Conheça melhor este blog de mãe, assistindo ao novo vídeo de boas vindas aqui!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Como nasce um pai

Por: Marcelo Lino para a blogagem coletiva Nós, os pais.

Quando a Carol me convidou para escrever esse post, imaginei escrever alguma coisa sobre paternidade e como ela se apresenta em mim. Porém fiquei com medo de escrever coisas melosas demais, de como é bom ser pai e etc. A maioria dos que estão lendo esse post agora deve ser mãe ou pai, então já sabem exatamente das alegrias, tristezas e cansaços que essa condição nos traz.

Pensando nisso resolvi então escrever rapidamente sobre como lidei com os medos e ansiedades pré-natais.

Lembro-me um dia, numa conversa com um amigo que revelava a vontade de ter filho, falei para ele: “que filho o que? Antes de ter um filho, você tem que deixar de ser filho”. Esse era eu antes da Laura, um filho que ainda morava com a mãe e nunca tinha passado pela cabeça ser pai de uma criança.

De repente esse criança de 28 anos (lembrando do Clube da Luta quando o personagem do Edward Norton narra a conversa com o pai, perguntando o que fazer da vida, e o pai fala para ele conhecer uma mulher e se casar, e ele responde: como se casar? Sou apenas uma criança de 28 anos) iria ser pai e teria que trocar fraldas de cocô?! É impressionante a total falta de nojo que sinto de uma fralda suja hoje em dia, eu achava que isso seria uma tarefa mais dificil do que comer jiló!

A questão da fralda pode parecer boba, mas é muito ilustrativa de como os meus medos da paternidade não se concretizaram. Por exemplo, a Carol fez questão de que eu estivesse com ela no parto. Já havia escutado muitas historias de homens que desmaiavam e davam mais trabalho do que ajuda nessas horas. Eu tinha muito medo disso acontecer, até porque nunca fui muito fã de cenas de operações, sangues e pessoas abertas no meio. Apesar de ter sido um parto natural, quem já viu sabe a quantidade de sangue que sai, sem contar na situação extremamente desconfortavel de ver sua mulher berrando de dor e não poder fazer nada. Pois então, não desmaiei, não fiquei assutado, e acima de tudo não fiquei traumatizado! Tudo ocorreu bem, e o mais importante: amei a minha filha desde o primeiro momento.

Tá bom, não consegui evitar a parte melosa, mas acho importante falar sobre essa transformação. Durante a gravidez da Carol, o meu maior medo era não amar a minha filha do jeito que eu esperava. Lembro-me de conversar com o meu analista, na época, de que tinha medo de olhar para ela e não sentir nada. Pois então, não quero dizer que a paternidade é o paraíso, que só há coisas boas. Tem muitos problemas sim, estresses e muitas vezes a unica coisa que voce quer é poder dormir com a certeza de que ninguém vai te acordar chorando. Mas apesar disso tudo, a certeza do amor que eu sinto pela Laura, não apenas o amor em si, pois às vezes amamos pessoas com conflitos e incertezas, mas a certeza de sentir esse amor é provavelmente o maior presente que a paternidade me deu.

A criança de 28 anos já vai fazer 30, com uma filha de quase 2 (alías ela faz aniversario no dia seguinte ao meu), e até agora acho que me transformei num bom pai e espero continuar a me transformar para ser um bom pai de uma criança de 5, 15, 25 e 28 anos e até onde Deus me permitir.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A polêmica de nosso tempo: deixar o bebê chorar é pecado?

Mais um tema que me arrepia e me faz temer de longe as reações das minhas companheiras e leitoras/es de plantão: deixar ou não o bebê chorar?

Primeiro preciso fazer uma pequena correção, porque é lógico que o bebê chora e, muitas vezes, isso independe das atitudes dos pais. Mas, a questão é saber se tentar atendê-lo prontamente pode deixá-lo dependente e fazer-lhe mal, ou se ignorar seu sinal de desconforto e demorar para acolhê-lo é que é o grande pecado. Eu já li bastante sobre esse assunto. E como faço, geralmente, passei a comparar as informações contraditórias que tenho recebido. Percebi que há uma significativa mudança cultural relacionada à maneira que as pessoas, inclusive os pediatras, encaram esse dilema.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O desfralde: relato de um processo tranquilo

