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domingo, 23 de outubro de 2011

Lembre-se de si mesma, após a maternidade

Antes de engravidar, eu adorava ficar horas lendo e ouvindo música. Tinha uma coleção amada de cd's e músicas no computador, desde música clássica até Los Hermanos, Radiohead e Pink Floyd. Eu era capaz de ficar 4 horas, praticamente ininterruptas, escrevendo ou lendo, ouvindo minhas músicas. De vez em quando (tipo umas 3 vezes no ano), eu acendia um cigarro de canela (sim, eu sou uma das únicas pessoas que você conhece que gosta de cigarrilha com sabor) sozinha no meu quarto, e, em alguns minutos me imaginava fazendo as coisas mais inesperadas no futuro: lançando um roteiro de cinema, cantando numa banda, fazendo a posição mais difícil do último estágio da yoga...

Mas, a gravidez totalmente inesperada me tomou um pouco desses momentos solitários e tão prazerosos. Minha coleção de músicas foi sendo gradualmente abandonada, a cada mudança de apartamento ou troca de pc - nas quais os back ups ficavam fechados em caixas cheias de cd's por longos meses. Eu tinha tanta coisa pra me preocupar! Casar, montar uma "casa de família", terminar o mestrado e trabalhar, fazer um pouco de natação e hidro pra não engordar muito e ter fôlego no parto, e trabalhar! Consegui namorar um pouquinho nessa fase também, porque, thanks Lord, minha libido não me abandonou!

Às vezes, quando ficava esperando na ante sala do consultório do meu ginecologista, uma das minhas canções tocava no rádio, e eu tinha um dejà vu de meus momentos de solteira no meu quarto. Confesso que sentia um pouco de nostalgia, mas as emoções que eu estava vivendo superavam em muito qualquer estado eufórico que eu tinha experimentado nos últimos 26 anos de vida. E assim, fui levando o início de minha jornada como mãe.

Eu passei pelos últimos dois anos e meio meio esquecida de mim mesma, sabe? Até hoje meus cd's não tem um lugar certo na nossa casa (estão empilhados na última prateleira da estante da sala e alguns poucos espalhados num escritório improvisado, que aliás acabou de ser finalmente organizado para ser de fato utilizado).

A verdade é que por mais que eu não tenha parado totalmente a minha vida, minha filha tomou o centro das nossas atenções. Meu marido e eu, que éramos namorados até então, vivemos uma revolução por dentro e por fora para dar conta do recado. Nenhum de nós manteve o mesmo caminho previsto e planejado lá atrás, mas conseguimos criar novas perspectivas, novos sonhos, tentando incorporar um pouco do que existia antes. Não deu pra ele ter a experiência de morar sozinho (ele teve que ir da casa da mãe direto para  o casamento), nem deu pra eu ir fazer meu doutorado fora (ainda!). Nesse período já discutimos muito sobre nossas diferentes expectativas, culpamos um ao outro pelos sonhos não realizados, tivemos vontade de desistir e voltar a ser apenas namorados... Mas, o apoio mútuo tem sido a chave para sermos bons pais sem perder a sanidade. Porque é difícil, viu? Apesar de ser extremamente prazeroso! Talvez a maternidade traga o maior paradoxo da vida: amar um outro ser de forma tão intensa que nos preenche e ao mesmo tempo nos tira um pouco do eixo.

Porém, admito que deixar minhas coisas, minhas músicas, meus pequenos momentos solitários tão abandonados até hoje não é necessário! Talvez tenha sido durante a gravidez e os primeiros meses de Laura, mas acho que hoje tem um pouco de comodismo, sabe? A gente corre o risco de ir se acostumando em viver quase integralmente para outras pessoas. Isso é sedutor para quem tem uma certa tendência à preguiça...

Ai que preguiça! Quando olho pra minhas caixas intocadas ou meus livros empoeirados...

Por isso, hoje, depois de finalmente conseguir ver meu escritório minimamente arrumado (e estou conseguindo esticar minhas perninhas embaixo da minha mesa!), resolvi dedicar um tempo, uma música, e uma cigarrilha velha pra mim. E me senti tão leve e inspirada, que vim aqui pra escrever este post domingueiro. Compartilho com vocês, queridas companheiras de labuta, mães, grávidas, mulheres que talvez por diversos motivos têm esquecido de si mesmas, uma música que me emocionou hoje. Com vocês, Carolina Pombo  Adele com o música Don't you remember (uma das minhas mais recentes aquisições):


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O que é mais estranho: bebê que usa fralda de pano ou boneca que usa fralda descartável?


