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sábado, 30 de julho de 2011

Sobre câncer infantil e nossos hábitos de consumo

Poucas pessoas sabem que já trabalhei numa grande pesquisa acerca de leucemias infantis, do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Sob supervisão da pesquisadora Dra. Maria do Socorro Pombo de Oliveira, a pesquisa é na verdade uma grande e permanente busca pelos fatores genéticos e ambientais causadores das leucemias na infância. Eu contribui apenas com um pedacinho dela, ajudando a desenvolver o questionário exploratório, e coordenando sua aplicação durante um período, em diferentes cidades no Brasil. Fui pessoalmente ao nordeste para aplicá-lo e fui muito impactada com o contato direto com as famílias das crianças internadas ou em tratamento. Foi um período de muita reflexão e crescimento pessoal. Guardo até hoje uma linda recordação de uma mãe e filho que comemoravam a alta dele e tiravam fotos com todos da equipe do hospital em Salvador, inclusive eu (que estava lá para fazer as entrevistas!). Uma alegria contagiante!

Na época, tive a oportunidade também de fazer um curso sobre o câncer relacionado ao trabalho e ao meio ambiente. Ótima experiência! Não continuei a trabalhar com essa temática porque, confesso, me sentia despreparada emocionalmente para lidar com o dia dia de diagnósticos, óbitos, e tal. Mas, ainda me interesso muito pelo tema, e admiro quem se dedica a vida inteira para desvendar um pouquinho mais dos mistérios dessa doença complexa.

domingo, 24 de julho de 2011

Trabalho, maternidade, e uma declaração de amor

Hoje, dia 24 de julho de 2011, fazem dois anos e três meses exatos que minha filha nasceu. Foram dois anos intensos, vividos plenamente, com muito choro, questionamentos e uma felicidade profunda quase inexplicável. Vivi uma transformação interna e externa. E vocês, leitora/es do What Mommy Needs foram e são testemunhas de uma parte dessa experiência: da minha experiência em me tornar mãe.

Eu não optei por deixar de trabalhar integralmente para viver essa experiência. Mas, as circustâncias me deram essa oportunidade. Tive até convites para trabalhar fora de casa, 40 horas semanais, quando Laura ainda tinha poucos meses e depois quando já tinha um ano. Mas, nenhuma delas me deu paz em deixá-la sob os cuidados de outra pessoa ou numa instituição, e por isso não compensavam financeiramente. Certamente, a minha insegurança maior não era a de que minha filha fosse mal cuidada, mas de que eu perdesse a oportunidade de viver intensamente sua companhia. Eu precisava disso. Já contei aqui alguns de meus dilemas sobre maternidade e trabalho, cheguei a experimentar diferentes arranjos de cuidados em casa e trabalhos de carga horária parcial e flexível. Mas, nada fluiu tão bem quanto minha dedicação a ser mãe e escrever sobre isso. Escrevi aqui no blog e escrevi um livro, que teve sua primeira versão terminada em 31 de dezembro de 2010 (ainda esperando revisão...) - concluindo um ciclo.

Em 2010 fechei um ciclo e em 2011 comecei outro. O projeto do novo site e da loja virtual veio unir vocação, experiências profissionais, sonhos pessoais e ideais coletivos. Sinto-me orgulhosa e grata pelo sucesso que ele tem feito, pelos elogios, e pelos clientes que temos conquistado. Temos muito a melhorar, claro, mas estamos só no começo (um mês e pouco no ar!).

Tenho trabalhado mais, porém, mantendo as manhãs em função da Laura, buscando-a na escola, e fazendo a maior ginástica para conciliar tudo com um trabalho temporário às quintas e sextas na Fiocruz. Enfim, achei que tinha estabilizado meus dilemas e minha rotina.

Contudo, Deus não estava satisfeito com toda a reviravolta acelerada que, até semana passada (mais precisamente), ocorrera em minha vida, e fui surpreendida com uma convocação do Ministério da Saúde para assumir um cargo pelo qual concursei em 2008 (ainda grávida)! Eu nem lembrava mais do concurso! Foi minha querida irmã Júlia quem trouxe a correspondência, que chegara em sua casa - meu endereço na ocasião. Primeiro, desconfiei palidamente. Mas, depois de ler no Diário Oficial, a palidez foi completa! É um trabalho na área em que me especializei durante o mestrado, bem remunerado e que me demanda dedicação fora de casa por 40 horas semanais. Apesar de ser um contrato de dois anos garante uma experiência promissora.

E, aí que, ao ler a carta de convocação, meu coração quase saltou pela boca de felicidade e ao mesmo tempo de apreensão: terei que, enfim, após esses anos de presença intensa no dia dia de Laura, passar a maior parte do tempo longe dela. Falando assim, parece até um dramalhão típico de TPM, mas o fato é que, com a loja, eu podia passar horas trabalhando enquanto Laura "trabalhava" sentadinha ao meu lado, e brincava com a nossa empregada (que me ajudou muito nesse período de transição), e podia levá-la e buscá-la na escola quase todos os dias. Mas, em breve (muito breve), a semana será toda bem diferente do que estamos acostumadas.

