A gente que é mãe e que se dedica muito tempo a maternidade, às vezes até deixando a carreira um pouco de lado, adora levar os créditos pelos elogios aos filhos, não é mesmo? Uma vez, quando viajei sozinha com a Laura para o interior de Minas, enquanto comíamos num restaurante com um casal de amigos, fui surpreendida por uma senhora. Segue a cena:
- Você é a mãe dessa menina? (cara de espanto)
- Sim... (expectativa: ou ela vai dizer que eu sou muito nova pra ter uma filha - meu deus esse mundo tá perdido - ou ela vai dedurar alguma besteira que Laura fez na hora em que eu estava levando o garfo à boca olhando para o meu prato)
- VOCÊ ESTÁ DE PARABÉNS! Nunca vi uma menina tão comportada num restaurante! E ainda por cima, ela come super bem! Como você faz isso?
Fiquei sem palavras! Cenas como essa são raríssimas. Normalmente, as pessoas dizem: "Nossa, vocês tiveram sorte! Ela é um amor!". A verdade é que a gente tenta acertar, mas não pode garantir o comportamento exemplar da criança, mas é bom demais receber um pouco dos créditos pelos bons resultados, né?
Hoje, confesso, estou morrendo de saudades daquela época, do período de um ano e meio aos dois e pouco da minha filha. Ultimamente, tenho recebido muito mais olhares de espanto e reprovação do que belos elogios. Ela está com dois anos e dez meses, numa fasezinha chaaaaata que dói. Vejamos a cena de ontem de noite:
Na saída da escola, resolvi ir comer uma pizza com meu marido perto de casa. Laura estava cochilando no carrinho e logo acordou, chorando.
- To com frio!
- Vamos botar a blusa? (peguei uma blusa mais quentinha que estava na mochila)
- NÃO!
- Xixiiiiii
- Ah vamos lá no banheiro então! (levantei para ajudá-la a sair do carrinho)
- NÃAAAAO!
- Mas, não pode fazer xixi na calça né, Laura? Senão vai sujar a roupa, o carrinho e a gente não vai poder comer a pizza!
- QUERO PIZZA!!!
- Ah que bom! A gente vai comer a pizza já já. Vamos lá no banheiro? A gente bota a blusa, faz o xixi e volta pra comer.
- NÃAAAAAAAAAAAO!
- Vem no colinho filha!
- NÃAAAAAAAAAAAAAAO! (choro, berro, choro)
Todos olhavam pra nossa mesa, claro. Olhei pro meu marido, que parecia não acreditar no que estava acontecendo e tentava "negociar" com a Laura a ida ao banheiro. Adivinha o que eu fiz:
(A) Continuei pedindo por favor que a majestade aceitasse me acompanhar até o banheiro, quase suplicando que ela não fizesse xixi no carrinho.
(B) Desisti da pizza que já tinha pago, saí do restaurante, e voltei pra casa, por que é impossível comer com tanto estresse.
(C) Levantei, peguei-a no colo, sem falar quase nada. Levei-a até o banheiro, aos berros. Coloquei a blusa, sob os resmungos e coloquei-a no vaso três vezes até que deixasse o bendito xixi sair. Voltei com ela ainda chorando, e anunciei o "castigo" quando chegasse em casa, sem alterar a voz.
É, de fato, há uma dose de sorte nos bons comportamentos dos filhos. Na verdade, há uma dose de conspiração do universo: a criança não está com sono, está bem alimentada, animada com alguma novidade e, principalmente, ainda não entrou na fase da mini-adolescência! A nova professora de Laura que me ajudou a enxergar que os pequenos entre dois anos e meio e quatro anos estão exatamente passando por uma aborrescência mirim: não querem mais ser bebês, mas não querem perder o reinado, são super sensíveis, e insistentes, amam a mamãe, mas são apaixonados pelo papai, querem aprender tudo, e começam a mostrar verdadeiros talentos, mas não abrem mão de chamar a atenção (negativamente) nas pequenas tarefas do dia dia, como colocar o sapato, tomar banho, comer. Ou seja, nessa idade, eles precisam desesperadamente que a gente mostre os limites claros e importantes que os ajudarão a concluir afinal o que são: bebezinhos ou crianças com uma boa parcela de autonomia?
Com certeza, tem gente que me recrimina por não continuar tratar a Laura como bebezinha, neste momento. Com certeza, teve gente que achou um absurdo eu levá-la ao banheiro mesmo à revelia. Mas, para esses olhudos de plantão, eu só digo o seguinte: sorte é o escambau! Laura é uma "boa menina" por que a mamãe aqui se dá ao trabalho de dar limites quando eles são necessários!
Este blog faz parte do Portal What Mommy Needs, juntamente com o blog Dicas da Mel, e nossas colunas Vida Sustentável, Dicas Culturais, Mãe em Análise e Palavra da Professora.
Aqui, a voz é quase sempre de Carolina Pombo - mãe, escritora, psicóloga e empreendedora "verde". Alguém que adora perguntas, ama debates, e abre o coração sem medo.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Dar limites é trabalhoso, mas sem limites não dá pra "trabalhar"!
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10 comentários:
clap, clap, clap, clap, clap....
É isso aí.. Eu tenho uma LAura também e o meu ultimo post fala sobre educar.. É isso aí..