O que há de estranho em uma família moderna adotar as fraldas de pano? Certamente, todo mundo tem várias respostas pra essa questão. Parece um retrocesso lavar fraldas quando o mercado oferece uma gama de descartáveis, prometendo noites inteiras sem vazamentos, géis poderosos que mantém a pele do bebê seca, super ultra mega conforto, e nenhum trabalho! As propagandas são as mais fofas e, de acordo com minha humilde opinião de mãe que tem uma filha de pele super sensível e alérgica, são as mais enganosas também (já notaram as propagandas que colocam bebês competindo pela atenção de uma bebezinha, na qual ela desdenha alguns e escolhe o outro por causa da bendita marca de fralda descartável? Alguém já disse que é tipo uma propaganda de cerveja para os machos recém-nascidos!).

Mas, a ideia é falar de como pode ser estranho (ou não) algumas famílias, hoje, escolherem as fraldas de pano em detrimento das descartáveis, mesmo que seus bebês não tenham exatamente uma alergia. Tem gente fazendo essa escolha porque acredita que ela é a escolha certa para o planeta. O que significa que são heróis ou mártires do meio ambiente? Não. O que significa que há pessoas que compreendem o nexo entre o bem estar do planeta e o seu próprio bem estar. Até porque, hoje, não é necessário um grande sacrifício para se usar as fraldas laváveis: elas lavam facilmente na máquina, junto com as demais roupas da família, são de qualidade durável, preços acessíveis, e já existem diversos acessórios biodegradáveis que tornam seu uso ainda mais prático, como os forros de proteção (os liners, que evitam que as fezes causem muita sujeira) e os detergentes e essências especiais para evitar o mel cheiro. Então, estranho me parece mesmo que a geração das nossas mães tivesse que lavar as fraldas (sem máquinas nem forros), e ainda lutar por um lugar no mercado de trabalho com pouquíssima presença dos homens nas tarefas domésticas!

Atualmente, fraldas laváveis modernas são vendidas em diversos países, e em alguns já existe até um mercado pungente em torno desse produto considerado ecológico. No programa canadense La Vie en Vert (A vida em verde), que aqui no Brasil passa com legendas em português na TV5 Monde, aos sábados,  fizeram um episódio dedicado à escolha da melhor fralda de pano. Eles informaram que no Quebec existem mais de 60 marcas, e que depois de avaliar o impacto que o uso das fraldas de pano e suas oponentes tem para o meio ambiente, o governo decidiu dar um incentivo financeiro para quem opta pelas primeiras. Assim, o próprio governo economiza na coleta e descarte do lixo e incentiva a economia verde, ou seja, o crescimento de empresas ambientalmente sustentáveis. É dessa maneira que esse "novo" velho hábito tem ganhado força no Canadá.


Mas, o estado da arte aqui no Brasil é um pouco diferente. Infelizmente, nossas políticas públicas não costumam incentivar hábitos saudáveis e sustentáveis dentro e fora de casa. A gente cresce habituado a ver lixo jogado nas ruas, crianças crescendo a base de açúcar e fast food, engarrafamentos gigantes, etc. Porque, há um mito de que o Estado não deve "se meter" na vida privada de ninguém - ele se restringe a propagar campanhas midiáticas em prol de mudanças de atitude individuais, mas não cria políticas de apoio aos pais para que estes consigam criar seus filhos, fazendo as escolhas "mais" certas para eles e para toda a sociedade.  

Isso fica mais claro quando observamos as propagandas na televisão. Não há regulação de publicidade aqui, nem para as direcionadas às crianças! É como se a telinha fosse terra de ninguém, aliás, é como se ela fosse palco das guerras entre concorrentes pelos desejos, inclusive os desejos dos pequenos. Se na década de 1980, a novidade era uma bebezinha de plástico que se enchia de água e fazia xixi por um buraquinho, e mais tarde foram as bonecas patinadoras, bomboleadoras, falantes e andantes a base de pilhas, hoje a guerra do mercado de brinquedos e da publicidade para crianças chegou ao ápice da bizarrice: bonecas que fazem cocô de verdade e usam fraldas descartáveis!!!