E olha que novidade: eu estou feliz! Estou segura do que fazer e muito otimista! Sinto-me muito agradecida por ter recebido essa oportunidade agora, depois dos dois anos completos de minha filha, especialmente depois de ela ter se adaptado bem às tardes na escola. E, quer maior privilégio do que ter feito uma transição gradual e tranquila (com o trabalho às quintas e sextas), sem nem saber que era de fato uma transição?

Por isso, hoje, olhando minha princesinha dormir, senti a maior gratidão. E quero, publicamente, agradecer a Deus e aos meus amigos (inclusive virtuais) e familiares (em especial meu marido, paizão super participativo), que me deram apoio desde a gravidez. Sabe, é bom demais sentir que somos capazes de amar desse jeito, de ver refletida à nossa frente uma pequena herança, uma herdeira das melhores coisas que a gente tem pra dar (por isso, chamo-a, às vezes, de "princesinha"). É bom demais ver seu semblante tranquilo, sua mãozinha agarrada suavemente na minha, com aquela certeza de que sempre estarei ali.

Sempre estarei aí, meu benzinho, no seu coração cheio de boas lembranças (e também daquelas nem tão boas, nas quais briguei, botei de castigo e lhe ensinei limites para toda a vida). Obrigada, por ter me "aguentado" a seu lado, tão pertinho, nos dias de bom e mau humor, e por ser, mesmo pequenina, a maior companheira da mamãe! E vamos que vamos, inciando mais um ciclo juntos!

domingo, 17 de julho de 2011

Novo sorteio: super fácil de participar!

Para que você tenha a oportunidade de conhecer o catálogo inovador da What Mommy Needs e escolher livremente um produto diferente e sustentável em nossa loja, abrimos agora as inscrições para o sorteio de um vale compras no valor de R$50,00.  

Para participar, basta comentar aqui neste post, com seu nome e email, e fazer uma das coisas a seguir:
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Se você já faz uma ou todas essas coisas, é só deixar seu comentário aqui com nome e email.

Abaixo uma pequena amostra de tudo que você encontra na loja. Já são quase 200 produtos! 




Quando você participa de nosso projeto e divulga nossa loja, está contribuindo para o desenvolvimento sustentável! E nós agradecemos sempre a parceria!

**Esta promoção está aberta a inscrições até dia 30 de julho. O sorteio será realizado no dia 01 de agosto.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Dia mundial da atitude!

Hoje é o Dia Mundial do Rock! Sim! Dia de comemorar um marco definitivo na música mundial. O Rock é inegavelmente o grande estilo musical que deixou marcas em diversas esferas da vida e da história humana. É uma representação da atitude de contestação, mudança e crítica social genuína. Claro, como todo grande movimento social, tem também as apropriações contraditórias: os usos comerciais e a massificação (e por isso, eu tento me preparar para a fase adolescente de minha filha, mesmo torcendo para que ela, por si mesma, rejeite as porcarias enlatadas que hoje chamam de rock).

Mas, algo que nem todo mundo sabe é que o dia 13 de julho de 1985 foi marcante para o Rock e para a África, em especial para as mães e crianças da Etiópia. Foi nessa data que ocorreu o "Live Aid", show histórico que reuniu os grandes nomes da música em prol da arrecadação de dinheiro para ajudar o país que literalmente morria de fome. As terríveis cenas de um documentário despertaram Bob Geldof para tratar a causa como algo extremamente pessoal, uma questão de vida ou morte. E ele conseguiu reunir tanta gente talentosa que o show duplo (nos EUA e na Inglaterra) se tornou histórico pra todo mundo.

A Etiópia é um dos piores países do mundo para as mulheres, em especial as mães, e pior ainda para os bebês, segundo o relatório  11th annual "Mothers' Index" da Ong Save the Children. A Ong The Partnership também tem chamado a atenção para a situação nos países da África Subsariana, e mostra que as maiores causas de morte dos recém nascidos ainda são as infecções (inclusive por HIV) e as intercorrências no parto, agravadas pela desnutrição. Mortes infantis por causas evitáveis, que nos deixam envergonhados de fazermos parte dessa espécie de seres vivos. O evento do Rock'n Roll foi marcante sim, e arrecadou uma quantia record. Mas, de fato, ainda há muito o que fazer pelas mães, crianças, e homens da Etiópia. 

