Conheça melhor este blog de mãe, assistindo ao novo vídeo de boas vindas aqui!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O que a mãe necessita?

Hoje eu quero falar sobre minha experiência com a amamentação de Laura, que está com um ano e três meses e mamou ao seio até os oito meses. Este relato tem a principal intenção de chamar a atenção para uma série de elementos que contribuem ou atrapalham a amamentação natural e tranquila. Ele deve servir principalmente para mulheres grávidas ou que planejam engravidar, para que se preparem e tomem suas decisões previamente de forma consciente. Eu não consegui fazer isso como gostaria e vou lhes contar porquê.

Quando engravidei não era casada e estava no meio do mestrado. Foi um tremendo susto engravidar sob o efeito da pílula de emergência (depois de ter dado uma pausa de duas semanas no anticoncepcional)! Mas, depois de tomadas as devidas decisões, casei e prossegui com o mestrado, trabalhando em casa até praticamente o nascimento de Laura. Nesse período fui atrás de informação sobre o parto natural e me preparei bem para ele. Laura nasceu em apenas 4 horas de trabalho de parto e veio para o seio logo depois, ainda com o cordão umbilical. Eu tinha muito leite, e ela muita vontade de mamar! Inicialmente, parecia um reloginho, mamando de duas em duas horas, durante aproximadamente 40 minutos.

Não tínhamos dinheiro para babá ou empregada, apenas uma diarista que nos ajudava com a casa e a comida. Tínhamos decidido não contar com a ajuda de nossas mães ou irmãs em nossa casa nos primeiros dias, porque queríamos construir com autonomia nossa própria rotina e uma relação mais autêntica com a Laura. Eu tinha presenciado o primeiro mês de vida de minha sobrinha, que teve muitas dificuldades para mamar, mesmo em meio a ajuda da avó e das tias. Eu tinha a intuição de que as avós me atrapalhariam com sua ansiedade, e preferi ficar mais sozinha, com o telefone do lado para eventuais necessidades. Taí a primeira decisão delicada que precisa ser pesada e bem consciente. As duas coisas podem acontecer: as "dicas" das avós podem se tornar pressões, deixá-la estressada e antecipar o desmame, ou a presença delas pode contribuir para que você esteja mais descansada e possa amamentar tranquilamente. Sobre isso você não vai ter total controle, mas tente refletir sobre os prós e os contras e se planeje para lidar com seu contexto. Minha mãe, por exemplo, queria dar chupeta para Laura desde os dois meses de vida, porque me via muito cansada e temia pela minha estafa. Ela trabalhava e não podia me ajudar presencialmente, no dia dia, mas dar essa sugestão foi uma forma de me preservar - do seu ponto de vista. Eu fiquei um pouco confusa, porque realmente estava cansada, às vesperas de defender o mestrado (o que ocorreu quando Laura tinha 2 meses e meio de vida). Laura não quis a chupeta e eu não deixei minha mãe insistir.

Minha sogra estava muito emplogada com a vinda da primeira neta e queria estar presente o máximo possível e fazer tudo que fosse possível para ajudar. Mas, sua ansiedade também não contribuiu muito. Ela não entendeu minha decisão de ficar mais sozinha com a Laura nos primeiros dias e se entristeceu com isso. Eu ficava me sentindo incompreendida e resistia cada vez mais à sua ajuda. Até que um dia fiquei doente, com dores horríveis no intestino, decorrentes de uma síndrome que eu nem conhecia. Tive que ir ao hospital e deixei Laura com ela, em minha casa, com as devidas instruções. Deixei claro que ela não deveria tomar banho antes que eu chegasse, porque isso ia incentivá-la a mamar (eu já conhecia muito bem minha pequena), e mesmo tendo deixado uma mamadeira com meu leite, ela só deveria usá-la em último caso. Minha angústia foi enorme ao ligar para casa 40 minutos depois e saber que minha sogra estava dando banho na Laura! Fiquei tão chateada que, mesmo cheia de dor e sem ter sido atendida, voltei para casa, antes que Laura quisesse mamar. É claro que minha sogra não fez por mal. Ela queria curtir a neta o máximo possível. Ela queria me ajudar. E talvez eu  não tenha conseguido esclarecer meus motivos para evitar a mamadeira e preservar a rotina da gente.

