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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Psicólogas, fonos, psicopedagogas e cia: como buscar ajuda profissional

A notícia da falsa psicóloga que dirigia uma clínica para o tratamento do autismo me deixou assustada. Não só pelo conteúdo da notícia em si, mas por que imediatamente reconheci a tal clínica. Ela fica bem perto de minha casa e em frente à primeira creche na qual tentei colocar Laura, com seus 18 meses. A creche tinha um convênio com a clínica e vários de seus alunos faziam atendimento lá. Ela tinha uma proposta inclusiva, e recebia em suas turmas regulares pacientes autistas tratados na clínica. Já falei algumas coisas sobre essa creche e meu desencanto com ela em outros posts, se quiser ler clique aqui e aqui. Laura não permaneceu nela por mais que dois meses (sofridos e acompanhados de pertinho), e hoje está numa escola sensacional completamente diferente. Não vou mencionar o nome dela, por medo de me expor mesmo.

A falsa psicóloga foi descoberta devido à desconfiança de um casal que, apesar de pagar R$5.000,00, mensais não viu qualquer melhora no filho tratado pela clínica. Provavelmente, muitas outras famílias vinham pagando caro sem ver uma melhora real na criança, mas não desconfiavam por que o autismo é uma doença muito pouco conhecida e com poucas chances de tratamento mesmo. Aí é que está o grande problema na hora de se recorrer a profissionais especializados como os psicólogos, as fonoaudiólogas, psicopedagogas, dentre outros. Geralmente, os pais chegam na primeira entrevista destituidos de saber, ou seja, desvalorizam o próprio conhecimento que têm sobre a criança diante de um especialista e não se julgam capazes de questionar, argumentar, cobrar, nem de avaliar o profissional que escolheram. Imagina os pais de crianças autistas!

É claro que, diante de um quadro de sofrimento mental e físico anormais, a criança precisa de ajuda profissional e tem direito a recebê-la. Psicólogos formados e preparados em cursos de graduação e pós-graduação tem condições efetivas de ajudar a família a enfrentar os problemas, ajudando-a a ajudar o sujeito que sofre. Há diversos tipos de tratamento psicológicos, diversas linhas de compreensão da psiquê humana, e profissionais com qualificações diferentes. Mas, todos eles, para fazer atendimento em consultório, devem possuir cadastro no Conselho Regional de Psicologia - da mesma forma ocorre com as fonoaudiólogas. A psicopedagogia, por sua vez, é uma especialidade nova, que geralmente é cursada por pedagogos ou psicólogos graduados. Esse registro garante que o profissional concluiu o curso de graduação e está contribuindo para a manutenção do Conselho que regula sua profissão. Esses conselhos produzem normas e regulamentos que devem ser respeitados por seus membros, como os códigos de ética profissionais - que aliás devem ser respeitados por qualquer pessoa que exerça a profissão. Eles também costumam emitir tabelas com valores de referência para a cobrança de consultas e tratamentos. Um psicólogo que não respeite seu código de ética pode ser denunciado, investigado e destituído de sua credencial para clinicar.

Como então, buscar ajuda desses especialistas com confiança? Primeiro, pense bem por que você está precisando de ajuda. A Sueli do Blog do Desabafo de Mãe nos presenteou com sua experiência, ao buscar esse tipo de ajuda e nos mostra o quanto ela foi útil. Mesmo uma mãe super dedicada e consciente pode precisar de ajuda, e a melhor atitude quando chegamos aos nossos limites como mães é admiti-los. Então, antes de mais nada, reflita sobre sua necessidade, converse com os profissionais da escola, com seus familiares, e pense se o que está incomodando é de fato um problema que necessita de intevenção especializada. Se você tem apenas uma desconfiança de que seu filho/a precisa de ajuda, vale a pena ler bastante sobre o assunto, buscar informação em blogs e conversar com diferentes especialistas. A Sueli, por exemplo, obteve ajuda de psicóloga e fono, percebendo que a dificuldade de fala de seu filho estava contribuindo para o comportamento agressivo dele.

