Conheça melhor este blog de mãe, assistindo ao novo vídeo de boas vindas aqui!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Um (novo) relato de parto natural hospitalar

Já fazem 2 anos e (quase) 9 meses que Laura nasceu. A maioria das pessoas que me conhecem sabem da história do meu parto: um parto sem anestesia, sem episiotomia, em posição (quase) vertical, numa sala de parto humanizado de uma maternidade privada. Já falei um pouco sobre meu processo até chegar à escolha do parto natural, em outro post, há muito tempo atrás. Mas, hoje, resolvi revisitar a madrugada do dia 23 para o dia 24 de abril de 2009, e contar como foi exatamente o nascimento de Laura, segundo minhas sensações e lembranças. Agora vou falar do que lembro e do que ficou daquela experiência determinante.


Nessa foto acima, nós (eu, Marcelo e Laura) ainda estávamos na sala de parto, poucos minutos depois de ela nascer, antes mesmo do cordão umbilical ser cortado. E tudo começou mais ou menos as 4 horas da manhã do dia 24. Na noite anterior, tínhamos comemorado o aniversário do Marcelo na casa da mãe dele, e eu já estava super desejante de receber a Laura. Eu já tinha entregado a versão final de minha dissertação, e já tinha marcado a defesa para a primeira semana de junho, meu corpo já estava ansioso para dar à luz! A barriga estava super baixa, e eu já andava como "uma pata", com as pernas abertas! Lembro de reclamar muito disso!


Eu já contava com o obstetra 40 semanas de gestação, já tinha visto o muco sair há mais de uma semana, e tinha verificado 2 centímetros e meio de dilatação na consulta feita dias antes. Pois então, mais ou menos as 4 da madruga, fui fazer um dos 5 ou 6 xixis noturnos em casa, e percebi a saída de uma quantidade grande de líquido (o que possivelmente foi o rompimento da bolsa). As contrações começaram pouco tempo depois, de forma irregular. Começamos a cronometrá-las as 5 horas. É interessante que em nenhum dos filmes de ficção que vi, com cenas de trabalho de parto, as parturientes contam o intervalo entre as contrações - mas esse foi um dos aprendizados mais importantes que tive durante a gravidez. Sabíamos que se viessem 2 contrações num intervalo de 10 minutos, pelo período de pelo menos 1 hora, significava que eu estava entrando em trabalho de parto, teríamos que avisar ao obstetra que me atenderia e nos arrumar para ir pra maternidade. Já tínhamos passado por várias situações de "alarme falso", em que as contrações começavam e depois paravam de vez. Numa ocasião duas semanas antes, estávamos assistindo a uma peça e saímos no último ato, porque eu tinha "certeza" de que era a hora!

Durante a primeira hora de contrações,  fizemos alguns exercícios para o alívio da dor. Digo fizemos porque o Marcelo me ajudou bastante. Repetimos aquilo que tínhamos aprendido juntos num curso de preparação para o parto natural, e funcionou! Eu continuava sentindo as contrações, mas não as sentia como dores insuportáveis. Em um momento, fiquei até meio tonta, por causa da hiperventilação. Eu me sentia meio "anestesiada". Ligamos para o obstetra as 6 horas e para minha irmã Fernanda (que morava a cinco minutos da minha casa e tinha carro). Na verdade, eu só pensava em ficar uns minutinhos debaixo do chuveiro quente, rebolando e respirando, como já tinha visto em documentários e outros relatos de parto. Mas, como eu tinha planejado um parto hospitalar, mesmo contrariada, não tive tempo pra isso. Tive que colocar uma roupa mais decente, sapatos (lembro que isso foi quase insuportável!), e descer pelo elevador até o carro da minha irmã.

Durante o tempo em que fiquei sentada no banco da frente do carro até chegar à maternidade, as contrações foram incomodando mais. O fato de eu não poder me locomover como queria, atrapalhou. Acho que a evolução do meu trabalho de parto foi bem rápida, por isso, foi tão desagradável esse trajeto. Eu sentia que a Laura não ia demorar.


Antes ainda de ir para o centro cirúrgico, onde fica a sala de parto, fiquei num quarto da maternidade, aguardando o médico chegar, com minha mãe me dando a maior força. Minha irmã mais nova, Julia, também já tinha chegado com sua câmera, registrando tudo. Nosso combinado era de que ela filmaria o processo todo - o que aconteceu, para minha enorme alegria! Fiquei admirada com a força das pessoas que me acompanharam. Fernanda foi super prestativa, pontual, e cuidadosa. Deixou-me na maternidade e voltou pouco tempo depois para ver Laura nascida. Marcelo se mostrou muito envolvido e maduro, sempre me ouvindo e respondendo ao que era necessário (ele assistiu a tudo também!). Minha mãe ficou comigo até o momento de ir para a sala de parto. Ela me ajudou dentro de seus limites. Disse que não conseguiria me ajudar depois daquele momento. E Julia foi sensacional! Filmou tudo, dos ângulos mais impressionantes, falando o estritamente necessário e chorando de emoção.