Depois desse episódio, segui tentando dar conta de tudo praticamente sozinha, com o apoio fundamental de meu marido - que inclusive acordava todas as madrugadas para trocar a fralda e trazer a Laura para mamar. Mas, no terceiro mês, entrei numa estafa física que me deixou com o pescoço imobilizado. Tive um tremendo torcicolo que só veio piorar a situação de minha coluna (que já tem três curvas de escoliose e é praticamente um fenômeno ortopédico!). Minha irmã mais nova me ajudava quando podia e minha mãe também, mas as duas trabalhavam bastante. Foi quando a pediatra me recomendou introduzir uma fruta diária, diante de meu relato desesperado e de minha vontade de fugir daquele contexto e voltar a trabalhar. Mas, eu estava muito dividida: queria continuar amamentando, eu amava ter tanta intimidade com minha filha e poder dar a ela o melhor alimento, mas sentia que não estava aguentando e temia por chegar a um limite sem volta. Laura crescia muito, mais do que a média, e continuava mamando bastante. Introduzi meia fruta, substituindo uma mamada diária, e isso foi suficiente para que eu recuperasse um pouco a energia e continuasse a amamentar. Ela adorava as frutas e adorava o seio! Às vezes até mamava um pouquinho depois de comer a frutinha. Taí outra decisão importante: saiba que você não é a mulher-maravilha e que pode não dar conta de fazer tudo de acordo com a "cartilha". O ideal é que você encontre suas alternativas, com consciência. Eu não me arrependo de ter tomado essa decisão, e não acho que isso tenha influenciado o desmame precoce de Laura. Vou contar a vocês o que realmente motivou seu desmame espontâneo.

Aos sete meses dela, resolvi fazer um concurso para Santa Catarina (eu moro no Rio). Eu ainda não tinha me acostumado com a falta de trabalho, eu me sentia angustiada de não ganhar meu próprio dinheiro e de ter dado uma pausa na minha carreira profissional. Mas, eu também estava convicta que deixar a Laura 8 horas ou mais por dia longe de mim não era uma boa opção. O concurso me deu uma perspectiva de ter um emprego sólido e com horário flexivel dentro dos próximos anos. Eu tive que ficar dois dias fora, e como não tínhamos dinheiro para bancar a ida de um acompanhante, Laura ficou com o pai e a avó paterna. Ela mamou mei leite na mamadeira, com uma certa dificuldade e comeu fruta e papinha de legume (que já tinha sido introduzida ao final dos cinco meses). Esta decisão foi realmente delicada. Esse evento certamente influenciou no desmame. Quando voltei, ela mamou normalmente por alguns dias, mas ao completar oito meses, quando começou a engatinhar, passou a não querer mais o leite da mamãe. Eu ofereci algumas vezes, e ela ria, apertava o bico e se mexia para sair do colo. Meu marido e minha sogra comemoraram a forma espontânea e sem traumas com que o desmame se deu. A pediatra também fez coro e sugeriu a introdução do leite de vaca. Eu fiquei triste, mas não  queria impor minha vontade à Laura e achei que todos ao redor estavam certos, e que minha insegurança era apego de mãe. Eu tinha muito, muito leite, mas desisti de oferecê-lo e não sabia que existia a possibilidade de re-lactação. Hoje, eu acredito que, se tivesse continuado a oferecer, inclusive após as refeições, ela teria voltado a mamar. Por isso, se ausentar por um longo período, durante o primeiro ano da criança é uma decisão muito delicada! Se puder, evite.

A partir de então começou a saga do leite substituto! A pediatra não soube me orientar adequadamente. A alergista condenou o leite que eu tinha escolhido. A terceira opção era caríssima e tinha conservantes. O pai de Laura desenvolveu um desequilíbrio imunológico sério devido ao alto consumo de conservantes e corantes, eu temi muito pela saúde de Laura. Eu sempre tive uma alimentação mais natural e como eu quis nesse período poder voltar a amamentá-la com o meu leite! Mas, já haviam se passado seis meses, e depois de toda a saga, com a mudança de pediatra, optei por um outro leite de soja, com menos aditivos e mais barato.

Estamos assim agora. Eu não passei no concurso, nem voltei a trabalhar integralmente. Descobri o mundo da maternidade consciente e tenho percebido que a sociedade contemporânea oferece muitas facilidades que, na verdade, atrapalham a relação saudável e íntima entre mãe e bebê. Estudiosa e amante de Winnicott (um excêntrico psicanalista do desenvolvimento), fui impactada recentemente por uma de suas frases:

"O que a mãe necessita é a chance de ser natural e de encontrar o seu caminho junto com o bebê, da mesma forma que outras mães encontraram seus próprios caminhos desde o alvorecer da história humana (...)" (Winnicott, 1990/1988, p. 125)

Portanto, prepare-se para enfrentar as adversidades, os desafios para a sua espontaneidade e naturalidade. Deixe bem claro para seus familiares as suas escolhas, preserve sua intimidade, mas também não tente ser uma super-mulher que dá conta de tudo. Priorize seu momento com o bebê, e deixe que o resto vá se adaptando ao primordial.  Talvez as pessoas não consigam facilitar a sua experiência, mas não se culpe por isso. Há muitos elementos que influenciam uma experiência frustrada, e um deles é a falta de apoio, seja ele pessoal, familiar ou público. Porque não basta só uma campanha pró-amamentação! Políticas públicas de apoio e valorização da maternidade consciente, em prol da saúde da mulher no puerpério fazem muita falta! E, se você, como eu, tentou mas acabou seguindo caminhos confusos, não se culpe. Continue a lutar para que outras mulheres tenham experiências melhores. Amamentar não é uma obrigação, é uma escolha, que deve ser respeitada.


