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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A polêmica de nosso tempo: deixar o bebê chorar é pecado?

Mais um tema que me arrepia e me faz temer de longe as reações das minhas companheiras e leitoras/es de plantão: deixar ou não o bebê chorar?

Primeiro preciso fazer uma pequena correção, porque é lógico que o bebê chora e, muitas vezes, isso independe das atitudes dos pais. Mas, a questão é saber se tentar atendê-lo prontamente pode deixá-lo dependente e fazer-lhe mal, ou se ignorar seu sinal de desconforto e demorar para acolhê-lo é que é o grande pecado. Eu já li bastante sobre esse assunto. E como faço, geralmente, passei a comparar as informações contraditórias que tenho recebido. Percebi que há uma significativa mudança cultural relacionada à maneira que as pessoas, inclusive os pediatras, encaram esse dilema.

Quando a geração de nossas mães (nas décadas de 70, 80) estava parindo, a palavra "mimar" era altamente reproduzida sob o alerta de especialistas que temiam o crescimento de uma geração de crianças mal educadas e mimadas. Deixar chorar era praticamente um dogma dessa cartilha. O que não é de se estranhar, tendo em vista que, em tal período, as mulheres lutavam arduamente pelo direito de trabalhar fora de casa, estudar, e competir igualmente no mercado, para serem independentes (e o próprio mercado precisava de sua força de trabalho). Como seria possível abrir o caminho dessas mulheres impondo-lhes o fardo de atender prontamente todos os choros de seus bebês (tendo em vista, ainda por cima, que os homens não se aproximavam muito dos afazeres domésticos)?

A antropóloga feminista Elizabeth Badinter, dessa geração de mães batalhadoras e usuárias de toda tecnologia que lhes facilitasse a vida, se admira, portanto, com a nova égide de uma "cartilha ecológica", que afirma a importância da natureza da maternidade, da dedicação integral das mulheres aos filhos pequenos, incluindo a amamentação, o parto natural, e também o pronto atendimento do choro deles. Na entrevista para o Portal IG, a feminista chega a falar que "A natureza se tornou um novo Deus" . Ela se preocupa com posição das mulheres que aderem a essa "naturalização" das coisas no mercado de trabalho e na relação com o gênero masculino. Talvez, ao falar mal das recomendações da OMS sobre amamentação exclusiva ela esteja mesmo expressando um medo de que nós percamos tudo aquilo que já foi, de alguma forma, conquistado.

E aí, voltamos para o choro. Há um livro bem interessante, apesar de esgotado, que faz uma análise crítica da cultura dos anos 1980 e seus desdobramentos: "A cultura do narcisismo" de Cristopher Lasch. Basicamente, o autor chama a atenção para uma tendência cultural de nos centrarmos em nós mesmos, em detrimento de uma vivência mais coletiva e política. Ele chama a atenção para os movimentos alternativos, da época, que defendiam uma ligação direta do indivíduo com o cosmos, como se, para elevar o bem estar e preservar a vida, precisássemos apenas de nos "centrarmos". Suas críticas são agudas quando acertam a elevação do prazer individual sobre contratos coletivos, ou seja, a busca incansável pelo gozo constante, que leva ao consumismo, à dependência química, ao abuso dos psicofármacos. Portanto, a cultra narcisista odeia o choro, não tolera a tristeza e a frustração.

Nossa geração, que cresceu em meio a essa atmosfera, é um solo fértil para a proliferação de teorias que são radicalmente contra que mães e pais deixem o bebê chorando, pelo menor tempo que seja. Para essas teorias (que você pode conhecer nesse texto informativo aqui), o choro significa sempre um sinal de desconforto que deve ser ouvido e atendido pelos pais, em especial a mãe. Veja bem, há toda uma explicação biológica para o fato de que a mãe está mais preparada para atender a demanda do bebê. Digamos que há toda uma convergência de ideias, com o movimento ecológico e a maternidade ativa, com uma pitada da cultura do narcisismo, para gerar uma conotação bastante moralista sobre a reação dos pais ao choro dos filhos.

Por que, afinal, não conseguimos atender a essa regra do "não deixar" chorar sempre, se somos naturalmente programadas para tal? Por que nos irritamos, nos impacientamos, em alguns momentos? Por que não somos sempre capazes de abrir mão do trabalho e da vida pessoal para nos dedicarmos exclusivamente ao bebê? Será que somos seres humanos defeituosos? Desumanos?!

