o empurrava numa posição meio cócoras, meio deitada. Geralmente, esses filmes suprimem o momento mais marcante do nascimento. Fiquei mais otimista quando assisti Orgasmisc Birth (Parto Orgásmico), que me fez acreditar no parto sem dor e com muito prazer.

Mas, Le Premier Cri é um documentário sem igual. Misturando poesia e realidade, o filme acompanha o nascimento de dez crianças, em países diferentes dos cinco continentes, durante um dia de eclipse total. A gente acompanha desde um parto no meio do deserto, sem qualquer assistência médica, devido a precariedade e ao contexto cultural, até uma cesariana marcada com antecedência na Sibéria - onde as mulheres não têm mais o direito de parir em suas casas como as ancestrais. O filme nos faz sentir a emoção de cada parturiente, e constrói uma atmosfera de profunda ligação entre seres humanos e natureza. Ele consegue captar a complexidade e ao mesmo tempo a simplicidade do nascimento. O evento mais primordial da espécie é vivido de formas tão diferentes! Mas, ainda sim é possível nos identificarmos com cada uma das mulheres filmadas, com suas expectativas, medos, desejos.

Se você está planejando engravidar, este filme é altamente recomendável! Se está grávida, também vale muito a pena assistir, mas faça isso bem acompanhada porque há cenas fortes que podem despertar ainda mais a sua sensibilidade. Se você é pai ou está no caminho para ser um, este filme é uma ferramenta ótima para tentar captar ao máximo as emoções vividas por sua companheira. Para as mamães, é uma oportunidade para reviver, re-significar, e relembrar o momento especial de nascimento da própria maternidade. Para quem se interessa por diferentes culturas e pelas questões sociais acerca do nascimento também vale muito a pena assistir.

Então, se você quiser participar do sorteio, como leitor/a do blog, faça um comentário aqui com seu e-mail, ou mande um e-mail para Carolina. Se você quer participar da blogagem coletiva, comente neste outro post, e faça sua postagem no dia 03 de julho.

sábado, 19 de junho de 2010

Avós são duplamente mães?

Esta pergunta nasceu de uma afirmação de minha mãe. Na verdade, esta foi sua justificativa para o fato de estar me enchendo o saco por causa da gripe da Laura. Ela tentou ao máximo achar uma explicação para a tal gripe, colocando a culpa em mim, claro. Mas, depois ficou até se sentindo mal, e desculpou-se. Com a minha mãe as coisas são assim, a gente concorda muitas vezes, mas discordamos também. Ela geralmente respeita minhas decisões em relação ao cuidado com a Laura, e quando pisa na bola é capaz de perceber logo em seguida. É chato, mas é fácil conviver assim. Eu não acho que ela seja duas vezes mãe por causa dos netos. Ela é mãe e avó, ponto final. Duas coisas diferentes, que devem ser encaradas de maneira diferente, senão a gente se atropela, a Laura se confunde e tudo acaba mal. Aprendo muito com minha mãe, e uma das coisas que mais gosto de ver nela é a sinceridade. Portanto, ela não se ofende por eu expor aqui minhas opiniões sobre essa complicada relação entre avó, mãe e netos.

Mas outro dia recebi um e-mail desses de power point que afirmava uma coisa parecida com isso. Dizia que ser avó é a melhor coisa do mundo porque é como se a vida lhe devolvesse os filhos, assim sem que você tenha feito qualquer esforço. Desculpem queridas vovós, mas não posso concordar. Netos não são filhos. E vocês vão perceber isso quando pararem para pensar que a melhor coisa do mundo é poder curtir o bebê sem carregar o fardo de lhe dar limites ao longo de toda sua vida infantil e adolescência. Eu sei disso porque sou tia. Antes de engravidar, já era tia de dois. Amo demais estar com meus sobrinhos, mas é ótimo poder "devolvê-los" quando começam a dar trabalho demais. Não é mesmo?