Indicações de leitura: 
Eu Amamentei! da Ceila Santos do Blog Desabafo de Mãe
Amamentar não é um ato de amor; de Taís Vinhas do Blog Ombudsmãe
Donnald Winnicott; Natureza Humana, Ed. Imago, 1990

Mãenifesto pela amamentação:

Manifestamos pelo direito de amamentar a cria, sem ser pressionada por profissionais da saúde mal formados ou parentes bem intencionados, a substituir por mamadeira, o alimento que só o seu peito pode dar.

Assine nosso Manifesto: http://www.grupocria.com.br/

domingo, 18 de julho de 2010

Mary & Max: sobre saúde mental, infância e amizade

Hoje vi o filme Mary & Max: uma amizade diferente (em inglês, One amazing friendship). E o filme é tudo isso: diferente e maravilhoso. Nunca vi uma animação retratar a realidade de forma tão sincera e comovente! Sobre o campo da saúde mental e das peculiaridades do sofrimento humano, há alguns desenhos animados que se aproximam, como o Snoopy, "A Noiva Cadáver", "Coraline", etc, que já me fizeram rir e chorar. Quem não se comove com a melancolia do Charlie Brown, rindo, entretanto, das tentativas dos colegas em animá-lo? Lembram da barraquinha de consultas psiquiátricas da Lucy?


Eu sempre tive uma atração por filmes que aproximam a infância a temas difíceis, como a depressão. Porque para alguém conseguir tocar o público e mantê-lo interessado, falando de algo tão complicado, o trabalho final tem que ser original. Não adianta simplesmente colocar lágrimas em meio às cores do desenho. É preciso saber transmitir a atmosfera da vida do personagem, fazer de seus conflitos o foco da animação, sem impedir que mesmo assim tenhamos um momento de excelente entretenimento. Para falar de saúde mental numa animação é preciso lembrar dos diversos elementos que estão conectados a ela, na vida real. É preciso fazer-nos refletir sobre as condições de nossa sociedade, sobre as dificuldades que herdamos de nossas famílias, e a importância dos amigos. Assim, o roteiro se torna dinâmico e rico, com diálogos perspicazes - como numa sessão de psicoterapia, em que uma pequena fala do terapeuta nos leva a um insight determinante!

Essa é minha sensação depois de assistir Mary & Max, no Festival Animamundi 2010, de ter sido delicadamente confrontada com minhas próprias concepções sobre o Outro, em especial, a criança. Afinal, nem sempre infância significa despreocupação, muitas vezes ela é marcada por uma seriedade pesada. Crianças também sofrem, também pensam sobre suas dores e buscam, com suas ferramentas, lidar com a angústia. O personagem de Mary me comoveu profundamente com sua solidão, mas também com sua força. Ela lembrou-me de outra menina, de um livro que comprei ontem, a Nina, de "Nina e a felicidade". Vou contar pra vocês uma coisa bem pessoal: nesta semana, quando um problema familiar me entristecia muito, sonhei que um livro infantil me fazia reviver momentos de uma alegria pueril e me dava mais tranquilidade para lidar com o que me entristecia. Aí, comprando um presente para minha filha e uma coleguinha sua que faz aniversário, numa livraria, meu marido me mostrou esse livro, comentando como era estranho uma história assim para crianças. Li algumas páginas, e resolvi comprá-lo, realizando o sonho da noite anterior. O livro ilustra, em quadrinhos, as reflexões de Nina sobre a vida, a dificuldade em sentir-se satisfeita, a tristeza que parece estar sempre à espreita.

Se nossas vidas, de adultos bem vividos, cheios de experiências e com o mínimo de maturidade emocional, é cheia de conflitos internos, imagina a de uma pequena menina - para a qual a aprovação dos colegas na escola é o veredito sobre sua auto-estima! Por isso, amei o filme, o livro e continuo aconselhando que pais e filhos entrem em contato com o mundo lúdico da tristeza, e possam aproveitar todo o potencial que essas obras originais têm a nos oferecer. O sofrimento é uma realidade para todos nós, às vezes ele chega no limite e leva à doença mental, mas é menos provável que isso aconteça quando somos capazes de encarar a vida e suas contradições, sem mascará-la, sem iludir nossos filhos de que ser feliz é nunca estar triste.

Já ia esquecendo! Para quem se interessou, veja no youtube o trailer do filme!

terça-feira, 13 de julho de 2010

Manifesto pelas Mães - que inclui os homens!

