Você já viu o novo tema do Mamatraca quer saber? É sobre a opinião de pais e mães sobre a escola de seus filhos. Aqui no blog eu já discuti bastante esse assunto e não me canso de falar sobre ele, porque, na minha opinião, ainda temos muito o que melhorar, em termos de qualidade das instituições e diálogo com as escolas. E uma das coisas que mais tem me intrigado é sobre o acesso das crianças à cultura no ambiente escolar.
Apesar de ainda existirem poucas opções de eventos, filmes e peças infantis legais e acessíveis, aqui em casa a gente se esforça pra que a Laura tenha o máximo de contato com a produção cultural de qualidade do momento. Quer dizer, ficamos atentos para os bons livros que são lançados, os filmes e animações, as peças, e tentamos distinguir entre "produtos" apelativos, que só querem se vender, e as "obras de arte" - que eu defino como trabalhos com conteúdo crítico e construtivo, mesmo quando são cômicos e infantis. Porque, ser infantil não é sinônimo de ser bobo, certo?
Eu já observei que, na escola, Laura também tem tido oportunidade de entrar em contato com esse universo cultural mais inteligente. Até o momento, gostei de quase todos os livros que foram usados nos projetos literários, e sei que a escola introduz os grande pintores e artistas plásticos nas atividades, apresentando suas histórias de vida e seus trabalhos, incentivando a criação das crianças também. Os murais estão sempre cheios de trabalhinhos de arte e as aulas costumam ser bastante musicadas. Enfim, acho que minha filha tem o privilégio de estar num ambiente escolar estimulante.
Mas, eu tenho uma crítica (construtiva!). Acho que, mesmo na primeira fase da educação infantil é possível introduzir temas tipicamente pedagógicos sem apelar para os contos de fadas. E sei que isso é muito comum, muito mesmo. Até a escola da Laura investiu bastante tempo e várias atividades nesse semestre, trabalhando contos tradicionais que tinham princesas e bruxas como personagens. Mas, eu me pergunto porquê não podemos utilizar outros recursos para trabalhar os temas bem/mau, amar/odiar, sorrir/chorar, e suas derivações. Alguns argumentam que os contos de fada mais tradicionais são a expressão mais "pura" das emoções humanas e que por isso ajudam a formar o caráter da pessoa até na idade adulta. Mas, por outro lado, muito estudos tem mostrado que esses contos também são recheados de lições controversas: a passividade e submissão quase natural das meninas complementando o heroísmo dos meninos, a caracterização do mau com cores escuras e com a velhice, o "perigo" da liberdade, o "perigo" dos ambientes naturais como as florestas, etc. Além disso, a oferta de produtos de consumo em torno desses contos é exagerada: é mochila das princesas, estojo da branca de neve, relógio do príncipe encantado (aliás, já parou pra perceber como os príncipes não tem nome nesses contos? Não parece estranho que a única figura masculina forte dessas histórias seja tão sem personalidade que pode ser qualquer homem bonito montado num cavalo?)...
Particularmente, eu acho que seria mais construtivo se as escolas aproveitassem mais a oferta do que está rolando no circuito cultural da cidade ao invés de manterem anualmente os mesmos contos e as mesmas atividades. Acho que, a cada semestre, a escola pode pesquisar a programação cultural dos meses seguintes, e fazer um diálogo bacana com ela durante as atividades diárias. Assim, os temas pedagógicos do currículo escolar poderiam ser mais contextualizados com a realidade das crianças, fazendo uma espécie de intercâmbio com temas novos e inusitados (afinal, não é isso que propõe fundamentalmente a pedagogia da libertação de Paulo Freire?). Não acho que os tradicionais contos infantis sejam indispensáveis da educação das crianças. Temas universais são universais e ponto - eles aparecerão de qualquer forma no dia dia da escola. Acho que ofertar demais essas histórias de bruxas e princesas é até mesmo arriscar-se a deixar a criança monotemática, porque, se ela vai ao shopping, lá estão as princesas distribuindo folhetos das peças em cartaz, se ela vai na loja de brinquedos, lá está a enorme seção rosa de bonecas e acessórios para princesas, se liga a tv, mamãe põe o bendito desenho da Bela Adormecida para acompanhar o "tema" do projeto literário da escola... enfim, acho que isso não é nem um pouco estimulante! Nem para as crianças nem para os professores, nem para os pais!
E para contrapor um pouco essa enxurrada de belas adormecidas, príncipes e bruxas que está acontecendo aqui em casa, aí está a lista de eventos, filmes e livros que temos oferecido para nossa filha:
- Menininha: peça encantadora (não encantada!), onde Laura estreou como público teatral quando tinha um ano e meio. Toda a história é contada com as músicas de Toquinho e Vinícius de Moraes, além de Chico Buarque e Adriana Calcanhoto, com uma bailarina palhacinha. Vimos no Centro Cultural do Banco do Brasil e agora está em cartaz em Brasilia. Leia aqui neste link.
- Palavra Cantada: grupo musical maravilhoso, que produz músicas de qualidade, com riqueza instrumental e letras inteligentes. Eles também cantam algumas canções populares, fazendo interpretações originais. Desde que começou a ver dvds, Laura assiste os clipes desse grupo, e agora sabemos que eles estão no cinema, em 3D! Leia mais aqui neste link da Revista Crescer.