Avós querem curtir sem culpa, querem amar sem preocupações, querem passar momentos de total alegria com os netos. Não gostam de jeito nenhum de verem os pequenos frustrados, e não se sentem na obrigação de aturar o sofrimento deles, como têm que fazer como mães. Por isso, gostam de ter sempre cartas na manga para ganharem sorrisos mesmo no meio do choro. Elas podem ser presentes, guloseimas, uma brincadeira gostosa, um colo demorado. Ter uma ou duas vovós assim é gostoso demais, né?

Mas, quando a avó se vê como mãe de seu neto fica complicado. Porque assim, embebida da paixão por ele, age como se a mãe de verdade fosse só uma miragem, ou pior, um impecilho em sua relação com a criança. Aí vai querer disputá-lo e vai gerar situações super constrangedoras. Querer ter o neto como um filho/a é querer briga. Se for a avó materna dá pra contornar, entre tapas e beijos. Mas, se for a paterna, como não há tanta intimidade, não dá pra rolarem uns tapas de vez enquando e depois ficar tudo bem, né? Então, a melhor coisa do mundo é quando avós podem ser avós, e mães podem ser mães, com todo respeito e equilíbrio.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Mamãe xiita foi passear e deixou uma bomba no lugar

Às vezes, tenho me deparado com algumas mães xiitas, que questionam antigos dogmas da criação de filhos, mas que acabam colocando outros preceitos ainda mais difíceis no lugar (ser xiita para mim, leiga em matéria de islamismo, ocidental e latino-americana, significa ser extremamente radical, tá?)

Eu as amo, sinceramente, porque elas me ensinam muito. Falam insistentemente sobre amamentação por livre demanda e prolongada, sobre cama compartilhada, educação ecologicamente correta, parto natural, alimentação integral, enfim, resumindo tudo num termo que adoro: maternidade consciente. Eu concordo com quase tudo que elas defendem. Mas, discordo completamente da aura de sublime generosidade que elas vestem. Elas incorporam cada um desses preceitos de forma tão dogmática que, quando não conseguem cumpri-los chicoteiam-se em público, assumindo a inteira responsabilidade pelos motivos conscientes ou inconscientes que as levaram a errar. E aí, carregam tanta culpa que parecem cobrar, das mulheres que não tem tanta "consciência", a mesma carga de arrependimento.


O que mais me incomoda nessas companheiras de labuta é a resistência em aceitar as diversas possibilidades de maternidade. Elas se sentem diretamente ofendidas se alguém faz uma crítica construtiva sobre os tiros que podem sair pela culatra (como a dependência excessiva que as crianças que mamam demais podem desenvolver - podem, eu disse podem!). 

Mas, o fato é que ninguém consegue comprovar que seguir essa nova cartilha torna nossas crianças mais felizes. Ela pode servir como sugestão, como referência para escolhermos as melhores alternativas para nós e nossos filhos/as, assim como servia a antiga cartilha. Eu aprendo muito das duas. Ouço bastante minha mãe, encontro textos inspiradores na internet de mamães mais experientes, e pesco o que há de melhor na "maternidade consciente". Não esqueço também o que a psicologia me ensina: onde começa a falta da mãe, começa a potencia do/a filho/a (claro, sem exageros!).

Como novata nesse mundo virtual, fico muito triste que os dogmas, a culpa e a intolerância estejam presentes em comunidades virtuais, listas de  discussão, blogs maternos que pretendem promover uma maternidade mais completa... Fico muito triste quando a aura de generosidade se transforma em dedo de acusação. Ainda fico surpresa quando uma mamãe xiita se levanta para jogar uma bomba no colo das outras... 

Mas outro dia, me emocionei com a honestidade do texto da Taís Vinhas (querida editora do blog Ombudsmãe, mãe experiente, ecologimente correta, e excelente escritora!). Ótima reflexão sobre a armadilha dos radicalismos.

domingo, 13 de junho de 2010

"Patiáaaa!"

