Você já parou para pensar nisso?
Nós mulheres somos as principais produtoras de saúde. Isso quer dizer que atuamos tanto na prevenção quanto no cuidado às doenças, no nosso meio familiar e também enquanto profissionais. Em várias áreas profissionais da saúde somos maioria, inclusive na Enfermagem, Fisioterapia e Psicologia (onde ultrapassamos os 80%). Na medicina chegamos a quase 50%. Mas, quando pensamos na saúde como qualidade de vida e não apenas centrada na ausência de doenças, as mulheres são ainda mais implicadas. Porque somos socialmente responsabilizadas pelo cuidado diário dos filhos, pela higiene da casa, pelo suporte aos idosos, pela compra dos alimentos, e tantas outras tarefas que contribuem para uma boa ou má saúde.
No texto de Geneviève Cresson, "La santé, production invisible des femmes", de 1991, essa "produção feminina" foi analisada pelos discursos das próprias mulheres. Ela entrevistou várias mães, para entender como elas mesmas identificam seu trabalho de promover a saúde dos filhos e do resto da família. Curiosamente, Cresson observa que elas próprias desqualificam seu trabalho ou o tornam invisível, colocando-o como algo natural, inevitável e/ou tão recompensador que não pode ser nomeado de "trabalho".