Nesta semana recebi um chamado, uma convocação de Deus, do além, das coincidências da vida, para falar de um assunto muito caro, para mim, que já me considero uma feminista. Explico-me: no domingo a noite, o motivo da discussão com meu marido foi o "machismo disfarçado" - do qual ele bem que tenta escapar, mas às vezes não consegue. Vejam só, entre as características que ele abomina entre nós, fêmeas, estão: "falar palavrão como os homens" e "brigar fisicamente", basicamente porque nós teríamos mais sensatez, seríamos mais controladas, teríamos o dom da maternidade - que eles não têm, e portanto são desculpáveis (Meu amor, estou dramatizando a situação, tá? Sei que você não pensa exatamente assim!). Eu passei a argumentar sobre as qualidades culturalmente impostas à nós, e ele passou a dizer que eu estava sendo parcial.  Fiquei ofendida, mas depois me corrigi, afirmando que, em se tratando de machismo eu sou parcial sim - busco sempre desvendar os mitos que prendem as mulheres em esteótipos de fraqueza.

Então, ontem, minha irmã Júlia me convidou para participar de um grupo de estudos sobre a condição feminina na contemporaneidade, e eu que nem gosto de estudar e nem me interesso pelo assunto - imagina! - já estou dentro, né? E, finalmente, nessa cadeia de eventos feminísticos, hoje li o post do blog Desabafo de Mãe, que nos convoca a escrever sobre a guerra x partilha com o sexo masculino, na criação dos filhos.

Então, vamos por partes. Meu argumento para o Marcelo, no domingo, foi o seguinte: a figura da mãe, impregnada na nossa cultura, é de uma pureza inexistente. Se ser mulher significa ter o potencial para gerar e isso significa carregar em si um dom sublime, somos engarregadas de uma tarefa sobre-humana. E, se é assim e fomos "programadas biologicamente" para tal, então nossas reclamações de estafa, nossos ataques de fúria, nosso descontrole emocional são injustificáveis. Por isso, homens podem  se divertir lutando vale-tudo, mas mulheres não podem extravasar a agressividade pela violência - mesmo no ringue. Então, é um absurdo que mães sejam tão primitivas e descontroladas e saiam por aí botando pra fora sua agressividade? Mas, gente, o que é mais necessário num trabalho de parto? Eu diria que parir é entrar em contato com nossa identidade mais primitiva, com uma força até então desconhecida ou negada. Temos medo de parecer descontroladas e isso aumenta o medo de passar pela intensidade do parto normal. Para fugir de uma cesária eletiva e oferecida - diga-se de passagem - é necessário resgatarmos nossa força de superação, física e emocional.

Durante a gravidez eu tentei convencer o meu marido de que ele nunca saberia o que eu estava passando. Que, por mais compreensivo e companheiro que ele fosse, não dava para comparar nossos "cansaços" e nossos medos. Não consegui convencê-lo de minha escolha por um parto domiciliar, porque eu achava que  ele deveria participar dessa decisão. Mas, acho que hoje, tanto eu quanto ele, sabemos que seu papel naquele momento era me apoiar, estar preparado para as eventualidades, me ajudando a ter  mais auto-confiança.  O ambiente onde laura nasceria deveria ser escolha minha. Mas escolhi fazer o que ele preferia e o que o médico indicara - mea culpa!

Sobre os afazeres domésticos, consegui fazê-lo entender que o fato de eu estar em casa, porque eu trabalhava em casa, e porque eu diminuíra o ritmo - e ganhava então menos dinheiro - não significava que eu seria responsável por manter a ordem sozinha. Depois de algumas discussões e desabafos, ele compreendeu que as tarefas domésticas tinham que ser divididas. Aí, como uma boa mãe, resolvi deixar que ele escolhesse as tarefas que faria... Dei sorte de ele ter escolhido exatamente o que eu detestava: lavar pratos e levar o lixo. Tá, eu sei que há muito mais a se fazer dentro de casa, e eu assumi a responsabilidade de fazer o máximo, e de não me incomodar se ele se incomodasse com a bagunça que ainda sobra. Porque, o mundo de roupas que é lavado, passado e dobrado só aparece quando se acumula no cesto, mas os brinquedos e sapatos espalhos pela sala são frutos do ritmo acelerado da Laura, e não somem antes do papai chegar. 