Hoje faz cerca de dois meses que comprei o redutor sanitário. Mas, foi no dia 30 de dezembro que a decisão do desfralde se deu efetivamente. Dividi com vocês minhas dúvidas e meu dilema nesse dia, recebi vários comentários diferentes e alguns e-mails pessoais sobre o assunto. E agora estou aqui para deixá-las/los a par do processo que estamos vivendo. Confesso que às vezes me reprimo por parecer uma mãe neurótica que tem que colocar em debate até o aprendizado mais íntimo de sua filha! A princípio, nem falaria mais nesse assunto aqui. Mas, minha intenção é ajudar a quem fica de fato angustiada/o com esse processo, que tem passado momentos de muito estresse e até, sem querer, transferindo para a criança uma neurose desnecessária. Não encontrei nenhuma pesquisa científica sobre o tema, e acho que a maioria das informações que vemos por aí são achismos misturados a especialismos, que na prática, muitas vezes, não se aplicam! Mas, meu papel aqui será um tanto delicado: tentarei conciliar minha experiência de mãe com o conhecimento trazido pela psicologia para ajudar a quem interessar. Não sou expecialista no assunto! Sou achista, com algum embasamento teórico... Vamos lá...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

"A vida do bebê" e outros manuais

A vida do bebê é um enorme manual sobre o desenvolvimento até os vinte e quatro meses de vida, escrito por um pediatra bem conhecido, o Dr. Lamare. Ele existe há meio século (ou mais) e continua vendendo à bessa e acompanhando muitas mamães de primeira viagem. (Não este não é um post patrocinado!). Mas, ultimamente, em meio à debates sobre os "tem que" da maternidade, lembrei desse precioso livro que, mais do que um manual, é uma fonte primária para pesquisas sociais e históricas. Com ele é possível ter uma boa ideia do que é a "boa maternagem" no mundo ocidental, especialmente nos Estados Unidos (donde o autor tira vários exemplos) e no Brasil, de acordo com o crivo da pediatria tradicional da década de 1950 em diante. Sim, a última versão foi atualizada (e eu a tenho), mas ainda mantém a maior parte da informação original, o que significa dizer que, muito do conhecimento que foi produzido e passado adiante por seu autor continua útil no dia dia de várias famílias, apesar de ter sido originado há tanto tempo atrás.

Eu não vejo muita crítica por aí ao Dr. Lamare. A postura da maioria das mães ao receber o seu livro de presente é de um alívio tão grande, que mal dá pra se questionar sobre as regras, costumes e verdades que a obra dita. Porque, quando estamos naqueles primeiros dias de tanta surpresa e ansiedade, com o recém-nascido, é um bálsamo ter uma cartilha para consultar de vez enquando! Claro que odiamos imposições ("tem que ser assim assim para ser uma boa mãe"), mas também precisamos de orientação, de conselhos, de um norte, quando tudo parece novo demais. Eu mesma fiz uso frequente do A vida do bebê, mesmo sabendo que aquela informação foi escrita num contexto específico e não serve para todo mundo a toda hora.

Mas, o que eu gostaria mesmo de enfatizar, neste post, é que nenhum desses manuais tradicionais se mostrou plenamente certo, já que a indústria editorial continua produzindo (e cada vez mais) livros voltados para mães e pais. Cada autor vem de uma cultura, carrega valores próprios e estuda determinada teoria. Veja o exemplo da chinesa/americana Amy Chua, com o livro Hino de batalha de uma mãe chinesa. Ela defende uma disciplina rigorosa e alta exigência de desempenho na educação parental - o que vindo da mistura de uma cultura com pouca vivência democrática com outra imersa no capitalismo predatório não é de se admirar. Toda informação é socialmente construída, e socialmente aceita ou reprovada. Mas, o fato é que nós, mães e pais, estamos sempre em busca da melhor maneira de lidar com nossos filhos, e seremos sempre bons leitores e seguidores de teorias, educadores, especialistas, ou de manuais e das tradições familiares, porque precisamos de ajuda! Precisamos de apoio e de informação para criarmos crianças potencialmente felizes e capazes de promover um mundo sustentável. (Parêntese: o que é um mundo sustentável para você?)