Laura está com 1 ano, 1 mês e exatos 20 dias. Que fase gostosa! A palavra da vez é "patiá", que ela fala quinhentas vezes por dia, correndo para a porta da sala, mexendo na chave ou correndo para o carrinho, atrás da porta da cozinha. Tem que ter muita energia para acompanhar o ritmo!

Mas, com toda alegria também vem as sessões de choro e birra. Agora é a hora de ela querer tudo-ao-mesmo-tempo-agora, e inevitavelmente começa a ouvir o belo "não" como resposta, com mais frequência! Não pode botar o sapato na boca! Não pode jogar o controle remoto no chão! Não pode mexer no computador! Acredita que ela já tem sua própria versão para o "não pode"? Sai mais ou menos assim: "nampód".

Esta semana, para acelerar ainda mais o ritmo da maratona, ela foi premiada com uma gripe chata! Há quatro noites que não dormimos bem! As sessões de choro são agravadas pelo nariz cada vez mais entupido, e "patiá" se torna uma das poucas opções que garantem novamente a paz no lar.

Não estou reclamando. Sei que tudo isso é normal! Não só pelo incômodo que a gripe traz mesmo, mas pelo incômodo que a descoberta do mundo suscita. Porque junto com a empolgação das novas habilidades, vem a irritação por não ter total liberdade em usá-las. Além disso, tem a tal "angústia de separação", causada pelo ganho de relativa independência. Laura está aprendendo a reconhecer outras pessoas além da mamãe e do papai (essa semana deu de presente de aniversário para as vovós a palavrinha "vovó"!). As sessões de garagalhadas maravilhosas (como essas do vídeo, de pouco tempo atrás), são seguidas quase imediatamente, de frustrações e choros. Eu não me surpreendo, fico repetindo pra mim mesma que é isso aí... é normal... daqui a pouco ela se convence de que o mundo é cheio de limites intransponíveis. Aí ela vai passar a aceitar o "não" sem tanta birra, não vai ficar tão ansiosa por causa de uma visita na casa da vovó, nem tão manhosa por causa de um nariz entupido. Ela vai se acostumar com a vida como ela é

Até chegar a fase gremling (metáfora emprestada da Vanessa, do Fio de Ariadne), quando terá mais astúcia para driblar um pouco os limites. Aí ela vai ter que rebolar, usar a criatividade para conviver com as durezas da realidade. E eu vou me orgulhar de vê-la vencendo surpreendentemente algumas limitações, e vou me chatear também para continuar mostrando a ela que certos limites não são negociáveis!


quarta-feira, 9 de junho de 2010

O que é a orientação para pais?


Há muitas vozes por aí, muitas teorias e contra-teorias sobre a criação de filhos. Eu não sou mais uma, nem quero fazer coro a alguma delas. Eu sou psicóloga com uma formação abrangente, porque nunca restringi minha tragetória a uma corrente de pensamento única, na verdade, minha monografia de graduação foi justamente uma tentativa bem sucedida de fazer duas teorias de campos diferentes dialogarem.  Já disse em outro momento que o caleidoscópio ilustra bem minha visão de mundo. Posso dizer que, em se tratando de subjetividade e humanidade, só considero uma coisa estritamente universal: a complexidade. Aprendi com um grande pensador do século, Edgar Morin, e seus interlocutores, que a ciência não dá conta do permanente processo de adaptação que nós vivemos, como seres individuais e como espécie. As teorias são válidas, desde que a gente não se esqueça que elas são construídas por pessoas em contextos específicos. Elas não "descobrem" nem "postulam" nada, elas tentam compreender e produzem conhecimento.

Portanto, minha proposta de orientação psicológica para pais se dirige a duas coisas fundamentais:

1) Promover a apreensão de informação qualificada sobre maternidade, paternidade e desenvolvimento infantil pelas famílias.
2) Ajudar aos responsáveis por bebês e crianças a encontrar as alternativas aos problemas que estejam encarando no dia-dia, e contribuir para que, com segurança e coerência, tomem decisões.

