Conheça melhor este blog de mãe, assistindo ao novo vídeo de boas vindas aqui!

sábado, 27 de novembro de 2010

Mulheres: principais produtoras de saúde

Você já parou para pensar nisso?

Nós mulheres somos as principais produtoras de saúde. Isso quer dizer que atuamos tanto na prevenção quanto no cuidado às doenças, no nosso meio familiar e também enquanto profissionais. Em várias áreas profissionais da saúde somos maioria, inclusive na Enfermagem, Fisioterapia e Psicologia (onde ultrapassamos os 80%). Na medicina chegamos a quase 50%. Mas, quando pensamos na saúde como qualidade de vida e não apenas centrada na ausência de doenças, as mulheres são ainda mais implicadas. Porque somos socialmente responsabilizadas pelo cuidado diário dos filhos, pela higiene da casa, pelo suporte aos idosos, pela compra dos alimentos, e tantas outras tarefas que contribuem para uma boa ou má saúde.

No texto de Geneviève Cresson, "La santé, production invisible des femmes", de 1991, essa "produção feminina" foi analisada pelos discursos das próprias mulheres. Ela entrevistou várias mães, para entender como elas mesmas identificam seu trabalho de promover a saúde dos filhos e do resto da família. Curiosamente, Cresson observa que elas próprias desqualificam seu trabalho ou o tornam invisível, colocando-o como algo natural, inevitável e/ou tão recompensador que não pode ser nomeado de "trabalho". 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Fale menos e pedale mais!

Você pode achar estranho uma psicóloga sugerir que se fale menos. Tradicionalmente, acreditamos que a "cura" do sofrimento vem através da fala, com os/as amigos/as, com o/a psicanalista, com o/a parceiro/a. Mas, há tempos que a própria psicologia vem reconhecendo a importância do exercício físico na superação de estados de humor depressivo. Um dia desses, chegou à minha caixa de e-mails um que indicava a leitura da matéria do Globo.com sobre uma pesquisa americana que concluiu que as mulheres que discutem muito seus problemas com as amigas têm maior nível de cortisol (o hormônio do estresse, sobre o qual já falamos aqui). Além disso, elas relatam maior cansaço e tristreza após essas conversas-desabafo.

Essa conclusão faz sentido. Pensando bem, parece um hábito das mulheres reclamar de seus maridos, namorados, filhos, quando se encontram. Claro que não podemos generalizar! Também falamos de amor, sonhos, lazer. Tem aquelas que são mais otimistas e evitam reclamar da vida. Mas, se não encontramos nos homens interlocutores tão empolgados a discutir os problemas quanto nós (porque é fato que, normalmente, eles não são tão "falantes"), acabamos encontrando nas amigas ouvidos pacientes - mas que, infelizmente, não podem resolver os problemas que nos incomodam em casa. Elas até sentem-se encorajadas e lamentarem-se junto! Assim, corremos o risco de viver num ciclo de estresse! E pior, nos acostumar com ele.

Por isso, hoje quero sugerir a você que adote uma bicicleta e experimente andar uns trinta minutos diários (de preferência pela mahã). Eu tenho feito isso, e estou muito satisfeita com o resultado! Sinto-me com mais energia e auto-estima, e durante o passeio ainda faço uma verdadeira viagem mental! Nas margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, vou pensando nas coisas que me encantaram no dia anterior (coisas que li, filmes que vi, pessoas com quem falei), e também lembro dos problemas, mas de uma perspectiva diferente. Pedalando, me sinto segura, atenta, e ao mesmo tempo sou capaz de me surpreender com a visão dos corredores, das pessoas caminhando, dos bebês tomando sol... enfim. Chego em casa suada, mas com um otimismo que talvez não conseguisse encontrar sentada no sofá papeando ao telefone. Claro que ter amigas com quem contar nos momentos críticos é maravilhoso! Mas, saber equilibrar o estresse é fundamental até para que nossas conversas sejam prazerosas, não é mesmo?