O médico chegou no quarto por volta das 8 horas. Viu que eu já estava com 9 centímetros de dilatação. Eu disse "ela não vai demorar a nascer" e ele disse "eu sei" e foi preparar a entrada no centro cirúrgico. Até aí, eu estava numa boa com as contrações. Ainda não tinha dado um berrinho sequer. Respirava e me sentia quase em transe! Mas, tive que deitar numa maca e ser levada por um auxiliar de enfermagem até o centro cirúrgico, sozinha. O tempo que passei naquele elevador pareceu uma eternidade! Realmente, acho muito impressionante uma mulher que consiga parir deitada - deve mesmo ser muito difícil!

A ideia era parir na banheira da sala de parto humanizado. Mas, logo o médico percebeu que não daria tempo, pois a água ainda estava fria. Subi na cama reclinável, especial para parto vertical e comecei a fazer força. Finalmente, eu podia fazer força! Mas, a posição não estava muito confortável, pois eu sentia dores no quadril e nos pés. Acabei encostando na cama e parindo reclinada a mais ou menos 45 graus. O médico me ofereceu anestesia umas duas vezes, mas eu estava bem convicta de minha decisão, e não cedi. A foto abaixo, mostra o primeiro momento.


Depois é que começaram os urros! Nos últimos quarenta minutos, além de lidar com as contrações, tive que lidar com o incômodo do médico "passar" o dedo na abertura da vagina, como que para ajudar a cabecinha da Laura a sair. Isso doía de verdade. Até hoje, quando assisto o vídeo, do ângulo frontal, me dá agonia toda vez que ele faz isso. Em um momento até falei "doutor, peraí!" e ele tirou o dedo. Não sei se esse procedimento era realmente necessário, mas foi assim que aconteceu. Então, quando ela coroou mesmo, e ficou com uma parte da cabeça bem encaixada, a dor aumentou bastante. Pra mim, a parte mais dolorosa foi essa: a saída. Acho que ficamos bem uns 20 minutos com os cabelinhos pretos dela pra fora. Em um momento, parecia que as contrações estavam aumentando o intervalo, e cheguei a ficar preocupada. Urrava de dor e de irritação. Eu pedia a ajuda do médico, porque me sentia cansada e quase vencida pelo esforço. Mas, a única coisa que ele podia fazer era realmente continuar com as mãos ali, aguardando a saída da minha filha. 

Eu também falava com minha filha. Pedia pra que ela fizesse força. Dizia "vem minha filha!", talvez até um pouco impaciente. Ao que o médico disse: "ela não vai poder fazer nada, agora é com você!". Eu me sentia uma mulher super poderosa, e também uma criança carente. O poder das contrações é justamente o de nos fazer sentir muito mais do que somos. Eu me senti parte de um universo, parte de um TODO, que me atravessa com suas "leis" e sua complexidade. A natureza se fazia presente de forma inesquecível. Lembro bem de ter pensado em quanto aquilo era sobrenatural! Eu falava com Deus e me surpreendia com a força que me dominava. Mas, eu também tinha instantes de insegurança. Normalmente, quando as contrações davam uma trégua, eu me sentia fraca, com medo de não dar conta. Por isso, acho que parir sob o efeito de anestésico não seria legal pra mim. Acho que a dor fez parte fundamental, as contrações foram cruciais para que conseguisse me desligar um pouco dos estímulos adversos do hospital (incluindo os papos paralelos entre pediatra, obstetra e enfermeira, e os comentários sobre meus gritos). É chato ficar ouvindo as pessoas dizerem "Vai! Vai! Tá quase saindo! Força!". Eu me senti pressionada, e isso me desconcentrou um pouco. Eu até achava que eles estavam mentindo pra mim, que ainda ficaríamos um tempão ali. 

O médico preparou uma seringa e eu não entendi pra quê. De qualquer forma, ele não teve que usá-la. Nem fez nenhum corte para ajudar a saída da Laura. O expulsivo foi bem rápido, e por volta das 9 horas da manhã Laura nasceu. Na última contração, com um berro que parecia mais um canto lírico (hoje ouvindo o vídeo, me pergunto de onde veio essa voz!), empurrei-a com toda a força. Ela saiu meio roxinha, rasgando um pouco minha pele, e demorou um pouquinho pra chorar. Depois de ser estimulada por um minutinho nas costas e no peito, com as mãos do médico alisando-as, abriu o berreiro! Chorou um pouquinho no meu colo, mas logo que a coloquei no seio, começou a sugar. Marcelo chorava de um lado e Júlia de outro. Eu me sentia em êxtase! Senti uma fraqueza que eu não saberia definir se era de fundo físico mesmo ou emocional. Comecei a amar a Laura naquele exato momento. Éramos cúmplices. Tínhamos vivido aquela luta do nascimento juntas, e juntas começaríamos a amamentação e os primeiros passos dessa família.


Enquanto eu ia me preparando para ir para o quarto (no qual fizemos alojamento conjunto, ou seja, nós três dormimos juntinhos), Marcelo foi com a pediatra fazer os testes e colocar a primeira roupinha em Laura. Eles aproveitaram e exibiram a nova membro da família para minha sogra, minha mãe e as titias que faziam plantão na maternidade. No quarto, dormimos bem umas quatro horas seguidas, e eu não queria receber ninguém ainda, até descansar e me entender bem com a amamentação. Mas, fomos visitados ainda no mesmo dia pelas pessoas mais próximas da família, inclusive meus sobrinhos fofos! Tivemos alta para ir pra casa no dia seguinte de manhã. Eu já estava transbordando leite!


