Olá queridas/os leitoras/es! Hoje estou marcando presença no blog Mães Empreendedoras, editado pela Vanessa Rosa. Ela me convidou para participar este mês de um série de relatos de mães que têm um empreendimento, em comemoração ao Dia das Mães.
Confira os posts, pois estão super enriquecedores!
Conheça melhor este blog de mãe, assistindo ao novo vídeo de boas vindas aqui!
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Consumo para a maternidade consciente: WMN no Mães Empreendedoras
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Maternidade, amamentação e sexualidade
Eita assunto complicado! Ainda não vi nada tão banal e polêmico quanto essa dupla dinâmica: maternidade e sexualidade. Um artigo da Folha, já muito comentado e falado nas redes sociais, e bem debatido no Buena Leche pela Cláudia Rodrigues, trouxe novamente a dupla à cena pública ao fazer uma associação literária e infeliz da amamentação em público com o atentado ao pudor. As reações maternas ao artigo foram na base do repúdio, ao demonstrarem até certo "nojinho" com a licença poética do jornalista. Aliás, que licença! Um homem pouco dado aos assuntos maternais e feministas, opinando sobre amamentação em público precisa pedir muita licença e chegar bem de mansinho.
Mas, como eu sou mulher, mãe, como amamentei por oito meses (e quem me dera tivesse sido por mais tempo), e além de tudo, como eu faço parte de uma família com histórico de abuso sexual, acho que não preciso pedir licença. Serei clara e direta, no clima da música do Ultraje a Rigor (vale a pena ler o texto ao som desse video aqui, com o bonus da música "Ciúme").
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quinta-feira, 19 de maio de 2011
Brincando com coisa séria: as bases para a consciência ecológica
Nesta semana recebi uma tarefa desafiadora da escola de Laura: montar com ela uma borboleta, um casulo e uma lagarta, de sucata. Junto com a circular informando a tarefa, veio uma sacola com três tipos de papéis coloridos, confetes, um potinho de danone vazio, dois palitos de picolé, e a cereja do bolo: um potinho pequenininho de porpurina vermelha. O deadline para a entrega da super produção foi hoje. Mas, ansiosas para a tal tarefa, eu e Laura sentamos juntas no chão da sala, cheias de curiosidade, na terça feira, para abrir a sacola e por as mãos na massa!
Eu fiquei empolgada com a possibilidade de participar mais ativamente de uma atividade que minha filha já vinha desenvolvendo na escola. A borboleta, o casulo e a lagarta fazem parte do Projeto ECO, no qual as crianças se aproximam do tema da sustentabilidade, se familiarizando com bichinhos e seus habitats naturais. O fechamento do projeto se dá numa feira com todos os seguimentos da escola, onde algumas empresas e instituições mostram seu trabalho voltado para a ecologia. Ano passado, uma das iniciativas mais interessantes foi a contratação de uma empresa de educação ambiental para montar uma espécie de "chocadeira" artificial - tipo uma gaiola com ovos reais de galinha sob a iluminação e o calor constantes até o nascimento dos pintinhos. As crianças puderam acompanhar dia a dia a evolução da vida dos pintinhos. Eles nasceram e passaram até a circular entre elas, nas salas e nas aulas de música, no meio das brincadeiras - sempre com os olhares atentos das professoras. Quando eles ficaram grandinhos, foram levados pela mesma empresa (ok, a gente fica com pena dos filhotes gerados sem o real calor materno, mas essa é outra questão...).
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segunda-feira, 16 de maio de 2011
Série Mães que Contam: relato de parto de Michele Lemos
Mi é minha querida amiga de faculdade, com quem já tive altos papos sobre maternidade, casamento, parto, psicanálise, etc etc. Seguimos percursos profissionais diferentes, mas sempre tivemos muita afinidade e respeito pelas diferenças. Ela era uma "seguidora" de Lacan e eu, uma crítica ferrenha! Mas, aprendi a gostar de psicanálise ouvindo e admirando Michele. E ela começou a diversificar também sua atuação, sempre inteira em suas escolhas. Na formatura, foi ela quem escreveu a minha "frase de entrada", profetizando meu futuro casamento sem saber (ou talvez, com toda sua sensibilidade de psicóloga clínica, ela já o soubesse). Eu engravidei de repente, e ela foi um doce de amiga, sempre me apoiando, mesmo em uma cidade distante. Depois, foi a vez dela. Engravidou, e dedicou-se a aprender as teorias mais interessantes, participou de grupos e cursos, e dividiu comigo algumas de suas dúvidas e ansiedades. Até criou um blog, muito tocante e cheio de reflexões profundas, o Enquanto Mudamos. Aqui, ela participa da Série Mães que Contam com seu relato de parto, numa maternidade em pleno processo de mudança para o atendimento humanizado ao nascimento. Com características conservadoras e inovadoras, a maternidade foi o palco da primeira "aventura" que Mi, Tadeu e Alice viveram juntos. Seu relato é poético e cheio de ensinamentos!