No dia dia é difícil demais conciliar os cuidados com ela, as tarefas domésticas e os afazeres profissionais - que ainda vou levando lentamente. Mas, Laura é a prioridade e aprendi a não me exigir tanto quanto ao resto. Isso tem me dado ainda mais inspiração e força para traçar uma carreira mais gratificante, como psicóloga, pesquisadora e escritora. Marcelo está se adaptando também. Sabe o que ajudou muito? Ele ter assumido a tarefa de acordar de madrugada junto comigo, desde o início, e agora dar  o café da manhã para ela, sem mim. Ele sai do quarto, fecha a porta, para que eu durma o máximo possível, e vai dar toda atenção à Laura, enquanto lava os pratos e prepara o café da manhã. Foi com a prática que ele aprendeu a valorizar de verdade tudo o que faço o dia inteiro!

Infelizmente, muitos empregadores não acreditam que é possível conciliar a dedicação aos filhos com uma carreira sólida. Esta é uma questão importante da condição feminina hoje. Como conciliar nosso lado mamíferas com nossa identidade profissional? Será possível viver plenamente a experiência da maternidade e continuar sendo valorizada como trabalhadora?  A sociedade precisa nos apoiar para encontrarmos bons caminhos - a começar por valorizar, na prática, todo trabalho da maternidade. Enquanto isso, vamos compartilhando sonhos, sentimentos e vivências entre nós mesmas e com nossos parceiros, buscando construir um ambiente melhor para sermos "família". 


O Manifesto pelas Mães, promovido pelo Grupo Cria, captou com uma enorme sensibilidade nossos desafios, como mães e como famílias. É um manifesto pela valorização da maternidade, mas que precisa muito do apoio e da participação dos pais e das mulheres e homens que não têm filhos - que são também nossos representantes políticos e esbarram conosco nas calçadas esburacadas  e nas portas giratórias da vida. 

Então, sendo você homem ou mulher, dê uma lida e assine o manifesto!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O que tenho aprendido sobre alimentação

Minha mãe, como todas as outras, é cheia de defeitos, mas uma das maiores qualidades em nossa educação foi sua preocupação com uma alimentação saudável. Os momentos de tomar o café da manhã são memoráveis para mim. Lembro bem, nos meus poucos quatro anos, sentar com minha irmã mais nova diante de uma canecona de vitamina de bananas, depois de ter tomado o rotineiro suco de beterraba-couve-e-laranja, tudo com açucar mascavo (que depois eu descobri que era bom demais purinho!), comer um cuscus feito na hora (daquele amarelinho), com ovo e torradas de pão integral. Depois era a hora do sol. A gente tinha que brincar debaixo do sol - literalmente! - para que o cálcio fixasse bem! Eu ouvia tudo com atenção, e não apresentava grandes resistências, mas minha irmãzinha era difíiiiiicil de comer! E minha mãe tinha a maior paciência e persistência do mundo! Hoje, a Júlia come de tudo, incorporou os velhos hábitos maternos e só come arroz integral!

Esse foi um de meus primeiros aprendizados: ensinar aos filhos bons hábitos de alimentação rende frutos quase eternos. Na nossa adolescência minha mãe relaxou de vez.... ela já não era mais vegetariana e comprava até hamburguer congelado - pasmem! A gente também não era fácil, e sua preocupação principal passou a ser outra. Mas, passado o tempo sombrio, tanto eu quanto Júlia perpetuamos hábitos de uma alimentação saudável em nossas casinhas independentes. Salada, frutas, água o tempo todo - até hoje a maior explicação de minha mãe para quase todo problema de saúde é a falta de água! - e poucas besteiras industrializadas. Apesar disso, até a gravidez, eu era fissurada em doces, mas o fato de meu marido não comer nenhum - nem mesmo chocolate - me influenciou, e hoje eu me considero uma apreciadora moderada.

Depois do nascimento de Laura eu aprendi outra coisa importantíssima, que quero muito passar adiante para as mamães de primeira viagem que estão me lendo: amamentar deve ser a - A - prioridade nos primeiros meses. Minha experiência me diz que achar um leite substituto adequado é impossível! Você pode encontrar o mais próximo das necessidades nutricionais do bebê, mas sempre terá um inconveniente: gosto ruim, conservantes e aromatizantes, preço caro, dificuldade para preparar e armazenar. Além de que, a mamadeira não substitui o contato físico com o seio, que é bom demais para mãe e bebê. Se você tiver alguma dificuldade, como eu tive, tente não introduzir mamadeira nos primeiros meses - substituir uma mamada por uma frutinha diária pode ser a solução. Hoje, me arrependo de não ter insistido quando Laura começou a demonstrar desinteresse pelo seio. Mas, isso também me ensinou outra boa lição: alimentação infantil e independência estão super ligadas. Sabe por que? Quando uma criança demora demais para receber os primeiros alimentos e a ter uma rotina de refeições, associa a saciedade ao seio (ou ao mamá), e cria uma resistência. Saciar-se sem precisar do mamá é o primeiro passo para a independência, e isso deve ser feito gradualmente. Eu também sou adepta da afirmação de que primeiro devemos ser completamente dependentes (adquirindo confiança no ambiente) para ganharmos a independência psíquica aos poucos, que é o destino de todo ser humano psicologiamente saudável. Mas, eu não acho que a amamentação ao seio, e prolongada, deve competir com a rotina alimentar. Esse é um dos desafios de quem faz amamentação por livre demanda. A introdução de novos alimentos para a Laura nunca foi problemática porque ela se acostumou desde cedo aos seus momentos de papá! E agora está começando a querer comer sozinha!

