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sábado, 27 de agosto de 2011

Sobre o sofrimento dos filhos

Eis aí um buraco negro da maternidade / paternidade: saber lidar com o sofrimento, a dor, os conflitos dos filhos. É uma questão importante sobre a qual pouco sabemos – só aprendemos mesmo com a experiência. E parece que, apesar de não haver muita ciência a esse respeito, a natureza nos dá oportunidades de nos prepararmos, desde o início. O que são as sessões de cólicas e de choro mal compreendido dos primeiros meses, senão formas de aprendermos na prática sobre o sofrimento desses pequenos seres humanos?

A forma como o bebê chora, o volume da voz ao reclamar de pequenas coisas, os movimentos do corpo ao se debater contra a dor, o semblante mais caidinho durante as gripes, a ausência de sorrisos, o sono prolongado ou a falta dele são manifestações, muito pessoais e ao mesmo tempo humanas, da insatisfação  e da tristeza. A gente, como mãe e pai, vai se acostumando com os sinais, aprendendo a decifrá-los, e pode saber, desde cedo, se ele ou ela é uma criança “chorona”, “sensível”, quais são os incômodos que mais a afeta emocionalmente e como ela reage a eles.

Eles vão crescendo e a gente vai levando sustos – que nos servem de lições e amostras cada vez mais completas sobre sua personalidade e sobre como lidam com o sofrimento. Quando eu tinha cerca de cinco anos de idade, lembro bem de uma situação que me despertou muito sofrimento e deixou minha mãe assustada: eu brincava na praia quase vazia, correndo atrás dos pombos, e me perdi! Quando percebi a falta de minha mãe, fiquei angustiada! Comecei a olhar por todos os lados e não achava o guarda sol da gente, e comecei a chorar discretamente com aquele bolo entalado na garganta - em público eu ficava mais tímida e não era de minha personalidade gritar ou sair correndo atrás de alguém que me ajudasse. Mas, para meu alívio, um salva vidas me observava e me abordou, conduzindo-me até minha mãe. Eu não estava longe, o evento durou apenas alguns minutos, mas só o fato de tê-la perdido de vista foi angustiante. Minha irmã mais nova era muito mais descolada que eu! Ela não entrava em pânico só por causa da ausência de nossa mãe. Mas eu carreguei esse medo de perdê-la até a adolescência, e chorava copiosamente quando ela demorava um pouquinho mais pra chegar em casa, sempre imaginando coisas ruins que podiam acontecer no meio do caminho.

Talvez por isso, hoje em dia, meu temor seja o de provocar angústia na minha filha devido à minha ausência. Para voltar a trabalhar fora de casa, em tempo integral, eu preciso de um tempo para aprender a lidar com o sofrimento dela. É normal que ela proteste contra a minha saída de manhã cedo, e que peça pra eu não ir trabalhar. Por outro lado, ela tem demonstrado tranquilidade para ficar com outras pessoas, e se adaptou bem rápido a nova babá (que já foi demitida e substituida pela avó materna, diga-se de passagem – mas isso é assunto pra outro post). O sofrimento dela aparece mesmo na saída da escola e durante o sono. Ela não quer ir pra casa, porque tem sono e isso significa que ela não vai poder ficar muito tempo em minha companhia. Ela quer ficar passeando pela rua, pelo shopping, comer fora, e curtir minha presença até o úlimo minuto da noite. Então, se eu insisto em ir pra casa, ela chora, berra, se debate, e às vezes até acorda meio “sonâmbula” dizendo coisas como “vamos desenhar de giz mamãe!”. Outro dia, passamos por uma sessão de choro intenso, depois de acordar, na qual ela chamava a mamãe mas não me deixava de jeito nenhum pegá-la ou tocá-la. Ela estava com raiva de mim.

Nós temos a tendência de ser mais sensíveis àquele sofrimento com o qual nos identificamos. Quer dizer, se eu, na infância, morria de medo de perder minha mãe, me sensibilizo muito com o sofrimento de minha filha ao me ver sair. Por um lado, isso é bom, é providencial, porque nos ajuda a cuidar de quem depende de nós. Porém, é também ums coisa delicada, pois, às vezes, ultrapassamos o limite da criança com nossos próprios medos e nos tornamos excessivamente cuidadosos.