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segunda-feira, 9 de maio de 2011
Do que mamãe precisa?
Há uma frase especial num livro de Donnald Winnicott que cito com certa frequência e não me canso de revisitar. "O que a mãe necessita é da chance de ser natural"*. Ela é dita num livro em que o psicanalista aborda o desenvolvimento infantil nos primeiros anos de vida, desde o nascimento. Antes que pensemos no complexo de édipo e no que Freud disse sobre os conflitos psíquicos típicos da infância, é importante considerarmos os primórdios, os porques que antecedem os conflitos: a relação com a mãe na mais tenra idade.
Assim, a pergunta a que me refiro é respondida de forma bem simples: no primeiro contato com o bebê, o que a mãe necessita é a chance de ser natural - de ser espontânea, autêntica, seguir seus instintos (que não são puramente biológicos, diga-se de passagem, mas são fiés a si própria). O autor coloca cultura e biologia não como antagônicos, mas apenas como pólos de observação diferentes que devem ser dialogados. Portanto, quando diz "natural" não se reduz às afirmações de uma medicina positivista, baseada em evidências fisiológicas, mas no reconhecimento do poder inerente a toda mulher normal. E isso foi dito com propriedade por um pediatra, psicanalista, que aprendeu a analisar suas próprias experiências em maternidades e abrigos, numa Inglaterra em guerra e no pós-guerra.
As análises de Winnicott me fazem pensar muito na maternidade hoje. Há claramente um movimento de retorno às origens animais, mamíferas, fisiológicas, de parte de alguns profissionais e famílias, que podemos associar ao Attachment Parenting. E há críticas feministas, por outro lado, alertando para a culpa advinda do idealismo desse tipo de abordagem, bem colocadas pela Sueli, no Blog do Desabafo de Mãe. Nós, mães ativas e conscientes, que buscamos viver a maternidade de forma completa, mas a todo tempo refletindo sobre ela sem esperar "receitas de bolo", ficamos às vezes confusas, às voltas com tantas idéias.
Eu posso dizer que, à luz do Attachment Parenting, cometi muitos erros como mãe de primeira viagem. Amamentei exclusivamente apenas até os três meses, e no total até os oitos meses de minha filha. Apeguei-me a uma rotina bem estável e definida, porque eu precisava dela para me sentir capaz de ser mãe integralmente. Nunca cogitei a possibilidade de abandonar minha carreira profissional pelos três anos iniciais. Usei sling quando Laura demostrou gostar dele, e nunca dispensei o carrinho. Não fiz nem faço cama compartilhada - ela acontece raramente. Mas, fiz um parto natural por acreditar que a anestesia e a episiotomia eram desnecessárias para um nascimento saudável, e nunca cogitei uma cesariana eletiva! Priorizei uma alimentação natural e orgânica, e não insisti em mamadeira ou chupeta antes do desmame completo (a partir do terceiro mês, substituí uma mamada por uma fruta, evitando o leite artificial). Muitas escolhas foram feitas, e deixaram pouco arrependimento. Porque sei que elas foram necessárias para que eu conseguisse levar adiante uma maternidade não planejada, sem entrar em depressão, e até tendo muito prazer com ela.
Arrependo-me porém das decisões tomadas sob a desinformação e a pressão de pessoas externas. Quando percebi a recusa de Laura a mamar em meu seio, aos oito meses, desejei insistir, para que ela mamasse pelo menos até os doze meses completos. Mas, não me informei sobre re-lactação, não busquei o apoio adequado, até porque a pediatra não me incentivou a isso. Aliás, ninguém me incentivou a persistir na amamentação - a não ser meu próprio instinto e as campanhas governamentais (pouco úteis nesses momentos de conflito). Isso significa que, de fato, o meu arrependimento foi não ter sido natural, não ter sido naturalmente forte para encarar as intervenções alheias e a falta de apoio profissional em determinadas situações. E é exatamente isso que Winnicott contrapõe às verdadeiras necessidades das mulheres que acabaram de parir. Ele afirma que muitas enfermeiras bem intencionadas se intrometiam na relação mãe-bebê, e atrapalhavam o processo natural da amamentação e do que ele chamou de "dependência absoluta" - estado no qual o par se mantém por algum tempo, antes de conquistarem a fase da "independência relativa".
