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Aqui, a voz é quase sempre de Carolina Pombo - mãe, escritora, psicóloga e empreendedora "verde". Alguém que adora perguntas, ama debates, e abre o coração sem medo.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Como lidar com as doenças na infância sem abusar dos remédios?

Hoje é o dia mundial da saúde e o tema escolhido para este ano é o combate à resistência aos antimicrobianos. Amoxixilina, penicilina, azitromicina, dentre outros, são os tão conhecidos antibióticos que mães e pais usam com seus filhos em momentos de angústia e apreensão. Uma asma, uma febre alta, gripe, viroses diversas, nos assustam, especialmente quando é com o/a único/a filho/a e quando ele/a ainda é um/a bebê. Corremos para as emergências, geralmente lotadas, esperamos cerca de uma hora para um atendimento, em companhia de outros pais angustiados e outras crianças adoecidas, e nos sentimos aliviados quando o pediatra receita um antibiótico "poderoso". O que não sabemos e nem pensamos nessas horas é que o uso rotineiro desses remédios pode produzir a resistência das bactérias e vírus às substâncias curativas, causando o desenvolvimento de microorganismo mais poderosos e difíceis de serem eliminados. É por isso que vemos notícias sobre as "super bactérias" e as formas mais variadas de gripes atrapalhando nossos verões e invernos.

Numa ocasião, tivemos que tomar uma decisão difícil em relação à saúde de Laura.

Depois de dois meses frequentando uma creche, apresentando infecções leves, ela apareceu com pus escorrendo do ouvido! Uma sinusite tratada com amoxixilina migrou para os ouvidos, rompendo o tímpano e causando muita dor. As noites se tornaram angustiantes! Os dias passaram a ser em casa, e voltamos a dar o tal antibiótico, com prescrição do pedriata do Plantão. Além dele, o médico receitou um anti-alérgico e um analgésico, e prosseguimos no tratamento. Quando um ouvido ficou bom, o outro ficou doente! Dessa vez, corri para a homeopata-pediatra de Laura, contei todo o ocorrido até então, e lembrei de uma pequena reação alérgica que minha pequena tinha apresentado ao final do tratamento: urticárias.

A médica, muito sabiamente, me disse para suspender o antialérgico e trocou o antibiótico. As urticárias parecem reações leves, mas elas são o prelúdio de uma alergia possivelmente desencadeada pelo uso prolongado do remédio. Nunca mais demos amoxixilina para Laura! Partimos para a azitromicina, que deveria ser tomada apenas por até cinco dias e que apresentava poucos efeitos colaterais, como o mal estar no estômago e a consequente falta de apetite! Além disso, a pediatra receitou fórmulas homeopáticas para fortalecer o sistema imunológico de Laura e me disse para ficar atenta à creche (afinal, é normal que crianças fiquem doentes nos primeiros meses de creche, mas não é normal nem aceitável que as infecções sejam tão recorrentes).

Depois de cinco dias, porém, ainda escorria um pouco de pus do ouvido dela. O rompimento estava fechando, avisou a otorrino, e a secreção já tinha diminuido consideravelmente. Otorrino e homeopata me disseram para esperar, continuando o tratamento homeopático, reforçando a alimentação, mantendo-a longe da escola, sem apelar para antialérgicos ou mais antibióticos. A questão foi motivo de debate em casa! Meu marido temia em manter essa conduta, mas eu, confiante, insisti na força do organismo de Laura. Decidi esperar, com apenas três dias para nossa viagem em família à França (com tudo pago e planejado). Na véspera, Laura fez sua última consulta de revisão, e a médica disse que ela estava bem para viajar! Ufa!

A lição que tiramos dessa situação é que remédio chama remédio (se for usado em exagero). O antibiótico ataca as bactérias mas também ataca o sistema digestivo, piora a alimentação e a retenção de nutrientes, leva ao enfraquecimento do sistema imune e tchaa-ram coloca o corpinho infantil à beira de outra rodada de infecção. O tanto de antiobiótico dado às bactérias à tornam mais resistentes e assim, uma nova leva de super microorganismos se espalha pela creche, pela pracinha, pelos plantões hospitalares... O antialérgico, por sua vez, se propõe a "secar" as secreções, mas leva junto a tranquilidade de pais e filhos: eles alteram o funcionamento nervoso, piorando as noites de sono, as atividades diárias e deixando os pequenos num mal humor terrível. Além disso, também podem prejudicar o sistema imune.

Por isso, hoje em dia, só apelamos para os antimicrobianos em situações pontuais, analisadas pela pediatra, e dentro dos limites indicados pela bula dos remédios. Eles são os últimos recursos! Febre, gripe, inflamação, e até infecções, podem ser administradas por outras medidas não-medicamentosas, como a mudança do próprio ambiente que a criança frequenta, o repouso, a melhora na alimentação, etc. Muitas vezes, os remédios acabam substituindo medidas mais simples e eficazes. Não é incomum vermos crianças doentes indo à escola! E, pior, é rotina ver as escolas enchendo cada vez mais, colocando as crianças em ambientes pequenos e pouco ventilados.