  *Imagem: Laura num passeio gostoso de bicicleta coletiva na Lagoa


domingo, 21 de novembro de 2010

Parcerias: Escola Virtual para Pais e Parto no Brasil

 Uma excelente notícia para as/os leitores do What Mommy Needs! Em parceria com a Escola Virtual para Pais, estamos oferecendo uma palestra GRATUITA: "Qual o melhor modo de acolhimento para meu bebê? Creches, babá, família, e os arranjos possíveis", que ocorrerá no dia 12 de Janeiro de 2011, as 20hs, na sua casa! Quer dizer, esta é uma webconferência, acessível a todos os cadastrados na Escola que tenham internet de no mínimo 512kbps, de acordo com a proposta inovadora da Escola Virtual para Pais. Algumas pessoas acompanharam os debates que fizemos aqui acerca da difícil decisão de colocar ou não o bebê na creche, contratar uma babá ou contar com os parentes, para que mãe e pai não interrompam suas atividades profissionais sem abrir mão da melhor forma de acolhimento para os filhos. É uma questão muito importante para o bem estar materno, em especial, além de ser decisiva na saúde e qualidade de vida da criança. A idéia da palestra não é pregar um modelo ideal para todos, mas é munir as famílias de informação para que tomem as decisões mais adequadas à sua realidade. Além dessa, abrimos vagas também para a palestra "A transferência de valores de cidadania para as novas gerações", que acontecerá no dia 03 de fevereiro. Então, cadastrem-se e garantam suas vagas!

Outra parceria interessante é com as editoras do blog Parto no Brasil. Elas apresentarão na Conferência  da REHUNA 2010 uma pesquisa na qual nosso site foi incluído.  Se você participará deste evento tão importante na promoção do parto natural e do nascimento humanizado, não deixe de conferir o poster de Bianca Lanu e Ana Carolina Franzon, entitulado: "Parto no Brasil: promoção da saúde, prevenção quaternária e empoderamento". Depois do evento, divulgaremos e comentaremos os resultados da pesquisa.

sábado, 20 de novembro de 2010

Uma lembrança importante no dia da consciência

Hoje é um dia de comemoração e memória. É um dia de lembrar do passado, mas também de juntar forças e esperanças para o futuro. É o dia da cosnciência negra, que não deve ser só dos negros ou afro-descendentes, mas de todos os brasileiros, de todos que queremos uma sociedade mais igualitária para criar nossos filhos. Hoje é dia de lembrar que as mulheres negras são o grupo social em maior desvantagem, quando analisamos o bem estar num sentido ampliado: acesso a renda, a educação e a saúde.

Hoje me lembro de um dos elementos importantes que apareceram nos resultados da minha pesquisa de mestrado: a desigualdade racial não encontrou interlocutores interessados em sua promoção, no Senado Federal, com exceção do senador Paulo Paim (PT), propositor do Estatuto da Igualdade Racial. Esse tema ainda é visto como assunto morto, superado, por muitos políticos e cidadãos brasileiros. Fala-se muitas vezes que não há racismo no Brasil. Mas, o fato é que a população pobre neste país é herdeira principalmente de uma economia escravista que perdurou tempo demais e que nunca foi devidamente compensada. É preciso reconhecer o problema para cuidar de resolvê-lo. Portanto, enquanto "fingirmos" que nossa sociedade é totalmente harmônica, emoldurada pela bela paisagem natural a-temporal (quase paradisíaca, no imaginário dos antepassados portugueses), não conseguiremos enxergar as diferenças e lutas de classes.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Armazenar ou não o sangue do cordão umbilical: uma questão injusta

Encontrei em minha caixa de e-mails um que enviei durante a gravidez, para toda a minha lista de contatos, antes de pensar em ter um blog para compartilhar as informações acerca da gravidez e da maternidade, que eu estava acessando.  Recebi para ele, uma linda resposta de uma das professoras que fez parte de minha banca de defesa do mestrado (a profa. Márcia de Assunção Ferreira), enfermeira, e orientadora da pós-graduação da UFRJ. Ela elogiou minha iniciativa, numa fase tão delicada, que é a gravidez, e me incentivou a compartilhar ainda mais a informação que trazia. Então, finalmente, resolvi falar sobre esse assunto tão importante e polêmico.