*Imagem: Laura mamando na praia do Costão do Santinho, aos seus quase sete meses.

Um apredizado mais recente foi sobre os grandes vilões da sociedade contemporânea: os conservantes, corantes e aromatizantes. Descobrimos que as crises de anafilaxia que meu marido teve este ano não vêm exatamente de uma alergia, mas de uma descompensação de seu sistema imunológico, que está associada a uma alimentação cheia desses vilões. Quando conheci o Marcelo, seu jantar era (quase todos os dias!) miojo - com aquele temperinho dos infernos - e ovo. Nada de salada - nunca! - nada de frutas - a não ser bananas e tangirinas. Ele era um ávido consumidor de congelados. Mas, nos últimos meses, ele tem lutado para melhorar seu cardápio, porque o médico falou com todas as letras que ele tinha que fazer uma desintoxicação! Gente, eu nem sabia que isso existia!

Ontem fui ao supermercado e demorei mais de uma hora e meia, lendo rótulos e descobrindo que a maioria das coisas que a gente compra tem conservantes - aquele tal de cloridrato de cálcio, por exemplo. E acabei encontrando, finalmente, o leite de vaca sem conservantes, importado da França e pelo dobro do preço! É, fugir desses vilões é caro, mas é válido. Principalmente para quem tem histórico de cancer e doenças auto-imunes na família. É como o Marcelo diz: se não existissem os conservantes, talvez seria impossível alimentar a população mundial, por isso os riscos não superam os benefícios, maaaas - aí entra a minha fala - se nós podemos escolher, e sabemos de um risco presente na família, temos a responsabilidade de escolher bem nossos alimentos. Além disso, é uma forma de exercer nossa cidadania, porque assim apoiamos iniciativas mais saudáveis e responsáveis de produção e venda.

Se você conhece algum lugar legal para comprar alimentos orgânicos e naturais, onde tenha um pouco mais de variedade do que num mercado comum, faça sua dica aqui nos comentários! A gente tá precisando, viu?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Depressão pós-parto: um relato real e emocionante

Este texto foi escrito pela leitora e blogueira Patrícia Lins, que virou recentemente comentadora e apreciadora do Enquanto Esperamos. Ela nos dá de presente, com uma enorme generosidade, seu relato sobre uma depressão pós-parto - sim, uma DPP real e aterradora, que foi superada com muita dificuldade e não a impediu de amar profundamente seu filho Pedro. Esperamos que toda sua generosidade seja aproveitada por potenciais mamães que ainda não sabem nada sobre a DPP, pelas mulheres que estão passando ou já passaram por isso, e pelos familiares delas - que também precisam se esforçar para compreender e não condenar a fragilidade de uma nova mãe. O post é parte da Série O Primeiro Ano de Maternidade Não é Um Carrossel. Então, aproveitem, porque eu já degustei cada palavrinha emocionada!


Era uma vez um primeiro ano e, depois, apesar de tudo e muito mais, ainda somos felizes sempre!!!

Ao descobrir-se grávida, imediatamente, a mulher se apresenta a uma nova mulher, uma nova realidade, um novo ser. Realidade esta que nos é apresentada como o auge, plenitude e máxima realização de e para toda mulher. Isso lá tem suas verdades... como tal, apresentam vários ângulos, nuances e outras verdades coexistentes. Uma delas é que para curtir o amor pela cria, o ambiente não se transforma em algo tão fácil, bonitinho e sempre perfeito. Associado ao ajuste de vida do rebento, vem nosso desajuste e reajuste... Costumo descrever esse “primeiro” “encontro” entre nós, as mães com o(s) filho (s) como uma colisão entre mundos, onde, por melhor, mágico e mais bonito que seja, geram alguns abalos.