Faça do dia de hoje um marco na sua atitude frente à condição social de milhares de famílias. Hoje a gente sabe que fazer uma doação, num renomado show, não basta. É importante assumirmos uma postura crítica diante do status quo que reproduz a probreza. Racismo, preconceitos, discriminação de toda ordem, consumo desmedido e inconsciente, competitividade desrespeitosa, corrupção, alienação política, e outras coisas fazem parte desse status - que vez ou outra é abalado em sua estrutura pelas iniciativas e ideias poderosas de gente que tem atitude de verdade!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Mamãe viajante: Carol Passuelo na Série Mães que Contam

Carol é a editora do Blog Vinhos, viagens, uma vida em comum... e dois bebês. Ela está participando da nossa Série Mães que Contam um relato sobre a dobradinha maternidade x trabalho (com o detalhe de que seu trabalho é viajar e seus filhotes são gêmeos!). Seu exemplo nos motiva a continuar buscando crescimento pessoal e profissional mesmo após a chegada dos filhos, pois eles mesmos se beneficiam com isso. Aproveitem para conhecer a Carol e sua linda família, rir e refletir com seus posts bem humorados, que muitas vezes trazem assuntos sérios para debate.


Mamãe Viajante

Tu és mãe e viaja? Como assim? Muitas vezes é com esse espanto que as pessoas respondem quando falo sobre minha profissão e sobre minha rotina de trabalho. Sou mãe de gêmeos de 1 ano e 4 meses, consultora em gestão de risco em uma multinacional norueguesa e trabalho em todo o Brasil atendendo clientes. Viajo, em média, duas semanas por mês e o resto do tempo trabalho home office.

Costumo dizer que há três fatores que possibilitam e sustentam minha permanência nesse trabalho (que gosto muito, diga-se de passagem): meu marido, a estrutura que montamos e a própria empresa. O primeiro, e mais importante, é o apoio que tenho do Rodrigo, meu marido e pai da dupla. Além de ser um super pai que faz tudo (fraldas, banho, comida, nina, acorda de madrugada) e é super paciente, me incentiva a continuar trabalhando e desenvolver minha carreira. Ele não só assume os meninos como me estimula. Essencial.

Montamos uma estrutura de apoio. Não temos dinheiro sobrando, mas contratamos uma empregada que ajuda em casa diariamente e uma babá que dorme com os meninos durante a semana. Penso nisso como um investimento e como a única forma de continuar viajando. Somos de Porto Alegre e como moramos em São Paulo não temos mãe, sogra ou irmãs disponíveis para quebrar um galho quando precisamos.

Minha empresa também ajuda. E muito. Tenho a felicidade de trabalhar com pessoas ótimas que entendem que antes de ser profissional sou um ser humano. Claro que tenho um histórico na companhia e quando eu falo que alguma coisa é difícil para eu atender eles sabem que é quase impossível. Esses dias a carga de viagem estava pesada e fui conversar com minha chefe para reorganizar algumas datas. Sabe o que ela me respondeu? Carol, tu tem que me dizer qual é o teu limite.

Tenho pensado que essa minha rotina não é para qualquer mãe, e aqui não faço julgamento de valor de nenhuma forma. É preciso ser apaixonada pelo trabalho para deixar os filhos para viajar, ter desprendimento e até um pouco de sangue frio. Esse é o meu perfil. Não conseguiria trabalhar das 09hs às 18hs em um escritório fazendo sempre as mesmas atividades ou ficar em casa full time. Frequentemente questiono sobre o impacto que essas ausências terão no desenvolvimento dos meninos, e acho que só no futuro terei a resposta. Enquanto isso, procuro pensar que minha satisfação profissional e o exemplo de fazer o que se gosta de verdade servirão como um bom modelo para eles.


Imagem: Carol com o super papai de seus filhos, Rafael e Leonardo

sábado, 2 de julho de 2011

Chupeta: a saga da despedida

Então, ela se foi. Na verdade, foi jogada no lixo, mas permanece como assunto e como objeto de saudade. Laura jogou a última chupeta sobrevivente no lixo, hoje de manhã. Mas a saga da despedida começou há mais ou menos uma semana, e ainda não terminou!

Desde que fez dois anos de idade, há dois meses atrás, sentimos algumas mudanças significativas no comportamento de Laura. Começou a não querer ir pra escola, a soltar berros cada vez mais assustadores, a chupar chupeta o dia todo, e a querer dormir em nossa cama quase todos os dias. Estranhamos muito no início, mas pensando bem, havia alguns motivos para que ela ficasse assim. Não gosto de cair da justificativa fácil do "terible two" (apesar de concordar que esta fase é peculiar!), não gosto de colocar a "necessidade de limites" como motivo para tudo e a imposição de regras, castigo e broncas como solução pra tudo também (apesar de também ser a favor da boa disciplina começar cedo). Pensando em todo o contexto dos últimos meses, algumas mudanças e eventos me deram a pista para entender o que estava acontecendo com minha filha: mudança de bairro e repentina perda de contato com os amiguinhos da pracinha (que passou a ser bem menos frequente, mesmo não tendo cessado completamente), mudança para um quarto bem maior (ela passou a ter muito mais espaço na casa, e consequentemente quis ter mais voz de decisão também!), quedas e machucados rotineiros na escola (devido à fase de crescimento em que está e também a algumas questões da escola, que abordarei mais adiante), abertura de nossa loja e maior dedicação da mamãe aqui ao trabalho, processo de desfralde (que tem sido bom, apesar de ainda não estar completo).