- Atividades no Instituto Moreira Salles: Todos os sábados, a partir das 17hs, o Instituto oferece atividades diversas para as crianças. Além de participarem de ateliês infantis, contações de histórias, oficinas de trabalhos manuais etc, elas desfrutam de um ambiente aberto muito agradável e salas de exposição que têm sempre algo interessante. O Moreira Salles está presente no Rio e em São Paulo além de promover eventos em outras cidades brasileiras. Veja aqui neste link a programação infantil que está rolando no Rio, sempre gratuitamente.
- Um gato em Paris (Une vie de chat): Assistimos esse no cinema, semana passada. Laura ficou compenetrada do início ao fim! É a história de um gato preto que vive entre a casa de uma menina, que não fala e acabara de perder o pai, e a casa de um ladrão da noite. Cheia de mistérios, a animação aborda temas infantis e adultos: a perda, a amizade, a relação mãe e filha, o medo, etc. Agora o filme faz parte do Festival de Animação à Francesa, que é imperdível! Dá uma olhada na programação, que acontece no Rio e em Porto Alegre, de 04 a 27 de Novembro.
- Teatro de bonecos Papa Vento: vimos a primeira vez na festa de uma amiguinha da Laura na casa de festas Jardim Secreto, que tem toda uma proposta alternativa e super interessante. Mas, depois ficamos sabendo que o grupo se apresenta todo primeiro sábado do mês no Jardim Botânico do Rio. Eles interpretam histórias conhecidas, mas sempre inserindo um toque mais brasileiro. Melhor ainda são as peças exclusivas, que fogem um pouco dessa "moral" tipicamente cristã, meio medieval, que está em praticamente todos os contos de fada. Na última apresentação que vimos, a "mocinha" tinha que enfrentar um monstro para seguir a carreira que escolheu, e fez isso com astúcia e inteligência, com a ajuda de um vovô jardineiro. Muito legal! Aqui neste link você fica sabendo mais sobre o grupo.
- Os dez patinhos: livro infantil, escrito por Graça Lima, uma artista visual, que, neste livro, também mostrou que é poeta. A típica história de subtração, contada em músicas tradicionais (lembra da música mineira das dez irmãs numa casa, e dá um tangolomango em cada uma?), mas que aqui vira cômica. Além da bela ilustração, das rimas, e dos patinhos (que as crianças amam!), o livro traz um jogo de tabuleiro, para incentivar a aprendizagem dos números. Ele foi lançado ano passado e é uma das nossas mais novas aquisições! Dá uma olhada na nossa loja virtual, pra conhece melhor, neste link.
Bom, eu poderia dar muitas outras dicas! Mas, aí o post vai ficar gigante. E, espero que vocês também me deem suas dicas e suas opiniões sobre a escola aqui, e lá no Mamatraca.
**Outra dica: a What Mommy Needs está dando 25 reais de desconto para as 9 primeiras participantes a enviarem videos sobre o tema para o Mamatraca!
6 comentários:
Ah pode dar mais dicas sim :) principalmente aqui em SP rs! Com a filha com 1 aninho ainda nao enfreto esses dilemas, mas acredito que ficarei com varias criticas independente da escola, porque perfeita nunca vi nenhuma e nem deve existir! mas a luta continua né? e acho otimo sua posição de já que nao tem lá nos mostramos aqui, de outro jeito! rs
Ah lendo o post lembrei do filme shrek que vai um pouco na contra-mao né?
bjs
Carol, qto tempo! Escrevi hoje sobre os dez patinhos, vou atualizar amanhã com seu link. E mandei meu video hoje, agora é cruzar os dedos.
Vc já conhece o projeto Rainhas do Livro no Facebook? Vou mandar o link pra vc.
bjs
Oi Luana! O Shrek é uma ótima lembrança! Laura adora! É bem interessante como ele põe em questão todos os estereótipos dos contos tradicionais. Beijos e obrigada!
Oi Vanessa! Que saudade mesmo! Eu fiquei sabendo do grupo no Facebook sim, mas até agora não consegui entrar pra conhecer! Farei isso em breve. Beijão
nossa Carol, super concordo com seu texto. eu particularmente venho abominando esse tema de princesas faz tempo. não é que não seja bacana é que ficou banal. e com essa super exploração, com as empresas sabendo que TODA escola reza os contos de fada, óbvio que tem um nicho infinito e isso me irrita profundamente. além da mensagem embutida dizendo o tempo todo pras garotinhas que basta ser bonita pre se conseguir tudo que se deseja e o principe virá...
eu adoro as obras do Miyazaki,acho que a obra mais conhecida é A Viagem de Chihiro.
bem, ele tem três filhas e por isso quase todos seus desenhos são meninas que enfrentam seus dilemas, conflitos... super vale a pena ver tudo que ele faz.
beijos
Em SP estah em cartaz um espetáculo muito legal que eh do grupo Tiqueque, no Teatro Alfa. Eles fazem uma mistura de show musical e teatro. Vale a pena!
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