Se para toda mãe esse momento sublime já vem acompanhado de dificuldade e só a força do amor indescritível pode explicar como “sobreviver” a tantas ambigüidades, imagine para as mães, que, como eu, deparam-se com um fator surpresa, nada gratificante, que é a DPP – Depressão Pós Parto. Céu e “inferno” se encontram e nessa berlinda, o caos impera e o desespero se manifesta em escalas macro e microamibientais. Nesse momento, apesar de toda alegria que se sente e quer explodir, uma tristeza amarga, crônica e, aparentemente, infinita se instala e domina o ambiente. Ver seu filho chorar de fome, porque está de cocô ou com a fralda molhada de xixi são tormentos insuportáveis, mesmo sabendo-se ser natural. Enquanto razão grita que “é assim mesmo, a criança está se ajustando ao mundo aqui fora. Vai passar”, o buraco escuro e íngreme onde estamos caindo sem parar dispara o alarme de incêndio e desespero, abrindo fogo cerrado e a guerra começa. Isso, só considerando o “meu” mundo interno. Tudo vira dor, culpa, amargura, escuridão, queda... infinita ausência de expectativa e destruição de tudo que havia, de tudo que há e de tudo que haveria... Todo instante se torna eterno instante de vazio. Um buraco se abre, se abre e se abre... Me questionava: “em meio a tanto amor que recebo, tanto amor que tenho para dar e que explode em meu coração, porque a dor é tão maior e mais forte?” E isso me gerava culpa e culpa. Precisei parar de amamentar e a culpa aumentava. Cada fase daquele primeiro ano foi marcada por lutas, quedas e subidas. Só quando aceitei “A” verdade de que estava “doente” – seja lá qual fosse a origem – comecei a entrar no processo de voltar a enxergar. Com muito pouca lucidez, cuidava do meu filho diretamente. O amava e me sentia tão pequena perto dele. Cada fase em que ele “crescia”, eu crescia junto, debaixo de lágrimas e dor intensa em cada esforço. Permitir que aquela luzinha da inocência, chamada Pedro Henrique, me iluminasse com toda sua perseverança – todo bebê vem com imensa força e capacidade de superação... são desbravadores natos e guerreiros naturais – foi uma escalada sobre as feridas abertas em minh´alma, que sangrava e gritava a cada vontade de me erguer. Não podia perder o foco de recuperar e reconstruir toda ruína que era EU, transferindo para aquele pequeno ser essa carga e responsabilidade.

O primeiro ano é o mais difícil, porque nele cada dia equivale a meses ou anos. Cada dia uma mudança, um aprendizado intensivo, uma nova fase para a criança e para nós, mães. Vivemos a linha limítrofe entre dor e superação a todo instante e cada vitória vem regada a satisfação de ver nossa sementinha germinar e crescer. Passamos a sentir cólicas que não doem em nosso corpo; a engatinhar com eles; a sentar; a andar; a encarar o novo a cada novo segundo. A minha primeira grande batalha foi superar as dificuldades naturais com as “impostas”, pelo acaso, destino, hormônios, genéticas, distúrbios... naquele primeiro ano. Hoje, digo que aquele foi o primeiro ano do resto de nossas vidas. A DPP não interferiu e machucou apenas a mim, mas, a todos os envolvidos, principalmente, ao filho recém-chegado ao mundo. Se uma mãe se emociona com o primeiro: “mama”, eu me emocionei ainda mais, porque “acreditava” que ele não me reconheceria como “mãe”, porque eu não era a imagem perfeita da Santa Mãe que a tudo suporta, supera e compreende. Eu era a imagem de um ser humano destruído e me colocava como “desqualificada”. Olhar para mim, naquele primeiro ano – até meados do segundo... como interrompi o tratamento, durou mais do que se “esperava”. Uma depressão mal curada é pior do que uma recaída – era o mesmo que ver uma cidade destruída por um tornado. Para meu filho, noites e dias eram apenas instantes entre acordar e dormir no claro e no escuro... Para mim, era a perpetuação da dor interminável – me permitam a redundância.

As oscilações de humor doíam como facas apunhalando meu coração e minha mente disparava uma condenação perpétua por cada momento mal vivido... Mas, algo aconteceu naquele ano, que me tocou tanto e me ajudava muito, a alegria pura de Pedrinho. Parecia que ele não se deixava atingir pela angústia e reagia com a mais pura demonstração de leveza: seu sorriso e olhar brilhante. Então, vi que eu não era só lado ruim, eu ainda carregava em mim minha essência, a “Patricia” que sempre fui e que queria emergir nova e renovada. Essa “Patricia” precisou reaprender a engatinhar, andar, falar e, acima de tudo, SORRIR. Não foi a melhor aula que tive em minha vida, ao menos, não através da didática imposta pela dor, mas, com certeza, aquele primeiro ano foi a maior lição de toda a minha vida.

Se alguma mãe ou pessoa envolvida num processo similar estiver lendo este depoimento – não muito específico, porque ainda carrego muita dor... algumas feridas/seqüelas foram abertas e hoje, após 3 anos e 9 meses do parto, estão sendo devida e conscientemente bem tratadas – por favor, redobre a força do amor e compreensão – nada é exato e linear – e se esforce para “calar” a boca do orgulho, do julgamento, da razão sem razão... lembre-se de deixar passar, aceitar-se doente e, por isso, terapia – com profissional competente e humano - é um bom caminho, e, acima de tudo, repita para si: A DOR SÓ DÓI ENQUANTO ESTÁ DOENDO... DEPOIS, PASSA! E deixa a dor passar. Talvez nunca vá saber, exatamente, o ponto, a origem da DPP, mas, mesmo em busca constante para essa resposta, me entrego ao esforço diário de viver cada instante e aprender mais sobre mim, em busca de me libertar e redefinir como ser humano, resgatando os bons valores e levando-se a sério e como possíveis de viver, sim. Tudo passa! E o que a gente não deixa ir, vai passando e levando mais do que deveria.