Sendo assim, ora, por que vemos tanta mãe reclamando das mães xiitas? (Eu mesma já fiz isso e continuo fazendo quando acho que alguém foi discriminado ou ofendido por elas). Afinal, elas também estão aí defendendo formas alternativas de se educar, confrontando-nos com as verdades tradicionais que tem também suas desvantagens e mostrando-nos que há outras maneiras de se encarar a amamentação, o parto, a alimentação infantil, enfim... e promover a tal sustentabilidade da vida em nosso planeta. O que acontece é que, muitas vezes, ouvir um conselho que foge muito à regra, que confronta as ideias de nosso pediatra, que questiona as indicações de um manual cinquentenário - que usamos tanto nos primeiros meses - não é nada agradável! Não gostamos de sair de nossa zona de conforto para avaliar nossos hábitos, e é por isso que a preservação do meio ambiente vira às vezes slogan de grandes empresas ao invés de realidade no dia dia da gente. As mães que batalham rede afora pela maternidade ativa (defensoras do parto natural, da amamentação natural, da alimentação natural...) estão usando os espaços que podem para nos dar novas informações e alternativas, que - façam um teste! - podem funcionar muito bem e melhorar nossa qualidade de vida!

Mas, não pense você que terminarei esse post assim, caindo na contradição... Quando eu critiquei as xiitas lá atrás eu me referia às mulheres (e homens) que objetificam a vida das outras pessoas para exemplificarem seus pontos de vista, atropelando sentimentos e sensibilidades. Lembro bem que, numa lista de parto natural, me revoltei com a análise impiedosa que fizeram da cesariana de uma das mães presentes, buscando identificar os prováveis erros das profissionais envolvidas (inclusive uma doula) num trabalho de parto domiciliar que resultou numa cirurgia de emergência. Pois, ao invés de acolherem aquela mãe e lhe desejaram muito leite e paz para o momento que se seguia, algumas das mais antigas membras da lista, partiram para o "ataque"! Fiquei tão incomodada com aquilo que saí do grupo e vim debater aqui no blog, com os ouvidos e o coração bem abertos.

Se você é mamãe de primeria viagem, como eu, lembre bem que, por mais radical que seja, a maternidade ativa, exercida com consciência, é um conjunto de valores que pode ajudar muito no dia dia e no esforço de se criar filhos com caráter e amor pelo nosso planeta - o que significa também conviver com as diferenças e expressar suas opiniões com respeito. Não abandone os manuais, mas use-os com moderação!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A menstruação nossa de cada mês

Existe algo de sagrado em menstruar? Algo espiritual?

A resposta vai variar de acordo com a crença e a cultura do respondente. Para certos médicos (em especial o Dr. Elsimar Coutinho, inventor do implante que interrompe definitivamente os ciclos menstruais), ela tem algo de espiritualmente maléfico. Este mesmo doutor a colocou como "coisa do diabo", em fala no documentário Mulher em Fases.

Hoje, vi este filme pela segunda vez, e voltei a pensar no assunto e nas dicotomias que ele apresenta. Há quem diga que as mulheres modernas querem parar de menstruar e mal conseguem pensar sobre as consequências que os hormônios sintéticos podem ter sobre seus corpos, ante a ansiedade de verem-se livres! O artigo da Boa Forma, "Menstruação interrompida: prós e contras" parte desta premissa, por isso, anuncia a matéria com o subtítulo: antes de se livrar da menstruação, saiba quais são os prós e contras. Mas, há também quem veja na menstruação uma ligação especial com o poder de gerar a vida, uma espécie de relação única com a natureza. É com esta conclusão que a criadora do documentário supracitado termina sua busca árdua pelo sentido da menstruação.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Mãe, filha e 500km pela frente

Eu disse que voltaria para falar da viagem deste fim de semana, não é mesmo? A ideia inicial era contar como foi e fazer um balanço sobre viajar sozinha com minha filha. Eu queria passar dicas e dividir minha experiência para ajudá-las na hora de tomar uma decisão como essa: preciso viajar, meu marido não pode acompanhar, não dá pra levar babá ou avó a tira colo, deixo a bebê em casa ou carrego-a comigo?