Por isso, ouso dizer que:
Mamãe necessita de silêncio, quando quiser se concentrar. Precisa de carinho, quando quiser se apoiar. Precisa de ouvidos, quando quiser desabafar e ouvir a si mesma. Mamãe precisa de espaço, para tomar seu banho, ler, ouvir música, trabalhar, e se sentir autêntica naquilo que faz. Ela precisa se exercitar, conhecer a si mesma, a seu próprio corpo e conflitos. E, se não puder parar para encarar a dor que eles lhe trazem, mamãe precisa de compreensão. Mamãe precisa de informação, gratuita e constante. Precisa crescer em cidadania. Se apropriar do que lhe pertence como cidadã. Mamãe necessita de amor - um amor quase incondicional como o de um bebê recém-nascido. Ela precisa dessa troca constante, em que sente-se reconhecida e não cobrada. Porque mamãe é mamífera, humana, racional, emocionada, e psicologicamente complexa! (E nada disso significa "passar a mão na cabeça", como já li por aí, mas respeitar a verdadeira natureza de cada um).
*A frase foi retirada do livro Natureza Humana
**Este post é uma homenagem ao Dia das Mães e ao mês de maio
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Militância pela amamentação: relato de Simone Tenório
Esta participação na Série Mães que Contam é muito especial! Simone é a responsável pela rede virtual Aleitamento Materno Solidário, pedagoga, rumo ao título de mestre, mãe e militante da maternidade ativa. Ela vem nos presentear com o relato sobre o envolvimento com a doação de leite materno e a criação da AMS. Inspire-se em mais essa história de coragem feminina! Aproveite e visite a página do grupo no Facebook e participe dessa roda de solidariedade.
Aleitamento Materno Solidário: O Leite precioso que salva vidas!
Por Simone Tenório de Carvalho
A experiência única e inesquecível que passei com a doação de leite materno e com o aleitamento exclusivo em si transformou a minha vida para sempre. Minha militância com o aleitamento e o fato de ter me tornando uma lactivista de corpo e alma, sem dúvida, vieram da minha experiência transformadora como mãe. Meus filhos vieram me ensinar o verdadeiro significado do amor incondicional, apaixonante e sem limites.
Abriram a minha visão de mundo, do significado de um mundo mais humano, mais materno e mais solidário. E a minha experiência como doadora do Banco de Leite Humano foi determinante para que brotasse no meu coração um desejo genuíno de apoiar, orientar e defender o aleitamento materno com todo o entusiasmo que uma maternidade transformadora me proporcionou e me proporciona. A Comunidade Virtual do Facebook “Aleitamento Materno Solidário” surgiu como uma iniciativa de formar uma rede de mães potencialmente doadoras em todo o Brasil. Minha intenção era orientar e apoiar esta iniciativa. O Banco de Leite Humano brasileiro é o melhor do mundo, mas depende exclusivamente da solidariedade de milhares de mães brasileiras. Mais importante, milhares de bebês em UTI’S Neonatais dependem unicamente deste leite para a sua sobrevivência. A importância e a responsabilidade com este fato é imensurável. Fui doadora durante seis meses, e encantada com o trabalho sério, competente e profissional dos hospitais credenciados e toda a sua equipe e do corpo de bombeiros, tornaram-me uma militante da causa. O relatório que recebi no término da minha doação me tocou profundamente e me senti heroína por ter feito algo realmente transformador e significante para a vida de alguns bebezinhos e suas famílias.
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segunda-feira, 2 de maio de 2011
O que o Rio de Janeiro tem a ensinar sobre a saúde materno-infantil
O Rio de Janeiro já foi capital, é uma das cidades mais populosas e urbanizadas do país, e concentra boa parte da renda brasileira. Apesar disso, é a capital com os piores índices de saúde materno-infantil da Região Sudeste. Onde há a maior taxa de mortalidade neonatal por por sífilis, onde há maior taxa de mortalidade infantil (bebês de até um ano de vida e crianças de até 5 anos) entre as capitais do Sudeste e uma das maiores taxas de bebês prematuros do país (com base nos dados do DataSUS e no Relatório da Comissão dos Determinantes Sociais da Saúde, de 2008). Além disso, o Rio é a capital com a menor proporção de estabelecimentos ambulatoriais e número de médicos generalistas, ginecologistas-obstetras e pediatras da região. Não é por acaso que apresenta também a pior cobertura de consultas pré-natais do grupo, tendo inclusive 2,9% de gestantes que dão à luz sem ter tido nenhuma consulta com GO nem feito exames de rotina que podem detectar doenças e riscos para o bebê com antecedência.
Esse quadro não é novo. Infelizmente, o Brasil é conhecido pelos órgãos internacionais de saúde por suas elevadas taxas de mortalidade materna e infantil. E o Rio é um dos maiores contribuintes para tal. Se por um lado, aqui temos acesso às mais novas tecnologias médicas que chegam ao país, onde temos equipes de pesquisadores e profissionais reconhecidos mundialmente, por outro, a maior parte da população (e não só a população pobre) sofre de agravos evitáveis à saúde, especialmente as mulheres. E, é praticamente impossível garantir saúde às crianças quando não se tem saúde para as mulheres, certo?
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