Falando dessa forma, até parece estranho mesmo que uma boneca use fraldas descartáveis, né?

Mas parece que a gente se acostuma a ver o comercial na tv, ver a Baby Alive nas vitrines, e acha até bonitinho -  "Imagina se eu tivesse uma boneca assim na minha infância!". A gente se ilude com a ideia de que as crianças querem esse realismo todo em suas brincadeiras - ditas de fantasia. A gente é capaz de gastar os tubos com um brinquedo desse, e nem pensa que depois a criança vai pedir as fraldas descartáveis para a boneca, e que elas são até mais caras do que as normais, e que se somarão aos montes de lixo, demorando séculos para se decompor. A gente nem conseguem perceber que já está alimentando um comportamento antiecológico nas meninas, e depois exige que elas sejam "amigas do meio ambiente".

Mas, não deve ser por acaso que, lá no Canadá, a Hasbro não venda a Baby Alive. Lá tem regulação de publicidade e incentivo público a comportamentos sustentáveis. Agora, nada impede que nós, famílias que estão começando a ter uma consciência ecológica, com as experiências do dia dia, promovamos mudanças em nosso país! É um longo caminho a percorrer. Precisamos encontrar nossos apoios, nossos pares, em associações, Ong's e empresas que priorizem a sustentabilidade, a assim fazermos também pressão nos governos. Podemos melhorar a cada dia!

Esse texto nasceu, por exemplo, de um belo e rico diálogo que ocorreu ontem em São Paulo, sob a organização do Instituto Alana e seu projeto Criança e Consumo. Fui, orgulhosamente, convidada por essa gente boa, encontrei outras personagens fantásticas da blogosfera e da vida real afora, e voltei com energia renovada para continuar defendendo uma vida mais saudável e denunciando as porcarias que nossas crianças às vezes consomem (aguardem desdobramentos!).

Por enquanto, espero ter contribuído para diminuir o estranhamento quanto ao uso de fraldas de pano em bebês reais, e para despertar o incômodo com a venda de fraldas descartáveis para bonecas. Venha dialogar conosco! Envie também seus incômodos, suas impressões sobre esse assunto. Participe desse debate! Esperamos a contribuição de vocês por email (contato@wmnloja.com.br) ou nos comentários daqui e lá no whatmommyneeds.com.br
*Falei sobre a Baby Alive aqui também.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Vídeo: O que fazer neste Dia das Crianças?

Pra vocês se divertirem e se emocionarem... pelo menos, é o que acontece comigo toda vez que vejo esses pequenos trechos de nossa memória familiar!

Feliz Dia das Crianças para todas elas!


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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Roupa para criança, PARA CRIANÇA!


Todo mundo sabe que o mercado de moda no Brasil tem crescido muito. Mas, uma novidade tem me surpreendido: as marcas de vestuário infantil. Elas já existiam, mas agora parece que o mercado de roupas para crianças está mais aquecido. Tenho visto lojas bem diferentes, com roupas estilizadas, às vezes até iguais às roupas de adultos. Falando nisso, até lembro de uma situação tragicômica! Estava andando numa rua bem conhecida na Zona Sul do Rio, procurando uma calça jeans pra mim. Passei em frente a uma loja nova e resolvi entrar. Na coleção, uma estampa de sapatinhos de saltos coloridos chamou minha atenção. Ok, não sou muito de saltos, mas até que eles coloridos numa blusa tomara-que-caia preta ficaram bem bonitinhos... Opa, não era uma blusa, era um vestido tubinho para meninas de 6 anos de idade! A vendedora me avisou quando peguei pra experimentar... Escondi a cara no casaco e dei meia volta.

Então, de fato, com o crescimento do setor de vestuário no Brasil, a gente encontra uma enorme diversidade. Para as crianças, você encontra de tudo! Coisas lindas e desconfortáveis, como roupas sociais para casamentos e festividades, e coisas simples e bastante usuais – como os crocs, que viraram febre! Sem falar, nas aberrações, como os sutiens de bojo para meninas que ainda nem tem seio!