O e-mail foi motivado por uma empatia enorme com as mães que são confrontadas, como eu, à pressão médica e publicitária para pagar pelo armazenamento do sangue do cordão umbilical de seu bebê. Claro, que tal pressão tem fundamentos científicos também, mas até que ponto eu poderia tomar uma decisão como aquela sem o mínimo de informação (para além dos panfletos publicitários)? Se eu decidisse não armazenar, estaria cometendo um erro fatal? Perderia a oportunidade de salvar a vida de minha filha, caso ela precisasse? Ou, essa pressão seria, na verdade, fruto da oferta de um mercado como outro qualquer? 

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Escola Virtual para Pais e ONG Amigas do Parto

Esse post é para divulgar e convidar a todas/os as/os leitoras/es deste blog a conferirem a palestra da ONG Amigas do Parto: "Por que é importante a forma como nascemos?" pela iniciativa inovadora da Escola Virtual para Pais. Está rolando uma promoção, vale a pena aproveitar! A palestra será as 20hs de hoje, dia 17/11/2010.

Aproveito também para indicar o documentário "The business of being born", que assisti neste fim de semana. Fiquei tão inspirada que voltei a assistir também todos os vídeos de meu próprio parto, refletindo sobre tudo o que vivi nas quatro horas de TP que antecederam a vinda de Laura. É sempre maravilhoso lembrar desse momento! E é sempre bom lembrar que parto natural faz muito bem às nossas memórias e à construção da identidade materna. Ao invés de ser um evento nebuloso em minha história, ou de ser um fato que gostaria de esquecer, o parto de Laura é um marco na construção de minha família. Por isso, posso dar um palpite sobre a questão da palestra: a forma como nasce um bebê não é só importante para a saúde dele, mas também é fundamental para o nascimento de sua mãe.

domingo, 14 de novembro de 2010

O que o funk nos ensina

Estou aqui na minha casa, tentando assistir um filme, enquanto tento driblar o incômodo com uma festinha de adolescentes na vila ao lado, quase meia noite, com funk da pior qualidade nas alturas. Primeiro é importante que se diga que eu não sou contra o funk ou qualquer outro tipo de música e manifestação cultural, mas eu também não sou daquelas pessoas que incorporam automaticamente o discurso "politicamente correto" a favor de tudo que se origine nos guetos, nas comunidades pobres, só porque é parte do "discurso dos de baixo" (como diria Milton Santos). Não é porque o Carlinhos Brown vai na TV Brasil defender o Axé Music dos anos 90 e o funk, como expressão da musicalidade afro-descendente, que eu vou abrir mão completamente do meu senso crítico - aliás, do bom senso. Há funks que são simplesmente intragáveis: "Vou fu... a noite inteira", repetindo-se como um mantra, é de uma enorme falta de assunto. Além disso, o repertório por aqui era voltado para "as novinhas": "Virar mulher novinha é fácil", "Vai novinha", seguidos de "sarrando e roçando" podem ser considerados apologia à pedofilia.

Outras versões do mesmo blá blá blá agridem as mulheres e rebaixam sua sexualidade à objeto de poder e manipulação dos homens, as chamam de mentirosas (quando dizem que não querem "dar"), e ainda mostram total ignorância quanto ao verdadeiro prazer feminino. Veja só, um dos locutores de um dos funks promete transformar as meninas em mulheres levando-as ao céu em alguns segundos - porque ele é muito bom. Só que as parceiras reais dele esqueceram de dizer que mulher nenhuma se satisfaz em segundos, e que isso é sinal de fraqueza e não de potência.

sábado, 13 de novembro de 2010

Direitos Humanos e Mulheres: o que temos a ver com isso?

Ontem aconteceu o Encontro Mulher e Direitos Humanos, na Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz. Fui, pessoalmente conferir a programação, e esperva encontrar a Ministra Nilcéa Freire como anunciado no Informe ENSP. Mas, logo fiquei sabendo que ela desmarcara sua presença na noite anterior. Consequentemente ou não, o quórum do evento ficou longe de um público esperado para uma ministra. O diretor da Escola, esperado para a abertura, também não compareceu, mas enviou a Vice Dir. e Profa. Maria Helena Mendonça como representante. Havia muitas mulheres de Manguinhos, alunas e participantes do curso Mulher Manguinhos e dos movimentos sociais de mulheres do entorno. Mas, homem mesmo, só um dos palestrantes.