Mas, quem pode nos ajudar? Listarei a seguir algumas dicas importantes para você reconhecer um bom profissional:

1) Procure saber se este profissional é indicado por alguém conhecido e se é recomendado por alguma instituição oficial acerca da especialidade que você procura (há associações de portadores de transtornos e familiares, associações de psicanálise ou de outras linhas terapeuticas que costumam indicar profissionais).
2) Avalie a postura do profissional no primeiro encontro (desconfie se ele emite diagnóstico de imediato, sem ter discutido o caso com uma equipe interdisciplinar ou pelo menos um supervisor, sem ter aplicado qualquer instrumento de avaliação, ou sem ter tido um contato consistente com o paciente).
3) Esclareça de antemão os custos do tratamento e o que se pode esperar dele.
4) É bom que mais de um profissional seja consultado, dependendo da condição do paciente (se o contato com o especialista for algo muito constrangedor ou doloroso para a criança, tente conversar com outros profissionais sem a presença dela).
5) Verifique a veracidade do registro profissional, nos sites dos conselhos ou por telefone.
6) Crianças pequenas demais, que ainda não falam, não costumam obter benefício do contato direto com psicólogos. Em casos como esse, em geral, os pais é que são aconselhados e acompanhados pelo profissional.
7) Todo bom tratamento tem como objetivo reeducar familiares e pacientes para que se apropriem de sua condição, se informem, e possam viver da forma mais funcional possível. Fuja dos profissionais que agem como "xamãs", que possuem neles mesmos todo o conhecimento e não dividem nada com a família e com o paciente acerca do processo de sua reabilitação.

Essas dicas foram dadas com base em minha formação e atuação em psicologia e saúde pública. Se você tiver alguma experiência interessante ou outras dicas, compartilhe conosco!



3 comentários:

Mari Hart disse...

Carol, duas amigas tiveram os filhos tratados com essa falsa psicóloga. Uma delas por 2 anos. Meu filho que tem paralisia cerebral já passou por diversos especialistas e te digo com todas as letras que mesmo os formados, pós graduados tem que ser investigados. Muitos lamentavelmente se aproveitam da vulnerabilidade da mãe vista em uma situação nova de um filho com problemas e se agarra a qualquer "promessa" de cura.

Depois de passar por muitos especialistas como fono, terapeuta ocupacional, fisio, psicologo, psicomotricista, fisiatra, neuros e etc, cheguei a conclusão de que só existe um único lugar em que confio que é a Rede de reabilitação Sarah Kubitchek, referência nacional em neurociência que tem em vários estados, é do governo. No mais, para mim, nada prestou. Cansei de ver tratamentos revolucionários qdo na verdade compram sonhos e esperancas de mães aflitas.

Muito pertinente seu post! Ótima abordagem!
Bjkas!

Carolina Pombo disse...

Mari, obrigada pela contribuição! É muito importante sabermos as opiniões de pessoas que utilizam esses serviços. Realmente é revoltante alguns profissionais se aproveitarem da fragilidade dos pais em momentos assim. Mas, há bons profissionais, éticos e qualificados. Beijos

Gente, o link para o endereço da clínica foi retirado porque há um conflito de informações nas últimas notícias jornalísticas acerca do caso.

Melissa Marsden disse...

Acho importantíssimo essa discussão e as informações apresentadas. Como psicóloga, já tive diversos amigos me consultando sobre práticas exercidas por seus terapeutas das quais eles intuitivamente tinham dúvidas.
Uma que eu fiquei muito chocada foi contada por uma amiga que tinha uma questão importante com uma cicatriz grande fruto de uma operação de emergência. O terapeuta baixou as calças dele para mostrar a ela sua cicatriz na tentativa de lhe convencer de que não era nada demais. Um verdadeiro absurdo e sem nenhuma explicação científica.