Há um filme muito bonito de Lars Von Trier que aborda um pouco essa questão. O filme Melancholia traz com sensibilidade o conflito de uma mãe para evitar que o sofrimento, e em última instância, a morte, se aproxime do filho – o que é, senão, uma forma de evitar sua própria melancolia. Cheio de simbolismos, ele nos lembra que não é possível evitar de todo o sofrimento dos outros, nem mesmo dos filhos, e que fugir de nossos próprios fantasmas projetando-os na criança, pode nos roubar a racionalidade e nos fazer agir de forma desesperada, opressora, e ainda mais traumática para ela.

Nossa posição, como pais, é mesmo muito delicada. Porque temos o dever de zelar e proteger as crianças, mas ao mesmo tempo não temos o poder de prever e evitar todo o sofrimento. De fato, ao nos esforçarmos para isso, mesmo sabendo que é uma tarefa sem limites e fadada à frustração, podemos até provocar a melancolia nelas. Porque, a melancolia, enquanto tristeza permanente e sem motivo óbvio aparente, nada mais é do que a constatação implacável de que a vida não tem um sentido último, imutável. O melancólico debate-se o tempo todo com a inexistência da perfeição, do ideal, da vida ininterrupta - e perde a vontade de criar sentidos novos e renováveis para ela. Diz-se que uma mãe "excessivamente boa" - ou seja, que faz de tudo para satisfazer todas as necessidades do bebê prontamente - deixa-o muito mais vulnerável a esse estado de triste contemplação, porque ao se dar conta da realidade, o sujeito prefere regredir ao máximo, àquele estado de inteira fusão com a mãe, em que existir resume-se a ser saciado. Por isso, Freud disse que "o melancólico está mais perto da verdade".

A verdade é que enquanto humanos estamos suscetíveis às frustrações e ao sofrimento. Ninguém pode nos privar das experiências autênticas de encará-los. Somos feitos também sessas experiências. Naturalmente, aprendemos com elas e nos transformamos para respondê-las. Então, não podemos e nem devemos, enquanto pais, tentar privar nossos filhos dessa realidade. O conflito está em, justamente, sabermos o limite da tolerância deles e nossa.

Este é um post reflexivo, mas não é triste! É minha forma de expor meus fantasmas de mãe e fazê-las/os pensar também sobre como cada um lida com esse tema. Eu estou às voltas  com ele, no momento, e adoraria aprender um pouco mais com sua experiência.

* Imagem: minha mãe com minha irmã mais nova. Linda demais, né? Mas, a cópia não está permitida!

domingo, 21 de agosto de 2011

Livros para os pequenos cidadãos globais

Você já deve ter visto algum dos livros desta coleção em alguma livraria, pois eles estão fazendo o maior sucesso! A coleção Isto é… da Cosac Naify inclui três títulos: um sobre Nova York, um sobre Paris e outro sobre Roma, ilustrados e escritos pelo artista tcheco M. Sasek, entre as décadas de 1950 e 1960. A coleção original foi amplamente elogiada, em tempos de guerra fria e exílio. O artista conseguiu criar livros lindos e divertidos sobre as grandes cidades mundiais, com uma linguagem acessível, tanto para crianças quanto para adultos.

A versão traduzida para o português mantém o texto e os desenhos originais do artista, mostrando que a coleção permanece atual. Em cada livro, há citações e descrições dos lugares turísticos e característicos das cidades, trazendo curiosidades históricas e culturais eternizadas nos monumentos, ruas e museus. No Isto é Roma, por exemplo, há referências ao mito de Rômulo e Remo, e uma curiosidade sobre as fitas azúis encontradas nas portas das casas quando nasce um romano.



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domingo, 14 de agosto de 2011

"Todo mundo foi embola!"

Algumas observações sobre nossa nova fase aqui em casa (lembrando que estou voltando a trabalhar fora full time, além de ter toda a dedicação que a loja me exige nos horários extras):

- O desfralde do xixi, que já estava completo, deu uma regredida radical: vários xixis na roupa por dia, somando-se ao cocô na calcinha diariamente (ela estava começando a ir para o vaso espontaneamente para o n.2, mas agora...), tem me deixado extremamente cansada e frustrada. Gostaria que o pouco tempo que temos juntas fosse plenamente aproveitado, mas acaba sendo gasto parcialmente com as crises da "torneira aberta" e banhos e mais banhos, barriga no tanque, etc.