Sentada na última fila de cadeiras, num salão extremamente confortável e infelizmente pouco ocupado, fiquei observando o público e a movimentação, durante a hora de atraso para o início do evento - pois é, a mesa de abertura começou com mais de uma hora de atraso. Aproveitei também para conversar com uma das organizadoras: Mayalu Matos (coordenadora da Assessoria de Cooperação Social da ENSP), e outras participantes. Conversamos sobre os desafios e sucessos de se realizar uma integração entre a comunidade de Manguinhos e a Fiocruz, entre a perspectiva de gêneros e a saúde, e chegamos a conclusão que é mais fácil promover a participação da comunidade de mulheres nos enventos da Fiocruz do que envolver os pesquisadores e profissionais da instituição nos projetos sociais voltados para elas.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Promoção Coragem de Mãe com apoio da Fontanar

A partir de hoje está valendo a promoção de fim de ano "Coragem de Mãe". Para participar, envie por e-mail ou publique em seu blog (se você também for blogueira/o) uma história de coragem encarnada por uma mãe. Pode ser história real ou inventada, dramática ou bem humorada. Solte a criatividade e a inspiração! Se você é mãe, lembre-se dos momentos mais desafiantes que a maternidade lhe trouxe e solte o verbo! Se não é, também pode participar.

No dia 12 de Dezembro, as três melhores histórias serão divulgadas aqui no site, e a melhor delas será premiada com um creme hidratante da marca Mary Kay e um exemplar do livro "Coragem de Mãe", de Marie-Laure Picat, baseado em sua batalha real para encontrar um lar para seus quatro filhos antes de morrer de câncer. O livro é do selo Fontanar, da Editora Objetiva, que está dando o apoio cultural para nossa promoção!

Então, são três presentes em um: tornar seu belo talento conhecido, garantir um estoque de creme de altíssima qualidade para o verão todo, e desfrutar da leitura desse livro marcante e emocionante - sobre o qual prometo falar depois que a promoção acabar!

Dúvidas podem ser postadas nos comentários ou mandadas por e-mail.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Fim de ano com novidades!

Novembro chegou com crises e soluções. Alguém já me disse que o ideograma para a palavra "crise", em japonês, inclui também a palavra "oportunidade". Então, clichês a parte, neste mês, o site What Mommy Needs vem coordenar uma onda de novidades em minha vida! Resolvi levar este projeto mais a sério, continuar contribuindo para muitas mães e mulheres superarem suas próprias crises com a maternidade,  promover o debate sobre a igualdade de gêneros e divulgar sempre informação consistente para nosso BEM ESTAR!

Portanto, apresento-lhes nosso novo layout e novos recursos! Estou trabalhando para abrir nossa Biblioteca (com links para diversos textos completos e vídeos que contribuam para nossos debates). A página de Imagens será renovada a cada mês, para inspiração de todos. E agora, prometo ser mais ativa nas redes sociais - até criei um perfil no Facebook, que está aí na barra lateral. A antiga Série Mães que Contam continua ativa e esperando a sua participação. Se você também tem um site, uma empresa, uma organização civil sem fins lucrativos, faz parte de algum movimento social, que contribuem para a igualdade de gêneros e valorização da maternidade, entre em contato e seja um parceiro! Você também pode colocar nosso selo no seu blog, é só clicar, copiá-lo e colocar o link do site depois:



Para completar, quero divulgar aqui um projeto muito interessante e inovador, do qual estou me tornando paceira: A Escola Virtual para Pais. Aproveitando o potencial da internet em unir pessoas distantes, com interesses comuns, a Escola é um espaço de trocas de informações, com palestras de temas variados e super ricos para nós. Em breve, eu mesma, contribuirei com uma palestra gratuita. Fiquem atentas/os!

