Há uma semana atrás estava arrumando minha estante da sala e me deparei com um dvd da maternidade que nem lembrava que existia. O título na capa era: "primeiros momentos de Laura". Muito estranho... como eu fui esquecer um dvd assim? Então, assisti novamente e entendi meu "esquecimento". Uma cena horrível de minha bebezinha, recém nascida, nua, sozinha, chorando, chorando e chorando. Nada animador pra uma mãe de primeira viagem. Não só por causa do choro, mas porque me pareceu muito bizarro que a maternidade desse de presente para os pais um dvd desses, com o título "primeiros momentos". A primeira coisa que me veio à cabeça foi: "quando afinal fizeram essa filmagem?!" "Eu tava lá o tempo todo, poxa!".
Mas, pensando bem, acho que "contemplar" um bebezinho chorando é muito mais comum e aceitável do que supõe a minha ingênua filosofia. É fato, eles choram por tudo. Precisam chorar para se comunicar. E muitas vezes, nós nem conseguimos entender a mensagem. Podemos acabar nos acostumando às cenas de sofrimento, e até mesmo achar que elas são tão normais que não precisam ser compreendidas. É assim que corremos o risco de não identificar o estado depressivo em bebês.
Eu não quero que este post tenha um tom sensacionalista. Mas, depois de ler alguns artigos sobre o assunto, fiquei tão impactada, que resolvi chamar atenção de tod@s os leitores do blog para ele. Porque, realmente, sem querer, podemos ignorar os primeiros sintomas de uma depressão que pode se estender por toda a vida da criança e até disparar problemas mais grave na vida adulta. Um artigo científico em especial me fez entender melhor o assunto. Este aqui: "Depressão no bebé", de pesquisadores portugueses. Nele, alguns sinais da depressão servem para o diagnóstico precoce: irritabilidade, transtornos do sono, apatia, motilidade reduzida, movimentos físicos anormais, agressividade. Os pais normalmente levam o problema para um pediatra ou psicóloga quando este último sinal fica evidente. É mais fácil identificar comportamentos agressivos do que tristeza em bebês. E infelizmente, em nossa cultura, contemplar o choro infantil é comum.
Se um bebê de menos de um ano de idade não sorri com frequência, parece apático e alheio ao ambiente, não se alimenta bem, pode ser um sinal do estado deprimido. Temos que ficar atentos para não "naturalizar" esses comportamentos e perder a oportunidade preciosa de reverter o quadro. Porque com um atendimento adequado com terapeutas e pediatras, os familiares e cuidadores pode mudar completamente o estado do bebê. Nos primeiros 3 anos, a personalidade dele é praticamente toda formada e vai influenciar na forma que o indivíduo responderá à vida até mesmo quando adulto. Além dos sinais mencionados, também vale ficar atentos à timidez excessiva, à comportamentos anti sociais, à regressão ou interrupção do desenvolvimento psicomotor, como a aquisição da fala e o desfralde.
Entre as causas do estado depressivo em bebês estão aquelas relacionadas à privação do contato com a mãe ou com um cuidador de quem eles são muito próximos. Situações como depressão pós-parto, drogadicção, separação dos pais, processo de adaptação à creche, afastamento de uma babá ou uma vovó muito presentes, enfim. Muitas coisas podem fugir ao nosso controle, e não devemos nos culpar se nossos filhos acabam passando por alguma delas. Mas, precisamos ficar atentos aos sinais que eles nos dão! Quer um exemplo clássico de falta de atenção aos sinais do bebê? A tal adaptação na creche, mal feita, ou feita forçosamente, mesmo com muito choro e sofrimento. Muitas vezes, profissionais mal preparadas pressionam às mães para que deixem seu filho de menos de menos de 1 ano no colo de uma desconhecida, chorando, sem demonstrar comoção, para que ele "se acostume logo". Um horror! Eu mesma já testemunhei uma cena dessas numa das creches que visitei: a mãe visivelmente tensa se encostava na parede, olhando para o nada, com medo de encarar o bebê de 4 meses que chorava desesperadamente no colo de uma cuidadora. No dia até puxei uma conversa com ela, tentando alertá-la de que aquilo não era necessário, mas não tive coragem de me meter. Aliás, as profissionais da instituição insistiam tanto nessa maneira esdrúxula de "adaptar" a criança, que eu me senti um "et" discordando.
Mas, é muito importante a gente dar atenção aos nossos incômodos. É muito importante darmos ouvidos aos nossos sentimentos, e assim, buscarmos entender melhor o que se passa com nossos pequenos. Não precisamos concordar com o prazo fixo de um semana para a adaptação na creche ou escola, não devemos tolerar o choro de um bebê que sofre com a ausência da mãe como se fosse algo banal. Claro que chorar é normal, e ele aprenderá gradualmente a lidar com as frustrações da vida. Mas, É GRADUALMENTE, e não em uma semana, um mês, ou um ano. Temos que respeitar o tempo deles.
Mas, o que fazer para evitar uma depressão no bebê? Na prática, se você não tiver depressão ou drogadicção, se não houver nenhuma situação atípica de separação, você pode preveni-la. Não deixe que seu filho recém nascido fique muito tempo longe de você após o nascimento, na maternidade; ofereça o seio assim que ele nascer, e continue estimulando-o a mamar no seio, naturalmente; não deixe o bebê de menos de um ano chorando se você pode satisfazê-lo; se você não reconhecer o motivo do choro, fique com ele nos braços, para que se sinta aconchegado; se o motivo for passível de disciplina, nunca apele para castigos físicos, evite gritar, e deixe bem claro o motivo da repreensão, com diálogo; mantenha a rotina de sono e alimentação sem grandes alterações; não deixe-o por muito tempo seguido com uma pessoa estranha; faça adaptações graduais, observando as reações dele. Os bebês são muito mais inteligentes do que imaginamos! E eles captam facilmente os estímulos ambientais.
3 comentários:
Carol, que legal esse post! Ainda existe sim, essa história de "bebê tem que chorar pra aprender". Muitas vezes eu quase cai nessas armadilhas, mas tô ficando sempre alerta. Chorar é normal, claro! e não podemos exigir que eles se comportem como adultos né?!
Vou ver o artigo!
Beijos
Carol, esse tema é importantíssimo!! E de fato, a "cultura" nos impõe que deixemos o bebê chorar porque é a única forma dele se comunicar. Mas não é bem assim. É preciso ir além: por que ele está chorando tanto? o que o incomoda? o que ando fazendo que possa estar provocando isso nele? É preciso voltar os olhos para nós mesmos e para o que está ao nosso redor.
Acredito que cada comportamento do bebê é muito importante e deve ser objeto constante de avaliação, porque como ele não pode falar, ele dá MILHARES de sinais, através do corpo, dos gestos e das próprias emoções! isso é natural, mas não tão óbvio para muitas mães!
obrigada por compartilhar um tema tão relevante!
Post sensacional!!
Beijos
Postar um comentário