Uma das situações mais comuns que percebo e que foram sabiamente comentadas por Tânia Zagury, em seu livro-desabafo "Sem padecer no paraíso", é a dificuldade dos pais em ficarem tranquilos com as decisões que tomaram em relação a educação das crianças. É muito comum a gente ver pela internet e nas conversas no dia-dia mães cheias de culpa e pais inseguros sobre seu papel na vida dos filhos. Eu sou contra a afirmação de que é impossível ser mãe sem sentir-se constantemente culpada. E também não concordo com a adesão radical de mães e pais a determinadas correntes teóricas de educação. Parece-me que uma coisa alimenta a outra: por estar inseguros e sentirem-se culpados, resolvem aderir radicalmente ao teórico X ou Y. Quando não conseguem atingir as metas estipuladas pela teoria, culpam-se ainda mais.

Como mãe, sinto necessidade de profissionais engajados em ajudar, sem acrescentarem mais culpa e exigências. Como psicóloga e pesquisadora na área da saúde pública sinto-me preparada para ajudar às famílias de forma diferencial, buscando entender sua singularidade, seu contexto, suas crenças, e levá-los a refletir sobre as alternativas que já estão a seu alcance.

Só não abro mão de jeito nenhum de uma premissa: no meio de toda dúvida, a criança é sempre a prioridade.

Por isso, depois de todo crescimento que experimentei ao longo desse primeiro ano de maternidade integral, e com a satisfação de tê-lo compartilhado com tanta gente aqui neste endereço virtual, resolvi abrir um link com um formulário para quem quiser saber um pouco mais sobre minha proposta de orientação para pais. Estou também inaugurando este trabalho via internet, através de encontros virtuais, com o auxílio do skype.

Quem tiver interesse, por favor, acesse o link e faça um contato!

“(...) Não é necessário adotarmos um método único e exclusivo para a descrição do ser humano. É bem mais lucrativo familiarizar-se com cada um dos métodos de abordagem conhecidos.” (WINNICOTT, 1990/1971, p. 25)

sábado, 5 de junho de 2010

Mother - sobre morte e amor de mãe

Vi o filme coreano Mother: a busca pela verdade, um prato cheio para psicólogos de plantão! Mas, também é um filme inspirador para mães em busca do equilíbrio entre dar afeto e dar limites.

Na história, uma mãe solitária desenvolve uma relação praticamente incestuosa com o filho, sem expressar qualquer crítica ou desconfiança sobre isso. O menino, que já é um homem mas comporta-se como uma criança, tem algum distúrbio de aprendizagem e memória que não é explicitado no filme. Mas, sua imagem de fragilidade e vulnerabilidade se mistura com uma presença quase onipotente da mãe, que não mede esforços para evitar uma separação drástica entre os dois. A morte de uma menina é o que se coloca entre eles, e revela que os dois são praticamente uma unidade psíquica, que têm um elo quase intransponível, selado por amor e pelo medo da "morte" dessa relação.

A história do filme vai ao extremo, mas na vida real é possível encontrar mães que não conseguem entender bem o limite entre si e a subjetividade, o corpo, o tempo, a vida do/a filho/a. O ato de tentar suprir sempre as expectativas e necessidades da criança parece um ato de amor, mas é também uma defesa contra a possibilidade de separação. Algumas mulheres passam por um processo tão profundo de identificação com o bebê, quando ele nasce, que não conseguem perceber gradativamente o ganho de independência. Ou percebem, mas têm medo de voltar a verem-se "sozinhas", e terem que encarar as demandas da vida de casada, de profissional, de amiga, enfim, dos outros papéis que antes desempenhava. Quando, ao passar por essa angústia, começa a perder os vínculos com o "resto" da sociedade, como a separação do marido, o afastamento dos amigos, a perda do trabalho, essa mulher tem ainda mais um motivo para apegar-se ao filho/a com todas as suas forças. E a criança pode reagir com uma submissão misturada à culpa (por não poder desejar outra coisa senão a mãe), ou com agressividade por causa da sensação de invasão e por ter seus vínculos constantemente ameaçados. A falta de disciplina pode ser um sintoma da relação ambígua com a mãe.

