É verdade que as fraldas descartáveis vieram para ficar e favoreceram muito a conciliação da maternidade com a vida profissional das mulheres na época de minha mãe (lá pelos anos 1980). É verdade também que, naquela época, o mais importante era desenvolver produtos industriais acessíveis a todas as classes, que ajudariam a formar mão de obra para o mercado e a produzir demanda para as indústrias. Assim, o advento e a melhora das fraldas descartáveis veio a calhar e casou-se perfeitamente com as necessidades das famílias de diferentes meios sociais.
O que vemos hoje é uma mobilização geral para chamar a atenção de consumidores e produtores para as consequências ecológicas e sociais do boom da industrialização, em que questiona-se o consumismo, as desigualdades econômicas, a qualidade dos alimentos e dos utencílios que temos acesso, a poluição, o gasto de água e o mal uso das nosas fontes renováveis. Além disso, o padrão de adoecimento da população vem mudando, e as doenças crônicas ligadas ao meio ambiente e à qualidade de vida tem sido mais visadas. Hoje a gente sabe que substituir o leite materno pelo industrializado, sem indicação médica relevante, está associado à obesidade, à dificuldades de desenvolvimento motor, à infecções, dentre outras coisas. A gente sabe que a a cesariana marcada previamente, sem indicação médica relevante, também está muito associada à infecção, à problemas respiratórios nos bebês, além das questões psicológicas envolvidas. E, bem, a gente sabe, pelo uso, que as fraldas descartáveis causam muito mais alergias de pele do que as de pano.
Minha filha, por exemplo, teve alergias a todas as marcas de fraldas descartáveis, com exceção de uma: a mais cara do mercado. Nunca imaginei usar fraldas de pano, porque para mim, isso significava usar essas fraldinhas que se vendem para limpar a boca, com alfinetes, e ficar horas a fio no tanque. De repente, me deparei com mães blogueiras defendendo e divulgando o uso de fraldas de pano super práticas e bonitas, e me interessei pelo assunto. Fiquei chocada quando descobri que só a Laura já deve ter usado cerca de
5.000 fraldas em seus dois anos de vida e que cada uma chega a levar 450 anos para se decompor! E fiquei feliz ao descobrir a inciativa de várias empresas pelo mundo afora que produzem e vendem fraldas ecológicas de diferentes tipos.
Decidi experimentar uma fralda de pano, no início do desfralde de Laura, ano passado, e comprei uma da marca
Efral, que vendia aqui perto. Infelizmente, não me adaptei à marca, porque o elástico da cintura deixou a pele da Laura toda irritada! E continuei a busca. Como a Paloma,
do Peripécias, já falou, é difícil encontrar fraldas brasileiras de qualidade comparável às importadas. Mas, encontrei uma costureira aqui no Rio que fazia por encomenda e fui visitá-la com minha amiga Melissa (super criteriosa e conhecedora de costura em geral). E adoramos!
Ao mesmo tempo, eu e meu marido planejávamos um novo negócio: uma loja virtual com produtos inovadores para mãe e bebê, que incluísse alimentos saudáveis e práticos, brinquedos de madeira, livros e dvd's educativos e criativos, roupas de algodão orgânico para bebês (que são feitas aqui na Paraíba e importadas aos montes para a Europa!), dentre outras coisas. Ao longo de nossas viagens para fora, com a pequena Laura, já tínhamos visto um mundo de produtos diferenciados que não encontramos aqui com facilidade. E resolvemos juntar as ideias: produtos nacionais ecológicos e importados inovadores, que facilitam muito a vida dos pais no dia dia, favorecendo a vivência ativa da maternidade/paternidade.
Com o tempo, fomos descobrindo várias marcas brasileiras de fraldas ecológicas e outras européias que utilizam mão de obra de cooperativas e material orgânico produzido na Turquia e outros países vizinhos, com um enfoque na responsabilidade social e ambiental, como a
Popolini. Tivemos um bate-papo enriquecedor com a blogueira Adélia do
Pedalando em Paris, que nos indicou marcas e produtos lá da França. Nos empolgamos ainda mais com a ideia! Encomendamos um modelo super prático e bonito para a costureira que conhecemos aqui e selamos um parceria promissora para nossa loja. Laura foi a nossa "cobaia" e passou a usar as fraldas feita pela querida Patricia Allen, e assim fez um desfralde super tranquilo e até mesmo rápido (de dezembro pra cá ela passou a usar fraldas apenas para dormir a noite). Finalmente, chegamos numa coleção Outono-Inverno das fraldas ecológicas What Mommy Needs! Composta de estampas originais, como as da temática Rock 'n Roll, e mais quatro cores lisas, nossas fraldas são do modelo pocket e podem ser usadas até para o cuchilo da tarde! Para a noite, recomendamos apenas o uso de um absorvente duplo (com duas fraldas de flanela) ou um especialmente feito para uso noturno (que também vederemos!). Elas são ajustáveis, e por isso, utilizáveis com bebês de 5 a 15kg.
É claro que, sabemos, que as fraldas de pano não substituirão completamente as descartáveis. Cada uma tem suas vantagens. Eu, pessoalmente, acredito que, para os bebês que vão para creche ou que não tem uma pessoa inteiramente dedicada aos seus cuidados o tempo todo, o ideal é a conciliação das ecológicas com as descartáveis. Essas últimas podem ser mais práticas em saídas longas, viagens, etc. Cada família pode criar seu próprio padrão de uso, experimentando diferentes modelos e marcas. O importante é termos opções de consumo que fujam ao padrão dominante tão poluidor! A Efral não casou bem com minha necessidade, mas pode funcionar perfeitamente para outras pessoas. Eu espero que nossa marca fique cada vez mais próxima das necessidades de vocês!
Em tempos modernos, além de termos produtos práticos para o dia-dia dos bebês, é fundamental pensarmos na preservação do meio ambiente e na saúde à longo prazo (as pessoas vivem cada vez mais tempo, mas em que condições?). Por isso, indico fortemente o uso e a divulgação de produtos ecológicos no cuidado diário com o bebê.
Imagens: Laura posando com sua nova fraldinha ecológica com estampa da corujinha
Aproveito para convidar a todas/os as/os interessadas/os para um grande evento mundial que chama a atenção para o uso dessas novas fraldinhas:
The Great Cloth Diaper Change, em que os organizadores pretendem bater o record de maior números de fraldas de pano trocadas ao mesmo tempo, para entrarem no Guinnes Book e promoverem a causa! Aqui no Rio, o evento ocorrerá no Parque do Cantagalo, na Lagoa, dia 23 de Abril, 12hs. Entre no site, e procure sua localidade, se quiser participar!