O pai e a mãe discutem na frente da criança sobre o fato de, na escola, a professora estar usando as diferenciações sexuais para ensinar as bases da matemática (classificação, conjunto, diferenciação), e estar usando contos de fada para o projeto literário. Os dois discutem se é por causa disso que a filha tem trazido diariamente princesas, bruxas e príncipes como tema de conversa, além de estar falando, constantemente, das diferenças entre menino e menina.
De repente, a filha interrompe a conversa e diz:
- Peraí! Você não pode falar! Agora eu vou falar!
Os pais se calam e esperam.
- Devedê é de menina e de menino! Menina e menino usa óculos, usa devedê, usa livro, menina e menino! Usa foto, usa música!
Os pais sorriem, empolgados com a esperteza da menina.
A mãe: - E bola? Quem usa bola? (querendo testar até onde vai o sexismo ensinado, involuntariamente, na escola).
A filha: - Menino... e menina...
Os pais se olham aliviados.
A mãe: - E boneca, quem usa boneca?
A filha: - A Laura! (afirma, admirada com a obviedade da resposta).
O pai: - E carrinho?
A filha: - Carrinho é de menino! (Grita e gesticula com o dedinho, querendo dar um ponto final na conversa).
Os pais se olham assombrados (afinal, a filha brinca de carrinho em casa e nunca teve qualquer restrição de brinquedos por causa de sexo). A mãe corre para o computador para escrever um post-desabafo no blog, enquanto o pai vai preparar o jantar.
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Outras tiradas do feriadão:
Pai: - Olha, Laura, uma bacia cheia de água pra você brincar! (trazendo a bacia, minimamente cheia e colocando-a sobre a toalha no chão).
Filha de dois anos e meio: - Obaaa! (colocando as massinhas na água e mexendo com uma colher).
Mãe: - Que legal filha! É o caldeirão da bruxa? (com os olhos assustadoramente arregalados).
Filha de dois anos e meio: - Não mãe! É uma bacia!
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Filha de dois anos e meio: - Mamãe, to fazendo uma festa! Você vai na minha festa?
Mãe: - Claro filha! É festa de quem?
Filha: - É da banca-de-neve-casada-com-píncipe-e-com-sete-anões!
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Filha: - Menina usa calcinha, menino usa cueca! (durante a volta da escola).
Mãe: - É verdade filha.
Filha: - Menina usa calcinha de bolinha rosa. E menino? Também tem cueca rosa?
Mãe: - Tem filha. Menino também pode usar rosa!
Filha: - Menina usa binco. (apontando para os brincos nas orelhas da boneca que carrega)
Mãe: - Menino também! Menino também pode usar brinco. O tio Igor usa, lembra?
A menina fica atônita, admirada com a descoberta.
9 comentários:
Pior, Carol, é quando o assunto não é unanimidade nem dentro de casa...
É Dani, aqui a gente estava discutindo sobre como essas coisas são mais comuns do que gostaríamos. Não consigo imaginar a professora da minha filha dizendo essas coisas, gosto muito dela e acredito que é bem preparada. Mas meu marido diz que não dá pra gente esperar que todo mundo tenha essa forma crítica de pensar, que isso é muito comum e tal... Só que eu não me conformo!
muda de escola. não vi nada demais
Realmente é difícil "fugir" desses comentários. Na rua, na escola. Temos que ficar de olho!
E essas pérolas? rindo muito! A da bacia foi ótemaa! rsrsrs
Beijão
Paula Silva, devo presumir que você nem riu nem chorou, né? Pra você, se tivermos qualquer crítica à escola, temos que tirar o filho dela? Não rola um diálogo? Não dá pra promovermos pequenas mudanças na escola? Talvez isso incomode pessoas acomodadas com o status quo, mas não é o meu caso...
Ivna, a gente tem que rir e também levar a sério, esses comentários. É assim que as crianças vão incorporando a desigualdade entre gêneros. E, a da bacia foi demais mesmo!
"é uma bacia!" é ótimo...
minha maior decepção foi quando alice não quis mais fazer capoeira <--- coisa de menino, segundo ela. e nem adiantou mostrar as meninas maiores fazendo. foi um golpe pra mim!
beijoca
Carolina.
Tenho a seguinte opinião.
1- contos de fadas são arquétipos da sociedade ocidental. Ainda que vc, não goste, a escola é uma coletividade que vê nesses contos a base de uma iniciação à cultura ocidental;
2- a escola não é da SUA filha. ela é um corpo social, vivo, dinâmico que incorpora outros olhares de mundo. Sua posturta é expressão de individualismo que crê ser a única portadora de uma visão de mundo correta;
3- a escola - qq. que seja - estrutura um programa, um projeto, construído por seus integrantes - professores, pedagogos, psicológos - que expressa uma determinada etapa da apreensão do conhecimento. É uim processo técnico. Um leigo, não percebe essa construção.
4- finalmente, as identidades femininas e masculinas se constroem nesse momento. existem diferenças que devem ser apontadas. devemos lutar é contra uma cultura que define papéis de poder. como, aparentemente pelo teu texto, se caracteriza tua relação com teu marido. Meu marido é eu, criamos nossa filha valoriando uma vida igualitária. não pactuando com a violência. buscando o diálogo e não o confronto pelo poder. sou mulher, me orgulho de ser e sou diferente de meu marido.
agora, sóvejo vc. criticar a professora dessa escola e o método dela. Se não atende, se vc. não consegue refletir sobre a proposta que ela apresenta, mude, será melhor para vc. para tua filha, qum sabe?
Paula, pelo jeito, você não conhece muito meu blog. Espero que você leia com mais calma meus textos e perceba que suas afirmações a meu respeito, inclusive a respeito de meu marido (???) são infundadas.
Só quero deixar claro que não estou criticando diretamente a professora da minha filha, nem mesmo a escola (com a qual até o momento estou satisfeita, apesar de discordar com uma coisa ou outra). Este é apenas um texto para levantar reflexão sobre o sexismo que se presentifica em nosso dia dia, sem que, muitas vezes, a gente se dê conta. E eu acho que a escola tem o dever de lutar contra a reprodução desse sexismo, tendo ou não projetos com contos de fadas.
A escola é uma construção social sim, e por isso mesmo deve estar aberta à participação dos pais - de todos os pais, inclusive os que discordam de alguns procedimentos. E é por isso que eu já marquei uma reunião com a escola e voltarei depois aqui pra contar melhor no que deu essa história.
Pra mim e para meu marido, escola boa é, acima de tudo, aberta ao diálogo.
Paula, se quiser dialogar com agente, seja bem vinda. Mas, evite tirar conclusões precipitadas a meu respeito.
Carol, o problema é que se a questão fosse individual nossas filhas têm sorte, afinal que bom que ela tem um tio com brinco, tatuagem pra ver que isso é normal, amigos de todo tipo, etc... duro é que pra muitos alunos não existem esses exemplos por perto e fica difícil ir contra as "verdades" que a escola fica reafirmando... vc tem muita paciência! bjs Surya
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