Conheça melhor este blog de mãe, assistindo ao novo vídeo de boas vindas aqui!

sábado, 30 de julho de 2011

Sobre câncer infantil e nossos hábitos de consumo

Poucas pessoas sabem que já trabalhei numa grande pesquisa acerca de leucemias infantis, do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Sob supervisão da pesquisadora Dra. Maria do Socorro Pombo de Oliveira, a pesquisa é na verdade uma grande e permanente busca pelos fatores genéticos e ambientais causadores das leucemias na infância. Eu contribui apenas com um pedacinho dela, ajudando a desenvolver o questionário exploratório, e coordenando sua aplicação durante um período, em diferentes cidades no Brasil. Fui pessoalmente ao nordeste para aplicá-lo e fui muito impactada com o contato direto com as famílias das crianças internadas ou em tratamento. Foi um período de muita reflexão e crescimento pessoal. Guardo até hoje uma linda recordação de uma mãe e filho que comemoravam a alta dele e tiravam fotos com todos da equipe do hospital em Salvador, inclusive eu (que estava lá para fazer as entrevistas!). Uma alegria contagiante!

Na época, tive a oportunidade também de fazer um curso sobre o câncer relacionado ao trabalho e ao meio ambiente. Ótima experiência! Não continuei a trabalhar com essa temática porque, confesso, me sentia despreparada emocionalmente para lidar com o dia dia de diagnósticos, óbitos, e tal. Mas, ainda me interesso muito pelo tema, e admiro quem se dedica a vida inteira para desvendar um pouquinho mais dos mistérios dessa doença complexa.


Tenho orgulho ao dizer que a referida pesquisadora, com a qual trabalhei, é minha tia! Uma médica hematologista, super mãe (de três marmanjos já), com pós-doutorado, arduamente dedicada às suas pesquisas no INCA. Ela mesma deu a entrevista para o Estadão alertando para o uso de tinturas durante a gravidez - inclusive no primeiro trimestre, quando a maioria das mulheres ainda não sabe da gestação

Sua pesquisa, em parceria com a Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz (ENSP) encontrou pelo menos 32 substâncias nas tinturas que são potencialmente prejudiciais à saúde do bebê, e está dedicando-se a revelar os mecanismos biológicos relacionados, que causariam o câncer em menores de dois anos de idade. Então, vale muito a pena ler a reportagem e refletir sobre as influências de nossos hábitos de consumo na saúde de nossos filhos.

Muitos produtos que usamos, corriqueiramente, expõem nossas crianças a riscos pouco ou não conhecidos. Normalmente, o que uma pesquisa exploratória faz é justamente buscar a posteriori os efeitos que tais produtos têm sobre o desenvolvimento de alguma doença. Muitas vezes, os rótulos nos alertam sobre esses riscos, mas não os enfatizam. Então, acabam passando desapercebidos. Mas, sabe-se que a incidência do câncer é maior em países desenvolvidos, o que aponta para a interrelação dos padrões contemporâneos de consumo com a doença. Claro que nesses países o acesso ao diagnóstico é melhor, o que também pode influenciar nesses dados, mas não podemos descartar as hipóteses que relacionam a exposição a produtos altamente industrializados, inclusive alimentícios, com o aumento da incidência de câncer infantil nesses mesmos países. Então, o ideal é sempre lermos os rótulos, e evitarmos ao máximo possível o contato com químicos ainda pouco estudados ou até mesmo já condenados pela ciência.

1 comentários:

elisane disse...

Carolina, esse tema câncer infatil é algo aterrorizante!mães que perdem o sabor da vida devido a perca de seus filhos tão amados e indefesos..confesso que passei a enteder e ler mais sobre o assunto qdo iniciei a leitura atrave´s de um blog maravilhoso, rico em detalhes vividos por uma mãe guerreira e dedicada a sua filha contra um câncer raríssimo .. o nome do blog é vidaNormal(Carol coelho)..Nossa que luta!

Parabéns por seu blog..bjuss