Acontece que, apesar de ter vivido o dilema, não foi muito difícil chegar a uma solução. Eu não me sentiria tranquila ficando dois dias e meio longe de Laura, Marcelo nunca tinha ficado sozinho um fim de semama desde que ela nasceu, e nós não temos condições de pagar para ninguém nos acompanhar. Eu queria muito visitar essa querida amiga que está grávida, quase parindo, e ela também adoraria a ideia de ficar uns dias com a Laura. Então, depois de conseguir uma passagem promocional para Campinas, decidi ir e fazer o percurso: Rio-Campinas (de avião, uma hora de viagem); Campinas-Poços de Caldas (ônibus, três horas). Com as baldiações, deu pra Laura gastar energia correndo e brincando pelo aeroporto e fazendo amizades na rodoviária (duas menininhas fofas, chamadas Susie e Mily). Ela se comportou muito bem e fez o maior sucesso por onde passava!

Encontrar minha amiga e conversar horas sobre parto, recém-nascido, maternidade, casamento compensou todo o cansaço do caminho! E no dia seguinte, saímos como turistas pela cidade, que é muito charmosa e tranquila (as pracinhas são tão arborisadas e bem cuidadas que vivem cheias!). Meu sonho de consumo!

O que tenho de mais urgente para compartilhar com vocês, porém, não é tão legal... Ainda estou com o coração apertado e o sangue quente pelo que passei ontem na volta para o Rio, no avião da Gol e no aeroporto do Rio. Sabe aquela frase "gentileza gera gentileza", pois é, não funcionou comigo... Mas, deve ter sido porque, às vezes, não adianta ser gentil com quem já está carregado de estresse, odiando seu trabalho e cheio de preconceitos. Assim, exatamente assim, eram os dois comissários do vôo da Gol, que nos atenderam (ou melhor, NÃO atenderam). Fiz o meu check in com uma hora de antecedência, pessoalmente (porque com bebês no colo não se pode fazê-lo pela internet), e expliquei para a atendente que o carrinho seria despachado na entrada do avião e pego na saída do avião. Ok. Entrei no avião e percebi que ela tinha me dado a poltrona da janela, na primeira fileira (foi quando percebi que ela nem tinha me perguntado sobre preferência de assento). Já tinha um menino no meu lugar (ele estava desacompanhado e por isso, com um crachá no peito). Apesar de Laura adorar acompanhar a viagem pela janela, não esitei em ceder a ele meu lugar e fiquei no corredor. Encaixei a bolsa da Laura embaixo do banco com uma sacolinha com seus bonecos e o presente do papai, e relaxei. Ufa! Depois de tanta baldeação, estava a uma hora do Rio e dos braços de meu marido!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Viagens

Hoje estou viajando, pela primeira vez sozinha com a Laura - quer dizer, sem o papai para ajudar. Vou visitar uma amiga que está grávida de 35 semanas! Além disso, estou, estou como convidada no Blog Vinhos, viagens e uma vida em comum. Aceitei o desafio da Carol Passuello e escrevi um post-resposta sobre mães santas, perfeição, culpa, paciência... enfim, apareçam lá para comentar e dizer o que acham do assunto!

Desejam-me sorte! Prometo escrever um post especial sobre a experiência da viagem quando voltar (e também compartilhar com vocês como foi nossa palestra ontem na Escola Virtual para Pais.

Até breve!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Alternativas para criar filhos mais felizes

Hoje a Taís Vinha do Ombudsmãe nos presenteou com uma excelente reflexão! O texto "Criando filhos felizes" nos faz pensar sobre consumismo e sua relação com a nossa (in)felicidade. Numa sociedade altamente influenciada pela produção em massa, e pela intensa velocidade das comunicações, é difícil pararmos para pensar antes de comprar, e principalmente, antes de encher o quarto de nossas crianças de brinquedos, sapatos, roupas e tralhas inúteis. Mas, este é um exercício valioso, que nos leva a refletir sobre os valores que transmitimos às novas gerações (aquelas que serão jovens quando formos velha/os, dependentes e necessitada/os de ajuda).

Esta semana mesmo eu estava no Jardim Botânico com uma amiga e sua filhinha, conversando sobre o excesso de presentes que nossas meninas ganham. Ela insistia para que eu aceitasse ficar com uma cadeirinha recheada de legos, que sua filha já tinha em dobro e que já se acumulava a outras duas cadeirinhas e uma mesa infantil. Eu gostei da ideia dos legos, porque Laura ainda não os tem, mas cadeira para brincar ela já tem duas! Rimos juntas e trocamos dicas para nos livrarmos dos montes de brinquedos estacionados nos quartos. Até lembrei de uma iniciativa bem interessante que existe em São Paulo, o Clube do Brinquedo.