Eu vejo, na verdade, um movimento radical para contrapor as imposições de uma tradição (não menos radical) de se temer o mimo aos filhos. Se, por um lado, as teorias pós-industrialização martirizam as mães que mimam, dão todo carinho, respondem ao choro prontamente, e viciam no colo, parte do movimento ecológico tem crucificado as mães que acostumaram os filhos a dormirem sozinhos, e toleram o choro dos filhos sem coloca-los sempre ao colo - porque você pode ser presente no choro, sem tentar ser a solução para ele sempre.

Chorar faz parte da vida normal, da vida em sociedade, dos conflitos com os quais temos que nos deparar quando convivemos com tantas diferenças. As frustrações não são sempre terríveis e traumáticas, mas elas podem até ser meios de desenvolvermos novas habilidades e um sentido muito próprio de autenticidade (qualquer psicoterapeuta sabe, pela experiência, que é nos períodos de tristeza que os pacientes estão mais "abertos" a mudanças). Por isso, mesmo me considerando uma mãe ativa, consciente, e defensora da ecologia, acho ilusória e perigosa a pregação radical do não-choro dos bebês.

Mães são mulheres com limitações, como qualquer outro ser vivo. Elas precisam descansar, tomar banho, se alimentar. Precisam trabalhar, sentir-se realizadas profissionalmente e pessoalmente, manter um relacionamento saudável com o parceiro que amam, e enfim, viver a vida, com seus altos e baixos. Por outro lado, também não precisam se preocupar tanto com essa história de não mimar os filhos. Porque, mesmo que quisessem, elas não conseguem suprir todas as necessidades deles!

Ficar ao lado do bebê, com um cafuné, uma voz carinhosa, uma musica tranquila ao invés de pegá-lo prontamente no colo não é ignorar seu choro! Insistir alguns minutos para que seu filho de mais de seis meses durma sozinho no berço não causará nenhum dano irreversível para a saúde dele! Da mesma forma, se você sente necessidade e gosta de tê-lo sempre no colo, não se culpe. O importante é saber que, o choro não é sempre evitável e não tem sempre à ver com você. Que você pode ajudar seu bebê a construir confiança em si mesmo e nas pessoas, para poder ficar triste, quando houver necessidade. Para isso, o caminho do meio, da busca do equilíbrio, parece mais sensato.

10 comentários:

disse...

Carolina, ja' deixei o Rafael chorando algumas vezes (pouquissimas), mais por insistencia do marido do que por tradição, mas a verdade é que sempre me sentia muito mal ao fazer isso. E acabava chorando junto. Depois decretei que estava errado, que se ele estava chorando, ele tinha algum motivo e nunca tive medo de mima-lo nem nada. Apenas sigo o meu instinto de mãe. Meu marido demorou um pouco para entender, mas agora ele aceita melhor e nao deixamos mais ele chorar sozinho.

Ha' pouco tempo atras li um otimo livro sobre isso. O titulo em francês é "Mon bébé comprend tout" da Aletha Solter. Ela tem umas idéias bem polemicas e na minha opiniao algumas sao totalmente fora do contexto real que vivemos, mas ainda assim vale a pena conhecer as teorias. Mas o que eu mais gostei do livro é que ela defende que as vezes o bebê PRECISA simplesmente chorar. E' a sua maneira de colocar pra fora suas angustias, seus medos. Mas a diferença é que ela nao diz para deixar o bebê chorando sozinho. De jeito nenhum! A primeira coisa é ver se ele nao tem algum incomodo, tipo fralda suja, dor, etc, e se todas as hipoteses forem descartadas, ficar ao seu lado, acalmando, mas deixando-o estravasar suas emoçoes. Que nao é legal simplesmente enfiar uma chupeta ou tentar distrai-lo pq depois ele pode virar um adulto reprimido, que esconde suas emoçoes. Essa idéia me ajudou a lidar melhor com os choros do Rafael.

Eu aconselho a leitura deste livro para todas as mamaes de bebês chorões, mas é bom fazer uma triagem das idéias, para nao se sentir muito culpada. :)

Ártemis disse...

Sobre porque do choro excessivo, eu recomendo um livro como 'Our babies, ourselves'. É uma visão bem antropológica, sabe?