O que tenho gostado mais é de marcas que misturam conforto, beleza e um estilo inspirado na infância. Sabemos que as crianças gostam de brincar de ser adultas, gostam de nos imitar, calçar nossos sapatos, vestir nossas roupas e bijous, mas a essência não é o amadurecimento precoce, é a brincadeira de faz de conta! E se a gente transforma a fantasia em realidade ipsis litteris, perde o espírito da coisa. Criança gosta de brincar, e a gente tem que respeitar esse item tão importante do desenvolvimento.

Mas, não sejamos ingênuos... o mercado não vai ser sempre nosso parceiro na hora de ofertar  produtos e serviços para o público infantil. Tem marca que prefere ganhar com as compras por impulso. Por exemplo: aninha, no auge de seus 6 anos, está passando em frente a uma loja de roupas e sapatos para crianças e se depara com uma vitrine à la princesas, com um manequim feminino vestido com um tubinho rosa e uma sandalinha de cristal (com um saltinho), coroada com uma tiara cintilante sobre os cabelos de náilon cuidadosamente loiros e escovados. Nas mãos o manequim segura uma varinha de condão, mas sem esquecer a bolsa à tira colo. Aninha fica deslumbrada com a cena que mistura realeza com a “roupa da mamãe”, e pede, pede, pede, uma igual àquela.  Porque, na linguagem dela, ter uma roupa igual é ser igual à princesa e, de quebra, adulta como a mamãe. E tem que ter certa racionalidade fria para resistir ao choro e explicar para a filha que aquela roupa não é adequada, que ela não vai conseguir brincar de pique com aquela sandália e tal.

Mas, tem marcas que priorizam o conforto, que sabem que o dia dia das crianças pequenas é 90% brincadeira e diversão. E assim, fazem desde roupas simples até mais incrementadas, sem se esquecer de quem irá vesti-las.

E é aí que eu aproveito para apresentar a proposta da coleção de roupas multimarcas da What Mommy Needs! Nós queremos que as crianças, pais, mães, avós, tias e tios conheçam uma alternativa que, além de confortável e linda, é ecológica!

Nossas roupas são de algodão orgânico – ou seja, que nasce colorido e dispensa o processo químico da coloração (que é altamente agressivo e poluente), de marcas nacionais e importadas. Temos desde bodies para babês até pijama, vestidos e uma jardineira linda! Além disso, vendemos também as camisas super interessantes da Futuro do Presente, que são feitas com PET reciclado e estampam mensagens educativas e inteligentes.

Eis aí, então, algumas das imagens de nossa nova campanha: Porque Brincar é Natural! Você pode levar o banner para o seu blog ou site, se quiser nos ajudar a divulgar. E depois de comprar, se quiser deixar seu depoimento estampado em nosso site oficial, é só mandar um email para contato@wmnloja.com.br.
Aproveite!



















Ah e temos uma novidade! Para quem mora na cidade do Rio de Janeiro, estamos lançando a promoção Frete Fixo: frete por apenas R$8,00, para qualquer compra. Basta fazer o pedido por email: contato@wmnloja.com.br, e fazer o pagamento via depósito bancário. Saiba mais aqui.

domingo, 2 de outubro de 2011

Fazendo arte

Aqui em casa, estamos sempre incentivando a Laura a desenvolver a criatividade. E não precisamos nos esforçar muito. Ela ama desenhar, rabiscar, pintar, colar, e tudo o mais que dê pra fazer no papel ou no quadro (além da parede do banheiro, que já está coberta de adesivos). 

Há algumas semanas atrás, ela ganhou um quadro de duas faces: para usar com giz e pilot, e adorou! Eu gosto de dar presentes assim, que a criança possa curtir muito tempo e que não perca a graça logo depois da primeira semana. Mas, nem sempre a gente acerta, né? E quando eu vejo a empolgação dela com algo, tenho que registrar!

Agora, ficou registrada também a minha mania de me meter no que ela faz, sabe? "Ué, o que você tá fazendo?" "Ah mais aqui ainda tem muito espaço!". Acho que eu é que queria sentar alí e rabiscar... Mas, ela sabe muito bem lidar com a ansiedade da mamãe e, como uma artista, é super concentrada no que faz!

Obs.: Este é um vídeo caseiro, portanto, tente ignorar os ruídos domésticos... A casa agradece!

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