Por isso eu tenho muita cautela com o discurso que centraliza na mãe a tarefa de cuidar dos filhos/as, como se fosse um papel exclusivo dela. Sou mais favorável a uma divisão quase igual dos cuidados diários, desde o início, com o pai. Se a amamentação ao seio é uma função indiscutivelmente exclusiva, todo o resto pode ser negociado. E, se a criança mama na mamadeira, até isso pode ser compartilhado. Isso não atrapalha o vínculo afetivo entre mãe e bebê, mas deve ser feito respeitando as possibilidades de cada um. Cada um vai construir um papel seu em relação a essa nova família, sabendo reconhecer o lugar do outro, e conseguindo mostrar à criança que ela, como ser humano em sociedade, também deve respeitar seu próximo.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O dilema do mamá da noite

Estamos com um dilema familiar! Eu quero que Laura dispense o mamá da noite, ela não quer deixá-lo de jeito nenhum, a vovó fica preocupada com as consequências do conflito, e o papai reclama que a mãe é instável e cada hora decide uma coisa... Ou seja, ninguém tem certeza de nada, a não ser a pequena Laura que já decidiu manter o hábito de tomar sua mamadeira com o leitinho de soja antes de dormir.

Minha mãe me questiona o porquê de querer "mudar assim tão cedo" o jeijinho da neta dormir... acha que ela vai ficar "nervosa". Mas, desde que Laura mamava no peito, leio váaaarias recomendações contra mamadeira, principalmente antes de dormir, porque pode dar cárie! Imagina, Laura com apenas oito dentinhos e mais dois despontando, já condenada a sentir dores e ter que, em poucos anos, fazer uma obturação! Minha sobrinha, que está agora com quatro anos, e sempre teve o hábito da mamadeira, já teve sua primeira cárie.

Eu bem que tentei evitar a mamadeira. Mas, quando Laura começou a rejeitar o peito (na verdade, ela parou de pedir aos oito meses), eu fiquei sem saber se deveria introduzir outro leite. Ela até ficou quase um mês sem substituto, e eu cheguei a pensar que não havia necessidade dele, porque andei lendo uns textos na internet que questionavam nosso hábito de dar outro leite para a criança que não o materno. Tá, parece dúvida de principiante, e é mesmo. Mas, o problema é que eu tinha me preparado para amamentar por muito mais tempo, e como a Laura era um bezerrinho, eu achava que ia até ser difícil desmamá-la um dia.

Mas, aí, a pediatra recomendou dar leite de vaca em pó, mas eu eu não queria dar lactose para ela, por causa do risco de alergia. Então, ela disse que eu podia dar o leite de soja. Foi ótimo, porque Laura adorou! Só que, ela adorou também a mamadeira.

Ela mama, desde então, duas ou três vezes por dia, e desde que fez um ano, há pouco mais de um mês, estou tentando colocá-la para dormir à seco. Ela resmunga, resmunga, mas se estiver bem cansadinha e bem alimentada, dorme. Porém, há dias em que a coisa é bem mais complicada! Resmunga e chora até eu ceder! E ultimamente voltou a acordar de madrugada e pedir o mamá...

Conclusão da história: mamãe aceitou a derrota momentânea e vai deixar para encarar o processo de novo (esperando sucesso dessa vez) um pouquinho mais pra frente.

Conclusão da psicóloga de plantão: Laura sentiu seu querido mamá tão ameaçado que passou a desejá-lo ainda mais!

E você, têm alguma boa sugestão?


*Imagem: Laura dando mamá para Toni (seu presente de aniversário mais original)

terça-feira, 1 de junho de 2010

Por que falar de parto é mais polêmico que falar de sexo?