- As noites da semana passada foram quase todas desesperadoras, regadas a muitos berros e "ordens" da princesa Laura: "mamãe aqui!", "dá a mão", "quer mamar" (umas vinte vezes ao longo de cada madrugada). Até que, num estalo de lucidez e imensa saudade, decidi convidá-la a vir pra nossa cama quando deu o primeiro grito - e ele foi o último. Ela já estava muito bem acostumada a dormir em seu bercinho a noite toda (sempre foi assim, com um ou outro revés, em eventos específicos), mas agora está gostando de dormir a segunda metade da noite conosco. É a coisa mais linda do mundo abrindo um sorrisão e se agarrando no meu pescoço quando eu pergunto: "quer ir pra cama da mamãe?".

- O berço não combina mais com o quarto e com a fase da Laura. Quando a vejo entre grades me dá uma sensação de que ela é prisioneira em sua própria cama! Se antes o berço servia para lhe dar segurança e um "cantinho" próprio, agora acho que ele enfatiza a "distância" entre nós e a falta de liberdade dela. Por isso, decidimos comprar uma cama. Aliás, decidi mudar quase todo o quartinho, que ainda estava com uma cara muito baby. Ele era todo branquinho com azul nas cortinas, uma poltrona de amamentação verde, lençóis do Pequeno Príncipe, e com os brinquedos meio entocados no armário, em prateleiras altas e num cesto meio bagunçado. Aos poucos, as coisas estão mudando. Os livros estão à altura das mãos dela, os jogos de encaixe e lógica saíram do armário para ficarem à vista, uma grande almofada azul com corações coloridos veio preencher o branco, junto com um varal lindo, para expor os desenhos dela. Além disso, o quarto ganhou mais fotos da família, um cesto de lona laranja para guardar as pelúcias, e uma convidada especial: uma gatinha rosa, que acende como um abajur, e que nomeamos de Petit. Agora, a Petit está servindo de companhia pra Laura durante a primeira metade da noite. E ela me lembra todos os dias de que quer a cama nova "com uma boneca"! (O que já está sendo providenciado).



- Às vezes me sinto culpada por sair pra trabalhar, às vezes me recrimino por tentar "compensar" minha ausência... Mas, a melhor coisa que fiz até o momento foi conversar claramente com a Laura. Eu expliquei que preciso trabalhar, que gosto de trabalhar, mas que sinto saudades dela também, e que por isso quero que o tempo da gente seja muito bom, seja alegre, cheio de coisas boas. Disse que eu vou mas sempre volto e que me esforço ao máximo para buscá-la na escola (mesmo trabalhando a mais de 30Km da minha casa, sem carro). Ela gostou da conversa, e resolveu se abrir também: "A Laula choiou na escola. Papai foi tabaiá, mamãe foi tabaiá. Não pecisa tabaiá! Papai foi embola, mamãe foi embola. Todo mundo foi embola!". Partiu meu coração... mas me deu a oportunidade de dizer que a gente não foi embora, e que a gente saiu, mas os amigos e as professoras estão na escola para fazerem companhia, e que ela pode brincar com a Cíntia (a nova babá), antes de ir pra escola. Ela me pareceu mais tranquila, e dormiu abraçadinha nas duas pelúcias que mais gosta, depois de mostrar pra "elas" a gatinha Petit acesa, toda orgulhosa!

- Hoje fomos ao Zoológico do Rio, para comemorar o Dia dos Pais. Programa interessante. Laura pôde ver de perto vários bichos que só conhecia em desenho ou foto. E eu me pus a pensar sobre a origem e a vida desses animais enjaulados. Saí de lá meio deprê... Marcelo se comprometeu a me ajudar numa pesquisa sobre isso. Estamos cada vez mais unidos pelo tema da sustentabilidade, o cuidado com o meio ambiente, a relação harmoniosa com a natureza. Ele está estudando um conceito super revolucionário que tem nos feito pensar: a Economia Estacionária, que se refere a defesa de um desenvolvimento econômico sem crescimento (baseado no fato de que o planeta não suporta mais o aumento da produção e do consumo, por isso, precisamos mesmo é investir em empreendimentos sustentáveis que possam substituir gradualmente a economia predatória em que vivemos).