Saudações maternais,
Pat Lins - http://patlins.blogspot.com/ | http://maesnapratica.blogspot.com/

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Quem quer um parto humanizado aí?

Estou muito contente com a repercussão do debate sobre "O mercado do parto humanizado no Brasil" aqui do blog. Não só pela quantidade de comentários e participações na discussão, mas pela quantidade de votos da enquete. No total foram 61 votos (49 de mulheres e 12 de profissionais), o que para meu humilde bloguinho é muito legal. A maioria esmagadora (67%) das mulheres acha que o Estado deveria oferecer profissionais qualificados para atender a partos de acordo com as orientações da OMS, que têm sido também adotadas pelo Ministério da Saúde - a conhecida humanização. Dãaaa - é claro que todo mundo queria ter o melhor parto de graça, né? Bem, mas o fato é que nem todo mundo acha que oferecer profissionais qualificados é dever do Estado, e nem todo mundo acha que é dever desses profissionais repensarem sua prática para "enquadrá-la" nos princípios da humanização, mesmo não recebendo mais dinheiro por isso.

Algumas pessoas acham que é uma utopia esperar que Estado e profissionais da saúde da rede pública assumam essa responsabilidade. Algumas pessoas acham que um obstetra cobrar muito mais caro para realizar um parto humanizado é aceitável, porque senão ele ganharia muito menos do que os obstetras cesaristas (que têm mais facilidade para arrumar a agenda e pegar mais pacientes). Outro dia vi um argumento parecido neste texto do blog Mamíferas (que eu adoro!), mas que tive que discordar. O problema se assemelha aquele dilema do Tostines - vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais? Quer dizer, é mais caro porque é raro ou é raro porque é mais caro?

Pois é... A enquete teve 2 votos para a opção "Gostaria de pagar o máximo possível para todos os profissionais que pudessem acompanhar meu parto", e 1 profissional votou que gostaria de receber o máximo possível porque isso valoriza a profissão. Na minha opinião, esta lógica contraria os princípios norteadores de nosso Sistema Único de Saúde. Você sabia que universalidade, integralidade e transversalidade são os conceitos básicos do SUS? - isso quer dizer, em português simples: acesso gratuito e liberado para todos, sem exceção, atenção à pessoa e não somente à doença, e articulação de todos os níveis de atendimento e governo para garantir a saúde da população. Na teoria é assim, muito lindo, mas falta a gente lutar para garantir que, na prática, gradualmente, isso tudo seja realidade. Afinal, outros países já conseguiram há muito tempo!

Portanto, a gente tem que achar outras formas de fazer nossos médicos e demais profissionais do parto sentirem-se valorizados. E já há muitos deles que não precisam cobrar muito mais do que a tabela dos planos de saúde, para isso. Na enquete, a maior parte dos votos (50%) foi para a opção "Gostaria de ser pago pelo plano de saúde, de acordo com a tabela vigente" - 6 votos precisamente, ok, nada muito expressivo... Mas, pode ser um indício de que receber cerca de R$1.500, como obstetra, para realizar um parto não é assim tão ruim... Também tivemos votos (4 ou 33%) para a opção "Gostaria de ser um funcionário público".

Entre as mulheres, alguns votos (7ou 14%) reconhecem a existência de uma gama de profissionais do parto que não são médicos mas que também pertencem a esse mercado. Gente importante, como as doulas e as parteiras, que ficam de fora das equipes de nossos serviços públicos. Na verdade, parteiras são figuras marcantes de culturas locais, e que têm sido, de certa forma, "exportadas" para os grandes centros urbanos, participando de partos domiciliares. O parto domiciliar no Brasil urbano deixou de ser hábito para ser privilégio! Mas, se por um lado isso retrata uma lógica excludente, por outro promove uma cultura de emancipação da mulher nas decisões que envolvem o nascimento de seu filho/a. Taí uma demanda que precisa ser vista pelo SUS e pelos planos de saúde.

Enfim, o resultado geral da enquete ficará aí embaixo por um tempo para quem quiser ver. Não gosto de comentar estatísticas, principalmente de uma pesquisa tão pequena e senso comum... Mas, adorei a oportunidade de saber um pouco como pensam os meus leitores e interlocutores! Sejam sempre bem vindos aos debates do blog!