Poucas pessoas sabem que já trabalhei numa grande pesquisa acerca de leucemias infantis, do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Sob supervisão da pesquisadora Dra. Maria do Socorro Pombo de Oliveira, a pesquisa é na verdade uma grande e permanente busca pelos fatores genéticos e ambientais causadores das leucemias na infância. Eu contribui apenas com um pedacinho dela, ajudando a desenvolver o questionário exploratório, e coordenando sua aplicação durante um período, em diferentes cidades no Brasil. Fui pessoalmente ao nordeste para aplicá-lo e fui muito impactada com o contato direto com as famílias das crianças internadas ou em tratamento. Foi um período de muita reflexão e crescimento pessoal. Guardo até hoje uma linda recordação de uma mãe e filho que comemoravam a alta dele e tiravam fotos com todos da equipe do hospital em Salvador, inclusive eu (que estava lá para fazer as entrevistas!). Uma alegria contagiante!
Na época, tive a oportunidade também de fazer um curso sobre o câncer relacionado ao trabalho e ao meio ambiente. Ótima experiência! Não continuei a trabalhar com essa temática porque, confesso, me sentia despreparada emocionalmente para lidar com o dia dia de diagnósticos, óbitos, e tal. Mas, ainda me interesso muito pelo tema, e admiro quem se dedica a vida inteira para desvendar um pouquinho mais dos mistérios dessa doença complexa.
Tenho orgulho ao dizer que a referida pesquisadora, com a qual trabalhei, é minha tia! Uma médica hematologista, super mãe (de três marmanjos já), com pós-doutorado, arduamente dedicada às suas pesquisas no INCA. Ela mesma deu a entrevista para o Estadão alertando para o uso de tinturas durante a gravidez - inclusive no primeiro trimestre, quando a maioria das mulheres ainda não sabe da gestação.
Sua pesquisa, em parceria com a Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz (ENSP) encontrou pelo menos 32 substâncias nas tinturas que são potencialmente prejudiciais à saúde do bebê, e está dedicando-se a revelar os mecanismos biológicos relacionados, que causariam o câncer em menores de dois anos de idade. Então, vale muito a pena ler a reportagem e refletir sobre as influências de nossos hábitos de consumo na saúde de nossos filhos.
Muitos produtos que usamos, corriqueiramente, expõem nossas crianças a riscos pouco ou não conhecidos. Normalmente, o que uma pesquisa exploratória faz é justamente buscar a posteriori os efeitos que tais produtos têm sobre o desenvolvimento de alguma doença. Muitas vezes, os rótulos nos alertam sobre esses riscos, mas não os enfatizam. Então, acabam passando desapercebidos. Mas, sabe-se que a incidência do câncer é maior em países desenvolvidos, o que aponta para a interrelação dos padrões contemporâneos de consumo com a doença. Claro que nesses países o acesso ao diagnóstico é melhor, o que também pode influenciar nesses dados, mas não podemos descartar as hipóteses que relacionam a exposição a produtos altamente industrializados, inclusive alimentícios, com o aumento da incidência de câncer infantil nesses mesmos países. Então, o ideal é sempre lermos os rótulos, e evitarmos ao máximo possível o contato com químicos ainda pouco estudados ou até mesmo já condenados pela ciência.
1 comentários:
Carolina, esse tema câncer infatil é algo aterrorizante!mães que perdem o sabor da vida devido a perca de seus filhos tão amados e indefesos..confesso que passei a enteder e ler mais sobre o assunto qdo iniciei a leitura atrave´s de um blog maravilhoso, rico em detalhes vividos por uma mãe guerreira e dedicada a sua filha contra um câncer raríssimo .. o nome do blog é vidaNormal(Carol coelho)..Nossa que luta!
Parabéns por seu blog..bjuss
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