- Jabás: 1) Os novos acessórios do quarto de Laura são da Oba! Arquitetura, uma loja linda de morrer. A cama não vai ser de lá porque é incrivelmente cara, mas os objetos decorativos tem o preço razoável e alguns são de materiais reciclados, recicláveis e duradouros. 2) Nossa loja virtual publicou hoje um post dedicado ao Dia dos Pais e, em sua primeira Newsletter, traz um texto em que meu marido conta como passou de filho a pai, com a vinda de Laura. 3) Ficam aqui três dicas pra quem quer acompanhar nosso trabalho com a loja: acabamos de aumentar nosso sortimento de livros (tanto infantis quanto adultos), tem coisas sensacionais, dá uma olhada aqui; as roupas e brinquedos estão em liquidação até dia 05 de setembro; e Melissa continua nos presenteando com receitas naturais saborosas no Dicas da Mel. Esperamos suas visitas, seus comentários e sugestões!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A pirraça e os vizinhos

É senso comum que após os dois anos de idade as crianças fiquem, digamos assim, "pirracentas". Briguentas, gritonas, impacientes, exigentes.

Na verdade, é nessa idade que elas começam a se apropriar da linguagem, do poder de usar as palavras e gestos para serem completamente compreendidos - e elas usam e abusam dessa "nova" habilidade. Quando o bebê é recém nascido, os pais se desesperam com as crises de choro inexplicáveis (e ficamos tentando adivinhar as razões do sofrimento, quase que como num jogo de ampulheta, antes que acabemos chorando junto). Com o tempo, os bebês passam a entrar no ritmo da família e a entender a forma com a qual conseguem ser entendidos.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Amamentar: todo mundo ganha com essa atitude!

O Ministério da Saúde nos convocou a participar desta Semana Mundial de Amamentação, compartilhando relatos no youtube. Eu criei coragem e enfrentei a câmera do meu note, para compartilhar com vocês uma das coisas mais importantes que ganhei com a experiência de amamentar. Taí:



Além de tudo que disse nesse breve um minuto e meio, quero registrar aqui que amamentar também me trouxe mais consciência política, de cidadania, ao reconhecer que, sem o apoio de meus pares, sem as condições sociais adequadas, seria quase impossível dar à minha filha o melhor alimento que ela podia receber. Então, pais, avós, patrões, colegas de trabalho, enfim, sejamos todos apoiadores ativos dessa causa!

O debate entre seis mães ativas e conscientes, publicado no blog O Futuro do Presente, aborda esse tema: o papel central da mulher na amamentação e a necessidade de apoio e informação para que ela assuma esse papel. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Resultado do sorteio

Enfim, nosso sorteio foi realizado, depois de um enorme sucesso e exatas 40 inscrições! Abaixo a lista das participantes (na ordem em que foram comentando) e o Print Screen do RANDON.ORG, site no qual rodamos o sorteio.

1 - Priscila Perlatti
2 - Alice Ibeli
3 - Layana Lossë
4 - Mariana Machado
5 - Daniela Garbelini
6 - Ivana Luckesi
7 - Talita Cavalcanti
8 - Priscila Rezende
9 - Lourdes Cristina
10 - Fabiana Alvim
11 - Ana Paula
12 - Vanessa
13 - Patricia Toledo
14 - Juliana de Melo
15 - Ilana
16 - Ana Claudia de Moura
17 - Sheila
18 - Maribel Barreto
19 - Priscilla
20 - Ana Paula MG Cruz
21 - Mariana Andrade
22 - Betania
23 - Simone Jacques
24 - Juliana Duarte
25 - Ligia
26 - Luciana Moura
27 - Cyntia Santos
28 - Ana
29 - Larissa Xavier
30 - Elaina
31 - Nazimar Medeiros
32 - Paloma Avendanho
33 - Michele L Lemos
34 - Juliana Aparecida Carvalho
35 - Priscila Lamenza
36 - Carol Carvalho
37 - Carolina Neves
38 - Lelis
39 - Evelyn
40 - Dany Lombardi

PARABÉNS MARIBEL!!!
Enviaremos as instruções para seu email, para que você já possa utilizar seu vale compras.

GENTE, UM ENORME AGRADECIMENTO A TODAS AS PARTICIPANTES, SEGUIDORAS, TWITTEIRAS, E LEITORAS DESTE BLOG!!!
Contamos cada vez mais com o apoio de vocês e esperamos atender a todas as expectativas! Fiquem ligadas, porque vem aí mais promoção e sorteio na blogosfera afora!