Eu não sei ser muito teórica, então minha regra sempre foi: deixar bebês (de meses) chorando sozinho NÃO ensina nada útil e é prejudicial. Entre jogar o bebê na parede ou deixar uns segundos o bebê sozinho pra vc se acalmar, segunda opção. Uma coisa é vc estar no banheiro e o baby acordar, ou está cozinhando. Outra é vc não ter previsão de ir buscar, só pelo *prazer* de deixar chorando abandonado.

Existe uma CLARA diferença entre saber o que é melhor e o que decidiremos fazer. Acho um absurdo não assumir as consequencias de como agimos. O ideal em termos 'naturais' pode não ser o melhor para a minha vida por outros pontos: mas a decisão é MINHA.

Vai dizer o que, que deixar bebê em creche com 6 meses 12 horas por dia é BENÉFICO pro bebê? Não. Foi o que eu escolhi dentro do meu contexto familiar, foi o MEU arranjo.

Mariana - viciados em colo disse...

diante do nome do meu blog sou suspeita para opinar sobre isso. diante de alguns dilemas, minha teoria é a seguinte: se é bom para mim será bom para ele. dificilmente eu suporto assistir ao choro desamparado de um bebê.

li aquele livro nana neném quando alice era bebê e fiquei revoltada (cheguei a dizer desaforos para a amiga que me indicou rsrsrs). eu jamais ficaria atrás de uma porta chorando, enquanto o bebê se esgoela dentro do berço, com o objetivo de ensiná-lo que ele precisa se virar sozinha; e de que seus pais não estariam ao seu lado nos momentos difíceis.

arthur é super chorão. chora pra trocar fralda, chora pra entrar no banho, chora para sair, chora quando troco de peito, chora quando está só, chora, chora, chora... então meio que vira música.

mas tem choro e tem CHORO. hoje, ele já está maiorzinho, já sei diferenciar o choro de manha, e este eu suporto mais. só que aquele choro de sofrimento e de desamparo é atendido prontamente. fico ao seu lado para ele saber que estou ali.

mas deixar um bebê de dias chorar é demais para o meu coração. este era, aliás, um dos meus piores pesadelos quando arthur estava na UTINeo: pensar que ele choraria e ninguém poderia pegá-lo no colo.

vc nem imagina o alívio quando uma amiga minha estava de plantão e pegava mesmo... ou quando ela me dizia que ele era "bonzinho" e que quase não chorava, que só fazia dormir... eu viajava que dormindo ele podia "sair" dali...

pode ser ruim, pode ficar mimado, não ligo, depois a gente conserta... a mensagem que quero passar para meus filhos é que a dor pode ser deles, que eu não posso viver esta dor no lugar deles, mas posso estar ao seu lado, pegar na sua mão, até passar...

beijoca

Carolina Pombo disse...

ATENÇÃO GENTE: este post não defende o abandono do recém-nascido ao choro desamparado!!! Recém-nascidos estão lutando pelo sobrevivência e devem ser atendidos prontamente - claro!!! Mas, questiono a regra de não deixar babês maiores chorarem nunca. (Não li o livro Nana nenê, e não estou defendendo um "método" infalível para fazer o bebê parar de chorar!)

O que digo é que, talvez nossa angústia ao ver um filho chorar seja mesmo instintual, mas nem por isso, devemos agir imediatamente para sanar seu choro.

Querem ver uma situação corriqueira? Depois de aprender a andar, muitas vezes, o bebê pede colo, sem necessidade física (dor, cansaço, etc), pelo simples prazer de andar no colo da mãe. Mas, se esta deseja incentivá-lo a caminhar, fortalecer as perninhas, descobrir o mundo com seu corpinho, não deve ceder sempre a esse pedido - às vezes, regado as lágrimas! Ele vai chorar, e depois vai ficar feliz por ter conseguido caminhar um longo percurso, vendo as formiguinhas de perto!

ana isabel disse...

