Por: Marcelo Lino para a blogagem coletiva Nós, os pais.
Quando a Carol me convidou para escrever esse post, imaginei escrever alguma coisa sobre paternidade e como ela se apresenta em mim. Porém fiquei com medo de escrever coisas melosas demais, de como é bom ser pai e etc. A maioria dos que estão lendo esse post agora deve ser mãe ou pai, então já sabem exatamente das alegrias, tristezas e cansaços que essa condição nos traz.
Pensando nisso resolvi então escrever rapidamente sobre como lidei com os medos e ansiedades pré-natais.
Lembro-me um dia, numa conversa com um amigo que revelava a vontade de ter filho, falei para ele: “que filho o que? Antes de ter um filho, você tem que deixar de ser filho”. Esse era eu antes da Laura, um filho que ainda morava com a mãe e nunca tinha passado pela cabeça ser pai de uma criança.
De repente esse criança de 28 anos (lembrando do Clube da Luta quando o personagem do Edward Norton narra a conversa com o pai, perguntando o que fazer da vida, e o pai fala para ele conhecer uma mulher e se casar, e ele responde: como se casar? Sou apenas uma criança de 28 anos) iria ser pai e teria que trocar fraldas de cocô?! É impressionante a total falta de nojo que sinto de uma fralda suja hoje em dia, eu achava que isso seria uma tarefa mais dificil do que comer jiló!
A questão da fralda pode parecer boba, mas é muito ilustrativa de como os meus medos da paternidade não se concretizaram. Por exemplo, a Carol fez questão de que eu estivesse com ela no parto. Já havia escutado muitas historias de homens que desmaiavam e davam mais trabalho do que ajuda nessas horas. Eu tinha muito medo disso acontecer, até porque nunca fui muito fã de cenas de operações, sangues e pessoas abertas no meio. Apesar de ter sido um parto natural, quem já viu sabe a quantidade de sangue que sai, sem contar na situação extremamente desconfortavel de ver sua mulher berrando de dor e não poder fazer nada. Pois então, não desmaiei, não fiquei assutado, e acima de tudo não fiquei traumatizado! Tudo ocorreu bem, e o mais importante: amei a minha filha desde o primeiro momento.
Tá bom, não consegui evitar a parte melosa, mas acho importante falar sobre essa transformação. Durante a gravidez da Carol, o meu maior medo era não amar a minha filha do jeito que eu esperava. Lembro-me de conversar com o meu analista, na época, de que tinha medo de olhar para ela e não sentir nada. Pois então, não quero dizer que a paternidade é o paraíso, que só há coisas boas. Tem muitos problemas sim, estresses e muitas vezes a unica coisa que voce quer é poder dormir com a certeza de que ninguém vai te acordar chorando. Mas apesar disso tudo, a certeza do amor que eu sinto pela Laura, não apenas o amor em si, pois às vezes amamos pessoas com conflitos e incertezas, mas a certeza de sentir esse amor é provavelmente o maior presente que a paternidade me deu.
A criança de 28 anos já vai fazer 30, com uma filha de quase 2 (alías ela faz aniversario no dia seguinte ao meu), e até agora acho que me transformei num bom pai e espero continuar a me transformar para ser um bom pai de uma criança de 5, 15, 25 e 28 anos e até onde Deus me permitir.
9 comentários:
Que lindo Marcelo, vc disse tudo.
Muito bonito o texto mesmo. É incrível como esse amor brota de dentro de nós assim, né?
Parabéns!
Lindo post Marcelo! Muito bom ler o ponto de vista dos pais e acho que vcs têm um ponto em comum: a relação antes (pre-natal, ja que a barriga é so da mulher e as sensações pertencem à ela) e apos o nascimento. E tudo se transforma e o PAI vai surgindo aos poucos e com importante intensidade, desde a coragem de assisitir o parto às trocas de fraldas de cocô. Fantastica paternidade!
Bjsss : )
Obrigado pelos elogios, é bom ler isso de leitoras exigentes, que estão acustumadas oas textos da Carol.
Realmente o parto em si acaba se tornando um divisor de aguas mais forte para o pai, pois a mudança é mais radical, acredito.
muito legal de ler. adorei!
olha, considere-se um vencedor na arte de trocara "aquelas" fraldas recheadas. maridão aqui foge delas que nem o diabo da cruz.
A pa/maternidade é mesmo um divisor de águas avassalador. Muito legal ler o ponto de vista de pais.
Marcelo, parabéns pelo texto. Adorei!
Carol, você que é poderosa nas letrinhas, como diria meu Arthur, diz ai: porque a mulherada se acaba de falar da maternidade e os homens são tão reservados? rs
Beijos!
affffff, Marcelo, mesmo sabendo que não ia fazer nada meloso, EU CHOREI... coisas de mãe quando vê uma criança tornar se pai! parabéns...essa transformação não é nada fácil...
Poxa, estou gostando desse negocio de post, só comentarios positivos!
Muito obrigado a todas voces.
Desse jeito vou abrir um blog também!
Gente, melhor coisa que existe é ver o marido se abrir assim! Os pais parecem mesmo ser mais reservados, mas o Marcelo aprendeu a conviver com essa minha mania de abrir o verbo e falar sobre tudo! Sou testemunha da enorme transformação que ele viveu e sou muito grata pelo privilégio de ter um companheiro assim do meu lado! Ele é tão bom pai que me estimula a querer povoar mais o mundo com seu "gen" generoso... rsrsrs Brincadeira, gente! Com toda trabalheira, ele não pode nem pensar em ter outro filhos agora! rsrsrs
Marcelo, eu serei a primeira fã e seguidora do seu blog (tão esperado)! Beijos meu amor!
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