Então, aproveite o Dia Mundial da Saúde para pensar sobre suas práticas de auto-cuidado e de cuidado com a saúde dos pequenos. Vamos contribuir para uma sociedade mais forte e resistente às bactérias, e não o contrário!

OBS: vale a pena lembrar também que a amamentação materna previne infecções e fortalece o sistema imunológico dos bebês!

7 comentários:

Anônimo disse...

Concordo em absoluto quanto ao uso de remédios. Mas como a escola vai controlar a frequência da criança doente, se dias antes de apresentar sintomas e dias após ter sido curada é possível a transmissão da doença? Obviamente a criança doente não deve frequentar a escola, precisa se recuperar no conforto de casa, mas não enxergo muito o que a escola/pais de crianças doentes podem fazer para impedir o contato com vírus e bactérias.

Carolina Pombo disse...

O objetivo do texto e da campanha do Dia Mundial da Saúde é justamente conscientizar pais e educadores de que há medidas preventivas ao contágio, como o repouso da criança e não ida à escola nos primeiros sintomas da doença e até que ela esteja completamente recuperada (inclusive depois de ter terminado o tratamento medicamentoso). A escola pode informar os pais, assim como os pediatras. É claro que continuaremos tendo casos de infecções, faz parte do desenvolvimento normal da criança, mas talvez não precisemos apelar tanto para antibióticos.

Paloma, a mãe disse...

Concordo, Carol. Cecília também teve urticária da primeira (e única) vez que tomou amoxicilina, aos quase 2 anos. Meu sonho sempre foi ter um homeopata confiável, mas nunca encontrei um. Aliás, ela só tomou este antibiótico porque o nosso homeopata em SP era negligente, uma longa história...
Agora temos um alopata que evita medicar e é supercriterioso, mas queria um bom homeopata para acompanhar as meninas também.
E vc está certa sobre os cuidados muito mais simples (repouso, boa alimentação, carinho de mãe) que ninguém está muito dispostoa dar para as crianças doentes. E elas são mandadas às escolas com remédios na mochila para serem administrados lá, acho isso uma aberração. Neste mundo capitalista, ninguém pode faltar uma semana de trabalho para ficar com o filho em casa, mas mandar o filho doente e com o sistema imunológico comprometido para a escola pode? Muito triste!
Beijos

Fabiana disse...

Nossa... fui lendo seu texto e morrendo de medo de que ao final vc concluisse deizendo que tudo deu errado pq seguiu as orientações da homeopata pediatra!rs
Eu fui criada já na homeopatia pq minha mãe sofreu com a asma do meu irmão mais velho. Foram dois anos terríveis na vida dos dois... até que ela conheceu um pediatra excelente aqui de Brasília que seguia a linha homeopática. O tratamento foi certeiro e a asma dele ficou só nas fotografias.
Logo depois eu nasci e desde bebê só tive que tomar antibiótico umas 4 ou 5 vezes na vida. Como vc colocou muito bem... em situações pontuais.
Obviamente crio minhas filhas da mesma maneira. E muitas pessoas me perguntam se funciona mesmo ou como eu tenho paciência para a homeopatia. Minha resposta é que tal qual na alopatia tem médicos e médicos... e também um médico maravilhoso pode não dar conta de acertar na primeira ou segunda vez. Eu tenho paciência pq a única vez em que resolvi jogar tudo pro alto e levar minha filha na emergência do hospital por conta de uma tosse que não acabava nunca. A médica receitou para uma criança de 3 anos uma dosagem superior à máxima indicada na bula. Detalhe que eu só resolvi ler a bula no 3º dia de administração do antibiótico pq minha filha parecia estar possuida. Ou seja, assino em baixo quando vc fala da importância de lermos a bula. Antes de dar o remédio à criança. Bom, depois desse episódio Júlia nunca mais tomou qualquer antibiótico e Joana será criada assim também! E que Deus conserve a saúde de todas as crianças!
Beijos

Fabiana
http://2-ao-quadrado.blogspot.com

olhodopombo disse...

A minha experiencia foi ter FÉ , quase cega na NATUREZA!

Rosa Lopes disse...

Adorei o relato de sua experiência, acredito muito na homeopatia e na combinação de alimentos. Um nariz escorrendo aqui é a coisa mais difícil de acontecer que se pode dizer de uma doença mais séria?É quase lenda.

Mas ante também tive meu momento purgatório em emergência e filha de 3 aninho tomando amoxilina a cada dois meses por virose divulgada na creche.

As mudanças no nosso comportamento foram fundamentais e a firmeza nas decisões também já que nessa hora toda a família se torna médico e quer "ajudar".

Espero que esse alerta seja ouvido e pensado pelas mães que fazem tudo que o médico manda e em lugar de questionar o profissional quando os filhos não melhoram culpam a si mesmas.
Bj

Vanessa disse...

O Ernesto sempre foi super forte. Absolutamente nenhuma ocorrência médica até completar dois anos. E aos dois anos teve seguidamente duas infecções de garganta com 41 de febre e tivemos que dar antibiótico. Mudei de pediatra logo depois procurando um homeopata. Eu imaginava que ele teria infecção recorrente mas nunca mais adoece, já são quase 2 anos. Tenho pavor de antibióticos e só concordo em dar se não há mesmo alternativa.

bjs