Oi Carol

Em primeiro lugar isto de "deixar chorar", vem de antes da decada de 70, a minha sogra teve os filhos na decada de 60 e fala muito sobre mimar os filhos com colo.
Eu tive duas "orientações" diferentes (provavelmente existem milhares). Uma dizia que pegar no colo mimava demais. A outra era totalmente o contrario, dizia que se o bebe chorasse eu devia pega-lo no colo, não interessava o estado que eu estivesse (sem dormir, sem tomar banho, sem comer, etc).
So que o interessante é que quem dizia que eu devia pegar no colo era a minha mae, que trabalha fora. E quem dizia que eu não devia pegar era a minha sogra, que não trabalhava fora.
Nunca havia pensado nisso que voce menciona, que para os "terceiros" o choro de um bebe pode ser insuportavel. Já tive uma experiência bem desagradável com uma vizinha que ameaçou chamar o conselho tutelar porque o Zezé chorava demais, na verdade ele estava com uma dor e eu não conseguia identificar o problema.
Uma vez no supermercado ele começou a chorar de colicas e pessoas desconhecidas correram em massa para acalmar ele, exigindo que eu desse chupeta, coisa que eu era contra.
Em tempo, eu não sou a favor de deixar o bebe chorando, só apos os dois anos, se for birra. Mas tambem sei (e como sei) que as maes tem suas necessidades e as vezes precisam deixar ele chorando para ir ao banheiro, comer,e outras coisas.
A minha madrinha me deu uma dica boa, ela me disse que alguns bebes realmente choram mais do que os outros, (bebes com altas necessidades) por isso não é pegar no colo que vai faze-los chorar mais.

Nine disse...

Oi Carolina!
Muito bom esse seu texto e a discussão que ele promove. Por natureza e personalidade sou contra tudo que é extremo, então sou contra a teoria do "deixar chorar", ainda que pudesse ser defensora antes de ser mãe...é que na prática a teoria é bem outra.

Nunca tive e ainda não tenho uma boa tolerância com choros. Não gosto de ver chorando, ouvir, logo acendo meu alerta interno e enquanto não entendo o choro não me tranquilizo.

Minha filha tem hj 1a10m e já tivemos várias fases: recém nascida era muito chorona, só sossegava no colo com balancinho e no peito e/ou ouvindo minha voz enquanto andava com ela pela casa no colo. Não foi adepta ao carrinho/bebê conforto/chiqueiro; quando colocada lá chorava desconsolada e eu nunca suportei: sempre peguei no colo assim que pude.

Ainda bebezica de poucos meses tinha vezes em que ela chorava sem motivo aparente, desconsolada, mesmo no colo e eu acredito sim naquela necessidade de extravasar emoções que os BBs devem ter, tipo, o que vai ser da minha vida agora, tudo anda tão difícil, cadê minha antiga casa, minha comidinha no cordão umbilical, enfim...coisas do tipo... e aí ficava com ela no colo, embalando, falando que eu estava ali até ela cansar de chorar. Angustiante!

Já maior ela chora muito pouco, mas solicita muita atenção e eu atendo sempre que possível: não nego colo quando posso dar, mas nego e explico o motivo qdo não posso, mas procuro atendê-la assim que possível, pois com esta idade não dá para exigir que ela fique esperando um colo que não chega por mais de 15 minutos...

No seu exemplo de negar colo para que a criança caminhe: aqui não tive este problema. Assim que aprendeu a andar ela não quer saber de colo e só pede quando está cansada mesmo, e aí dou.

Acho super pertinente sua pesquisa sobre os motivos que levam as diversas teorias que imperam a cada geração e como você acredito que o melhor caminho é bem longe dos extremos de cada uma e sempre pensando na realidade familiar de cada um.

Beijos,
Nine

márcia disse...

com dois chorões em casa fui adaptando os meus ouvidos e sentidos pra saber identificar o tipo de choro.

recém nascidos nem cogitava a ideia de deixá-los chorar e ponto.

mas depois de grandinhos...
eles sabem direitinho a fórmula mágica de conseguirem o que querem e quando falha é choro!

e como choram! o Samael é um chorão assumido. bem do exemplo que você colocou acima. não quer andar porque quer o colo a todo custo, então, chora. eu já parei na calçada e deixei ele sentado lá chorando, sob os olhares mais condenadores. assim que a manha acabou, peguei na mãe e vamo bora! e choro de novo! ele teima e teima chorando, chorando.
o meu esposo não tem tanta paciência e é bem mais rígido com ele e eu vejo que quando meu marido toma as rédeas a coisa muda. então, só posso mesmo é deixá-lo chorar até ele perceber que chorando ele NÃO vai ter o que quer.

a Valentine é mais tranquila não é tão birrenta. faz manha sim e eu sempre sego firme. deixo chorar a vontade, depois com calma,pego no colo e conversava muito. dou mil beijos e minha menininha concorda com um sorriso. é muito bom.
só que ela está iniciando a fase de se impor e me enfrentar. você comentará sobre isso futuramente. he he he...

torço pro meu pequeno garoto começar a ser menos turrão e menos dependente da mamãe aqui.

beijins

Roupas de Bebe disse...