Quando escrevi sobre "O mercado do parto humanizado no Brasil" não esperava receber tantos comentários, e não esperava que algumas pessoas fossem se sentir diretamente criticadas. A idéia era apontar a existência de um mercado em torno de um tema público, a humanização da saúde. Alguns comentário foram super interessantes e contribuiram para um debate enriquecedor, outros se precipitaram a afirmar coisas que eu não tinha dito. Mas, por que o parto - evento tão fundamental da vida - é objeto de tanta polêmica? Eu não vou responder a esta questão sozinha, prefiro saber o que vocês, leitores, pensam. Começo apenas com a intuição de que o desenvolvimento científico e tecnológico é uma "faca de dois gumes": é importante para evitar a mortalidade materna e puerperil (comum no século passado), mas também interfere nas nossas escolhas pessoais, tirando muitas vezes nossa liberdade e autonomia. 

Daí, como disse uma das comentaristas do polêmico post, a Gabi, o campo parece dividido entre "humanizados" e "desumanizados", o que na prática é bem mais complexo. Para nós, mulheres, objetos principais desta disputa, entra em jogo sentimentos apaixonados, expectativas mil, sonhos e desilusões quando pensamos no nascimento de um/a filho/a. Para nós, é difícil ter que escolher no meio de tanta falação, de tantas siglas desconhecidas (PD, VBAC, PND, etc...), e de tanta polêmica. Escolher pelo parto natural é uma exceção, a maioria acaba seguindo a onda tecnológica, mais ovacionada pelos médicos e pela mídia. E, então, transpor esta barreira, e se posicionar como "do contra", exige uma enorme energia! Quando a gente decide então assumir essa postura, é como se houvesse uma verdadeira "conversão" aos princípios do movimento pelo parto humanizado. Pensar no que é preciso pagar para "ter o parto dos sonhos" vira apenas um detalhe, para a maioria, que é de classe média ou alta, e não se furta de fazer sacrifícios para tal.

Mas, pensando no movimento como um todo, essa dinâmica pode ser uma armadilha, pois ela concentra numa "elite" a oportunidade de ter um "parto humanizado". Claro, que existem as casas de parto, públicas, e também, existem profissionais que aceitam planos de saúde ou até que atendem em hospitais públicos, mas sabemos que essas opções são raras. São poucas casas de parto, e a grande maioria fica em locais de difícil acesso, levando em conta que durante o trabalho de parto a localização é um fator decisivo. De qualquer maneira, não podemos ser idealistas demais ao falar de custos, honorários, e gente sacrificando a poupança ou se endividando para parir em paz. Os profissionais precisam receber, lógico, e a gente quer pagar o que é justo e que não comprometa o orçamento, ainda mais quando a família está aumentando!

Por isso, resolvi fechar a enquete sobre "Sexo pós-gravidez", que está há quase dois meses aberta, e recebeu poucos votos (tendo em vista a quantidade de visitas diárias do blog), para abrir duas outras em torno das questões "O quanto nós, mulheres, gostaríamos de pagar, para ter um parto humanizado?", e "O quanto os profissionais acham viável cobrar?". Não se trata exatamente de valores, mas de alternativas do modo como essa negociação pode ou deveria se dar. Vocês podem votar em mais de uma resposta.

A enquete sobre "Sexo pós-gravidez" me deixou mais otimista, apesar de cautelosa... Para a maioria (11 dos 27 leitores que responderam), o sexo se torna menos frequente mas de melhor qualidade. Porém, ninguém teve a frequência aumentada, e 3 concluíram que o sexo é nulo quando se tem filhos! Acho que, se quisermos manter uma vida sexual ativa depois da maternidade, não podemos nos acomodar, e se fizermos um esforcinho, conseguimos até melhorar a qualidade das nossas relações!

Enfim, obrigada a todos que votaram! E agora, espero o voto de vocês para as novas enquetes!