Eu levei apenas 3 pontinhos, que caíram em menos de uma semana e não me deixaram qualquer sequela. E para quem acha de que é impossível ter uma vida sexual totalmente normal e prazerosa depois de parir pela vagina, saiba que isso é um mito brabo! De lá pra cá, posso dizer que nesse quesito as coisas só melhoraram. Claro que a melhora foi na qualidade e não na frequência - afinal, agora somos pais! Mas, posso dizer que ter vivido a experiência do parto com a companhia de meu marido foi muito importante para nosso relacionamento. As coisas amadureceram mais rápido na cabecinha dele. Foi mais fácil se adaptar às noites mal dormidas a aos cuidados intensivos. Ele ganhou muitos créditos comigo! E eu ganhei muitos créditos com ele e com a Julia. Os dois ficaram tão impressionados com a cena, que mudaram a visão sobre mim. Minha irmã que me via como uma mulherzinha fresconilda, agora me vê como um mulherão de responsa! Ano passado, ela até usou o áudio do meu parto para uma performance artística, com o texto deste link.

Então é isso. Perguntas e comentários são super bem vindos! Ultimamente, tenho recebido várias mensagens de amigas e conhecidas grávidas que desejam um parto normal e estão às buscas de suas próprias experiências. Espero que este relato sirva para ajudá-las, animá-las. Pra mim, é sempre muito gostoso lembrar desses momentos. De tempos em tempos posso sentir o gostinho de novo daquilo tudo, com ares renovados e muita gratidão no meu coração por ter conseguido o que desejei (apesar de não ter vivido o parto no conforto da minha casa, na água de uma banheira morninha). Tive muitas dificuldades para chegar lá (a gravidez não foi muito tranquila e nem todo mundo contribuiu para que o parto fosse natural), mas o saldo final foi muito positivo! Pra uma mamãe coruja como eu que não planeja ter outro bebê nem tão cedo é bom voltar ao tempo e curtir o que passou, né? Obrigada pela companhia!

8 comentários:

Melissa Marsden disse...

Amei, Carol! Acho seu relato super importante. Ainda mais para as mamães de primeira viagem em que o momento do parto é sempre uma questão.

Bruna Ribeiro disse...

Que lindo! Como bos grávida de 31 semanas, escorreram lágrimas por aqui! ehehhee
Cada vez que leio um relato como o seu, me sinto mais forte para o nosso momento, apesar de médicos que não cooperam, de falta de estrutura para um parto digno... A gente luta contra a correnteza!
Tomara que o nosso TP também seja tranquilo assim =)
Felicidades para vocês!

Anne disse...

Que lindo! Senti na pele agora a dir de estar sentada no carro e entendo perfeitamente a dicotomia criança carente X mulher poderosa!! Viva!

Clarissa disse...

Emocionante, Carol! Realmente, vc é mesmo uma mulher super poderosa. E acho que a Laura contribuiu para isso... Foi uma experiência que vc batalhou para conseguir e conseguiu. E, quase três anos depois, o gostinho da vitória do seu relato é palpável. Uma inspiração, de verdade!
bjo, Clarissa

Carolina Pombo disse...

Obrigada gente! A companhia de vocês me dá o maior ânimo!

Bruna, te dou todo o apoio possível para buscar seu parto. É você quem vai parir, é você quem decide, no fim das contas, como será. Que o universo todo conspire a seu favor!

Anne, estou lendo seu relato, viu? Falta só a última parte. Foi inclusive lendo a parte 6/7 que me senti motivada a relembrar de meu desejo pelo parto domiciliar... Parabéns!

Priscila, mãe do Imperador disse...

Lindo relato! Meu sonho é um parto humanizado... Parabéns pelo lindo post de encorajamento! Beijos e boa semana

WWW.MERCADOZETS.COM.BR disse...

MELHOR SITE DE VENDAS http://www.mercadozets.com.br/

VENDE DE TUDO

BANHEIRA
... ... ...
http://www.mercadozets.com.br/ListaProdutos.asp?texto=baba+eletronica&IDCategoria=110

VENDE DE TUDO TEM BERÇO ELETRONICOS CELULARES TV NOTEBOOK COMPUTADOR ACESSORIOS PARA CARROS BRINQUEDOS ARTIGOS INFANTIS E MUITO MAIS

Michele L. Lemos disse...

Que ótimo ler seu (novo) relato Carol! Inda mais agora que eu já tive a experiencia de parir um filho, mesmo que essa vivencia seja singular para cada mulher. Uma pena que não deu pra gente conversar pessoalmente sobre essas nossas experiencias na última vez que nos vimos. Espero q tenhamos essa chance e possamos compartilhar nossas conquistas e dificuldades cara a cara e pela net. Bjs a todos querida, em especial para Laura que a cada dia fica mais linda.