Oi Carol. Amei conhecer seu Blog! A minha filha chorava muito até os 2 meses de idade, e eu tinha duas opiniões: a de minha mãe e a de minha sogra. Minha mãe defende o "colo imediato", ou seja, chorou-pegou. Minha sogra já acha que deveríamos deixar a criança chorar algum tempo, e na criação dos filhos dela foi feito dessa maneira. Particularmente, acho que o coração de mãe é sensível o suficiente para "entender" o choro da criança, e perceber se o que ele quer é colo para se acalmar, se está com fome, com dor ou com sono mas não consegue dormir sozinho. Aos poucos, minha bebê (agora com 5 meses) já está chorando por motivos bem mais claros, sendo que já está totalmente diferente daquilo que estava à 3 meses atrás. Ela já está bem mais calminha. Quando ela chora, normalmente é por causa de sono ou de tédio - costumamos deixar ela assistindo ao DVD dos Backygardigans ou Galinha Pintadinha (rsrsrs). Beijos. Ana Paula.

Blog da Escola Virtual para Pais disse...

Oi,Carol,

Como sempre com seus posts inteligentes e interessantes!!

Concordo com você que é extremamente importante entendermos o choro da criança, o que não é muito fácil; como tb somos imediatistas, é mais cômodo resolver o problema para que a criança pare de chorar rapidamente. Isso acontece em outras fases da vida dos filhos. Na adolescência, muitas vezes, cedemos à contra gosto para finalizar aquelas discussões intermináveis. Assim, vamos cedendo... o que não é nem um pouco educativo. Educar um sujeito autônomo e reflexivo dá trabalho e cansa, mas o resultado é muito mais efetivo.

Compartilhei o link desse post no Portal da Escola Virtual para Pais - http://www.escolavirtualparapais.com.br , ok?
bjks,
Marcia Taborda

Thaís Rosa disse...

Oi Carol,
muito bom o tema desse post.
Mas eu, sinceramente, não consigo racionalizar muito o assunto... apesar de ter minhas convicções. Quando o Caio era bem pequeno (porque uma criança de quase 3, pra mim, ainda é pequeno), eu não deixava chorar sozinho e ponto. Era como eu sentia, era o que eu sentia que fazia bem a mim e a ele, e pronto. Marido pensava um pouco diferente, mas aprendeu a respeitar vendo o resultado: uma criança tranquila, independente, que pedia colo e aconchego quando precisava e passava cada vez mais momentos sozinhos, aprendendo a brincar consigo mesmo, sempre que estava a fim.
Conforme foi crescendo, e entrando na idade de testar limites, descobrir seu espaço no mundo, os choros mudaram de sentido, e minha abordagem também, mas não muito. Na verdade, ainda estou aprendendo com essa nova etapa, mas minha tendência sempre é acolher. Mas, por vezes, ele não quer ser acolhido, e quando percebi isso, foi bem louco. Por vezes ele QUERIA ficar sozinho chorando, pedia pra eu sair... Eu tive dificuldade em entender, aceitar, mas passei a acolher, não mais ele em si, mas a vontade dele. Claro que, tem momentos em que o choro é tão exagerado, e a birra é tamanha, que me retiro por vontade minha, por saber que não vou dar conta de aguentar pacientemente aquilo se eu não me retirar um pouco, nem que seja por segundos (porque, se estou sozinha com ele, dependendo da "crise", acho até arriscado deixá-lo sozinho, pois ele ainda não tem consciência do que ele mesmo pode se fazer), pra espairecer e me manter firme na postura não-violenta (sou totalmente contra bater em criança). E assim estou aprendendo a lidar com o choro nessa nova etapa.
Mas, como tudo na maternidade, acho que cada família encontra um equilíbrio, que não é generalizável...
beijo