Espero que gostem da nova cara do blog e continuem participando, como leitoras/es, comentaristas, parceiras/os, dessa nossa caminhada!

domingo, 7 de novembro de 2010

Dicas para equilibrar as coisas e lidar com o estresse

Ontem fizemos um passeio em família numa grande livraria. Primeiro acompanhamos a reação de Laura ao lindo espaço dedicado aos livros, cd's e dvd's infantis. Depois, pude parar um pouquinho para escolher algo para ler em casa - não que me faltem opções, pelo contrário, estou com uma listinha super atrasada! Mas, adoro o encontro com um livro inesperado, poder folheá-lo sem compromisso, e me arriscar a levá-lo para casa. Foi assim com o Precisamos falar sobre Kevin, e alguns dos livros que mais gostei de ler este ano, como o Enigma do Incesto, A inclusão do outro, Nina e a felicidade - sobre os quais comentei em outras ocasiões. Então, depois de olhar com um certo preconceito, decidi dar uma chance para o livro Poderosas Consumidoras, de Andiara Petterle e Bruno Maletta. 

O livro é interessante, e se baseia numa grande pesquisa sobre o universo feminino contemporâneo, para alimentar iniciativas de mercado direcionadas a ele. Mas, traz também algumas informações instigantes, como a tirada de uma outra pesquisa, sobre o estresse entre as brasileiras: segundo a BCG Women Want More, nós somos mais estressadas do que a média das mulheres no mundo (55% se dizem estressadas e 39% se dizem "chateadas"). Além disso, o livro faz um breve panoramâma da evolução das mulheres no mercado de trabalho e no casamento e conclui que, apesar de priorizar a vida profissional antes de casar-se, as mulheres  brasileiras valorizam muito a instituição do casamento, e casadas, acumulam muitas funções sozinhas, incluindo as atividades domésticas e em especial o cuidado com os filhos.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Relação entre parto difícil e psicopatologia infantil

Uma reportagem divulgada ontem mostra superficialmente os resultados de uma pesquisa chinesa que conclui que crianças nascidas de cesarianas opcionais têm menor propensão a problemas como timidez, ansiedade, depressão, dificuldade de concentração e comportamento delinquente e agressivo. A explicação dada pelos pesquisadores é a associação a níveis mais baixos de cortisol que  os encontrados em crianças nascidas em partos normais com o uso de fórceps e vácuo extrator. Vale lembrar que o uso desses intrumentos é desaprovado pela Organização Mundial da Saúde, assim como o uso de cesariana eletiva.

O cortisol é um hormônio que tem sido relacionado a problemas mentais, como depressão e ansiedade, como neste artigo do Jornal Americano de Psiquiatria. Mas, é muito difícil afirmar que, isoladamente, o hormônio seja um fator de risco para esses transtornos, já que normalmente fatores sociais, históricos e contextuais contribuem juntos para o adoecimento mental.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O trabalho invisível e o tempo que não passa

Há um argumento amplamente difundido pelas mulheres de que "a última palavra em casa é sempre do marido - sim, senhora!". Essa fala é usada para sugerir que os homens pensam que mandam, quando é elas mesmas quem decidem. É com esse costume que o artigo francês "Les temps sexués de l’activité : la temporalité au principe du genre?", de Marc Bessin e Corinne Gaudart ilustram a situação cíclica de desigualdade que as mulheres enfrentam na relação com o tempo. Para esses autores, a estratégia de "exercer o poder sem ser percebida" , é como lutar para "manter a cabeça fora d'água", e reforça ainda mais a invisibilidade do trabalho doméstico. 

O trabalho doméstico, que se inclui na categoria do care (cuidar, conservar, se disponibilizar ao outro) é frequentemente assumido por mães que se dividem entre diferentes jornadas, ainda que elas mesmas contratem uma profissional da área para lhes darem um suporte. Num mesmo dia, elas assumem o papel de profissionais na rua e de "donas de casa", ou melhor, domésticas, no âmbito privado. As donas de casa não são remuneradas para tal trabalho, não têm uma jornada definida nem aposentadoria - o tempo dedicado não é contado, a disponibilidade mental é constante e a função de conciliar os diferentes "tempos" para todos os membros da família é praticamente natural... Por isso, seu esforço e possíveis sofrimentos com tal dinâmica não são facilmente visualizados.