Beijinhos
Carol
Tenho cada vez mais certeza que cuidar de bebê é facílimo perto da tarefa gigante que é educar um serzinho de 2 anos, pois o trabalho deixa de ser simplesmente "braçal"...
Eu faço exatamente como você, se é hora de tomar banho, toma banho, se é hora de dormir, vai pro quarto, mesmo aos berros. Eu falo quase nada e simplesmente seguro a bichinha pra ela não se machucar (ou me machucar).
Não podemos ter medo de fazer o que achamos certo só porque eventualmente estamos em público. Mas que é difícil, ah, isso é...
Adorei o post!
Bjs
falou tudo, essa de nao deixar o filho ou filha crescer e infantilizar aqui nao rola, nao nao, trato como criança e dou muito amor, mas nunca como bebe d colo.
Bjks
Oi, seu post retrata minha maior preocupação: limites!
Tenho um filho de tres anos e meio...a pior fase foi entre dois e tres anos.
Não sou a favor de bater apesar de ter sido criada assim...bastava um olhar para eu parar e virar estatua!! Minha mae batia por tudo, mesmo sem eu estar errada, alias, ela nem perguntava, saia batendo. Quando eu era pequena, junto com minhas irmas, nós pareciamos bonecas, supereducadas na frente das pessoas e em casa era muita ameaça e pancada mesmo. Deu certo, de certo modo, crescemos sob o controle dela. Cresci e percebi que tenho uma personalidade bastante submissa. Isso me deixava triste. Até hj sinto dificuldades de fazer minha familia entender que ajo sob meus sentimentos e vontades e não seguindo a influencia dos outros.
Meu filho nada se parece comigo na idade dele.
Nunca ameacei minha mae e ele faz isso comigo...ele não me respeita, prefere a presença do pai(separados) e costuma nao me obedecer e fazer muitas manhas...
Eu nao bato, sempre converso com ele e ponho no cantinho. Mas, sinceramente, nao sei se funciona. Na rua quando ele faz pirraça, as pessoas reclamam, mesmo na minha frente (isso me fere muito). Digo que vou coloca-lo de castigo e assim o faço. Mas meus pais se sentem no direito de dizerem que sou nazista e qie faço terrorismo com ele.
Minha conclusão é que não encontrei até hj tarefa mais dificil do qu educar as criancas...e por mais que a gente faça, terão sempre pessoas para reprovarem as nossas açoes (vide em casa).
Eu ajo como vc! Deixo ele fazer o escandalo, mas ajo da maneira que acho correta. Em casa, ele perde o desenho, os bonecos, seja o q for e fica no cantinho...Estou errando? Acertando? Não sei...sigo minha intuição. Mas com certeza faço com a intenção de fazer o melhor p ele!
Gisele.
Concordo e concordo!! Bento está na mesma fase de Laura (afinal, têm a mesma idade!). Cansa repetir infinitas vezes, é chato, às vezes desanima... mas é necessário, essencial! Seria muito mais fácil fazer as vontades deles, mas as consequências em longo prazo não compensam, além de serem prejudiciais às próprias crianças! Eles pedem sim por limites, e é nosso papel estabelecê-los e demonstrá-los a eles.
bjos!
Amei!!! Parecia que você estava descrevendo situações que eu passo com Ricardo! Meu pequeno grande garoto tem 3 anos e 5 meses e ainda vivencio cenas assim!
Toda vez que esses olhares nada amigáveis pairam sobre mim, fico pensando: É melhor eu fazer isso (dar limites) do que criar um delinquente, portanto, olhem! Cara feia deve ser fome! rs
Beijos,
Paula
www.comoagenteviramae.blogspot.com
Idem Carol. Aqui em casa a situação é idêntica. Béatrice tem 2anos e 9meses e o comportamento é o mesmo. Este seu post é um alento para mim!
Aqui também mantemos a postura de sermos firmes e de mostrarmos o que ela pode e não pode fazer. E ponto final.
Dia desses ela não quis tirar o vestido de "princesa" (um vestido normal so que é comprido) para colocar o pijama para dormir. Depois de muito choro e explicação de que existe a roupa de brincar, de ir para a escola e a roupa de dormir, ela acabou cedendo (muito contra gosto), tirou a tal da roupa e guardou no lugar.
Não é mole. Os testes são diarios. Espero que esta fase passe logo!!
Beijos
idem por aqui. tem momentos que não dá pra sorrir e a fumacinha de raiva sair entre os dentes, tem que ter atitude com esses pequenos.
já tive cenas, e não foram poucas, de vexame total com Samael, mas mantive o pulso firme até o final e agora que ele acabou de completar 3 anos, parece que está ficando um pouco mais maleável. tomara que continue assim.
beijo
concordo 100% com você! e me irrito de verdade quando me chamam de sortuda... é claro que tem uma dose de sorte, mas e o nosso trabalho de dar atenção, limites e amor? de ensinar o que é certo e o que é errado? ensinar como é importante respeitar as pessoas, o planeta e tal? me chateio quando elogiam meus filhos e me dizem que tenho sorte! nunca tive um diálogo como este seu em minas...
enfim! eu faria a mesma coisa!!!
beijoca
Expor limites para a criança é uma forma clara de mostrar que existe regras no mundo e principalmente que o mundo não funciona nas vontades dela.
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